sábado, 15 de setembro de 2012

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 20

A inauguração que não aconteceu
 
Fotocópia da Soberania Maio de 1942
A notícia transcrita está dentro da cercadura
vermelha. Clique na imagem para aumentar
Este sub-título não tem intenção pejorativa. Apenas histórica, porque admitimos que de um pormenor que sucedeu, poucos terão conhecimento dele.
A Casa do Povo, como é conhecido e confirmado pelas publicações registadas nos jornais da época, foi inaugurada em 28 de Junho de 1942. Teve um realçado destaque na imprensa e socorrendo-nos das fotocópias da Soberania do Povo de 4 de Julho de 1942, os factos ocorridos foram ali minuciosamente descritos. Tal efeméride foi há pouco tempo registada pelos actuais corpos sociais, precisamente no mesmo dia 28 de Junho, mas de 2012, como é natural.
Não é sobre a inauguração que nos vamos debruçar.
O que queremos destacar é que o mesmo jornal, de 9 de Maio de 1942, dizia assim:
 
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Casa do Povo de Valongo do Vouga
 
Possivelmente, a inauguração da Casa do Povo de Valongo do Vouga não se realiza na data indicada - 28 de Maio; espera-se, porém,  que o seja em um dos primeiros domingos de Junho próximo.
O respectivo plano de realizações é vastíssimo; honra quem o elaborou e muito diz do bairrismo do povo de Valongo, porquanto ele seria inexequível se a contribuição dos futuros sócios não correspondesse à capacidade populacional.
Na devida oportunidade daremos o relevo merecido ao acontecimento; todavia, para já, divulgaremos que faz parte desse magnífico plano, a construção de um bairro de moradias para trabalhadores e que serão entregues aos sócios segundo sorteio a seu tempo levado a efeito; de um completo arranjo de caminhos vicinais; a extinção da mendicidade na freguesia; protecção na enfermidade ao trabalhador; a sua mulher, em estado de gravidez, cuidados e assistência; à criança, carinhoso amparo, etc., etc.
A sede satisfaz, em pleno, às necessidades; e muito nos apraz dizer que nela se está construindo amplo salão de espectáculos, com cómodos camarotes e duas francas escadas de acesso. Esmalta a frontaria do bom edifício um lindo painel,  da Fábrica do Outeiro. 
 
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Este o painel adaptado do original
Desta notícia destacam-se alguns factos; um, é que a inauguração estava prevista para 28 de Maio de 1942. E não será exagero ou atrevimento poder admitir-se que haveria a intenção de fazer coincidir a data com o 28 de Maio de 1926. Conjecturas interpretativas da história...
Havia «um plano», chamemos-lhe programa, que realçasse o acontecimento e lhe desse o brilho merecido para uma época em que não havia nada. Estava ali, ainda, um esboço de um programa de acção social; habitação, acabar com a mendicidade, preponderante na época; assistência e subsídio em caso de doença; assistência na maternidade e, talvez, a intenção de uma primeira creche, que pouco se conhecia por este nome.
Destaque para o salão de espectáculos que todos conhecemos ou a sua maior parte, agora remodelado. E o painel frontal da sede da Casa do Povo, com os símbolos inerentes à acção social que não existia e nem o Estado a concedia, com este pormenor: este painel foi feito na Fábrica do Outeiro, em Águeda.
Em próxima página, traremos aqui uma história contada por Inspector Gomes dos Santos, no dia da inauguração e que tem acentuado relacionamento com a cultura e educação e o contrabando do volfrâmio, que na página anterior se evidencia. Atente-se na linguagem do Inspector Gomes dos Santos, quase inaceitável naquele tempo político.
 
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