sábado, 12 de novembro de 2011

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XLIX

No último episódio, já lá vão umas semanas, deixámos a história numa posição de regresso a Portugal das Meninas Mascarenhas e do seu tutor.

A juzante desta ponte estava o barco dos Abadinhos, que se deslocou a Ovar
Como se sabe, dizia o narrador, «não falo com mais largueza do que em França se passou, por não ter sido testemunha presencial, e porque já lá vão muitos anos depois que Joaquim Álvaro regressou ao país e contava interessantes episódios acontecidos na sua estadia em Bordéus, tendo-me esquecido de todas as particularidades desses episódios e preferindo, por isso, não os referir, a contá-los imperfeitos e obscuros.»
Receberam esmerada educação, já foi citada antes. Entretanto em Aguieira as coisas evoluíam e organizavam-se para o regresso de França. Para o efeito, reuniu um conselho de família íntimo, de que o Dr. José Joaquim da Silva Pinho fez parte, ficando assente que as Meninas voltassem a Portugal, logo que a mais velha completasse doze anos de idade.
Esta era a idade de casamento, segundo a lei e esta resolução foi considerada necessária. É que havia perspectivas de que realizado o consórcio a situação de «guerrilha» das famílias de Aguieira e Torredeita acalmassem, cessando perseguições, conflitos, tribunais e tudo o que as trazia desavindas.
Ou seja, havia a esperança que a família Bandeira «teria de depôr definitivamente as armas de combate.», dizia o narrador.

«No dia 31 de Agosto de 1850 completava a filha mais velha de Joaquim Mascarenhas (morgado de Sobreiro Chão) os seus doze anos. Joaquim Álvaro devia partir para França no princípio de Setembro para chegar no meado do mês ao país.»
Já o Dr. Pinho tinha tratado de todo o processo de casamento junto da Câmara Eclesiástica, em Aveiro, na qual era escrivão um indivíduo identificado por Luís António, e no fim de Agosto o casamento de Joaquim Álvaro e da sua pupila estava já autorizado. Faltava apenas a chegada dos noivos e um breve espaço de duas semanas «para se completar uma aspiração em que andavam empenhados tantos corações dedicados», dizia romanticamente o narrador.
Tudo isto conduzido no maior secretismo, de forma que, além dos familiares próximos, ninguém sabia do que se estava a passar.
A licença para o casamento era o mais ampla possível, porque ele podia ser celebrado em qualquer igreja ou capela da diocese, do extinto bispado de Aveiro à data. Joaquim Álvaro, em França, foi informado do que estava feito e preveniu para Portugal do dia provável da sua chegada.
Ficou combinado não desembarcar em porto português. A prevenção era boa conselheira e foi entendido que o melhor seria desembarcar num porto de Espanha, pois atravessada a fronteira estaria no seu país. Vigo foi o porto escolhido para o efeito.
Para completar toda esta cena, foi necessário dar uma grande volta. Saíram de Bordéus, passaram por Paris, seguiram para Londres e embarcaram num paquete em Southampton e daqui para Vigo. «Joaquim Álvaro fez essa jornada com as suas pupilas.» rematava o narrador.
Aqui entra um personagem, como tinha deixado dito, chamado António Soares, de Arrancada, que foi o «encarregado de ir àquela cidade espanhola esperar os viajantes numa liteira que alugara no Porto e que os havia de transportar a Ovar, onde deviam estar na tarde do dia 12 de Setembro.» [de 1850].
A seguir, iremos espreitar o que na noite de 11 daquele mês se passou num «barco dos Abadinhos de Carvoeiro esperava no Vouga, abaixo da ponte, para conduzir a Ovar alguns dedicados amigos dos viajantes. Os companheiros de jornada éramos eu, Agostinho Pacheco, o padre José da Fonseca e Melo e Silva.»
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