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sábado, 28 de agosto de 2010

Escolas de Arrancada

Um dos antigos edifícios das escolas de Arrancada antes da demolição
É ainda visível a legenda que ali foi escrita no ano de 1982

No post anterior fazia referência ao conteúdo das actas da Junta de Freguesia, situando-me, por ordem cronológica de datas, em 1914, no mês de Abril e numa delas está a descrição da situação das escolas.
Os edifícios antigos, que frequentei ainda, foram demolidos e, como se tem dito, substituídos pelas actuais instalações, que já foram objecto de obras de remodelação e manutenção há uns anos atrás.
Como já tenho denunciado, ando a desfolhar, por ordem mensal, o jornal paroquial «Valongo do Vouga». E nele encontrei, no número de Dezembro de 1982, na última página, um artigo interessante e, mais interessante, a fotografia que o ilustrava.
Como se diz ali, o edifício que vemos era o que estava do lado norte, e era precisamente igual ao do lado poente, ficando cada um à beira da estrada após a curva que ali ainda se situa, na estrada de Arrancada - Aguieira.
Nesse artigo é feita referência aos factos que aludimos antes, e no número do mês de Março de 1983, o sr. Carlos Pinho, já falecido, natural de Aguieira e residente em Albergaria-a-Velha, ali pronuncia um interessante depoimento sobre essas escolas e sobre os seus professores de então, evidenciando o prof. Vidal e sua esposa, D. Ana.
Saudável a nota que faz sobre o despique que ambos travavam, para ver quem, no fim do ano lectivo e na 4ª classe, apresentava mais alunos que fossem aprovados com distinção. Lembro-me ainda que nesses meus velhos tempos de escola, fui aluno, como já disse aqui, da D. Alcina Tavares, de Mourisca, ainda a viver naquele lugar, da 1ª à 3ª classe. Na 4ª classe fui aluno da D. Beatriz e com ela me desloquei a Águeda, à escola do adro, para me submeter ao exame respectivo, talvez no recuado ano lectivo de 1952/1953! E, nessa altura, foi o último ano em que se classificavam os alunos «aprovados com distinção». E isso também aconteceu na escola de Arrancada, naquele ano lectivo, tendo sido três os contemplados: o Arménio António Gomes dos Santos, filho do inspector Gomes dos Santos (que era mesmo um barra), o João Vidal Xavier, filho do sr. Engº Bastos Xavier (também um fora-de-série, já falecido) e eu. A D. Beatriz, creio, que ficou um tanto ou quanto babada. E a D. Alcina também...
A fotografia desses edifícios das escolas, cuja história ando a pesquisar nas actas da Junta, e que já tinha sido abordado por causa das novas instalações, entretanto demolidos, fica aqui digitalizada daquele jornal, com a devida vénia, que se regista.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Solidariedade - Madeira

Em louvor do Funchal



Ainda não tinha referido nada sobre a Madeira e, particularmente, do Funchal, além de outras localidades da ilha. Faço-o agora, impressionado pelo contraste existente entre o que era e o que agora vemos. Em baixo cito a fonte do texto e fotos.

*****

Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz.
As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia.

Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.



Encravado na forma de uma concha há cinco séculos, burgo marítimo de referência, com construção fantasiosa, o Funchal foi a primeira cidade europeia nascida fora da Europa. O resultado é um património humano e urbanístico únicos. Evoca, é claro, o modelo de algumas cidades continentais, mas já é outra coisa, como acontece aos territórios de fronteira. É uma cidade reservada e extravagante, cosmopolita e primitiva, enérgica e indolente. Tanto como outras, mas diferente, de uma maneira que é só sua. Por exemplo, em certas horas vazias, as inúmeras varandas terrestres espalhadas pelas encostas parecem colocadas num imenso navio como os que muitas vezes ali aportam, e sente-se (isto é real) que toda a cidade flutua.

O Funchal é, ainda que isso seja escassamente recordado, uma cidade literária, como Trieste ou Marraqueche: ali não apenas nasceram Edmundo Bettencourt, Cabral do Nascimento, Herberto Helder ou Ana Teresa Pereira, nasceram os seus universos.

Conta-se que o poeta António Nobre gravou a canivete numa árvore do Funchal: “sede de luz como que de relâmpagos”. Um dia, que esperamos não muito distante, chegará a luz.
Fonte:
José Tolentino Mendonça - Texto
© SNPC 25.02.10
SNPCultura - fotos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Recordações

Nas fotografias
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As fotos que a seguir apresentamos, são apenas... recordações que fizeram alterar o visual dos locais a que estávamos habituados no nosso quotidiano. Não temos outra intenção que não seja isso mesmo. O resto que se possa deduzir ou que as imagens suscitam, será com cada um, porque não está nos nossos horizontes nem nunca esteve na origem de qualquer outro vector da vida local. Antes pelo contrário.
..

Gata asseada e limpa

A primeira forografia é apenas pela curiosidade caseira e/ou doméstica. É que havia cá (havia, porque já faleceu de velhinha) uma felina que utilizava as instalações sanitárias como qualquer pessoa. Não sujava nada...

Praça de S. Pedro

A segunda é apenas para mostrar, como já foi feito de outras vezes aqui mesmo, qual era o aspecto da Praça de S. Pedro. Do lado esquerdo da imagem, pode ainda ver-se a casa da D. Alexandrina Fernandes de Pinho e da loja do sr. Eugénio Fernandes Gomes, antes da demolição.

Escombros de duas casas demolidas frente ao largo de S. Pedro

A terceira e a quarta fotografia foram obtidas no mesmo dia, apenas com ângulos um pouco divergentes, mas que mostram a casa da D. Alexandrina após a sua demolição, bem como a loja onde esteve o sr. Eugénio Fernandes Gomes, com todos os escombros ainda num monte antes de terem sido retirados. Estavam frente à Praça de S. Pedro e do adro da igreja. Curiosidades de situações que existiram e que desapareceram do nosso visual quotidiano.

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