quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As crónicas de Adolfo Portela - 1

Um esposo inconsolável

Igreja Paroquial de Santa Eulália - Águeda
Agradeço a quem me ofereceu o livro de Adolfo Portela, porque à medida que me embrenho nas suas páginas, mais me apetece descobrir o que este escritor local dizia àcerca das «Crónicas, Paisagens e Tradições» de Águeda. É espantoso, às vezes hilariante, jocoso, enfim de uma graça a roçar o rídiculo, mas sem se desleixar no interesse que estas histórias às vezes provocam no leitor. E depois, não é vergonha alguma confessar a ignorância que havia em nós sobre o conteúdo deste livro - e de outros, concerteza. Desta feita vamos deixar aqui a primeira de três histórias, até porque se não fossem reproduzidas essas três histórias pitorescas de Adolfo Portela, não tinha piada nenhuma e ficava entroncada a graça que encontramos na descrição feita dos acontecimentos. Primeiro o título desta passagem:

4. Um esposo inconsolável. O sapateiro fúnebre, o rapé do Senhor Pereira.

 «E, agora, para fechar o capítulo, cujo assunto, por mais minuciosamente que seja tratado, não oferece barreiras nem estações de repouso, deixem-me narrar-lhe aqui três casos pitorescos da terra, em que o rídiculo surge de entre as próprias baetas fúnebres que o revestem. São passagens de cemitério, em que o Au-delà é tratado com a mais ingénua das irreverências.
Na primeira passagem figura um lastimável esposo do Casainho de Baixo, cujos sentimentos piedosos perante o trespasse da consorte, foram assim tornados públicos, na Soberania do Povo, em Junho de 1891:»

«Haverá um mês, faleceu uma mulher do campo, na povoação de Casainho de Baixo, freguesia de Espinhel. O marido estimava-a imensamente. E, como prova do seu afecto e testemunho da sua saudade pela esposa morta, ele, que já é um velho, prometeu não sair de casa sem trazer ao pescoço, presa a uma longa fita preta, a chave do caixão em que foi envolvido o cadáver da sua doce e amada companheira de toda a vida. O homem chama-se Albino Alves Loureiro, e vem todos os domingos a esta vila, vestido de luto, e com a fita de crepe pendente do pescoço.»

Brevemente apresentaremos o segundo episódio do livro de Adolfo Portela, o sapateiro fúnebre.

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