sábado, 5 de fevereiro de 2011

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XXXIX

Esta parte da história está muito centrada, como é natural, na figura de José Joaquim da Silva Pinho, autor da narrativa de «As Meninas Mascarenhas». Para a ilustrar aqui fica uma imagem de Macinhata

No capítulo XXXVIII dsta história, que aqui deixamos em 4 de Janeiro findo, o Dr. Silva Pinho iniciava o contra-ataque aos Bandeira, na campanha que se tinha urdido contra o tutor das Meninas, o Dr. Joaquim Álvaro.
E tínhamos terminado dizendo que o advogado de Jafafe havia mandado imprimir alguns milhares de exemplares dessa resposta e que, agora, não tinha nenhuma para aqui transcrever. Uma pena...
Outras publicações se realizaram no mesmo sentido e o resultado de tal propaganda, honesta e insistente, foi fantástica. Deu-se uma reviravolta na opinião pública.
Os Bandeira, talvez surpreendidos, ficaram assombrados e silenciosos. Não houve qualquer reacção ou outra contestação àquilo que era dito àcerca do tutor com esta resposta-esclarecimento público. O tutor saía vitorioso e vencedor perante a razão das pessoas imparciais e independentes.
Na sua corrente de simpatia, «os afectos das almas compadecidas das amarguras de uma mãe que se não resignava com a perda das suas filhas queridas, mas o direito, que vinha da lei, dominava as consciências e era decididamente pelo homem a quem o fidalgo do Sobreiro encarregara a tutela das duas órfãs», dizia o Dr. Pinho, na sua narrativa.

Seguem-se algumas descrições mais poéticas e romanceadas, até que nos princípios de Fevereiro entrava o processo na relação, pedindo o agravo de um despacho arbitrário e insustentável. Isto para referir que o autor encarregado de minutar a contestação foi o Dr. José Correia de Miranda, de Travassô, amigo do Dr. Silva Pinho e condiscípulo de Joaquim Álvaro.
O Dr. Miranda, na sua modéstia e simplicidade, chamava-lhe um «acanhado projecto de minuta», mas o Dr. Silva Pinho entendia que era um trabalho primoroso. Acrescentava ainda que essa minuta, recebida por intermédio de Joaquim Álvaro, de Aguieira, era um modelo de exposição e argumentação. Essa minuta foi apresentada a um ilustre advogado do Porto, Dr. Caetano Joaquim de Oliveira, que tinha procuração nos autos e era pessoa de altos conceitos e prestígios nos meios forenses. Apenas a recebeu, o Dr. Silva Pinho marcha para o Porto a levá-la ao escritório deste distinto causídico, já posta a limpo (definitivamente).
Feitas as apresentações da época, o Dr. Silva Pinho entregou o trabalho jurídico, deu-lho a ler, que o fez com toda a atenção, sendo algumas folhas de papel manuscritas em letra corrente e clara.
No fim da leitura, o advogado pegou na sua pena de pato, e, sem fazer nenhuma observação, assinou com o seu nome por inteiro. Um pouco receoso, o Dr. Pinho fez uma observação, indagando se não fazia nenhuma emenda ao trabalho do colega Miranda, de Travassô. O advogado respondeu e transcrevemos:

«Honro-me em subscrever esta minuta, que é obra acabada. Se eu alterasse com uma vírgula a mais, ou com uma vírgula a menos, decerto a conspurcaria ou estragava. É um grande jurisconsulto o nosso mestre dr. Miranda.»

O dr. Silva Pinho rejubilou de alegria e saiu contentíssimo do escritório do dr. Caetano Joaquim de Oliveira e foi arranjar hospedaria na cidade do Porto.
Por agora nos ficamos aqui...
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