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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A nossa história


A igreja de S. Pedro de Valongo do Vouga
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Vamos diversificar as intervenções bloguistas, passando um pouco à história local e, particularmente, ao que consideramos, na nossa opinião e com o nosso jeito, a alguns monumentos. Para isso socorremo-nos, à falta de formação na matéria, de algumas bibliografias a que, certamente, nem todos terão acesso.
Hoje, falamos de um monumento, que é, na nossa opinião, como em muitos outros locais, a igreja paroquial.
Valongo do Vouga adoptou por seu orago S. Pedro, não sabemos desde quando. O actual edifício de culto cristão não é, originalmente, o primitivo. Mas penso que é inquestionável, que se mantém o local onde existiu a primeira edificação religiosa da freguesia, na era cristã. Como quase todas as igrejas o são desta era, excepto as que foram adaptadas ao culto cristão.
Terá existido uma grande reconstrução na passagem do século XVII para o século XVIII. Segundo os especialistas, são vestígios o uso de granito, comparando-se este facto com a ainda existente pia baptismal, do princípio do século XVI e toda trabalhada em calcário, da época manuelina. Admite-se que a primitiva igreja seria do estilo manuelino que, como o nome indica teve início no reinado de D. Manuel I (1469-1521), também conhecido por Gótico, embora este estilo já existisse desde o reinado de D. João II.
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Arco-cruzeiro e altar-mor da igreja paroquial

Faltará dizer que são daquela época manuelina dois pequenos bendictérios que ainda estão embutidos nas paredes à entrada das portas laterais. Esta palavra, que parece esquisita, não se encontra em dicionários consultados. Porém, o elemento «bene…» é de origem latina na composição de palavras que exprime a ideia de «bem» (conf. Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, e Grande Dicionário Multimédia da Texto Editora). Logo, para não suscitar dúvidas, admitimos que seja o local onde as pessoas queriam o bem, tocando e benzendo-se na água benta existente no local, que se apresenta em forma de concha em calcário.
Idênticas funções tinham as pias de granito colocadas nas colunas de suporte do coro alto.
Esta igreja, como quase todas do mesmo género tem um corpo e capela, dois arcos nos flancos, junto ao cruzeiro, que se destinam a altares, porta principal e duas portas travessas, frestas altas e rectangulares.
O arco da direita foi construído na segunda metade do século XVIII, formando uma capela. O arco cruzeiro ficou com certa graça artística, com decoração constituída com almofadados rectangulares com diamantes, e os pés direitos com almofadas corridas, fortes.

Porque se trata de um monumento que carece de mais atenção e divulgação, aqui voltaremos com outros pormenores, até à actualidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Rio Marnel e Lamas do Vouga

Os recantos e a igreja antiga


Este slide contém algumas fotografias que merecem uma pequena explicação de ajuda. As primeiras sugerem, num restolho, a antítese do que aqui publiquei em tempos, que foi a fotografia da sementeira em completa germinação. A sua apresentação era de tal forma geométrica, em linha, que agora essa mesma figura é «vista» na colheita desse mesmo milho que foi verde e que agora, o restolho, é de cor seca.

Quem vai pelo caminho da capela do Espírito Santo, em Lamas do Vouga, desce para este lugar pela berma direita da EN1 que segue para Albergaria. Aqui foi motivo para fazer dois ou três cliques de imagens da igreja paroquial desta freguesia, completando-se com uma vista muito parcial do lugar.

Temos a seguir apenas uma foto. Diz respeito à ponte sobre o Rio Marnel, que foi substituída por outra que agora é a EN1-IC2. Refere-se este facto, porque os arcos da ponte e mesmo a própria ponte terão a mesma idade que a ponte antiga sobre o Rio Vouga.

Há duas fotografias curiosas a seguir. Na ponte medieval, sujeita a obras de recuperação e conservação, quase concluídas, existe a certa altura do seu percurso, mais ou menos a meio e numa ligeira curva, um recanto, que, pretendendo brincar com a situação, mais parece o local onde estaria alguém a cobrar portagens, pela passagem no local.

Seguindo a ordem temos duas que mostram a ilhota do lago do Rio Marnel que ali se forma, para, logo a seguir, já a entrar na vegetação florestal existente, duas fotos de ruínas de um edifício que me parece recente, até pela técnica de construção do betão armado, que é perfeitamente visível. O caminho está em muitas boas condições para ali poder caminhar.

Tenho a seguir três fotos que mais não são que a amostra de biodiversidade e do microclima ali existente, sendo muito visíveis rastos de animais, que deixam no feno a confirmação das suas deambulações por aquele local. Culminando, quando lá cheguei, deparei com as instalações da estação de tratamento de esgotos da SIMRia. Que já conhecia, porque pela Bóca fica mais perto. Não podiam faltar, pelo menos duas fotografias sobre a sinalética da aviação nas linhas eléctricas de média tensão, com dois blocos pendurados nos fios. É normal.

Entramos, de seguida, numa série de dez fotografias, que mostram o que resta da igreja antiga de Lamas do Vouga. Melhor que comentários, vamos transcrever parcialmente o que disseram especialistas desta matéria, no «Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - Lisboa 1959». Assim:

«Até ao século XIX o sítio da igreja foi em ponto baixo e fronteiro, na margem esquerda do Marnel, a montante da antiga ponte. Visitámos o local, transformado em campo de cultura. Vêem-se ainda restos da capela-mor, que são incaracterísticos. Nos trabalhos de arroteamento têm aparecido ossos, encontrando-se alguns arrumados num recanto da mesma capela-mor. Vimos ali restos soltos de azulejos servilhanos de aresta, do século XVI, de diversos padrões, tendo sido recolhidos outros pelo proprietário da terra. Lápide, que transcrevemos abaixo, e que provávelmente já não correspondia à construção desaparecida no século passado [século XIX], esclarece uma reedificação do século XII [da fundação da nacionalidade] comemorando a sagração da igreja de Santa Maria de Lamas, pelo Bispo de Coimbra, D. Miguel, sendo pároco o presbítero Vermundo, na era hispânica de 1208 (A. 1170), a 10 de Maio (VI Id.), dia consagrado aos santos Gordiano e Epímaco, em honra da Virgem Santa Maria, ano da encarnação do senhor de 1170, reinando em Portugal Afonso filho do conde D. Henrique e da rainha D. Teresa... etc...»

Sobre esta situação e fotografias, estão ali colocados vários ícones e imagens de barro, velas e um cxheirto a azeite (já rançoso) num altar que não tem vestígios do antigo, com coisas a raiar alguma religiosidade fanática e sem nexo, nomeadamente uma foto na qual está inserida a imagem de um cadáver na urna. E, ainda assim, lá está uma vitrine, sem qualquer segurança, que possui uma quantidade significativa de fragmentos de ossos humanos. Penso que aquilo devia ter um outro «arquivo» e preservação. A Câmara tem uma cobertura sobre a área onde se supõe a existencia, quase certa, da igreja antiga de Lamas, com vestígios de terem sido feitas escavações superficiais. E mais nada.

Termina este slide com dois aspectos do lago, que achei graça porque os patos andavam a deambular longe da ilhota onde têm os seus abrigos. E então chamei a uns o 1º grupo da maratona e a outros o 2º grupo da maratona. Iam afastados uns dos outros. Só por isso. E termina com duas imagens, sempre indispensáveis do local, da ponte medieval. Sempre sugestivas e espalhadas pelo mundo inteiro através de outras pessoas que as têm fotografado. Tenho encontrado dezenas destas fotos da ponte.

Todas estas fotos foram obtidas hoje, dia 24 de Setembro de 2009.

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