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sábado, 5 de dezembro de 2009

Coisas e Loisas - 10

Valongo pára em Agosto


Já constituiu uma máxima aquele título! É evidente que isto foi noutros tempos, em que talvez se tivesse vivido uma das melhores épocas que a isso permitia: Férias. Na realidade no mês de Agosto, em Valongo, era a debandada.
Destinos; para a praia da Barra, principalmente; da Costa Nova e, depois, mais recentemente, para a Vagueira. Além de outras.
Fui rebuscar estas memórias numa rubrica que tinha no semanário «Soberania do Povo», neste caso de 30 de Julho de 1982, intitulada «Terras do Marnel».
E na realidade era assim. Havia veículos propositadamente carregados com o indispensável de meios e utensílios para se poderem passar 30 dias na praia com o mínimo de condições. E como era perto, nada difícil concretizar a tarefa.
Então, naquela data e na rubrica referida, dizia assim:


«Ao pensar em tudo o que se ouve sobre organização de tempos livres, é forçoso pensar-se também que tal factor é originado pela lufa-lufa de uma vida agitada. Ao longo de vários meses, a correria desenfreada das pessoas leva-as a que, uma vez no ano, deixem de o fazer.
A freguesia não foge à regra. Aproxima-se o mês de Agosto e é ver a freguesia «parada».
São as termas. São as praias, nomeadamente aquelas que em termos de distância nos ficam mais próximas. Mas também há quem se vá deliciar com os calores dos Algarves. E outros aproveitam para visitar uma França, Alemanha ou outro país europeu no qual um familiar se encontre mourejando.
A população desta freguesia, merece bem esta paragem na sua actividade diária. Ao longo do ano ela é desdobrada pela miscelânia de uma vida própria, como aliás a de quase todo o concelho. A nossa população possui duas especializações importantes: por um lado a sua vida de operário fabril e, nas horas vagas, a sua actividade predominantemente agrícola.
Mas também são os emigrantes. Ei-los que, quais andorinhas, voltam ao seu ponto de partida. Sempre alegres e bem dispostos, também com o propósito de se recrearem um pouco de uma outra e, talvez, mais agitada vida de duro trabalho.
São as férias. Uns que já as gozam e outros, no caso particular da freguesia, que em Agosto vão em debandada, com camionetas carregadas, para que durante este mês nada lhes falte.
Para os que vão e para os que ficam, desejamos merecidas e boas férias.»
....


*****

O propósito em recordar este texto, é para colocar em evidência alguns factores. E, entre eles, o modo de vida totalmente diferente do que se vive actualmente. Em pouco mais de 25 anos como tudo mudou... para pior (?).
É claro que recordar isto com este tempo meteorológico, não encaixa muito bem. Mas, a propósito, parece que é possível fazer algumas comparações do que se obtinha sem muitos custos e hoje são inêxistentes as condições de poder ir até à Barra fazer o mesmo... para alguns... para a maior parte!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Gente destas terras - XII

A família Pacheco Teles


Socorrendo-nos de António Simões Estima, em de «Ualle Longum a Valongo do Vouga – Subsídios Monográficos – 2003», verificamos, quando começamos a ler o capítulo que aquele autor dedica aos homens ilustres de Valongo do Vouga, que a família da Quinta de Aguieira possui uma antiquíssima genealogia.
É natural que esta génese tenha origem, como se pode ver na página 285, em Domingos João Teles e Antónia Gomes Pacheco, que por volta do ano de 1670, tiveram um filho de nome João Gomes Pacheco, que foi bispo, ilustre e importante figura do tempo. Mas, fazem-nos recuar estes pressupostos, porque era bispo e, como parece fazer-se entender, não terá deixado descendência. E assim, faz-nos pensar que o início desta genealogia pode estar em Mathias Gomes Pacheco e Francisco Gomes Arede, cujo filho, Agostinho Pacheco Teles, nasceu na Quinta do Sobreiro, em 1692, e que se formou em Direito pela Universidade de Coimbra.
Seguindo com a leitura, chegamos ao Dr. José Agostinho Figueiredo Pacheco Teles, já nascido em Aguieira, em 8 de Agosto de 1752, filho de Nicolau Baptista de Figueiredo Távora de Morais, natural de Dardavaz, concelho de Tondela, e de Joana Josefa Teles Vidal Pacheco, natural do Lugar de Aguieira. Vamos admitir que nesta data o palacete da Quinta de Aguieira já existia. É natural que seja aqui o início da existência da família Teles, Figueiredo e Pacheco.
Uma referência para uma descrição fiel, muito sucinta, inscrita no livro «As Meninas Mascarenhas», editado em 1983, por iniciativa do então pároco de Valongo do Vouga, Pe. António Ferreira Tavares, no qual esta hereditariedade é meticulosamente explicada.
Um outro pormenor a destacar é que os “Pachecos Teles” sempre desempenharam a profissão de advogados.
Provocou-nos alguma curiosidade a história que culminou com a morte, por assassínio, do Dr. Nicolau Baptista Teles de Figueiredo Pacheco, que António Estima, naquela monografia nos conta. E este era filho do Dr. José Agostinho e Maria Luiza Magalhães, residentes na Quinta de Aguieira.
Depois, o protagonista da história de «As Meninas Mascarenhas», Dr. Joaquim Álvaro Teles de Figueiredo Pacheco, nascido em 16 de Abril de 1816, era irmão do Dr. Nicolau que foi baleado na noite de 28 de Agosto de 1842, quando entrava na sua casa, pelo célebre João Brandão.
Como refere o Pe. António Ferreira Tavares, após outras peripécias contadas e ilustradas no referido livro, esta família extinguiu-se em 1902, por não haver descendência da família Pacheco Teles, que muita influência teve, económica e politicamente, na freguesia e no concelho e até no país.

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