quarta-feira, 8 de maio de 2013

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LVIII



Foi no interior deste edifício que se viveram as lancinantes e 
dramáticas cenas dos últimos momentos de vida de uma das
Meninas Mascarenhas. Fotografia já aqui postada
várias vezes.
Após a última postagem em Outubro de 2012, parece oportuno, para não dizer que se deve demonstrar um pouco mais de respeito para com os leitores, deixando mais alguma coisa a partir do momento em que a última página sobre este assunto ficou numa situação dolorosa pela perda eminente de D. Maria Mascarenhas. O dr. José Joaquim da Silva Pinho tinha sugerido que, perante o desenlace que se adivinhava, era prudente que a moribunda deixasse um testamento, ao que se opunha o dr. Joaquim Álvaro (futuro Visconde de Aguieira).
E deixamos a situação na frase com que terminou a acesa troca de impressões entre este e o dr. Pinho, quando lhe disse que não podia obedecer e que procederia como entendesse ser mais justo.
No ambiente de dor que se vivia naquele momento, Joaquim Álvaro já pouca atenção, nem ouvia o dr. Pinho, continuando no seu pranto de choro e lastimando-se verdadeiramente acabrunhado e infeliz.
Após o ter deixado só, chegam, entretanto, suas irmãs para lhe fazerem companhia e o dr. Pinho lá foi cuidar da realização da sua ideia, porque, dizia, «a ideia foi minha e ninguém a inspirou. Resolvi chamar a Aguieira o padre José da Fonseca, que vivia na povoação do Beco, que veio imediatamente. O padre Fonseca era o tipo do bom sacerdote cristão, grave, virtuoso, austero e digno.»
Quando o padre Fonseca chegou, já estava à sua espera. Ouviu a exposição que lhe foi feita pelo dr. Pinho, a sua lembrança do testamento, a relutância vivamente manifestada pelo dr. Joaquim Álvaro e a legalidade do acto que se devia praticar. O padre Fonseca ouviu atentamente a clara exposição e guardou silêncio.
Meditou, com certeza, nas condições em que se encontrava a enferma, apreciando no seu ânimo severo e justo a interferência que ia ter uma situação apertada e melindrosa. Após essas reflexões, disse ao dr. Pinho:
- Vou ouvir a doente.
E saiu, encaminhando-se para o seu quarto, sendo seguido pelo dr. Pinho, que caminhou devagar até à porta do quarto entreaberta, vendo D. Maria Mascarenhas recostada em almofadas brancas, semblante pálido, olhos rasgados cheios de luz.

(Continua)
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