terça-feira, 31 de maio de 2011

A Junta de Freguesia na história - 78

A Junta demite-se!

Este edifício-sede foi inaugurado em 1958. No mesmo local, foi edificado o actual

Em 24 de Janeiro de 1915, a Junta da Paroquia Civil de Valongo reuniu em sessão, «na casa de escola para o sexo feminino de Arrancada do Vouga».
E aberta a sessão, presidiu António Gomes de Oliveira, vice-presidente em exercício. O presidente tinha pedido licença ilimitada que lhe tinha sido concedida.
Porém, aconteceu o inesperado. Diz assim a acta daquela sessão:

«Em seguida apresentou o vice-presidente o seu pedido de demissão deste cargo, declarando que continuava ao serviço da Junta, mas na situação de vogal. Toda a Junta se manifestou contra aquele pedido - e com aquele, eram cinco os elementos que constituíam a autarquia daquele tempo -, pedindo-lhe instantemente para que continuasse no exercício do seu cargo que tão dignamente tem sabido desempenhar. Como nada o demovêsse do seu propósito foi resolvido proceder-se a nova eleição de presidente e vice-presidente, para o que se suspendeu a sessão por espaço de dez minutos para confecção de listas e votação. E reaberta a sessão procedeu-se ao escrutínio que deu em resultado: presidente, Álvaro de Oliveira Bastos, vice-presidente, João da Fonseca Morais, pelo que o presidente convidou os novos eleitos a ocupar os seus lugares, indo por isso o cidadão Álvaro de Oliveira Bastos ocupar o lugar da presidência.»

*****

Ora aí está uma solução prática para a época e sem perda de tempo e dispêndios, como agora. O presidente demitiu-se? Então, de uma assentada e logo no local se resolve a questão colocando lá, por eleição, um novo presidente! E uma nova Junta! Estavam presentes: António Gomes de Oliveira, vice-presidente em exercício - o presidente tinha licença por tempo ilimitado (também achamos estranho que a um presidente se concedia licença ilimitada!), e ainda João da Fonseca Morais, Álvaro de Oliveira Bastos e Albano Ferreira da Costa. Estes mesmos, entre si, com votação e tudo, lá resolveram o problema!!!
Era capaz de haver qualquer coisa com o presidente, porque para pedir licença ilimitada, era mesmo capaz de não voltar a aparecer para retomar o cargo. Daí, que a eleição referida recaiu apenas no presidente e vice-presidente. Um pede a demissão, o outro nunca mais aparecia, e lá vai uma vassourada... com o devido respeito.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Brumas da memória - 2

Das Villas de Vouga, Brunhido, & Aguieyra

Ponte de arcos do rio Marnel citado no texto

A Villa de Vouga está em sítio plano junto do rio Vouga, de que tomou o nome, & ao pé de hum cabeço, que também assim se chama, ficando a Villa, & o cabeço entre dous rios; o Vouga da parte do norte, & Marnel da parte do Meyo-dia, os quaes se encontram logo abayxo do lugar de Lamas, que está ao pé do dito cabeço. Tem sobre o Vouga huma ponte de pedra de muitos olhaes, mas já tam areada, que em tempo de cheas se passa em barcos, & he estrada publica de Coimbra para o Porto, que passa por dentro da Villa. Há também outra ponte de arcos sobre o rio Marnel, que no tempo de inverno, & cheas se não passa. He tradiçaõ, que no cabeço de Vouga esteve antigamente uma Cidade, chamada Vacca, & ainda hoje se achaõ tijolos, & pedras lavradas, & outros vestígios de edifícios. Nelle está agora huma Ermida do Espírito Santo, & na Villa huma Capella do Santíssimo Sacramento. Tem esta Villa quinze visinhos.
Do rio Marnel para o sul fica a Igreja de N. Senhora da Assumpçaõ de Lamas, donde saõ Freguezes os moradores da Villa de Vouga; a qual Igreja está no destricto do Ducado de Aveyro, & he da apresentação desta grande casa. No lugar de Villa verde do Vouga para o Norte está huma Ermida de Santo Andre, & no lugar de Pedaçoens outra de Saõ Lourenço.

*****

Com a devida vénia, trata-se de uma transcrição do livro de António Martins Rachinhas, «A Vila de Valongo do Vouga» editado em 2010, página 46, quando, logo após a feitura das Inquirições, se dedica a fazer uma apresentação destas terras, adaptado da Corografia Portuguesa, de que é autor, do século XIX, o Pe. António Carvalho da Costa. Deste autor já qui fizemos referência e algumas transcrições, por digitalização, do que escreveu sobre estas terras de Vouga e Marnel. Vamos continuar a acompanhar etes dados históricos bastante curiosos. Mais curiosos quando são 'implantados' na escrita primitiva.
De notar que já naquele tempo se referia o texto à ponte sobre o rio Vouga, afirmando «mas já tam areada, que em tempo de cheas se passa em barcos». E era estrada pública, acrescenta. Ou seja, não estaria em boas condições. Não admira que actualmente se encontre interdita ao trânsito.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Brumas da memória - 1

A Lei da separação da Igreja do Estado

Primeiro: - Explicar que arranjei outra série - sim, porque isto de tratar temas, só em séries - a que chamei «Brumas da memória». Aqui vou tentar narrar por adaptação ou até transcrição, alguns factos históricos que já andam dispersos pelo nevoeiro e o pó que o tempo se encarregou de produzir.

Segundo: - Descobri, com a ajuda de um amigo, que me deu umas dicas, documentos digitalizados relacionados com os bens das igrejas, nomeadamente as deste concelho. Não quero dizer que isto é um fenómeno raro, ou qualquer coisa que andava escondida e que agora descobrimos. Nada disso. Eu é que desconhecia a sua existência em Internet e à disposição do comum dos mortais.

Terceiro: - Vou procurar um tratamento informático mais adequado e ver se consigo reproduzir as páginas completas. Esta que agora se apresenta, é feita com base no Print Screen (Paint) e só se consegue, como sabemos, a imagem que fica visível no monitor.

Resumo: - Fica para a curiosidade o auto da relação de arrolamento dos bens feito na igreja paroquial de Valongo do Vouga. Mas outros autos existem, em relação a cada um dos templos católicos que aqui ainda estão ou estavam. Vamos explorar esta situação e trazer até aqui tais documentos históricos. Como até de outras freguesias vizinhas.


Lendo o auto de arrolamento, verifica-se que a igreja de Valongo era possuidora, naquela data (1911, se não estou em erro), de algumas peças de certo valor. Sobre o assunto aqui voltaremos, para não deixar qualquer suspeita ou outras dúvidas a quem quer que seja.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XLIV

Parte do lugar de Jafafe além da ponte ferro-rodoviária, sobre o Vouga, que liga aquele lugar com Sernada
Sei que há já bastante tempo que a minha actividade bloguista anda um pouco esmorecida. Não por falta de vontade, mas por outros problemas pessoais que me absorvem e ocupam.
Por isso, vamos tentar retomar a normalidade e focar este post naquilo que pode interessar a algumas pessoas que aqui vêm espreitar estas histórias.
Há já algum tempo - precisamente um mês - que aqui não trazemos qualquer coisa mais sobre esta romântica e apaixonante história do século XIX. Deixámo-la no momento em que o Dr. Silva Pinho tinha saído de um baile de máscaras, em certa medida perseguido, acobardadamente, por alguns mascarados, gritando-lhe que ele era o roubador das Meninas Mascarenhas.
Diz ele, na narrativa, que quando chegou à rua, «no pleno ar livre, respirou. Tinha a sensação de um sonho pavoroso de que acordara, sentindo-se aliviado.»
Os condiscípulos que o tinham ajudado a sair daquela situação sorriam, mas no fundo notava-se que também estavam tristes e condoídos com a desgraça do Dr. Pinho, consolando-o com palavras de encorajamento e amizade. E este respondeu-lhes assim:
- Sim, sim, aquilo foi uma cena de carnaval, mais ou menos galhofeira, mas eu declaro que nunca mais irei a semelhantes espectáculos.
Os seus amigos disseram-lhe que ele estava a exagerar as coisas, que a cena não se podia repetir, porque em outra não se iria meter o Dr. Pinho. Ao que ele responde:
- É possível que meta! Depende dos acontecimentos, dos homens e também das mulheres. Mas no que não me meterei mais é num baile de máscaras, juro-vos. Entraa gente no teatro para se distrair e folgar, e vê-se cercado de caras encobertas, pessoas nónimas e desconhecidas, que nos jogam chufas e grosserias. Agora rio-me, e até achava graça, se a partida não fosse comigo...
E lá foram os três amigos passar o resto da noite noutro espectáculo menos comprometedor e agressivo.
Mas os seus trabalhos no Porto, de apoio a Joaquim Álvaro, eram considerados findos. Os Bandeiras tinham recorrido para o Supremo Tribunal de Justiça, do Acórdão da Relação que dera provimento ao agravo interposto pelo Juiz de Tondela, pelo que se deveria esperar pela decisão superior.
E dizia o Dr. Pinho que mais nada estava ali a fazer. Estava-se em meio do mês de Março e era tempo de regressar a sua casa de Jafafe. Pois a sua vida tinha sofrido um acidente anormal, o seu escritório de advogado estava encerrado, os clientes esperavam por ele e, mais que isso, sua mãe chamava-o com as suas carícias. E partiu para aquela aldeia.

Efemérides - 12

Maria Alcina Pires Tavares


Passa hoje o seu aniversário Maria Alcina Pires Tavares!
Mas quem era esta senhora com a bonita idade de 88 anos?!
Reside em Mourisca do Vouga, e o previlégio de a ter como a minha primeira professora primária!
A sua data de nascimento foi a 23 de Maio, de um já longínquo ano.
Veio para a escola de Arrancada no ano lectivo de 1947/1948, um anos antes de eu ter entrado, pois penso, porque já não me lembro, que iniciei o meu percurso escolar em 1949, e tendo duas classes a seu cargo - a primeira e a terceira - , durante vários anos, com uma turma que, nas duas classes, comportavam cerca de 50 alunos! Só na 4ª classe passei para a D. Beatriz de Jesus Araújo Moura. Lembro-me que a equipa de docentes daquele tempo era constituída ainda, além da aniversariante, pela citada D. Beatriz, pela D. Maria Antónia Valente Gomes dos Santos (esposa do Inspector Gomes dos Santos e avó do meu amigo Filipe Vidal) e D. Rosa de Almeida Baltazar.
Esposa de um grande amigo e companheiro de pescas, na Barra, o Armando Rocha, entretanto falecido, é mãe da Manuela (professora), Graça Maria (professora), e Armando Rocha (médico neurocirurgião).
Miúdos que éramos, gostávamos de acompanhar a nossa professora pelo caminho, uma vez que vinha da Mourisca a pé, até às Escolas de Arrancada, e lá íamos, por caminhos travessos, pelo campo, a partir da Quinta da Aguieira, pela Boiça, até sair no lugar da Aldeia onde actualmente se encontra o posto de combustível  da Auto-Branco.
Permaneceu, após várias actividades por outras terras, na Escola de Arrancada e daqui saiu, jubilada, em 1992.
Neste pequeno apontamento, quero enaltecer esta data e a professora que muito me marcou, no encaminhamento formativo, durante a escola e fora dela, porque sempre me distinguiu com os seus carinhos de consideração e amizade.
Parabéns D. Alcina!


(Com a ajuda do jornal «Valongo do Vouga» de Setembro de 1992)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Efemérides - 11

O Folclore da Casa do Povo de Valongo do Vouga



Romeiros em Brunhido

Como sempre, encontra-se alguma coisa que tem uma história. Neste caso sobre o folclore da Casa do Povo.
Sabemos que vai comemorar 25 anos de existência ininterrupta.
Este será, certamente, um contributo para lembrar o que se fazia há pouco menos de 25 anos. Neste caso concreto, era meu hábito registar alguns factos, que, de outro modo, se perdiam.
Encontrei por aqui uma folha de papel na qual estão registadas todas as deslocações e realizações folclóricas onde o grupo participou.
Neste caso, durante a época de 1989.
É esta a digitalização que aqui deixo.
Clique na imagem para ampliar.

Lista datada de deslocações do Grupo de Folclore em 1989

terça-feira, 10 de maio de 2011

Coisas e loisas - 34

A Ponte do rio Vouga



Ponte do rio Vouga-antiga EN1, interdita ao trânsito
Como é sobejamente conhecido e foi largamente difundido, a ponte que atravessa o rio Vouga, na freguesia de Lamas, está em ruínas. Por isso foi interdita ao trânsito de veículos.
Um dos pilares estará em mau estado - facto que o presidente da Junta local já referenciava há muito tempo - e o tabuleiro também já mostrava cedências no pavimento com alguma influência do trânsito de pesados que ali ainda se fazia sentir, principalmente veículos que transportavam madeira e outros materiais, provenientes da zona de Macinhata, Valongo e outras freguesias a nascente.
Sobre esta ponte, há alguns pormenores que resultam da sua existência histórica.
No Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - Edição de 1959, é publicado entre outras as seguintes notas:
Diz que foi mandada fazer por D. João V, Rei de Portugal, no ano de 1713. Aquela publicação histórica cita que esta «obra de João V foi só de reforma e de acrescentamento de alguns vãos. Há outra anterior, que forma a parte principal, ordenada por D. João III».
«Em carta ou alvará de 26 de Fevereiro de 1529, nomeava este rei a Jerónimo Gonçalves, fidalgo escudeiro, residente em S. Pedro do Sul, vedor e recebedor da obra da pomte que ora mando fazer no rio Vouga e a sull.»
«Foi seu construtor mestre Ryanho (mestre que foy da obra da ponte da dita villa). Residia este nesta mesma vila de Vouga ainda em 1552.»

A propósito da ponte agora interdita (por quanto tempo não se sabe!), estas algumas notas históricas, bastante incompletas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Coisas da Guiné - 36

Um poema na Guiné:
ESPERANDO...

Certamente que muitos dos visitadores  hão-de pensar que estou a insistir muito em coisas da Guiné, do tempo da guerra colonial. É natural.
A digitalização que se segue é de um poema, que tem uma história. O seu autor, o ex-Alferes Armando Augusto Geraldes Soares, da Póvoa de Varzim, que foi um amigo, que me ajudou, e muito, na elaboração do «Jornal da Caserna», cuja história, de tantas vezes contada, não vou repetir.
Um dia encontrei um papel que tinha escrito qualquer coisa. Pela caligrafia, que identifiquei com a maior facilidade, e pelo texto, só podia ser daquele militar companheiro de permanências na Guiné.
Achei graça ao conteúdo, nostálgico, como era a nossa vida em terras de África, e o Geraldes mostrou-se bastante surpreendido quando lho mostrei.
É evidente que isto foi escrito por ele num momento de inspiração e então colocámo-lo no «Jornal da Caserna», com as suas expontâneas ilustrações. Veja, leia, aprecie, que vai gostar.
Com sua licença, dedico este poema aos românticos, aos poetas e poetisas que por aí andan disseminados. Clique na imagem e aumente que fica melhor...


A Junta de Freguesia na história - 77

As escolas de Arrancada

Esta história da Junta de Freguesia, relacionada com as escolas primárias, em 1915, parece que não tinham fim, a avaliar pelo descrito nas actas à medida que o tempo passava.
Tem desta vez mais uma acta da sessão extraordinária de 17 de Janeiro, na qual é novamente abordado este assunto.
E consta esta passagem dessa acta:


Estes são os edifícios actuais. Substituiram as instalações demolidas e que seriam, talvez, as que são citadas em 1915, que ainda não sabemos quando foram cncluídas. Se assim for, nós frequentamos a escola  nessas instalações.

«E aberta esta sessão, que, como já de todos era sabido, se destinava tratar dos assuntos referentes à arrematação e construção da primeira tarefa da casa de escola, foi resolvido aditar, depois de largamente apreciadas, algumas alterações e modificações, no caderno de encargos e condições de empreitada e respectivo orçamento para a dita construção da referida primeira tarefa da casa de escola. Estas alterações ficam a fazer parte integrante do respectivo caderno e orçamento. Foi também deliberado que a Junta mande fazer os adobos para a construção de alvenaria, por sua conta, empregando nesse trabalho o imposto de serviço braçal da freguesia, devendo dar princípio a esse trabalho, bem como à abertura do poço da escola. logo que o tempo o permita.»

Depois faz uma descrição do aproveitamento do mesmo imposto de serviço braçal, no que respeita a todos os transportes (talvez com carros de tracção animal, como era típico no tempo), bem como umas referências ilegíveis com as alterações que «decerto origina novos estudos para os concorrentes, foi deliberado adiar o prazo da entrega das propostas até ao dia trinta e um do corrente (Janeiro de 1915), passando-se editais nesse sentido, e ficando também já convocada nova sessão extraordinária para esse dia à hora do costume, para apreciar as propostas dos concorrentes e quaisquer outros assuntos concernentes à mesma obra.»

Certamente que perante esta descrição alguns comentários seriam oportunos, desde a aplicação do imposto braçal até à abertura do poço, o qual ainda fomos encontrar aberto, com apenas um baixo muro de protecção, junto do recreio da escola. Pensamos ser adequado manter a ordenação cronológica das datas das actas e tentar descobrir qual a finalização que vai ter esta situação.

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