segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ponte do rio Vouga

Desaparece uma obra de arte e um marco histórico de Portugal?
Como prometido, embora o tempo continuasse a não favorecer, fomos à ponte do rio Vouga verificar o estado resultante do seu desabamento no passado sábado à noite, seriam cerca de 21 horas.

O seu estado agora:



antes:



Alguns dados históricos já por aqui escritos:
Segundo um letreiro existente, no ano de 1713 o rei D. João V mandou fazer a obra. Mas este letreiro, dizem os especialistas, dizia respeito apenas a obras de «reforma e de acrescentamento de alguns vãos.» Há uma outra, anterior a esta, ordenada por D. João III.
Dizia-se desta ponte que era quinhentista. E segundo o Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Aveiro, Zona Sul, edição de 1959, que muitos conhecem, cita que «Em carta ou alvará de 26 de Fevereiro de 1529 nomeava este rei a Jerónimo Gonçalves, fidaldo escudeiro, residente em S. Pedro do Sul, vedor e recebedor da obra da ponte que ora mando fazer no rio Vouga e sull. Foi seu construtor Mestre Ryanho (mestre que foy da obra da ponte de dita villa). Residia este nesta mesma vila de Vouga ainda em 1552.»
Segundo aquela obra histórica esta «ponte foi adaptada ao novo sistema de viação no século XIX e alargada em 1930 pela Junta Autónoma das Estradas, como outro letreiro esclarece. Este alargamento realizou-se por meio de grandes cahorros de cimento, que suportam não só os passeios como também a parte da faixa de rodagem.»
Há outros dados históricos interessantes, que se prescindem neste facto relacionado com o desabamento de toda a área do tabuleiro da parte central da ponte. Basta verificar uma e outra foto. Foi exactamente o pilar central que acabou por ruir ou o tabuleiro, que agora se pode analisar, é constituído apenas de algum material de grés, muito abundante na região.
E agora?
Não pretendemos ser profetas da desgraça, mas certamente que nada mais resta que não considerar, como dizia um autarca da zona, toda a história, a arte e a beleza, considerando aquele monumento completamente perdido, e como alternativa ser completamente demolido o que resta, até às margens ídilicas do rio Vouga. Ou seja, desaparece tudo o que era ponte...
Não acreditamos que seja esta a fácil e simples solução, fazendo desaparecer toda a história de um naco deste país... como o tem sido de outros locais com situações de história idênticas.
Aqui, neste caso, temos a salientar que não houve desastres pessoais. A vítima, que não ganhou para o susto, quando se viu envolvido e arrastado por todo aquele monte de aterro e pedregulhos, já teve alta e voltou à sua casa.
Ficamos por aqui, pois as considerações poderiam ser muitas mais...

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