terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XXXVII


Foi em 7 de Dezembro do ano findo que deixamos por aqui o último episódio. E nele se contava que o Dr. Pinho fora surpreendido em Vila Nova de Gaia por um janota, que antes fora escrivão e que lhe dificultara a vida em Covelas. E a surpresa ainda maior, foi que tal Osório ia acompanhado de duas mulheres suas irmãs.
Tanto aquele como as irmãs trajavam do melhor e mais vistoso e dizia o Dr. Pinho que aquilo não se teria modificado assim se não fossem algumas peças de ouro da D. Casimira Mascarenhas, que lhe foram dadas pelo Dr. Joaquim Álvaro, para poder obter favores e arranjar-lhe os documentos do juiz, que necessitavam para continuar viagem.
As irmãs do Osório foram apresentadas ao Dr. Pinho e este retribuiu com mesuras, porque, dizia, naquele tempo não se usava apertar a mão a uma senhora.
Muito interessantes, vestidas pelo último figurino, o Osório logo disparou que tinha sido tal a simpatia que lhe inspirou, em Covelas, que tendo-se deslocado ao Porto e sabendo que o Dr. Pinho ali permanecia, resolveu passar alguns dias na sua amável companhia.
O Dr. Pinho agradeceu e a conversa generalizou-se e foi «obrigado» a acompanhá-los nos passeios, quer em Vila Nova, quer no Porto, nos teatros, bailes de máscaras, enfim, a toda a parte onde houvesse divertimento.

As duas manas queriam aprender a dançar à moda dos salões aristocráticos e o Dr. Pinho ensinou-as a dançar a polka que tinha sido introduzida recentemente nos bailes.
O Dr. Pinho confessava que não se sentia bem na companhia do Osório, lembrado da noite de Covelas, mas as irmãs não tinham culpa da péssima acção de seu irmão e elas pediam com tanta graça que as não abandonasse que lá andou de estúrdia por Vila Nova de Gaia e pelo Porto, desculpando-se e si próprio, com o alegre do Entrudo que começava.
Mas lá acabaram as folias e partiram saudosos para Cabeçais, as manas chorando e limpando as lágrimas com os seus lenços brancos, dizendo adeus de bordo do barco que as levou Douro acima. E nunca mais as viu, nem ao irmão, apesar deste o ter procurado na sua casa de Eixo em 1851, pouco depois do Dr. Pinho ter casado, quando o Osório era escrivão no julgado de Sôsa (Vagos).
E aquela visita da família Osório tirou-lhe algum tempo, e necessitava, agora, de aproveitar todo esse tempo para tratar dos negócios de Joaquim Álvaro. Tinham assente com os Velosos que era indispensável dar explicações ao público.


Foto retirada da net (Carnaval de Veneza)
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