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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Coisas da caça

Manuel Ferreira Rachinhas
O melhor caçador do concelho de Águeda


Não estamos a fazer paródia com este título. Era mesmo assim Manuel Ferreira Rachinhas, que residiu em Aguieira, como por aqui temos dito por várias vezes (Ver post de 13/9/2010, 27/1/2011 e 10/8/2012, por exemplo).
As fotos aqui inseridas já fizeram parte dos escritos naquelas datas mencionadas. E parece-nos ser de interesse chamar à colação a notícia que a digitalização ao lado confirma.
Repare-se que tal notícia foi publicada no número de 1 de Junho de 1929 do jornal Soberania do Povo. Por isso, mais palavras para quê? É um artista português e usa pasta medicinal.......  (toda a gente conhece o famoso sketch publicitário).
As figuras constantes da fotografia são sobejamente conhecidas - pelo menos para alguns. Estão identificadas num dos textos acima referidos. Manuel Rachinhas é o que se encontra vestido com uma espécie de fato-macaco militar, cinzento claro, de pé, o segundo a contar da esquerda. O fato era militar, porque teria chegado da tropa e nem o despiu. Foi assim mesmo para a prática do seu desporto favorito: a caça.
Mais uma vez chamamos a atenção para a redacção da notícia, porque, ao que parece, quem padecia e sofria os prejuízos das raposas era o Sr. Aires da Carvalhosa. Lembramos de ter visto, no seu quintal, uma raposa viva em cativeiro. Mas não era aquela que a notícia destaca... disso  estamos certos!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Coisas e Loisas - 37

Histórias de Caça - Manuel Rachinhas
A cadela «Coimbra»


Um grupo de amigos caçadores entre 1930-1940
Manuel Rachinhas é o segundo da esquerda, em cima, com «vestimentas»
da tropa que se usavam naquele tempo.
Se aqui fosse a desenvolver as histórias existentes àcerca de caça, desporto apaixonante do conterrâneo Manuel Ferreira Rachinhas, certamente que tínhamos de ocupar alguns «gigabytes» ou «himalaias» de espaço (já estou a ver por aí alguns sorrisos, por causa dos «himalaias»).
Um outro conterrâneo, amigo e antigo companheiro de escola, Avelino dos Santos Gomes, é um alforge sem fundo de histórias de antigamente. Sem querer retirar a primazia a outros, como, por exemplo, o «Pauleta» e o «Grijó». Esta até é muito simples, e sem grande impacto. O certo é que constituía um fenómeno, como animal, sempre fiel ao seu dono.
O ti Manuel Rachinhas tinham uma matilha de cães de caça fantástica. Penso que quem se aborrecia um pouco com isso era a sua mulher, a ti Celeste. Ele chegou a ter no seu quintal, devidamente «arrumadas» e tratadas algumas raposas.
Quando saía para a caça - um cumpridor rigoroso de todas as regraas e licenças, respeitando e protegendo como ninguém a natureza, para que esta lhe viesse a 'fornecer' a matéria para que pudesse praticar este salutar desporto.
Para não alongar e voltando à sua matilha de cães de caça, tinha uma cadela que nunca faltava à chamada quando o ti Manuel se preparava para dar uma volta pelos campos e matos dos arredores de Aguieira, quando não ia para mais longe.
A chamada era feita, do centro do lugar de Aguieira, naquele largo que fica próximo do Largo de S. Miguel. O apito utilizado era inimitável e a cadela, que dava pelo nome de «Coimbra» - que nada tinha a ver com a importante cidade da cultura do Mondego - estivesse onde estivesse, fosse qual fosse a distância, dizia o Avelino, que mal era vista a passar tal a corrida desenfreada que o animal desenvolvia para atender e cumprir tão sublime como responsável chamada para a caça. E após esse apito, apareciam cães de todos os lados, para uma sessão de caça, nem que fosse quase ao fim da tarde.
Tal como qualquer bombeiro, quando ouve a sirene.
Também conheci aquele animal, que merecia mais atenção que os outros animais que por aí andam na vertical....


sábado, 21 de abril de 2012

Faleceu José Morais Rachinhas

Ontem, dia 20, pelas 16 horas realizaram-se as cerimónias fúnebres pelo falecimento daquele conterrâneo e amigo que era.
Como seria de esperar lá fui.
Revi pessoas que há muito as tinha longe da vista, estive com sua esposa e filhos e demais familiares.
Tinha lá uma pequena pagela, com a sua fotografia e das quais retirei uma. Aqui a deixo para quem o conhecia.
Era irmão do António, que foi oficial da Força Aérea Portuguesa, que já faleceu assim como o irmão mais velho, Nelson Morais Rachinhas. Residia, após o seu casamento, em Albergaria-a-Velha, local onde trabalhou durante muitos anos, embora natural de Carvalhal da Portela.
A sua irmã mais nova, Maria de Lurdes, vive no Brasil com seu marido e filhos.
O cortejo fúnebre, até ao cemitério de Albergaria-a-Velha foi extenso, tantas as pessoas que acompanharam os restos mortais daquele por quem, certamente, tiveram e têm, com esta manifestação, grande consideração e amizade.
No meu íntimo, desejei apenas que descanse em paz na eternidade e com todos os anjos celestes.
Mas mais nada que não fosse e seja um até já...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pessoas e factos

A caça desportiva dos anos 30 aos anos 60-séc. XX
Manuel Rachinhas e os companheiros

Temos falado  com alguma frequência e por diversos motivos do fenómeno da caça, no qual era «mestre» o homem de Aguieira, funcionário dos Correios, de nome Manuel Ferreira Rachinhas. Para desempenhar as suas tarefas, durante dezenas de anos, calcorreou as estradas, na altura pergiosas pelos assaltos e assassinatos que naquelas paragens inóspitas e isoladas se iam verificando de quando em vez, e ia desde Aguieira a Aguada de Cima. O local ponde onde passava era a então perigosa Gândara do Vale do Grou, hoje cheia de fábricas e outro tipo de instalações, sempre apinhadas de gente.
O sr. Manuel Rachinhas, calcorreava, todos os dias, aquelas perigosas e assustadoras estradas e percurso.
A propósito do sr. Manuel Ferreira Rachinhas e outros comparsas da caça, fui hoje premiado com três fotografias antigas que apenas pretendem «mostrar» um pouco dos tempos de caça, que se viviam naqueles tempos, de uma forma acentuada.
Este favor devo-o ao meu amigo António Rachinhas, filho daquele, que está a ultimar mais um livro, que considero curioso, porque investigou as origens de toda a família, indo encontrar alguns familiares no Brasil, onde já se deslocou em visita, de que já recebeu retribuição, que ao fim de dezenas de anos se reencontram.
Mas o António não está para ficar só por aqui. Tem em curso outras investigações. E nelas, até parece que
teve familiares clérigos colocados em funções eclesiásticas de preponderância.
Mas como nao estamos aqui para contar (mesmo um pouco) alguma coisa do que ainda se encontra envolto em trabalho de pesquisa e de confirmação, vamos mostrar, as fotografias, das quais o António teve a amabilidade de identificar a maioria de alguns personagens nelas inseridas. Vamos ver:

Uma jornada de caça, só com intervenientes da freguesia de Valongo, assim identificados:

De pé da esquerda para a direita:
1 - Não indentificado
2 - Raul Castelão (muito conhecido assim)
3 - Joaquim Adjuto (Joaquim Fernandes de Oliveira-Veiga)
4 - Manuel Adjuto (Manuel Fernandes Oliveira-Aguieira)
5 - António Paula (António Marques da Silva Paula-Aguieira)
6 - António Nunes de Melo, de Arrancada (nome completo por gentileza das autoras de http://apoesiadaisamar.blogspot.com/)
7 - Dr. Mário Pinho - Aguieira
8 - Manuel Rachinhas - Aguieira
9 - Herculano Bastos - Arrancada
10 - António da Laurinda (como era conhecido)

Sentados da esquerda para a direita:
1 - Dr. Augusto Santos, de Aguieira
2 - João de Bastos Xavier, Arrancada
3 - António Bastos Xavier (um pouco encoberto)


Lembrança de mais uma caçada,  que parece se ter desenrolado para os lados da serra da Lousã. Este grupo foi constituído talvez por caçadores de variadas proveniências. O sr. Manuel Rachinhas é perfeitamente identificável, no segundo lugar dos que estão de pé, a contar da esquerda e utilizando fardamento militar do tempo. Isto quer dizer que neste dia, proveniente de alguma folga militar, o sr. Manuel Rachinhas não esteve com meias medidas: vai mesmo à caça com a «vestimenta» militar.

Esta tertúlia de caça é constituída por pessoas do concelho de Águeda, que me foi identificada pelo António Rachinhas, alguns deles que foram meus conhecidos. Deste modo, a «farra» aconteceu em fins dos ano cinquenta, princípio dos anos sessenta, século XX, e nela estão:

Atrás em segundo plano, da esquerda para a direita:
1 - Não identificável
2 - Professor Gameiro
3 - Joaquim Adjuto (Joaquim Fernandes Oliveira, Veiga)
4 - Engº Miguel - Águeda
5 - Professor Bernardim

De frente, da esquerda para a direita:
1 - Manuel Pinto
2 - Jaime Barbeiro
3 - António Figueira
4 - Manuel Rachinhas
5 - Augusto Valente de Almeida
6 - Manuel Valentede Almeida, de pé ao lado do grupo.

De notar que a brincadeira do António Figueira era peculiar. Aqui lá está na farra, despejando espumante por cima do sr. Manuel Rachinhas. Era assim a convivência. E, para terminar, há uma particularidade que tem de ser evidenciada. Estes grupos de pessoas «construíam» e mantinham uma grande solidariedade entre si e cimentavam uma amizade indestrutível. Belos tempos, belos exemplos. Sem invejas... digo eu...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pessoas e factos

Manuel Ferreira Rachinhas

Esta uma fotografia, do saudoso, para mim, Manuel Rachinhas, o célebre caçador, que foi sempre tema de conversa nas tertúlias venatórias do concelho de Águeda. Esta foto devo-a à simpatia e generosidade que seu filho António Martins Rachinhas me proporciona, logo que lhe telefonei a perguntar se, por ele, havia algum inconveniente em recordar estas coisas de seu pai. Não perguntei aos restantes filhos, é certo, o que devia ter feito. Mas pelo que conheço deles e da estima e consideração que, recíprocamente, mantemos, penso que nada impede que todos o recordemos. E gostaria de trazer aqui outras histórias dele, até uma que li na «Soberania do Povo» que, se recordo bem, tratava-se de uma aposta entre caçadores e a mesma tinha como prémio uma das raposas que o sr. Manuel criava em casa e termina essa história com uma frase bastante jocosa sobre a raposa. Se a memória não ma atraiçoa, lembro-me que o sr. Manuel chegava a apanhar raposas e depois criava-as em casa. Este acrescento foi postado após o conteúdo escrito a seguir, face à fotografia que gentilmente me foi cedida pelo António.

*****

Conheci o ti Manuel Rachinhas. Era exímio caçador, a ponto da sua fama se estender por todo o concelho. Era muito conceituado pelos seus comparsas do meio venatório. Como tenho informado, tenho andado de volta das páginas amarelecidas da Soberania do Povo. Lá existia uma secção de Desporto, que noticiava, sempre, factos relacionados com a caça, abrangendo todo o concelho. Não me é possível trasncrevê-los todos, mas constam por lá episódios interessantes passados nos anos de vinte e nove e trinta, séc. XX. Era assinado por Humberto, que não sei quem era. Mas há lá algumas referências ao sr. Manuel Ferreira Rachinhas, todas com muita piada, nas quais acabam por se incluir os seus colegas locais e não só. Por agora recordemos esta, publicada no número de 9 de Novembro de 1929:

«Mas nesta breve revista às tropas, queremos lembrar ainda o Paula e o dr. Augusto Santos, que continuam mantendo os seus créditos, embora o último tenha sido um pouco prejudicado pelo receio que tem de que o Rachinhas o alveje na sua insaciável fome de coelhos.
Os srs. não conhecem o M. Rachinhas de Aguieira?
Tenho a honra de o apresentar à malta venatória. É o Átila dos coelhos, caçando, além disso, raposas, texugos e toda a caça de altanaria.
No último domingo, ele e um seu companheiro, Joaquim Adjuto, mataram 12 coelhos em poucas horas - façanha que para ele é trivial.»

Recordamos este facto ligado a uma pessoa, que conheci, que se pode considerar histórico. 
Para os mais novos deixo, porém, uma pista familiar: sua esposa chamava-se Celeste Martins Nogueira e são seus filhos António Martins Rachinhas (Aguieira), José Carlos Martins Rachinhas (Cumeada), Manuel Augusto Martins Ferreira Rachinhas, já falecido (Covão), Cidália Martins Ferreira (Brunhido) e Joaquim César (Pedro) Martins Rachinhas, estrada Aguieira-Mourisca (Rua do Caminho de Ferreo-apeadeiro de Aguieira).


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