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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

INSUPORTÁVEL

QUEM AGUENTA?

Este blogue não foi criado para estas coisas. A ser verdade, também o tenho de usar para mostrar a minha indignação (mostrar indignação só, não chega)! Um amigo meu enviou-me este mail que vou procurar aqui reproduzir. E nem vou acrescentar mais nada, porque a este propósito, o que para aí há é demais e muito repetitivo! Diria escandaloso. Os anteriores eram escandalosos. Afinal, nada mudou!
E já me levaram mais de 200 Euros no subsídio de natal... que muita falta me fazem.
- Para o ano não há subsídios! Como vou pagar o seguro do meu bolinhas?
- Como vou pagar o IUC, na ordem de mais de uma centena de euros (para aí uns 150€) que é o normal dos carros de pequena cilindrada?
- Como vou pagar o IMI?
- Como vou pagar  o seguro da casa?
- Como vou aguentar e viver o dia a dia? Sempre metido em casa, para não gastar, mas mesmo assim...
Para ficarmos apenas por aqui.
Mas as comissões da troika, de centenas de milhões, têm de ser pagas!

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QUE LINDO EXEMPLO ! O tal carro novo que compraram para as obrigações protocolares.
E anda esta corja a impor tantos sacrifícios a quem já não pode mais, para isto... Estes gajos não tem vergonha na cara! Que lindo exemplo!!!



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Depois da ressaca das novas medidas de austeridade que vêm aí, os nossos governantes pedem poupança, contenção e que façamos mais uma vez sacríficos ...Nem deixam assentar a poeira, adquirem de rajada uma viatura para convidados do Estado. Um Mercedes S450CDI no valor de 140.876 euros . A explicação dada, foi pelo custo de manutenção da anterior viatura e obrigações protocolares.
Um cidadão normal que tenha um carro antigo e a precisar de uma revisão geral o que faz? Não brinquem connosco. Se não temos dinheiro e estamos em restrições alugue-se um carro por uns dias ou compre-se um carro híbrido e mais em conta. Receber com dignidade não é o mesmo que sumptuosidade.
É uma vergonha! Depois queixem-se, o povo - «o povo é sereno» - tem que acordar para isto e muito mais. Esta noticia veio a lume, mas haverá outras peripécias que não se sabem. Definitivamente o exemplo não vem de cima e assim não vamos lá.
O Presidente da República deveria inviabilizar esta compra. Devido à cimeira da NATO compramos carros, e por outro lado são estes senhores europeus que nos mandam apertar o cinto. Um verdadeiro paradoxo...
Não seria vergonha nenhuma pedir um carro emprestado à Europa para as nossas obrigações protocolares.
Que dirão a maioria dos portugueses que gostariam de trocar de carro e não têm possibilidades para isso' Não há dinheiro, não há gastos.
Este episódio mostra a nossa cultura permissiva - «quanto mais me bates mais gosto de ti» - mas que deve ser denunciada e condenada
DIVULGUEM E REVOLTEM-SE

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Nota: Até aos asteriscos, o conteúdo é o do mail recebido. Só formatei o texto. Com estes exemplos, nomeadamente com o do carro do homem da lambreta, não vamos longe. Mas já agora estou em pulgas de curisoidade para ver o fundo da panela, se é que o fundo e a panela ainda existam...

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Nota: A seguir aos asteriscos, o conteúdo é o do mail recebido. Só formatei o texto. Com estes exemplos, nomeadamente com o do carro do homem da lambreta, não vamos longe. Mas já agora estou em pulgas de curisoidade para ver o fundo da panela, se é que o fundo e a panela ainda existam...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Para começar o dia

A liberdade é isto?



Carlos, um rapaz das Honduras, é uma dos cerca de quarenta milhões de crianças que, por não terem lar, vivem abandonadas à sua sorte nas ruas das cidades latino-americanas. Muitas delas ainda têm pais, mas estes são tão pobres que não podem tomar conta dos filhos. Há cinco anos que Carlos ganha o sustento como engraxador de sapatos. Não é nada fácil sobreviver.

O meu maior problema é dormir. Não é nada fácil encontrar um lugar seguro onde não seja incomodado. Eu não quero juntar-me a nenhum bando e começar a roubar. Isso não é futuro. Mas como não estou em nenhum bando, também não tenho ninguém que me proteja. Às vezes é horrível não ter ninguém no mundo que goste de mim. É preciso ser-se muito forte para aguentar.

Há dias em que tenho a impressão de que toda a gente me detesta. Olham-me, furiosas, quando pergunto: “Quer engraxar os sapatos?” Outras insultam-me porque estou sujo. Mas já me habituei a ser insultado só por ser pobre.

A vida na rua é difícil. Quando comecei a trabalhar, havia rapazes mais velhos e mais fortes que me tiravam o dinheiro todo e até me batiam. Os polícias também me bateram várias vezes. Uma vez, meteram-me num lar, mas era como estar numa prisão. Ao fim de algumas semanas, fugi.

A maioria das pessoas não fala comigo quando me manda engraxar os sapatos. Lê o jornal ou olha em frente. Mas também há quem me diga: “Dá-te por feliz por poderes viver em liberdade, por ninguém te dar ordens”, ou coisas parecidas. Isto põe-me furioso.

É liberdade ter fome? É liberdade não poder ir à escola por ter de trabalhar? É liberdade não poder aprender uma profissão e ser talvez condenado a passar a minha vida inteira na rua?

Hannelore Bürstmayr
Grün wie die Regenzeit
Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986
(tradução e adaptação)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Da vida real

Em Setembro




Já em Setembro, muitas famílias sem emprego ficarão também sem direito a subsídio e mais empresas vão fechar.
A notícia de que cerca de 80 mil crianças do Malawi – algumas com cinco anos – sofrem problemas terríveis de saúde nas plantações de tabaco – com o equivalente ao consumo de cinquenta cigarros por dia – e que trabalham cerca de 12 horas para ganhar menos de 15 cêntimos passou despercebida.


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