terça-feira, 24 de abril de 2012

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LII

Como dizíamos nos post anterior, temos de continuar a deixar correr, livremente, a pena do Dr. José Joaquim da Silva Pinho, porque as suas palavras que constam na narrativa que nos deixou, eram sentidas e apaixonadas.
O quadro que traça, não podia ser mais perfeito. A imagem que trespassa daquela cerimónia de casamento realizada na igreja de Travassô, como já foi dito, é qualquer coisa que não pode ser olvidada nem menosprezada. Melhor que um comentário sem jeito agora feito, conhecemos aquilo que escreveu assim:
Solar da Quinta da Aguieira, local onde se manifestou
 grande alegria pela chegada das Meninas Mascarenhas,
após o casamento da mais velha em Travassô
«Casimirinha, a irmã que ela [Maria Mascarenhas] amava e era a sua constante companheira nas peregrinações de uma vida já tão amargurada, servia de aia da noiva, toda contente nos seus dez anos já feitos.
Quando D. Maria, ao ajoelhar-se no templo para fazer as suas orações, se lembrava de seu pai, que morrera, e de sua mãe, que estava longe, e via que a irmazinha segurava gentilmente, nas suas mãos pequeninas, a cauda roçante do vestido branco do seu noivado, sentiu a comoção profunda das almas delicadas e não pôde conter uma lágrima amiga e magoada.
A cerimónia foi tudo quanto há de mais simples e tocante.
O prior de Travassô disse a missa nupcial e o padre José da Fonseca, o capelão e amigo da casa d'Aguieira, celebrou o casamento, pronunciando uma oração que saía dos moldes consagrados na liturgia católica e toda se referia à história e ao coração dos noivos que mereciam ser abençoados por Deus.
Ao regressar a casa do dr. Miranda, um almoço lauto foi oferecido aos convidados.
Sobre uma grande mesa poisavam tolahas de linho e iguarias escolhidas.
Foi um banquete.
Os viajantes mal tinham tido uma refeição na noite anterior e haviam passado as longas horas da sua viagem pela ria, pelo Vouga e pelo Águeda, sem alimentação alguma.
Estávamos em jejum quando nos sentámos à mesa.
Calcula-se a voracidade dos nossos estômagos esfomeados.
Não houve discursos.
Breves saudações, cumprimentos mútuos, congratulações recíprocas, a unidade do sentimento em ânimos irmãos que sabiam que podiam respirar no livre ar das terras da sua pátria.
Depois, partimos para Aguieira, a cavalo, através das gândaras cobertas de pinheiros, a murta florindo nas moitas verdes, o sol fecundo e resplandecente, pondo da fronte da noiva ingénua e pura a grinalda de oiro de suas radiações fúlgidas.
Era uma numerosa e brilhante comitiva.
A chegada a Aguieira foi de uma efusão única.
As Meninas foram recebidas nos braços de boa gente que as esperava.
Todos nós chorávamos de comoção e alegria.
Joaquim Álvaro chorava lágrimas de saudade.
No último ano, durante a emigração, tiinha falecido seu irmão João Baptista.
Quando ele volvia ao seu lar, em dia festivo, não encontrava a austera e nobre figura de seu irmão que tanto lhe queria!
Por isso, ele chorava as suas lágrimas sentidas!»

*****

A seguir iremos passar a conhecer o que foram os primeiros tempos da vida do casal e de tudo o que o envolvia.
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