quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Gente destas terras - 34

Artur Tavares Corga


Só agora tive oportunidade de aceder a este lugar, para dar nota de uma efeméride. Triste efeméride! Porque foi exactamente no dia 3 de Novembro, do ano de 1955, que faleceu este insígne Valonguense.
Digo isto sem falsas vaidades ou outras intenções, que não vêm ao caso. Mas só porque se tratava de um Homem de cujo espírito de iniciativa e empreendedorismo muito havia a esperar.
Lembro-me muito bem, que este homem morador na Rua António Pereira Vidal Xavier, ali no cruzamento das estradas da Valinha-Empresa-Aldeia-Póvoa, na casa que muito é conhecida pela «casa da D. Céu Corga» tinha estampado no rosto as fisionomias próprias de um homem de sonhos e ideias, e de ideais, acrescente-se também.
Teve uma vida dedicada à indústria, começando por se dedicar à construção civil, aliás, na esteira de seu pai, Manuel Tavares Corga. A «Empresa», como era conhecida, e oficialmente 'Empresa Industrial de Arrancada, Lda.' foi apenas um dos saltos dos que teria o sonho de ainda poder dar.
Tenho ainda bem presente que me deu, uma vez, uma boleia num veículo ligeiro, parecido com as actuais Opel Astra, creio que Bedford, de Águeda para casa. E a estrada que percorreu foi pela Mourisca.
Lembro-me ainda que a sua morte, quando conhecida, foi de um impacto bastante forte nas pessoas da freguesia. O acidente de viação que o vitimou, foi provocado pela camionete que conduzia, quando vinha de Abrantes para Valongo, perto de Tomar. Na camionete transportava uma prensa de certa envergadura, salvo erro destinada a um lagar de azeite, que o entalou na cabine, quando a mesma prensa se deslocou após uma travagem. Não sei agora se houve terceiros envolvidos no acidente. Interessa-me a efeméride do acidente que o vitimou e não as causas.
Era efectivamente um valor da freguesia, de quem muito havia a esperar.
Só para recordar aos mais velhos e dar a conhecer aos mais novos. Cujo nome se vai esfumando no nevoeiro dos tempos, sem, ao menos, estar perpetuado em qualquer esquina das nossas ruas, numa fria placa de pedra. Não é ingratidão. É isso mesmo: esquecimento.

(Com o apoio do Jornal «Valongo do Vouga», de Janeiro de 1978, página 8)
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