domingo, 28 de fevereiro de 2016

Gente destas terras - 50

Os valores da freguesia
Comentário do Insp. Gomes dos Santos

Como por aqui já tenho dito, estamos a compilar notícias do princípio do século XX, da autoria de Antonio Rosa da Silva Magalhães, que residiu em Brunhido e, depois, em Fermentões, quando colaborava com o jornal local, «Soberania do Povo». Foi o mais antigo e assíduo colaborador deste semanário, com mais de cem anos! Nelas (notícias) encontramos factos e coisas históricas que mostram o que era a freguesia e o que é agora. Uma diferença...
Essas notícias são lidas por nós à medida que as vamos "arranjando", seleccionando e colocando-as, informaticamente, conforme a nossa projecção de hipotética composição.
Sem darmos conta, encontramos a que a seguir digitalizamos, deixando na consciência e na pacatez de quem nos ler, se for possível a leitura, a lista de grandes valores da freguesia, que a projectavam ao mais alto altar da sabedoria, da inteligência, do trabalho, valores aliados ao prestígio que lhe davam, os quais, na sua maioria, se perderam por atroz e indesculpável «esquecimento» a que foram votados.
Porém, um outro factor: Referimo-nos a António Magalhães, mas pelo conteúdo e pela redacção, esta evocação é da autoria do Inspector Gomes dos Santos. 
Se ler bem, como procurei fazer nas entrelinhas, vai ver que chega à mesma conclusão que eu.Clique no texto para aumentar mais alguma coisa, se for viável. Se souber mais que eu, como penso, nesta coisa de informática, vai conseguir tornar  o texto maior. Ai, vai, vai...

Fonte: Soberania do Povo de 6 de Julho de 1929.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Gente destas terras - 49


Dr. Augusto Gomes Tavares dos Santos - Aguieira

Sem mais delongas, deixo aqui uma notícia antiga, mas interessante. Consorciou-se esta que foi conhecida e importante figura da  freguesia, particularmente de Aguieira.
Fui surpreendido, numa pesquisa, com esta saudosa notícia. Não porque tenha sido convidado para o casamento (onde é que eu andava, meu  Deus!!!!), mas porque conheci, como tantos outros conterrâneos, este simpático casal. A  notícia diz tudo e não  é necessário acrescentar mais nada, a não ser umas notas de apêndice dirigidas aos mais novos, também dispensáveis, já que foram motivo de destaque no jornal paroquial Valongo do Vouga, de Setembro de 1987.

  Primeiro a notícia, aqui fica:
Fonte: Soberania do Povo de 8 de Junho de 1929
Agora os apêndices esclarecedores do jornal Valongo do Vouga, que complementam a biografia:

-Dr. Augusto Gomes Tavares dos Santos, nasceu em Aguieira, a 27 de Janeiro de 1903, filho de Joaquim Gomes dos Santos, de Aguieira e de Beatriz Clarinda Tavares dos Santos, de Recardães; foram seus avós paternos Manuel Gomes dos Santos e Joaquina Maria dos Santos e avós maternos Joaquim Ferreira da Silva Tavares e Maria Teresa da Silva Tavares.

Casou com Lucília de Melo Pires dos Santos, em Vilarinho do Bairro, a 20 de Maio de 1929.*
Desse casamento houve os filhos: Manuel Joaquim Pires Santos (30-05-1930), advogado, casou na Mealhada, tendo sido eleito presidente da Câmara Municipal deste concelho, onde faleceu; João Augusto de Melo Pires Santos (22-11-1934), médico, casado em Arrancada do Vouga; Maria Beatriz de Melo Pires Santos Serrano (26-09-1936), docente, residente em Lisboa.

*****
Estado actual da residência do Dr. Augusto Santos

O Dr. Augusto Santos, como abreviadamente era mais conhecido, residia na sua casa ainda existente no Casal (Aguieira, como foi dito), estrada que vai da ponte junto ao largo de S. Miguel, para a Cumeada. 


*****


* Deve existir qualquer lapso, porque o dia 20 de Maio de 1929 foi a uma segunda-feira. Não acreditamos que o dia do casamento não tenha sido o domingo, dia este que era o da praxe comum para estes acontecimentos da época. A fonte desta data e da foto digitalizada foi o jornal paroquial «Valongo do Vouga», antes citado.

 *****

Nota: A foto, digitalizada do jornal «Valongo do Vouga», já citado, recorda, em Coimbra, em Maio de 1956, o dia em que a agora Dr .ª Beatriz recebeu as primeiras insígnias académicas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Souza Baptista - 7

CONFERÊNCIA
"Da opulência à ventura" - II
Autor: Inspector Gomes dos Santos

Insp. Gomes Santos
Abílio Quaresma dizia na Soberania do Povo de 13 de Abril de 1929, que "segue  a continuação da conferência que o sr.  Arménio Santos, distinto professor de Recardães, fez, por ocasião da inauguração da estação telegráfica de Arrancada, melhoramento devido à iniciativa e benemerência do sr. Joaquim Baptista de Souza*(1), cujas qualidades de espírito, de carácter e de coração o conferente exaltou.»
A segunda parte da conferência da autoria do Inspector Gomes dos Santos, realizada, como é dito antes, em 19 de Março de 1929 e cujo conteúdo era dirigido, na sua génese, a Souza Baptista. E o seu conteúdo era constituído pelo que a seguir se transcreve. 

*(1) - Abílio Quaresma, talvez por lapso, provocou aqui uma incorrecção do nome.

*****

E o Inspector Gomes dos Santos continuou:
- Sim, meus senhores, depois de tantos trabalhos é que ele voltou com uma cultura mais ampla, com uma das maiores fortunas do distrito e, louvado Deus! - com o mesmo nome honrado.
Com maior  cultura porque o Brasil é uma terra de promissão, formosa e moça, pujante de vida, sequiosa de progresso. Dela disse há meses a figura mundial do ex-primeiro ministro inglês Lloyd George, que será em poucos anos uma das maiores e mais belas nações do mundo: «One of the greateste and the most beautifly countries in the World.» 
Com uma fabulosa fortuna, porque o seu labor inteligente e metódico, honrando assim o espírito português de Além Atlântico.
E , finalmente, com o mesmo nome honrado que lhe veio do berço que ele agora  faz reflorir e remoçar com a ternura tão docemente saudosa de verdadeiro português.
 E é por isso, meus Senhores, que eu peço perdão para evocar uma figura, nesta singela homenagem póstuma, uma figura que foi alguém nesta terra, e que há muito se apagou na solidão do túmulo.
Pobre semeador de luz que, mercê da morte, não colheu o fruto da sua esplendorosa sementeira, mas conseguiu que todos os seus filhos se pudessem impor como modelos de probidade e valimento, numa época de progressiva decadência moral.
E  isto lhe baste, à sua grata memória de pai.

*****

Fui exageradamente longo, e, por isso, vou terminar.
Antes, porém, quer dizer-vos o seguinte:
A  súmula doutrinária de uma das mais belas religiões do mundo, enquadra-se nesta legenda: «Não penses nunca em ti, mas sempre no bem-estar dos outros.»
Quando cada um, de per si, fizer isto, a humanidade terá encontrado o paraíso perdido.
Porque a maior felicidade não corresponde à maior riqueza.
Conta-se que o último rei da Lydia, Crésus, o mais célebre dos milionários da antiguidade, inebriado pela sua fabulosa fortuna, perguntara um dia a Sólon se este porventura conhecia um homem mais feliz do que ele.
Então o legista respondeu-lhe que nenhum homem, antes da morte, poderia ser saudado com o nome de feliz.
Breve o experimentara Crésus. Vencido, feito prisioneiro e condenado à morte por Cyrus e já sobre a pyra fúnebre que o volveria ao primitivo pó, lembrou-se então das palavras de Sólon e por três vezes pronunciou o seu nome.
E  é fama que Cyrus, perguntando a causa dessas exclamações,tanto se comovera da piedade com este exemplo das vicissitudes da fortuna, que lhe perdoou...
Eis aqui um facto histórico, que ficará através dos tempos, como símbolo de como é inconstante e contraditória a felicidade.
E assim, nesta sequência ideológica, afirmarei o paradoxo de que o sr. Sousa Baptista, com todas as suas dádivas, tão prestimosas e magnânimas, será cada vez mais rico e mais feliz.
Quando, meus Senhores, sobre o pó das gerações passadas, se tiverem apagado as pégadas da geração presente - de vós, de mim, de todos nós -, as pegadas desse homem, como as do Conde de Sucena, do Visconde de Salreu e doutros, ficarão contando os séculos, como esses vestígios como outrora os pegureiros deixaram sobre o grés plástico dos cêrros, e que o tempo endureceu, petrificou, eternizou!
Sim, mais feliz e mais rico. Mais rico da nossa admiração e da nossa simpatia, - a mais nobre, a mais doce e perdurável riqueza, que os espíritos superiores encontrarão na Terra!

*****

Termina aqui, segundo o que se conseguiu pesquisar da conferência sobre Souza Baptista, proferida pelo Inspector Gomes dos Santos em Março de 1929.
Pela nossa parte, esperamos ter contribuído para aclarar melhor as qualidades e os feitos deste benemérito de Valongo do Vouga. E  um pouco da sua história. Cujas acertadas justificações e adjectivação foram melhor traduzidas pelo conferente, também um grande Homem  da cultura e das letras.

Fonte: - Soberania do Povo de 13 de Abril de 1929


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Souza Baptista - 6

Conferência
"Da opulência à ventura"
Autor: Inspector Gomes dos Santos

Nota:
Foto inédita-Cortesia Filipe Vidal *(1)









Iniciamos a transcrição parcial, como referimos anteriormente, de uma conferência proferida pelo Inspector Gomes dos Santos em 19 de Março de 1929. Abílio Quaresma escreveu que «o distinto professor primário sr. Arménio Santos proferiu uma interessante conferência subordinada ao tema «DA OPULÊNCIA À VENTURA». Dela aqui ficam alguns trechos, como dizia Abílio  Quaresma:

*****
 
Se considerarmos a «freguesia» o elo mais forte do Estado, - elo que abraça aquele punhado de terra que amamos com esse amor donde irradia o amor da Pátria, até tocar tudo o que, do Guadiana ao Minho, ouviu gemer e cantar na mesma doce língua. - se a considerarmos assim, cada freguesia que se educa, que se torna formosa, que progride, é mais uma parcela de beleza e engrandecimento na Pátria.
Foi essa disciplina local que principiou por fazer da Alemanha o primeiro povo do mundo, levando-o ao fanatismo da sua Terra no «Deutscland über alles», e que a fez surgir dos pavorosos escombros da Guerra, como a Fénix!
Não será prejudicial esse atávico sebastianismo de tudo esperarmos dos governos, demais num país depauperado como o nosso?
A reorganização deveria começar pelas freguesias e municípios, instituições de mera importância na aparência, mas tão valiosas, tão imponentes, que é a sua própria idade milenária, que no-lo afirma.
Conjugassem-se os valores dispersos por essas terras míseras de Cristo; dessem-se as mãos os homens cultos e ricos na cruzada patriótica, e a nossa inculta e arruinada Terra, por quem tantos heróis verteram sangue, deixaria de corar humilhada, ao ver os grandes transatlânticos evitar os seus ancoradoiros, em cujas águas ela outrora se mirou orgulhosa, quando sobre elas se balouçavam as Caravelas das Descobertas e Conquistas, drapejando aos ventos da fama, as quinas gloriosas da idade quinhentista. 

*****

Ora o que a falta de disciplina cívica e os não coordenados esforços para o bem comum não conseguiram, está-o realizando um só homem, a quem a opulência não cegou, e em cujo bloco anímico se amalgamaram, para além do dever, todos os sentimentos do mais puro idealismo, que abrirão perpétuamente à tona do coração, como alva de corola imarcescível.
E assim, é grato ao meu coração relembrar-vos todo o seu carinho pelos problemas primordiais, como a beneficência popular, a instrução, o incremento agrícola e o culto religioso, - o culto religioso que tanta preponderância teve sempre nos nossos feitos heróicos, desde o baptismo da Pátria, no tratado de Zamora, ao Condestabre da Independência ou, até nós, nas asas gloriosas do «Lusitânia», nas quais também floriu a Cruz de Cristo, - essa alva e pura flor de quatro pétalas, que um dia abriu no topo do Calvário; o culto religioso, meus senhores, que hoje, como no tempo da decadência romana, tão imprescindível é, - coroado da sua pureza eterna, e eternamente purificadora.

*****

O Sr. Sousa Baptista não é um «brasileiro» trivial, nem pertence à extensa galeria de Camilo.
Ele levou para o Brasil uma invejável cultura literária e científica, e, o que é mais ainda, um nome honrado de família.
Abalou um certo dia com um grande sonho, sonho congénito de toda a alma humana, mas muito mais enraizado na epopeica e aventurosa alma lusitana, pois foi esse mesmo sonho do desconhecido e da grandeza, que nos fez escrever a mais grandiosa e formidável página da Renascença, que são os descobrimentos.
E realizou, por felicidade sua e nossa, essa formosa aspiração. Ele não dirá como César, ao anunciar ao Senado uma vitória fácil: Veni, vidi, vici! - cheguei, vi, venci.*(2)
Mas, como outro ilustre romano, melhor dirá e «post tantos que labores...»
Sim, meus Senhores, depois de tantos trabalhos é que ele voltou, com uma cultura mais ampla, com uma das maiores fortunas do distrito, e, louvado Deus! - com o mesmo nome honrado.


Fonte: - Soberania do Povo, de 6 de Abril de 1929 (Continua)
*(1)-Inspector Gomes dos Santos, na traseira da sua residência, com as suas pombas amestradas.
*(2)-Palavras de César ao senado romano a respeito da sua vitória sobre o rei do Ponto.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Souza Baptista - 5

Os correios e a conferência do Inspector



No seguimento da história da inauguração da estação telégrafo-postal aqui evidenciada em 8 de Janeiro passado, registamos este acontecimento de 1929, cuja publicação se iniciou em 6 de Abril, que está agregado a um outro facto relacionado com uma conferência proferida pelo Inspector Gomes dos Santos, após o acto de inauguração da primitiva estação postal de Arrancada, deixando uma prova do facto com a digitalização do apontamento do semanário Soberania do Povo.
Alguns trechos dessa conferência são aqui reproduzidos, uma vez que, digitalizados, não era comportável pelo facto do seu conteúdo estar publicado em dois números daquele semanário. Esta transcrição, apesar de tudo, não é completa como avisa A.Q. (Abílio Quaresma). A transcrição começa com esta digitalização:
 



(Continua) 
Fonte: Soberania do Povo de 6 de Abril de 1929

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Souza Baptista - 4

Comunhão solene de Maria Dalba Sintz de Souza Baptista

Ando à procura de algumas imagens históricas, que aparecem por aí publicadas, da autoria de António Rosa da Silva Magalhães, as quais nos dão elementos históricos de redobrado interesse e curiosidade, além de espelhar fielmente o modo de vida da população da freguesia de Valongo do Vouga nos tempos de antanho.
Esta que aqui fica, cuja redacção foi elaborada a 8 de Setembro de 1929 e publicada no jornal Soberania do Povo de 14 de Setembro daquele ano, dá conta de uma ternurenta cerimónia na igreja de Valongo do Vouga, de que António da Silva Magalhães foi o autor e que, se consegue ler (clique na imagem que fica um pouco maior), diz assim:

 
O nome da senhora não está correctamente escrito. Pelos elementos conhecidos, admitimos ser MARIA DALBA SINTZ DE SOUSA BAPTISTA, filha de Joaquim Soares de Souza Baptista e de Maria de Sintz. Era casada com o eng.º Flávio Soares Martins, entretanto falecido em 11 de Agosto de 1993, situação que é por demais conhecida. Não possuímos foto da senhora citada na notícia de 1929. 
Esta notícia indicia clara e inequivocamente o seu autor, através das iniciais finais de «S.M.» que, como outras notícias que aqui traremos, identifica Silva de Magalhães.

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