sábado, 23 de abril de 2011

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XLIII


Imagem retirada do site desire of shadows.blogspot.com/

O que foi dito no último capítulo desta história, era de que o Dr. Silva Pinho divertia-se no Porto, numa altura do Carnaval. Também tínhamos denunciado que uma cena caricata, mas aborrecida, ultrapassando os limites da brincadeira própria do Carnaval, passou-se no teatro S. João. E dizia ele que os pares rodopiavam, animados, nas valsas estonteantes. E, note-se que toda a gente andava mascarada. Portanto, por trás da máscara não se sabia (para muitos) quem lá estava.
Os seus amigos Dinis de Sousa e Coutinho de Madureira acompanhvam-no. Em certa altura, tendo afrouxado o entusiasmo dos que rodopiavam nas danças, dirigiu-se-lhe um mascarado, com uma voz de falsete e em tom camuflado, fez uma afirmação que se ouvia facilmente à distância.
- Olha o roubador das Meninas Mascarenhas!... Onde estão as Meninas? Queres casar com uma delas?!...
O mascarado continuou as suas insinuações num falsete esganiçado. E como se falava muito das Meninas Mascarenhas, e dado que este caso tinha apaixonado pouco antes a opinião pública do Porto, outros mascarados se aproximaram, fazendo coro com o primeiro que implicou com o Dr. Silva Pinho.
Chegou a fazer-se algazarra e o Dr. Silva Pinho viu-se rodeado de curiosos, que o olhavam, soltando ditos endiabrados.
O barulho era atroador. Estava a ser alvo de todas as atenções, de todos os olhares e toda a troça. Os binóculos, muito usados em casas de espectáculos, naquele tempo, estavam assestados, a partir do alto dos camarotes sobre a sua pessoa.
Via-se, assim, em rídicula exposição e percebeu que estava a dar ao público um benefício que nada lhe agradava, e a que estava forçado. E não via maneira airosa de sair daquele apertado e grotesco lance. Rapidamente os seus condiscípulos e companheiros tiveram uma ideia: deram-lhe o braço e desenvencilharam-no daquela turba muito enfurecida, que os acompanhou até à porta do teatro, gritando:
- Dá cá as Meninas Mascarenhas, ó roubador! Queres casar com uma delas, ó roubador!

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