terça-feira, 16 de novembro de 2010

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - XXXV

Edificíio da Quinta de Aguieira no sentido poente-nascente,
vendo-se do lado esquerdo os celeiros e do lado direito a adega


Na história anterior tínhamos deixado a descrição sobre o paradeiro das Meninas Mascarenhas. Uma em casa do cirurgião Lima e a outra em casa do solicitador Tibúrcio. O Dr. José Joaquim da Silva Pinho apenas visitou algumas vezes a D. Maria Mascarenhas, usando de todas as precauções. A D. Casimira não a procurou nem a viu nunca, após a chegada ao Porto.
E assim decorriam os dias, também não tendo contacto algum com o Dr. Joaquim Álvaro, o que viria a ser o futuro Visconde. Tinha notícias apenas pelos seus escritos. Um dia recebeu uma carta, através de um portador.
Nela fazia menção de que sendo perigoso tentar emigrar com as suas pupilas, dada a vigilância apertada que ainda existia por parte dos Bandeiras da Gama, apesar do desânimo em que estes ficaram pelo malogro das suas tentativas de «capturarem» as suas sobrinhas, parecia-lhe bem recolher a sua casa de Aguieira, clandestinamente, indo ver a família e onde, naturalmente, os Bandeiras não podiam suspeitar do seu paradeiro. Pedia ainda ao Dr. Pinho para continuar no Porto a fim de tratar dos seus negócios até ver se se conseguia umas melhorias na situação violenta em que se vivia. Joaquim Álvaro pedia a opinião do Dr. Pinho.
Este foi ter com os Velosos (Vila Nova de Gaia) que ficaram ao corrente das intenções de Joaquim Álvaro e concordavam com o plano, tanto mais que o tutor não faria nada no Porto sem sair à rua, sendo conveniente por todas as razões que não fosse visto, nem pudesse ser procurado na cidade enquanto lá estivessem as Meninas.

O Dr. Pinho tratou de arranjar cavalos e um pagem e foi o Visconde prevenido que estava tudo preparado para ele seguir para casa. Um dia, à noite, Joaquim Álvaro apresenta-se em Vila Nova e o Dr. Pinho não o reconheceu tal o disfarce no rosto e na fala.
Fez-se uma grande conferência juntamente com os Velosos e a seguir despediu-se, montou no cavalo e partiu para Aguieira acompanhado do pagem que o Dr. Pinho tinha escolhido. O pagem era um homem prudente, muito cioso de guardar o segredo, conhecia bem as estradas e caminhos, incapaz de uma inconfidência ou de uma traição. Fizeram a viagem a trote e a galope, sem qualquer embaraço. Seguiram alguns atalhos mais fáceis, para adiantar a jornada e chegaram já de noite a Aguieira, onde não era esperado e foi recebido com sobressalto mas com carinho pela família que o adorava, estando disposta a todos os sacrifícios para que tivesse êxito a sua missão testamentária.
Por Aguieira se demorou Joaquim Álvaro até que os acontecimentos o obrigaram a sair do país, fazendo uma emigração necessária e duradoura.


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