terça-feira, 5 de abril de 2011

Gente destas terras - 37

Conselheiro José Joaquim  Rodrigues de Bastos

Não sei se, localmente, terá sido dito tudo àcerca deste ilustre Homem público, que desempenhou altos cargos no governo da Nação e suas estruturas, principalmente no decurso do século XIX.
Conhecemos todos, creio eu, uma rua em Arrancada, denominada com o seu nome. Nada mais. Era natural do lugar do Moutedo, onde nasceu em 8 de Novembro de 1777 (século XVIII). Foi baptizado em 16 do mesmo mês de Novembro, recebendo este sacramento na pia baptismal da igreja de Valongo do Vouga, que ainda por lá está. Trata-se de uma peça rara e rica no estilo, na arte e na história.
Encontrei o que, para mim, andava perdido ou talvez já nao me lembrasse dele. Um livrinho com 30 páginas, que constituiu uma Separata do Boletim Municipal de Aveiro (Ano V - Junho de 1988 - Nº 11), que possui uma interessante biografia daquele ilustre, culto e competente Homem público.
Esta biografia é da autoria de um seu descendente, o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, do Instituto Português de Heráldica, a quem peço permissão para aqui evocar o Conselheiro, do Moutedo, e dela, com a devida vénia, respigar alguns nacos de história, inserida nas paginas 27 e 28:

«O Conselheiro faleceu no estado de viúvo, já próximo dos 85 anos, às três horas da tarde, em 4-10-1862, na sua casa à Rua de Santa Catarina, na cidade do Porto, e foi sepultado no cemitério do Prado de Repouso. Possuía uma das mais ricas bibliotecas da cidade. Na notícia necrológica em O COMÉRCIO, de 6-10-1862, lê-se que "praticava largamente a caridade pela forma que mais meritória é, sem ostentação, e como que a ocultas, e viveu até à última vida de sábio laborioso e modesto que exemplificava nas suas acções as virtudes que doutrinava nos seus estudos".

Já antes o Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, na página 28, escreve a respeito:
«Do atrás expendido verifica-se que foi autor muito apreciado e logrou grande difusão o melhor da sua obra à conta das sucessivas edições produzidas em curto espaço de tempo.»
Tem em Camilo um grande admirador. Castilho é outro que se relaciona bem com o Conselheiro Rodrigues de Bastos, além de outros grandes vultos da cultura da época. Para confirmar e não podendo agora fazer uma extensa dissertação sobre um Valonguense do século XVIII, nomeadamente evidenciando ao menos o título das suas obras lietrárias, - uma das quais por aqui vamos fazendo passar, em pequenos trechos - Pensamentos, Máximas e Provérbios -, finalizamos esta modesta referência com este trecho daquele seu familiar e autor da biografia antes citada:

«Era pessoa muito considerada nos meios sociais e culturais do Porto. Em 26-12-1854 noticiava O COMÉRCIO que, no dia anterior, tivera lugar, no salão do teatro da cidade, a reunião projectada por alguns indivíduos da imprensa e da literatura para homenagear Almeida Garrett, tendo presidido ao acto o Conselheiro Rodrigues de Bastos.»

Muito mais haveria a historiar desta insígne e importante personalidade, nomeadamente a sua ifluência na cultura brasileira, onde foi muito apreciado e citado. Penso que olvidar estas pessoas, será o mesmo que deixar em segundo plano a nossa Terra e a sua história e, ao fim e ao cabo, olvidar também todos aqueles que para a mesma história de algum modo contribuíram e foram, positivamente, neste caso, protagonistas.

Nota: - A foto que acima inserimos foi digitalizada da obra referida, do Dr. Rui Moreira de Sá e Guerra, na página 26.
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