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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Coisas e Loisas - 30

As carradas de mato!

Os carros de bois citados no texto eram parecidos com este, exceptuando a pipa.
As rodas apresentadas são idênticas e prejudicavam grandemente o andamento.
Esta foto está no site da EB2,3 de Lavra, aqui

Já há muito tempo que não utilizava esta rubrica.
Desta feita vamos dedicá-la a um tempo de vida diferente do que agora se verifica.
Vamos recuar aos anos 50 e, talvez, já, nos anos 60 do século XX, quando, por várias vezes, assistíamos aos episódios que naquele tempo se verificavam. Era assim, para resumir.
Dos lados de Travassô, Óis da Ribeira, e talvez Requeixo, Eirol e outras localidades, dos lados da Trofa, Segadães, Almear, etc., vinham os carros de bois (ou vacas), altas horas da madrugada, às vezes a passar pouco mais que a meia-noite, outras vezes a rondar as três, quatro da manhã.
As pessoas que guiavam aqueles animais iam, serra acima, roçar o mato da floresta que era cerregado e transportado para algumas daquelas localidades. E naquele tempo não havia incêndios!
Isto significa que as pessoas andavam quase um dia inteiro, cozinhavam aquilo que traziam de casa, tomavam as refeições no pinhal, e durante a tarde era ver, quais comboios de carros e animais, carregados - e bem carregados - com aquilo que se iria transformar no fertilizante das agriculturas do tempo; o estrume.
Isto vem a propósito daquela fotografia do antigamente, da habitação do Dr. Mário Pinho, de Aguieira, na qual se nota que a estrada não oferecia um mínimo de condições. E lembrei-me do sacríficio e trabalheira que tinham essas pessoas e os animais em transpor aquela subida a partir desta casa, pela estrada que ia para a Mourisca, até à Quinta da Aguieira e, a partir daqui, até à passagem de nível que está no extremo desta quinta.
As pessoas pegavam em forquilhas, enterravam-nas no mato transportado naqueles carros de todos conhecidos, pelas traseiras, empurrando-os, tentando minimizar o esforço empregue pelos animais a puxar tamanha carga e peso. O pavimento da estrada não favorecia o andamento do transporte e do esforço que todos empregavam para ultrapassar aquele desnível na estrada. Ainda hoje, apesar das alterações introduzidas nos pavimentos, é visível esse desnível acentuado.
É pena não possuir uma fotografia daquele tempo e destes factos.
Socorri-me de uma foto que encontrei na net, ficando, por ela, a ideia aqui exposta.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A propósito de estrume

Fabricar combustível

Quem não se lembra desta publicidade? Esta ainda existe 'colada' em mosaicos numa parede, próximo de Viseu, conforme blogue expub.wordpress.com/2009/10/05/nitrato-do-chile/. Veja ainda o blogue, que tem uma explicação sobre este assunto, bastante interessante, chamado sai-tedaqui.blogspot.com/

No anterior post falamos de estrume e de estrumeiras. Vem a propósito dizer o que, com toda a certeza, todos sabem: a matéria orgânica é geradora de combustível.
Ora, como dizia neste post, as grandes casas agrícolas, como era o caso da Quinta da Aguieira, a casa agrícola do Dr. Augusto Santos, também em Aguieira, a casa agrícola de Sousa Baptista, em Arrancada e tantas outras, que as havia, quer na Veiga, na Arrancada, Paço, Brunhido, Carvalhosa, Carvalhal da Portela, nos lugares das chamadas Póvoas, tinham estas casas áreas substanciais para produzir a matéria orgânica que permitisse a fertilização das suas terras.
Mas lembro-me ainda que na Quinta da Aguieira tinham enormes instalações próprias para colocar grandes quantidades de detritos, mato, e outros materiais que seriam apodrecidos e onde iam desaguar, por canalização própria, todas as águas residuais da residência e das instalações animais.
Um dia alguém se lembrou (creio que o então proprietário da Quinta, Fernando de Vasconcelos e Sá) de ir «buscar» o gás que estava a ser produzido em instalações subterrâneas, algumas cobertas com placas de cimento, bastando para isso colocar, para ser absorvido, uma entrada própria.
Com esta conduta, o gás chegava por uma canalização normal até à cozinha e aqui, nos bicos de uma espécie de fogão, ligava-se, acendia-se um fósforo, e a chama aparecia para cozinhar.
Coisas de há muitos anos, quando não havia resíduos nos pinhais, porque era tudo muito rapadinho, dado que tais resíduos, a lenha, era o gás da cozinha daquele tempo.


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