segunda-feira, 25 de julho de 2011

Brumas da memória - 8

Prior de Valongo sem casa

Uma pequena introdução:
Pelas mãos de um amigo, chegou ao meu poder o livro de Adolfo Portela, «ÁGUEDA-crónica, paisagens, tradições», edição Soberania do Povo, Editora, S.A., de 1999, com introdução de Deniz Ramos. Confesso que é a primeira vez que leio esta obra de um insígne escritor da nossa praça - ADOLFO PORTELA. Neste livro, que em crónicas é abundante, estão inseridas muitas delas, nomeadamente no capítulo VI. No nº 3. O "Ribeiro das alegorias na política da terra...." podemos ler esta crónica interessante, dizemos agora nós... referente a Valongo, que começa sempre com esta frase: - No tempo de João Ribeiro...
Não há tempo e espaço para misturar a história e a identificação de João Ribeiro. Por isso, passemos adiante.

Foto retirada do site da C. M. Águeda
Neste edifício funcionavam as Finanças, Tesouraria, Tribunal, Cadeia e Câmara Municipal.
Abaixo postamos outra foto, que ocupou o espaço (quarteirão) onde estavam estas Instituições e outras habitações e estabelecimentos, nomeadamente uma Pensão (penso que a Pensão Matilde), escritório do Dr. Cruz Nunes e o Cine-Teatro de Águeda, propriedade do Órfeão de Águeda, mais conhecido pelo «Piolho». Mas era a única casa de espectáculos que havia naquela altura. Apareceu muito depois o CEFAS, ainda hoje existente.
Esta é a visuão actual da urbanização que substituiu a que a foto de cima nos mostra. Isto só para comparar...

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«- No tempo de João Ribeiro...
Aí por 1856, o Prior de Valongo veio queixar-se a Águeda de que o povo lá da freguesia não lhe consentia disfrutar os cómodos da residência e do passal. O administrador desse tempo, João Ribeiro em corpo e alma, montou no seu cavalo, deu a direita ao queixoso e entrou por esse Valongo dentro, sem pau nem pedra. - Quem vem lá? - interrompeu o povo assomadamente. - É o João Ribeiro!
E entre alas respeitosas, o Prior, com toda a confiança, lá foi tomar conta da freguesia que, num instante, à voz de João Ribeiro, se mudara no mais humilde rebanho de almas.»
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Para habilitar os leitores e dar a conhecer um pouco da personalidade deste João Ribeiro, apenas mais esta de uma das crónicas:
«- No tempo de João Ribeiro...
Em 1860, atribuíram-lhe a intenção dum grande crime. João Ribeiro estacou de assombrado. E, enquanto não recuperou o sangue frio, todo o concelho, pelas gazetas do tempo desfilou em cortejo, a desfolhar os elogios mais generosos que é possível mandar a casa dum homem a quem se imputa a responsabilidade dum grande crime. Ao fim de tudo, liquidado o caso, quando a gente esperava que ele bradasse por vingança contra os denunciadores, João Ribeiro abraçou-se aos amigos e chorou!»

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O epílogo do autor, Adolfo Portela, nas páginas 99/100, é do seguinte conteúdo:

«Estes dois factos da política velha exemplificaram, a traço fugidio, o que era a indisciplina das coisas públicas em Águeda, por esse tempo, e servem também para revelar o temperamento e o carácter de João Ribeiro.»
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