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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Valongo antigamente - VI

Imagens de outrora


Os meus últimos post's sobre 'Valongo antigamente' foram apresentados com outros pelo meio sobre outros temas.
Então pensei o seguinte: em vez de postar as fotos de Valongo de antigamente alternadamente com outros temas, vou apresentá-las todas de seguida, mas com algum tempo entre si, de modo e permitir-me vê-las em pormenor, apreciá-las para as melhor apresentar e, até, poder identificar outros factos que as mesmas possam suscitar.
Desta forma, e segundo este princípio, vou apresentar já uma foto que, para mim, é a principal, senão mesmo a melhor que historicamente aqui se encontra.
É que no verso da fotografia tem escrito o seguinte, tal como segue:

Fotografia tirada em frente à capela de S. António, em Arrancada, no dia 3 de Julho de 1934, por ocasião de um jantar oferecido pelo Sr. Baptista aos professores da Escola Industrial e Comercial de Águeda.

Perante esta perfeita descrição e motivo da reunião, ali, em frente da escadaria de Santo António, é perfeitamente identificável Sousa Baptista, do lado direito de pé e ao seu lado esquerdo, o Padre Marques de Castilho, o grande obreiro da fundação daquele estabelecimento de ensino, onde hoje estão as instalações do Tribunal Judicial de Águeda. As outras pessoas não são, para mim, identificáveis, nomeadamente as três senhoras sentadas na escadaria.
Mas que é história e importante, disso não restam nem se colocam dúvidas.

Mai um pormenor: Em 1934 e com as aparências da escadaria e da capela, as obras de restauro já se teriam desenrolado há muito. São visíveis, do lado direito, o muro de suporte de terras, pormenor que as fotos anteriores não apresentavam. Sobre esta situação, tenho por aí mais umas coisas sobre a capela. Mas não encontrei. Vou procurar e talvez dê origem a mais um post.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Valongo antigamente - V

Imagens de outrora


Rara imagem da capela de Stº António-Arrancada

Foi no primeiro post desta série, graças à disponibilidade do Filipe Vidal e na primeira amostragem, que tivemos oportunidade de ver a primeira foto da capela de Santo António, apresentando-se, graças às obras de Sousa Baptista, completamente remodelada e diferente, logicamente. Como hoje está diferente daquelas épocas...
Agora estamos a ver a mesma capela, cremos que ainda mais antiga, pois pela imagem são evidentes os sinais de degradação que apresenta, mesmo a pedir encarecidamente que olhem por ela. Não só o edifício, bem como a escadaria...
Também são visíveis de, na mesma foto, ter sido escrito alguma coisa com ela relacionado.
Ampliando ou não, é perfeitamente legível a inscrição que tem de «Capelinha - Arrancada do Vouga», em letra francesa (ou letra rond, que aprendíamos na Escola, em Águeda, na disciplina de caligrafia, ministrada por Madalena Rendeiro, já falecida não há muito tempo). Por baixo diz «De Stº António». Acima destas frases surge, a vermelho, qualquer coisa escrito, que parece «fotografia José Alves... qualquer coisa...».
Pelas origens da fotografia, leva a crer que estas frases pretendem identificar não só o local, o que é inquestionável, como talvez ainda a pessoa que está na foto. Estas suposições atestam a antiguidade da fotografia. E a pessoa que nela ficou, pode não ser da freguesia. Daí as inscrições.
É ainda de salientar todo o meio envolvente, principalmente do lado direito, onde é visível a diferença entre o terreno existente e o que apresenta a fotografia já aqui reproduzida no primeiro post desta série e até com a situação actual. Do lado esquerdo, são visíveis também acentuadas diferenças do estado da estrada e do que, na sua berma, se encontra, como os resquícios de um muro, hoje desabado, bem como uma carroça de tracção animal.
Sobre esta situação é tudo o que podemos dizer...


sexta-feira, 24 de julho de 2009

USOS E COSTUMES

SANTO ANTÓNIO - ARRANCADA DO VOUGA

As festas de Santo António, em Arrancada do Vouga, datam de há mais de trezentos anos. A ermida primitiva, onde é venerado, já não existe. Demolida, foi substituída pela actual, mandada construir pela família Souza Baptista.


A animação das festividades, nos tempos de antanho, tinha por características e atracções principais as grandes peças teatrais, baseadas, muitas vezes, nos autos de Gil Vicente, representados por «artistas» do lugar ou da região. Aconteciam também, com alguma frequência, os espectáculos populares conhecidos por entremezes.
À volta das festividades criaram-se hábitos que, de geração em geração, se transformaram em tradições, que ainda há pouco perduravam, mas que a velocidade e voracidade dos tempos que vivemos as fazem decair e esquecer.

Entre algumas tradições são ou foram de alguma importância como, por exemplo, ter sido criado um livro, que passa de comissão em comissão e no qual além de alguns factos significativos, são registados os nomes dos elementos da Comissão de cada ano e, bem assim, as contas respectivas de cada uma das comissões responsável pela festa. Nalguns casos fica ainda ali colada a fotografia dos membros da Comissão do respectivo ano.

Por outro lado, na altura das vindimas, era contratada uma mulher que, de canado à cabeça, ia de porta em porta colher o vinho mosto que cada um tinha prometido e, logo que estivesse cheio, era despejado nas pipas pertenças da capela (ou do santo?), retomando, como é evidente, a actividade de recolha do mosto.

Mas não pára aqui a tradição. Havia ainda a recolha de outras ofertas, que consistia, numa outra altura, irem de porta em porta, entrando em acção os elementos da comissão de festas desse ano que, por via de promessas, recolhiam os pés de porco e as malgas de milho, percorrendo os diversos lugares da freguesia.

Todas estas ofertas ficavam a aguardar até ao dia de Domingo Gordo, em que, tudo reunido, se procedia à sua venda, em leilão, no adro da capela.

Admito que esta tradição possa estar incompleta. Sei também que o nosso conterrâneo Joaquim de Matos Branco, que mora precisamente na Rua de Santo António, nº 3, em Arrancada, tinha feito um trabalho descritivo completo e exaustivo sobre estas tradições, nomeadamente porque é que se passou a realizar a festa em Agosto e não no dia próprio de Santo António, que é, como sabemos, a 13 de Junho.

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