terça-feira, 25 de junho de 2013

As crónicas de Adolfo Portela - 10

A Procissão dos Passos para Assequins - II

Continua Adolfo Portela a descrever:

Foto da página no Facebook de Fotos de Memórias
de Águeda ao Longo dos Tempos, aqui
Entretanto, pelos campos encharcados das últimas invernias, as rãs coaxam; e o coaxar monótono das rãs, ao passar da procissão, funde-se no murmúrio das orações que todos os devotos vão rezando. - É um ribeirinho de música que vai desaguar num grande mar de lume: mas um ribeirinho de águas puras, em cujo fundo se vê distintamente o álveo de areia branca sobre que ele vai correndo...
É assim, conforma a evocação ingénua mas desapaixonada da minha alma, que essa linda procissão de aldeia assume um ar majestoso de devoção antiga, com o sino grande do Senhor Jesus, lá do campanário, a despejar soluços de bronze para cima das almas... É assim, com todo esse revestimento feérico de luzes e de orações piedosas, que essa procissão, ainda agora, me passa à porta da alma, na Noite dos Passos... - Pois que é assim também que toda a gente da nossa terra a vê passar, majestosa na sua simplicidade, imponente na modéstia do seu asseio, cheia de virtudes e cheia de pureza através desta vida negra que todos vivemos!
 
(Fonte: Adolfo Portela, em Águeda, crónica, paisagens, tradições, Gráfica Ideal, 2ª edição, 1964)
Enviar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...