sábado, 4 de junho de 2011

Brumas da memória - 4

Águeda - cidade episcopal

      Ter sido cidade episcopal, parece que não constitui qualquer novidade histórica. Também não é 
essa a intenção em dissertar sobre este aspecto histórico e outros. Que a tanto não ajuda o pouco que sei e vou lendo.
Na Corografia Portuguesa, do Pe. António Carvalho da Costa, que por aqui temos referido, desfolhei umas tantas páginas e dei com este apontamento histórico.
A seguir coloco em português actualmente mais adequado, que é assim:
«Consta este Termo [de Aveiro] de catorze lugares principais que chamam Ouvidorias; seis dos quais são Freguesias, e tem seis Companhias da Ordenança. Ficam promiscuamente entre as mais Vilas da Comarca nos sítios, que chamamos da Serra, do campo da Bairrada, e da Gelfa, na forma que depois declararemos. Nestes lugares e outros anexos contam-se 1627 vizinhos, pelo modo seguinte.
Albergaria, Freguesia da invocação de Santa Cruz, Curado, tem 521 vizinhos, que se dividem pelos lugares «Sobreyro», «Silho», «Frias», «Valmayor», «Mouqueira», «Samarcos», «Fontão», «Rendo», «Samarcos de bayxo».
Águeda foi antigamente Cidade Episcopal, chamada Emineo, cujo primeiro Bispo foi Possidonio pelos anos do Senhor de 589, está nas margens do rio Sardão com famosa ponte, e foi fundada pelos Celtas Turdulos, e Gregos, 370 anos antes da vinda de Cristo: tem 113 vizinhos com uma Igreja Paroquial da invocação de Santa Eulália, Priorado rendoso da Casa de Aveiro, e estes lugares anexos, «Souralvo», «Ferreyros», «Casainho de bayxo», e «Casainho de cima» e «Varziella» com fermosas mulheres.»





Esta era a descrição da obra da Corografia Portuguesa, da autoria do citado Pe. António Carvalho da Costa. Nada de estranho ali consta, para além dos lugares, de que alguns, pelos nomes, se me torna um pouco mais difícil traduzir em termos actuais, como seja, por exemplo «Souralvo». E aquela do rio se chamar «Sardão», também é, de certo modo, um pouco estranho!
Mais adiante surgem outros lugares e freguesias do concelho, mas uma curiosa afirmação ali está devidamente escarrapachada: é que em Águeda, dizia o Pe. António Carvalho da Costa, havia «fermosas mulheres». Será que o autor andou por aqui e verificou a sua existência?
Não estamos a dizer que a descendência degenerou...


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