terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LIV

No último capítulo deixamos a descrição de uma certa acalmia na vida de Joaquim Álvaro, após o cumprimento testamentário de Joaquim Mascarenhas, que este tinha feito, no sentido de aquele, que era seu primo, casasse com a sua filha mais velha.
Todos os enredos, complicações, perseguições, fugas, emigração durante cerca de dois anos, tinham terminado, pensava o Dr. José Joaquim da Silva Pinho na sua narrativa.
Joaquim Álvaro dedicou-se aos trabalhos de administração dos bens da agora esposa, D. Maria Mascarenhas,  «sendo noivo e  noivo feliz, porque via, enfim, realizado o mais belo sonho da sua vida e tinha cumprido a última e sagrada vontade de seu primo o fidalgo de Vilar e do Sobreiro.»
Assim decorreram tranquilamente alguns meses.
Não houve nenhuma perturbação, nenhum desgosto, nenhum dito desagradável até ao mês de Janeiro de 1852. Mas Aguieira desconfiava e esperava algum acto hostil de Torredeita.»
As notícias, contudo, corriam, apesar dos meios serem apenas os existentes através das pessoas. A família Bandeira da Gama, não tardaria muito, ficava a saber do regresso a Portugal das Meninas, do casamento em Travassô, mas, perante pessoas daquela estirpe da sociedade de então, guardava «as delicadezas e reservas naturais em pessoas de boa educação.»
Mas os receios mantinham-se em suspenso de qualquer movimento, mesmo subtil, dos Bandeira que voltassem a entender - termo aplicado pelo Dr. Pinho - com Joaquim Álvaro. E talvez com alguma justificação esse receio se colocava e justificava.
Em Aguieira estava ainda sob tutela e distante do olhar suave de sua mãe a Menina Casimira. D. Maria Carolina, a mãe desolada, tinha vivas saudades de suas filhas e desejava ver ao seu lado a filha mais nova, já que a mais velha não lhe poderia alegrar os dias da sua vida tão atribulada com uma simples carícia, perdida como estava, pelo seu casamento, não para as suas afeições, mas para a sua companhia e para a sua convivência.
Essa mãe abandonada sofria o horrível martírio de não ver, ao menos, a sua Casimirinha amada.
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