segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que a política provoca

A fiscalização das eleições
 

É para brincar, no meio de coisas sérias.
Ontem, 29 de Setembro de 2013, aconteceram as eleições para as Autarquias. Sei que todos sabem...
Nunca deixei por mãos alheias os meus deveres cívicos. Lá fui participar.
Entro na sala onde se desenrolava o acto e qual não é o meu espanto quando reparo num canídeo refastelado debaixo de uma das mesas. Dormia... talvez com o estômago a necessitar de ser reabastecido, não sei...
O que sei é que após exercer o meu direito, muni-me da máquina fotográfica, pedi autorização e registei o acontecimento que a foto confirma.
Não tem nada de especial, dirão. Também sou da mesma opinião.
O certo é que de acordo com a versão dos membros da mesa, o cão terá entrado (sem pedir licença, pelo que percebi), procurou (talvez após ter cheirado) um local que lhe pareceu adequado, ninguém o maltratou, o canídeo sentiu-se acolhido e ali se deitou e dormiu... dormiu... que nem deu pelas eleições.
Alguém que ali exercia funções, sempre foi gracejando, afirmando que houve reclamações por falta de segurança. O canídeo terá exercido as funções dessa segurança a inteiro contento.
Resta acrescentar que o animal não era conhecido de ninguém da mesa de voto...
Este blogue não é político, mas este facto e o momento não podia deixar de ser registado.
Isto será ilegal a ponto de anular as eleições?
 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Coisas e Loisas - 43

Enfeitar rotundas
 
Pois é. Parece que a moda pegou e, embora sem confirmação, que não foi possível obter, admitimos que por iniciativa da Junta de Freguesia, a rotunda do lugar da Aldeia está a ser devidamente "ornamentada".
Sem entrar em explicações, que não são necessárias, aqui fica um desses enfeites, por sinal, na minha opinião, não fica mal aquela serra de madeira ali "plantada". Não sabemos, mas ainda havemos de investigar donde veio aquela serra e se a mesma é em memória das serrações que ali existiam, uma mais conhecida empresa, ou se Arménio Ribeiro Lamas, que residia ali mesmo ao lado.
Ainda hoje lá andava alguém a tentar colocar algumas peças, que, certamente, seriam ainda necessárias. Um lamiré, que nada tem de depreciativo!
Será que aqueles ferros estarão lá muito tempo?
 
 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A saudade da Pantera



Isto é apenas para variar de temas e recordar a boa disposição que nos proporcionava a Pantera cor de rosa, através de um mail hoje recebido. Façam o favor de se divertir...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Gente destas terras - 41

A Rua Conselheiro Rodrigues de Bastos

No lugar de Arrancada do Vouga, desta freguesia, na rua que começa no cruzeiro e até próximo da igreja de Santo António, está uma placa cuja foto abaixo confirma:
 
Este é o mosaico que identifica o início da Rua Conselheiro
Rodrigues de Bastos, cuja foto só hoje (25/9/2013) foi obtida.
O algarismo 8, que é visível, é o número da porta que fica por baixo
deste mosaico, datado assim: C.M. em 17-12-1907.
Clique na imagem para aumentar.
 Num estudo bibliográfico da autoria do Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, cujo exemplar,  como foi antes referido, teve a gentileza de me oferecer, a páginas 81, refere:
«A rua principal de Arrancada, bem próximo do lugar de Moutedo onde ele nasceu, tem o seu nome, homenagem que a Câmara Municipal de Águeda lhe prestou segundo noticia o jornal Soberania do Povo de 11-1-1908:
Vista geral do início da rua Conselheiro Rodrigues Bastos,
vendo-se ao fundo a igreja de Nª Sª da Conceição. A rua
termina um pouco mais acima da curva. Do lado esquerdo da
foto, numa parede, está o mosaico antigo a identificar a rua
A câmara municipal de Águeda, não a comissão interina que, contra lei expressa se apoderou dos Paços do Concelho apoiada na força das baionetas, mas a verdadeira e legítima câmara, deliberou, na sua última sessão de Dezembro, que algumas ruas de povoações importantes do concelho fossem condecoradas com nomes de conterrâneos que souberam honrar a pátria ou pelos seus talentos ou pelos seus serviços. Assim, à rua principal de Arrancada foi dado o nome de rua do Conselheiro Rodrigues de Bastos, o conhecido escritor que produziu admiráveis obras de literatura e de ciência e nasceu na nossa freguesia de Valongo; à rua principal de Aguieira o nome de Visconde de Aguieira, que foi presidente da Câmara municipal, administrador do concelho e deputado da nação; à rua principal de Macinhata para comemoração do Dr. José Joaquim da Silva Pinho que foi vereador da câmara, administrador do concelho e presidente da junta geral do distrito, e ao largo da Capela da Mourisca o nome Largo Saraiva Lima como recordação do Dr. Sebastião Correia Saraiva Lima que foi vereador da câmara municipal de Lisboa, presidente da Associação Comercial da mesma cidade e era natural da Mourisca.»
 
Aqui fica a história de duas ruas da freguesia, cuja toponímia é bastante antiga.
 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Gente destas terras - 40

Conselheiro Rodrigues de Bastos
Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra
 
(Clique na imagem para aumentar)
Já por várias vezes por aqui tenho feito o devido realce histórico desta figura que foi o conselheiro Rodrigues de Bastos, natural do lugar do Moutedo, tendo desempenhado altos cargos da Nação, no século XIX.
Há dias uma senhora residente no lugar da Trofa telefonou-me. Lá fiquei a saber quem era e dei-lhe as informações que o telefonema originara.
Com alguma surpresa recebi um mail de um ilustre descendente do conselheiro Rodrigues de Bastos, o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra. Como sabemos, a rua conselheiro Rodrigues de Bastos, cuja história aqui ainda havemos de registar, em Arrancada do Vouga, pertinho do lugar onde nasceu, pretende destacar esta figura, natural daquele lugar e não de Arrancada. Esta rua esteve quase para ser mudada para Rua Souza Baptista, em tempos não muito recuados.
Esse mail anunciava-me o envio de um trabalho histórico-biográfico daquela ilustre personagem, cuja bibliografia, feita à minha maneira e com os elementos de que disponho, por aqui tenho postado, quando hoje sou surpreendido com um envelope A4 na minha caixa de correio.
A direcção estava correcta.
O remetente, pelo nome, não me era estranho. Desconfiei e acertei.
Abri e nele vinha um interessantíssimo exemplar, cuja capa digitalizada aqui fica reproduzida.
Ao autor, residente no Porto, já tive oportunidade de agradecer. Nesta cidade falecera o conselheiro Rodrigues de Bastos, no ano de 1862.
 
A parte mais curiosa e surpreendente, porque de imediato o comecei a ler, é que logo na página 6, diz que o conselheiro se matriculara no primeiro ano jurídico da Faculdade de Direito, como tem sido escrito em vários locais, em 31 de Outubro de 1790, voltando a inscrever-se, no segundo ano, em 1800, tendo sido premiado num dos anos jurídicos, terminando o curso em 1804. Houve um hiato de 10 anos. E o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, diz, textualmente, no parágrafo seguinte:
 
«Parece, contudo, que não ficou inactivo pois, à conta do que foi escrito no blog «terrasdomarnel.blospot.pt», da autoria de José Marques Ferreira, no capítulo «Do Marnel ao Vouga», o brasileiro António Trajano escreveu no jornal do Brasil O Puritano que, em Coimbra onde estudara, tivera  como professor de latim o ilustre conselheiro José Joaquim Rodrigues de Bastos, latinista de nomeada.»
 
Segue o texto da história. Por nós ficamos cientes do destaque que foi dado a este modesto blog que, em jeito de conclusão, tal pormenor não seria tão conhecido como podia admitir-se, e repetindo o que aqui já foi escrito, também no Brasil era citado como ilustre personalidade da cultura e da literatura, talvez mais do que em Portugal e, particularmente, na sua freguesia.

domingo, 22 de setembro de 2013

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 34

A primeira direcção

Busto de Souza Baptista, inaugurado em
 4 de Dezembro de 1988, entretanto
retirado por motivos de segurança.

Relativamente ao conteúdo da página 33 da série dedicada à Casa do Povo de Valongo do Vouga, vamos retroceder um pouco no tempo, para nos  situarmos em 1942, data da sua fundação.
A sessão realizada em 12 de Julho de 1942 (a primeira terá sido em Junho de 1942), cuja numeração, desta data, corresponde à Acta Nº 2, transcrevemos mais abaixo uma curiosidade, não sem antes mencionar que essa reunião se verificou no salão nobre da Casa do Povo, estando reunida a direcção, composta pelos cidadãos João Baptista Fernandes Vidal, Joaquim Ferreira Rachinhas e Eduardo Vasconcelos Soares.
Deste modo se conhece que a primeira direcção foi constituída por estas personalidades da freguesia. Contudo, como não podia deixar de ser, as actas devem descrever, embora sucintamente, tudo aquilo que se passou. Por isso, menciona ainda que teve a assistência do senhor Joaquim Soares de Souza Baptista, presidente da Assembleia Geral. Era seu hábito acompanhar os acontecimentos em que se tinha envolvido.
A curiosidade:
Nesta acta está ainda registado, o seguinte: "A seguir procedeu-se à leitura do expediente, que constava de cartão de visita de agradecimento do senhor doutor Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros, e ofício da Casa do Povo de Alquerubim, felicitando a nossa Casa do Povo e desejando-lhe um próspero futuro, oferecendo os seus serviços. Foi deliberado oficiar, agradecendo e retribuindo."
No segundo caso, dá a entender que a Casa do Povo de Alquerubim já existia. No primeiro caso, constituía um hábito de Salazar. Enviava sempre um cartãozinho pessoal a agradecer qualquer coisa ou acusando a sua recepção. Coisas de outros tempos, outras eras...

domingo, 1 de setembro de 2013

As crónicas de Adolfo Portela - 12

Cinco reizinhos para os Passos
 
 
Cá estamos agora em pleno Domingo de Passos, com o sino grande do Senhor Jesus, à capucha, a despejar badaladas tristes para cima de todo o Vale de Águeda. A  voz do sino, cavada e rouca, despenha-se do campanário, ruidosamente, e vai, ladeira abaixo do adro, como uma levada caudalosa de soluços a arrancar dum peito ferido... Parece que, ao passar deste dia na nossa terra, se condensa à flor de todas as coisas um neblina de tristeza que nem o vento das primaveras tem alma de desfazer. - Anda tudo de luto carregado, homens e mulheres, em sincera obediência ao preceito da igreja.
Entretanto, a perfumar o ar de tristeza que se espalha pela terra, o aroma fresco do junco e da erva doce espalha-se pelas ruas, a botar o pregão ingénuo duma festa de aldeia... Passam tabuleiros de folares à cabeça das padeiras, e os cartuchos de amêndoas  encastelam-se nos balcões das mercearias.
- Vá lá, meninas! Meia quarta da torrada, que veio agora mesmo de Coimbra!
Em outro tempo, houve em Águeda quem fabricasse a amêndoa coberta com todo o jeito e arte de quem sabia. Um lume bem esperto, o tacho de cobre bem lavadinho e bem baloiçado... - e a amêndoa da terra não receava que a de Coimbra lhe viesse disputar a primazia em qualidade. A indústria, porém, foi esmorecendo até morrer; e a receita da boa amêndoa da terra perdeu-se de todo, ao fechar a cova das velhas doceiras de Águeda, que as houve por lá de grande nomeada.
 
*****
 
Desde todo o amanhecer, que o rapazio da vila, com as suas bolsinhas de chita pendentes do pescoço, anda por essas ruas a perseguir quem vai no seu caminho:
- Cinco reizinhos para os Passos.
O peditório tradicional dos cinco reizinhos tinha, no meu tempo, estes dois fins: - era, com essa colheita de pequeninas esmolas, que nós forrávamos pé de meia para comprar umas tréculas novas para a Semana Santa; e era, ainda, a pedir a esmolinha para os Passos, que os afilhados, decerto sem darem por isso, preveniam os respectivos padrinhos de que a Páscoa estava a cair de aí a duas semanas, e que eles, os mesmos afilhados, se mantinham no propósito de não prescindir do velho direito do folar que a tradição lhes garante...
- Cinco reizinhos para os Passos...
E sorria-nos a esperança de que as nossas tréculas haviam de ter um jogo inteiro de três maços, e que o nosso folar da Páscoa havia de ser do grandôr da roda de um carro...
- A sua bênção, meu padrinho.
- Deus te faça um santo, afilhado.
E os padrinhos sorriam; sorriam os afilhados. A festa, assim, tocava-se dum religioso ar de bondade que escorria de todos os corações...

Veja aqui um vídeo, de quatro, no Youtube. Sobre a Procissão dos Passos, ou então no post anterior. É só clicar no botão...
 
Fonte: Águeda - crónica, paisagens, tradições, de Adolfo Portela, 2ª edição, Gráfica Ideal, 1964.
 
(Continua)
 

A procissão dos Passos em Águeda 2011 - parte 4



Um vídeo, de quatro, de António José Leitão Canotilho. Este vídeo está relacionado com o post acima. Ver aqui  os restantes.


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