A Beatriz da minha infância - III
Engº Bastos Xavier
- E do lobisomem, tens ouvido falar, Beatriz?
- Tenho, meu menino, tenho...
- Já o vistes?
- Não, mas a sua tia Leopoldina já. Por altas horas não há na rua viv'alma. O céu está cravadinho de estrelas e então, no sossego da noite, ouve-se um cavalo a galopar a toda a brida, que o lobisomem tem que dar a volta a sete freguesias numa noite.
Nesta casa, na Rua Prof. João Batista Fernandes Vidal, (à Ponte Nova) morou o Engº Bastos Xavier
Para o retirarem daquele fadário, é necessário esperá-lo detrás duma porta e picarem-no com um aguilhão duma vara de bois, benzido por um padre; mas não lhe há-de tocar nem uma pinguinha de sangue, senão o infeliz passará a sina para o da vara.
É um fadário triste! Dizem que o Carlos de Santo António tinha essa sorte. Falta de palavras no baptismo.
- Tu falaste na minha tia Leopoldina, onde é que ela morava?
- Na sala das Rolas, que ficava pegadinha ao Celeiro do Capitão-Mor e onde ela vivia no meio de galinhas chocas que cacarejavm no ninho.
