segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma visita a Vila do Conde

História em Vila do Conde
O viveiro de camélias da Junqueira


A freguesia da Junqueira, no concelho de Vila do Conde, é alvo de muitas notícias e reportagens dos mais variados órgãos de comunicação social. Ali está uma pequena quinta que se dedica à criação e desenvolvimento de camélias, também conhecidas por Japoneiras, por terem origem no Japão.
No sábado dia 26, porque quem gosta deste tipo de plantas não suporta ter de faltar a uma oportunidade desta visita, lá ajudei a deslocar-se. Ao lado, um autocarro com mais pessoas. E lá fomos. Era um grupo interessante.
Pelo caminho, aproveitou-se para conhecer, por visitas guiadas, o que era a cidade de Vila do Conde no tempo dos descobrimentos e das transacções comerciais do século XV. E conhecer o recuperado edifício da Alfândega Régia daquela época.
Esta alfândega servia de entreposto a todas as mercadorias transportadas pelas naus de então, um barco considerado de certo porte para cargas substanciais para a época, e muitos outros navios que chegavam e ali atracavam carregados, provenientes do norte da Europa, mas, por não estarem presentes à sua chegada quaisquer oficiais alfandegários, os direitos reais eram ocultados.
Naquele edifício, primorosamente recuperado e restaurado, estão lá as figuras e apetrechos principais para cobrar os impostos alfandegários dos anos de 1400...



 

Logo à entrada um boneco impecávelmente «vestido» à época, diz que era o «recepcionista» que registava a mercadoria entrada. Lá dentro, o pesador, depois o oficial que tomava nota do peso e da mercadoria. Em plano superior o juiz, que ditava a última palavra, sobre se achava equitativas as operações de pesagem e valorização, após arrematação dos interessados, que estavam também em plano superior, do lado contrário ao da localização do juiz. Quando este anunciava o valor, havia um outro, identificado no slide, que tomava nota da importância que o juiz tinha anunciado em voz alta.
História curiosa, esta, além daquela que resultou da visita à nau ancorada no rio. Não faltam todos os pormenores que as naus possuíam, desde os porões, vasilhas para água e outros líquidos, até aos quartos dos oficiais mais categorizados que tinham direito a alojamento. Uns cochichos, mas um luxo. Porque os restantes, principalmente a tripulação, ficavam no convés e lá pernoitavam, pois se dormiam - não sei bem como era possível dormir - porque por cima dos seus corpos apenas tinham a cobri-los a lua e as estrelas.
Estas reconstruções são da maior importância, porque mostram o modo de vida e de sofrimento que aquelas corajosas pessoas tinham dentro de tais embarcações, porque demoravam 9 meses numa viagem da Indía a Lisboa. E quem olha para aqueles espaços, mal imagina que transportava cerca de 120 a 150 pessoas, todos tripulantes.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Efemérides - 7

Engº José de Bastos Xavier
1902 - 1976


Faz hoje 35 anos que faleceu este ínsigne Valonguense, no lugar de Arrancada, mais precisamente no sítio denominado de «Ponte Nova» onde residia.
Foi no já longínquo dia 25 de Março de 1976, que o natural desenlace se verificou.
Nasceu em Arrancvada do Vouga, em 29 de Outubro de 1902. Antes de trabalhar por conta própria foi empregado comercial em Águeda. O seu patrão recomendou a seu pai, António Pereira Vidal Xavier, que o colocasse a estudar, dado que perdia mais tempo a escrever que a trabalhar e a atender os clientes.
Dedicou-se efectivamente ao estudo e, em três anos, completou todo o percurso do curso dos então liceus, no Porto. Neste cidade continuou a estudar, na Faculdade de Engenharia de Engenharia.
Após a asua licenciatura, fez parte do Ministério das Obras Públicas, tendo desempenhado funções em Coimbra e na Guarda, tendo trabalhado na Direcção-Geral de Lisboa.
Outra característica da sua vida, era a escrita, donde se destacou a par de outros escritores de renome. São da sua autoria os romances «Cana ao Vento», 1944, «Novos Claustros da Montanha», 1953, «Arame Farpado», 1964, «Galope na Sombra», 1970, e «A Zorra», 1975.
Foi também colaborador de vários jornais, entre eles a «Soberania do Povo» e «O Valongo do Vouga». Neste escreveu alguns contos, como é o caso de «Quasimodo».
Em 2002 a Casa do Povo de Valongo do Vouga cvomemorou o centenário do seu nascimento com a 2ª edição do primeiro romance «Cana ao Vento». Ainda lá estão, nesta Instituição, vários exemplares que podem ser adquiridos. Penso eu...

(Elementos coligidos com a ajuda do jornal «Valongo do Vouga» de Janeiro de 1978)


segunda-feira, 21 de março de 2011

No Dia Mundial da Poesia

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Vivemos também o Equinócio da Primavera. Tudo encaixa perfeitamente na Poesia. E atendendo à especial atenção de duas poetisas da nossa terra, aqui deixamos um poema de autoria de Lucília Mendes, a quem agradecemos o previlégio que nos concedeu, com este título:

Lucília e Isabel Mendes, são ambas autoras de poesia. À direita a autora deste poema

SER POETA


Ser poeta é ser actor
Sem filme onde representar
Ser poeta é sofrer de amor
Quando nem sequer se sabe amar

Ser poeta é ser mentiroso
Porque nas mentiras pode haver verdade
Ser poeta é compartilhar a vida
E mesmo assim morrer de saudade


Ser poeta é não saber falar
Porque a escrever o mundo é maior
Ser poeta é alimentar os dias a pensar
Porque assim as palavras saem melhor


Ser poeta é estar doente
Sem dor nem mal se sentir
Ser poeta é ser confidente
Dos fantasmas que nos insistem em perseguir


Ser poeta é lutar desarmado
Numa guerra que nos invade a cabeça
Ser poeta é viver isolado
Sem a ilusão de que alguém apareça.

Autora: Lucília Mendes

*****
 
Se gosta de poesia e quer ler mais das autoras, clique aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Junta de Freguesia na história - 74

Estrumeiras - uma necessidade prejudicial!

Tínhamos dito aqui há uns tempos que da vida da freguesia, do já afastado ano de 1914 - há quase cem anos! - existiam ainda outros factos curiosos, para alguns, não tanto para outros.
Neste caso está em causa o que se conhecia por estrumeiras - ou seja autênticos produtores de doenças e de fertilizantes para a agricltura (de subsistência) que se praticava, principalmente nesta e outras freguesias e lugares.
Mas já havia noção e até alguma consciencialização do que tal forma de conspurcação representava para a saúde pública, pois chegou-se, próximo destes primeiros anos do século XX, a só autorizar a existência de estrumeiras, em determinadas circunstâncias. Já o dissémos...
Vamos transcrever o conteúdo da acta da sessão de 22 de Novembro de 1914, sobre este assunto, que diz o que a seguir se refere.

Monte de estrume
Mas se quer apreciar uma actividade de origem brasileira, com estrume, veja o vídeo abaixo

«Foi lido um ofício do chefe da secretaria da Câmara Municipal de Águeda, de trinta de Outubro último, que acompanhava um requerimento, por cópia, em que Maria Augusta Simões pedia licença à dita Câmara para fazer estrumeira de mato no caminho junto a uma sua casa, ao cimo deste lugar de Arrancada, pedindo à Junta para informar sobre se haveria inconveniente em se conceder a licença. A Junta foi de parecer que não havia inconveniente em ser concedida, devendo cessar quando se reconheça a necessidade de levantar todas as estrumeiras do mesmo caminho.»

Ressalta ainda desta situação outros factos considerados curiosos; por um lado, a Câmara não decidida sem ouvir a Junta. O que se considera já, para a época, um princípio básico de respeito pelas insttituições, democráticamente falando. Por outro lado, a preocupação da Junta em, dadas as dificuldades e o modo de vida então existentes, ressalvar, à partida, a sua autoriozação condicional, pois já se ventilava e discutia-se a necessidade e os inconvenientes das estrumeiras em plena via pública e, bem assim, uma hipotética extinção da sua existência e continuidade.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu sei...

... que ando ausente

Pode não ser propositado fazerem-se publicações deste género. Mas faço-as, por uma questão de respeito perante quem se habituou a vir por aqui, a vizualisar as linhas desalinhavadas (passe o pleonasmo), e, de repetente, não encontra o que a sua visita justifica. Ou seja, fica, logo que chega, «desconcertado» e com algum desconforto, de frustração, perguntando: mas afinal este tipo «desapareceu»?
Não. Apenas outras coisas me «impedem» de vir aqui com a regularidade antes habitual.
Vamos tentar inverter as coisas.
Até já..

Agrupamento de Escolas de Valongo

Banda Marcial de Fermentelos

É já além de amanhã, dia 19, conforme cartazes que foram difusamente distribuídos por vários locais, que a Banda Marcial de Fermnetelos, mais conhecida pela «Banda Velha», vai levar a efeito um concerto, com o patrocínio das seguintes Entidades:

- UBA (União de Bandas de Águeda)
- Câmara Municipal de Águeda
- Junta de Freguesia de Valongo do Vouga
- Agrupamento de Escolas de Valongo do Vouga
- Casa do Povo de Valongo do Vouga

O cartaz que foi possível digitalizar sobre este evento de índole cultural, é o que a seguir apresentamos. Os nossos aplausos para a iniciativa.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em Macinhata do Vouga

Quinzena Cultural

Estão por aí profusamente espalhados alguns prospectos sobre uma actividade que, nos parece, ser inédita nesta freguesia: Actividades diversas, cada uma delas estabelecida num dos dias que vão de 16 de Abril a 1 de Maio.
Apreciando bem a diversidade destas actividades, também se poderia acrescentar que se trata de um programa que abrange ainda as áreas recreativas, etnográficas e outras que estão programadas.
Para se poder fazer uma ideia do que está previsto para aquela quinzena que vai, estamos certos, movimentar a freguesia, deixamos uma digitalização do prospecto a que nos referimos.

sábado, 5 de março de 2011

Terras do Vouga

Vouga e Lamas

O «Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - 1959» dá-nos uma panorâmica histórica sobre Lamas do Vouga que, admitimos, é importante recordar, apesar de, históricamente, existir muita coisa escrita. Da página 22 daquela obra, respigamos algumas passagens importantes:

IC2 - EN1 e Ponte Medieval do Marnel

«Reune a freguesia quatro povoações na confluência do Marnel com o Vouga; duas delas nos terrenos intermédios - Lamas junto àquele rio, a de Vouga ao do mesmo nome - ficando no morro a nascente os restos romanos, tradicionalmente apontados pelos escritores.
Vouga foi cabeça de antigo concelho que, no fim da Idade Média, abrangia algumas freguesias envolventes, no todo ou só em parte. O principal aglomerado deveria ter sido o de Arrancada, que ainda hoje conserva regular conjunto de velhas casas.
A última concessão do julgado de Vouga fê-la D. João I, em 1398, com todos os bens que eram de Egas Coelho, passando a Castela, a Diogo Lopes de Sousa, 18º senhor da grande casa de Sousa. Veio, por herança, aos condes de Miranda do Corvo e depois marqueses de Arronches, e aos duques de Lafões. A época constitucional ainda aqui organizou um concelho do novo tipo que acabou em 1853.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Junta de Freguesia na história - 73

As escolas primárias

Ainda não é desta que temos a história da inauguração das escolas de Arrancada, descrita nas respectivas actas da Junta de Freguesia. Mas temos, isso sim, na acta da sessão de 22 de Novembro de 1914 o seguinte:



«Um ofício da Direcção Geral das Obras Públicas do Distrito de Aveiro, sob o número noventa e nove, de vinte e três de Outubro próximo passado, comunicando a esta Junta que lhe havia sido distribuida a verba de mil escudos (actualmente 5 Euros) para subsidiar a construção da casa das escolas, que se projecta fazer nesta freguesia, da verba votada para construções escolares, pela lei de dezassete de Janeiro de mil novecentos e treze, bem como que para fiscal desta obra fôra nomeado o engenheiro subalterno, José Toscano de Figueiredo e Albuquerque. A Junta ficou sciente.»

Depois faz uma pequena história de que tal quantia está na Caixa Geral de Depósitos, cujo depósito ali fora feito em em 15 de Outubro do corrente ano [de 1914], e está lançada no livro setenta e sete, sob o número quarenta e cinco mil duzentos e dezanove, daquela instituição bancária. A seguir diz ainda:

«Também foi presenta a cópia da planta e orçamento da casa de escola, informando o presidente da Junta de que ouitra cópia havia sidfo enviada já ao Ministério da Instrução, a fim de ser aprovada pelo respectivo Ministro.»

Mas há mais novidades de 1914!!!

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XLI

Após se ter instalado na hospedaria denominada «Fonda De Las Delícias», o dr. Silva Pinho faz uma descrição nostálgica daquilo que entretanto se estava a passar consigo, no também nostálgico e calmo lugar de Jafafe. Das suas caçadas, da sua bateira leve, das suas pescarias no «meu pátrio rio», dos serões passados a contemplar, sem parceiros, sobre uma mesa iluminada as miniaturas das suas caixas de fósforos. Enfim um quadro genuíno de alguém que já trabalhou muito e agora goza o merecido descanso. Não sei se naquele tempo a sua profissão de advogado tinha ou não reforma.
Logo que se instalou na Fonda, foi falar com José Lourenço de Sousa, que era o dono da tipografia que no capítulo anterior se citava, para imprimir, com um prefácio da sua autoria, as diferentes peças do processo e os memoriais destinados aos juízes.
Cuidou, em seguida, de procurar em suas casas os magistrados que deviam intervir no julgamento sobre o caso das menores tuteladas ao dr. Joaquim Álvaro, expondo com clareza a matéria do agravo, ficando com a ideia de que todos ficaram sensibilizados e convencidos da sua tese. A todos levava cartas de recomendação.
Um pormenor interessante: um dos desembargadores explicou logo o seu voto (era o Tribunal da Relação), afirmando que não acreditava que houvesse juiz algum em Portugal que tivesse opinião diversa. O dr. Silva Pinho identifica este juiz como sendo o dr. Pereira Leite, já falecido na data desta narrativa, deixando história na sua carreira de magistrado e grande reputação de sábio. Mas havia empenhos e pressões que não influenciaram os juízes daquele tribunal. Procedendo-se ao julgamento, dois juízes votaram a favor e dois votaram contra.
Um desembargador, de nome Vicente Nunes Cardoso resolveu o desempate, com voto de qualidade, em favor do tutor. A este juiz não tinham chegado as recomendações e os pedidos. Ele lera os folhetos que o dr. Silva Pinho tinha elaborado e oferecido a todos os membros do tribunal e decidiu-se pela impressão que a leitura lhe deixara...
Os Bandeira da Gama não esperavam que o agravo lhes fosse desfavorável e contrário (que é o mesmo)...

Foto: Monumento à Justiça de Fafe, in «Fafeonline.com»

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