domingo, 30 de outubro de 2011

A Junta de Freguesia na história - 88

As passagens de nível em 1915

Sobre a história das passagens de nível dos caminhos de ferro, que por aqui já passámos com diversos episódios, relacionados com acontecimentos ocorridos e que vitimaram algumas pessoas, fomos encontrar na acta da sessão da Junta de Freguesia, realizada em 24 de Outubro de 1915, esta passagem:
Passagem de nível actual em Aguieira

«...foi lido na mesa o expediente que constava do seguinte: Um ofício da Administração deste concelho pedindo informações sobre a necessidade de se criar alguns guardas para as passagens de nível do Caminho de Ferro do Vale do Vouga na área desta freguesia. O presidente informou que em vista da urgência do assunto já tinha sido respondido, informando que esses guardas deviam ser criados pelo menos nas passagens de nível de Carvalhal da Portela, Aguieira e Cruz do Almagre.»

Isto significa que a Junta, em 1915, já tinha alertado as autoridades constituídas para o perigo que podiam decorrer das passagens de nível sem guarda. Quer dizer que não esteve à espera que lhe perguntassem da necessidade de se criarem os guardas de passagem de nível. Há necessidade de aditar um esclarecimento sobre a passagem de nível da Cruz do Almagre.
Pensamos que a mesma seria a da Alagoa, que agora fica próxima da rotunda de acesso da EN1-Estrada para Travassô, na direcção do Modelo.

Na mesma acta, uma deliberação talvez inédita e curiosa, do seguinte teor:

«Mais foi deliberado atestar que os paramentos com que o falecido prior José Gomes dos Santos, de Aguieira, celebrava missa na capela pública daquele lugar, ficaram pertencentes à mesma capela...»

Quanto a este caso, nada foi possível, em curto espaço de tempo, obter outros elementos de pesquisa. Mas sabe-se que é um nome bastante conhecido. Atrevemo-nos a dizer que terá sido, talvez, um dos últimos padres com que o lugar de Aguieira contemplou a freguesia e os cristãos. Mas sem certezas.

domingo, 16 de outubro de 2011

Recordações

Os Diatónicos

Fui «buscar» esta recordação ao Blogue de Albergaria, aqui.
Fui ao Youtube buscar este vídeo. Por intermédio do blogue.
Para recordar, não só com a nostalgia que a situação suscita, mas com a consideração que sempre me mereceu um «velho» companheiro de trabalho de nome Nestor de Jesus Borges Pimenta, que fazia parte destes «Diatónicos Impressionantes» naqueles primórdios anos sessenta. Em Albergaria-A-Velha. Um baixista que era tido em conta, pela competência e gosto pela arte dos sons, como é de recordar pela música que se pode ouvir.

sábado, 15 de outubro de 2011

O Vouguinha

Em constante agonia

A ser verdade o que o grupo do Facebook «Arrancada» começou por divulgar;
A ser verdade o que o Jornal de Notícias on-line acaba de publicar;
Penso que é desta que o Vouguinha irá morrer. Porque em lenta agonia já o colocaram há muito tempo.
Para além de ilustrar este post com uma belíssima fotografia do grupo «Arrancada», parece que nada mais poderá existir que possa salvar o comboio. Mas a notícia também é confusa...
Aspecto parcial da estação de Sernada
Foto do grupo «Arrancada» do Facebook

Quanto às mercadorias a transportar de Sernada até Aveiro e de Aveiro à Sernada, é retomar o velho transporte pelo rio, com barcos que vinham com peixe e sal, regressando a Aveiro com produtos agrícolas, lenha, carqueija e outros produtos que não haviam à beira-mar.
Pois... é isto mesmo. Voltamos aos primórdios da civilização... Duvida? Eu não...
Só tem uma diferença. Estas trocas vão intensificar-se só que em vez de se utilizarem barcos, utilizam-se os caminhos de ferro. Em Carvalhal vai ser montado um entreposto para cobrar os direitos alfandegários e de portagem... ou de linhagem (linha-carris)!!!


domingo, 9 de outubro de 2011

9 de Outubro 2008 - 9 de Outubro 2011

E cá vamos contando aniversários

É exactamente isso, que eu («vaidoso»), quero apregoar aos quatro ventos da cibernáutica:
Hoje faço anos!!!!!!!!! E por môr das dúvidas, aqui fica o documento probatório...


Pois, mas esses anos são daqueles que dizem respeito à actividade blogueira. Os outros não interessam, nem sequer lembrar...
Mais a sério: foi exactamente no dia 9 de Outubro de 2008 que aqui "coloquei" o primeiro post, com algumas palavras de orientação que me levavam a enveredar por este passatempo; a de ser também "blogueiro".
O que é certo - e mais sério ainda - é que ouvia falar nisto de blogues, mas não sabia o que era. Fechei os olhos e atirei-me (de cabeça), como quem se atira para um mar profundo sem saber o que vai encontrar por baixo.
Foi e está a ser uma experiência interessante. As coisas no princípio foram difíceis mas com um pouco de "teimosia", que resultou em aprendizagem, deu no que deu. Mas para isso, há por aí muita gente a quem devo agradecer as ajudas e as dicas "fornecidas" que já tinham da sua própria experiência. Não vou citar ou evidenciar ninguém para não criar susceptibilidades e algum erro de omissão, que seria pior...
Por aqui me fico, pedindo desculpa de algumas irregularidades de presença e de outras coisas, prometendo andar por cá enquanto puder e fazer aqui o que as ideias forem transmitindo e as sugestões surgindo, o que agradeço.
Obrigado a todos pelas atenções, dedicações e visitas feitas... sinal de que as coisas, afinal, podem ter algum interesse...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Junta de Freguesia na história - 87

O imposto braçal ou dia braçal
....
Por várias vezes aqui se tem referido o «imposto braçal» ou o «dia braçal» como era designado. Correndo sério de risco de alguma repetição, este imposto ou a sua substituição por trabalho (por isso conhecido pelo «dia braçal») era muito usado até mesmo depois dos meados do século XX.
Segundo alguns historiadores, que cito de cor, este imposto tinha uma certa conotação de solidariedade, em favor da comunidade, quer no seu contributo pecuniário - que surge depois de ser instituído nas calendas da idade média, cremos - e, se não estou em erro, acabando por ser abolido já no governo de Marcelo Caetano, anos sessenta, século XX. Ou seja, «eclipsou-se» ainda não há muito tempo.
 
......
Por se tratar de uma curiosidade que influía sobremaneira as actividades de uma Junta de Freguesia, e dado que a acta da sessão da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga, de 25 de Julho de 1915, ainda não se esgotou em notícias, apesar de existir um post recente sobre esta sessão, fica na história daquele ano pós-republicano uma decisão da referida Junta de Freguesia, que é do seguinte teor:
......
«Ponderando-se a irregularidade de alguns cidadãos no pagamento da contribuição do trabalho e o manifesto prejuízo que isso trás a esta Junta e à freguesia, foi resolvido enviar para juízo para relaxe, todos os que, avisados nas formas legais, não compareceram ao serviço nem pagaram nos prazos legais.»
 
.......
Assim mesmo, tal e qual sem mais nem menos...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ventos da República - 1

Lei da separação da Igreja do Estado

Frontaria da igreja de Valongo
Os ventos da República, como durante muito tempo era vulgar tal designação, trouxeram ao país muitas modificações, algumas completamente surpreendentes quanto inesperadas e até de alguma perplexidade, entre elas a muito propalada Lei da Separação da Igreja do Estado. Hoje já nem tanto contestada mas, contrariamente ao impacto inicial, considerada lógica e natural. Tudo vai evoluindo... algumas coisas no bom sentido... outras nem tanto assim. Mas isso, agora, pouco importa.
Pelo espaço cibernauta encontramos alguns resquícios que estão  nos arquivos, e estes à disposição do público para consulta.
Também no que à freguesia diz respeito, lá encontramos as actas que se elaboravam e constituíam um inventário de bens e valores que a lei determinava que se realizassem.  Meticulosamente, era feita a descrição de tudo o que estava no templo, seus arredores, capelas e outros locais de culto. O inventário era realizado com a presença de algumas personalidades dotadas de poderes jurídicos e públicos para o acto. Isto é, com autoridade, mas... havia sempre um mas...
Já aqui fizemos referência a estes factos. E prometemos trazer alguns indícios. Vamos tentar traduzir - o que está a ser um pouco difícil - o que consta nessas actas, correndo o risco de interpretar mal alguma palavra ou palavras que a caligrafia utilizada venha a confundir, involuntariamente, como é natural. Abaixo, deixamos também as digitalizações dessas páginas, que respeitam ao

Arrolamento ou inventário dos bens e valores pertencentes à Egreja da freguesia de Vallongo, concelho de Águeda
Aos dez dias do mês de Agosto de mil novecentos e onze, nesta freguesia de Vallongo, deste concelho e Egreja matriz desta mesma frreguesia, aqui foram presentes os cidadãos - doutor Eugénio Ribeiro, na qualidade de administrador do concelho, João Baptista Ferreira Vidal, Presidente da Junta de Parochia desta freguesia, comigo Joaquim Augusto Almeida e Silva, aspirante de finanças, servindo de secretário de finanças do concelho, no impedimento do respectivo, aqui, em conformidade com o disposto no artigo sessenta e três da  da lei da da separação da Egreja do Estado, de vinte d'Abril do corrente ano, se procedeu ao arrolamento ou inventário dos bens e valores pertencentes à Egreja, a saber:
Uma egreja que se compõe de sachristia, uma capela, e uma casa contígua, cinco altares, baptistério, (cera?, não se percebe bem), púlpito, tudo com dois sinos grandes, relógio na torre, com as imagens de Sam Pedro, Santa Maria Magdalena, Santa Tereza, Senhora do Rosário, Santa Luzia, Santo Afonso, Sam Lázaro, Sam Sebastião, Senhora da Soledade, Menino Jesus, Um oratório; dois crucifixos de madeira; Uma cadeira parochial; seis bancos de pinho; Dois confessionários; Dois crucifixos de madeira; uma cadeira parochial; seis bancos de pinho; dois confessionários; (dá-me a impressão que há coisas repetidas) uma credencial; etc., etc., etc.

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