sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Usos e Costumes

Romeiros de Ílhavo no Sobreiro
(Nª Sª das Necessidades)

No seguimento do mencionado no anterior post, continuamos esta «visita intrometida» ao Boletim Paroquial «Valongo do Vouga», para dele respigar o que já terá constituído uma das maiores manifestações de religiosidade e de fé que, creio, nestas redondezas só terá sido suplantada pelas visitas, em dias anualmente determinados, das populações de Aguada de Baixo e de Mogofores à Nª Sª da Paz, do vizinho lugar do Beco. E da Senhora do Socorro, no Bico do Monte, em Albergaria-a-Velha, aqui a dois passos.
Como se dizia naquele periódico, perde-se nos tempos, talvez de séculos, que dos lados de Ílhavo, grandes e numerosos grupos de romeiros vinham ao Sobreiro, à Nª Sª das Necessidades, em cumprimento de devoções e promessas. Como quase tudo na vida, as tradições e manifestações populares vão-se perdendo e vão sendo substituídas por outras actividades, discutíveis, claro, como é apanágio em tudo o que aparece de novo. O antigo tem o seu valor insubstituível, porque, na maioria dos casos, não se repete.

Aspecto da capela de Nª Sª das Necessidades no Sobreiro

«Todos os anos no dia 8 de Setembro, um grupo, mais ou menos numeroso, vem marcar a sua presença junto da velha imagem de «Nossa Senhora» no Sobreiro. Este ano [em 1976], nesse referido dia, três autocarros com mais de cem devotos, aqui vieram.»
Segue-se uma lista extensa, mas talvez incompleta, dos nomes de alguns desses devotos que em 1976 ainda cá vieram, que não vamos transcrever por variadíssimas razões, entre elas, as que tocam o aspecto restrito e pessoal. E termina assim este apontamento:
«Alguns dos romeiros já vêm ao Sobreiro desde crianças, altura em que acompanhavam os seus avós e eles também agora já se encontram nesse mesmo escalão etário e familiar.
Por estes cálculos, já alguns visitam a «Senhora das Necessidades» há mais de cinquenta anos e desejam fazê-lo enquanto tiverem forças para isso. Abençoado sentimento de fé que vai mantendo tais tradições.
Todos estes romeiros asistiram à Santa Missa, onde muitos comungaram e cumpriram as suas promessas.
Após o cumprimento desta devoção secular, seguiram em viagem para a praia de S. Paio da Torreira. Que voltem todos e muitos anos são os votos que aqui expressamos.»

Admitimos a hipótese de se encontrar aqui uma justificação para o incremento desta actividade se o Conselho Paroquial da Pastoral de Valongo do Vouga interferir, de algum modo, na motivação destas manifestações. Penso que o acolhimento é importante, além até de outras actividades, através das quais se cativem os romeiros que chegam. Para não alongar mais o conteúdo das ideias que possam aflorar no imediato, será possível que revigorem e «ressuscitem» algumas vontades e despertem mais devoções. Claro que do lado de Ilhavo a reciprocidade das acções também deve existir. E porque não uma geminação das respectivas paróquias? Há aqui motivo de sobra que justifica essa geminação...
Para quem queira aproveitar... não se exclui ninguém...

Entretanto:
Durante estas peregrinações porque não tirar partido do que se passou nesta capela e casa anexa? «Corria o ano de 1846», sobre a história das «Meninas Mascarenhas» aqui residentes. É com aquela frase, entre aspas, que evendenciamos a negrito, que começa a narrativa do Dr. José Joaquim da Silva Pinho, sobre esta história que trouxe curiosidade e paixão à freguesia e às redondezas. No lugar do Sobreiro e outros.
Não sei se os romeiros conhecem esta história e quanto enriqueceriam os seus conhecimentos com a divulgação desta história.

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