terça-feira, 31 de agosto de 2010

As Meninas Mascarenhas

O Livro - XXX


Vamos continuar a respigar algo mais do livro com o mesmo título, editado em Abril de 1984, pelo jornal «Valongo do Vouga», de que era director o Pe. António Ferreira Tavares.
Ficámos, no último capítulo aqui registado, com a resignação e o abatimento de um dos Bandeiras da Gama (Pedro), tio das Meninas, e do Dr. Resende, médico, apoiante daquele, pelas falhas das suas diligências.
Parece-nos interessante seguir o mesmo raciocínio do Dr. José Joaquim Silva Pinho e tentar resumir um factor importante: como é que as Meninas saíram da casa do Ransam e como é que estando lá o Dr. Joaquim Álvaro Pacheco Teles, não os descobriram com tanta minúcia colocada na busca? Então temos de voltar um pouco atrás, na sequência dos acontecimentos desta história.

Rua Visconde de Aguieira, neste lugar. Porque o protagonista deste espisódio é do Dr. Pacheco Teles, Visconde de Aguieira, aquele é um dos mais antigos topónimos do lugar e da freguesia de Valongo do Vouga. Ao fundo é visível o lado direito do palacete onde morou e do arco que liga a moradia por cima da estrada. 

A criada do cirurgião Lima, como já se disse, tirou com facilidade as duas órfãs (uma de cada vez) de casa de Ransam. Ela usava um capote grande (era inverno) e como era uma mulher corpulenta aliada à sua generosidade, valentia e coragem, conseguiu passar pelos polícias e pelos soldados, que enchiam a casa e a rua sem que ninguém reparasse. O amigo do Pedro Bandeira, a essa altura, não estava em Belomonte (Porto). Tinha ido, por azar seu, à casa do cônsul francês a pedir aquela malfadada autorização para entrar em casa do Ransam e fazer a busca policial. É muito natural que se o Bandeira lá estivesse na casa e não tivcsse saído por causa da autorização, ele tivesse descoberto os «fardos» que a criada do cirurgião levava debaixo do capote e, nessa altura, se tal acontecesse, tudo estaria perdido, porque as órfãs e o tutor seriam encontrados e presos, certamente.
E quanto ao Joaquim Álvaro, tutor das Meninas, do lugar de Aguieira? O que lhe aconteceu? É isso que vamos ver a seguir...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A propósito

Estamos a recordar...

Efectivamente os post's que antecedem não fazem mais que recordar a história, ou mais antiga, ou mais recente, das pessoas e desta freguesia.
Estou em crer que este trabalho de recolher o que outros fizeram possa ser considerado menos correcto, ou até com alguma dose, segundo as perspectivas e as interpretações que lhe queiram dar, de oportunismo.
Nós não partihamos da hipotética, mas quase certa, interpretação que neste sentido alguém por aí ou por além, lhe possa dar.
Penso até, contrariamente ao que se possa admitir nesse sentido, que este trabalho virá também, essencialmente, enaltecer e prestigiar todas as pessoaas envolvidas e factos recordados ou que neles participaram ou os fizeram.
Se me engano ou enganei, peço desculpa...
Mas se tal persistir, respondo com este pensamento simples:

Quem não fez nada não sabe nada - (Carlyle, Thomas)

Gente destas Terras - 31

Prof. João Baptista Fernandes Vidal

Melhor que muitas palavras, que ainda se ajustam apesar do decurso inexorável dos tempos, será recordar pela digitalização que a seguir se insere, o prof. João Baptista Fernandes Vidal.


Esta digitalização, como tenho referido, foi obtida do Jornal «Valongo do Vouga». Neste periódico, já Carlos Sousa, um valonguense de competências e de grande prestígio profissional, em Março de 1983 fazia a apologia, que se impunha, da justa homenagem àquele pedagogo.
A partir daí, com interferência de alguns daqueles que foram seus alunos, organizou-se um programa de homenagem no dia 17 de Julho de 1983, cujos relatos pormenorizados estão naquele jornal de Agosto.
Nessa homenagem que começou com uma concentração nas escolas de Arrancada, seguindo-se missa de sufrágio, cuja participação foi desusada naquele dia, foi feita romagem ao cemitério, com a deposição de flores e duas lápides, uma em seu nome e outra em nome de sua esposa, também professora, D. Ana, estando presentes nomes de prestígio que foram seus alunos e dos quais apenas destacamos Carlos Jorge Santos Pinho, Elísio Fernandes de Oliveira, Engº Flávio Martins, Pe. António Henriques Vidal e Arqº António Filomeno da Rocha Carneiro. Já todos faleceram.
Claro que esta homenagem, que não teve comissão organizadora, funcionou de forma expontânea através das pessoas que manifestaram o desejo de estar presentes. O prof. Vidal, neste acto público, foi dignamente representado por seus netos, e ainda por Armando Rocha e sua esposa profª D. Alcina Pires Tavares. Mas no fim de tudo, estiveram nesta pequena «nostalgia», como agora lhe chamo, algumas dezenas de pessoas, que conheceram o professor Vidal.
Já uma vez denunciei aqui. Tive o previlégio de ter o prof. Vidal como meu padrinho de baptismo. E a razão é muito simples de explicar: a minha mãe, talvez ainda antes ou por volta do início da década de 40, séc. XX, foi sua empregada durante vários anos na casa que existe frente à entrada da estrada para a Veiga.

Valores destas Terras

A Nostalgia do tempo


Estas nostalgias que por aqui ando a colar, retiradas do Jornal «Valongo do Vouga», que vou desfolhando, de vez em quando, calha que encontrei um amigo, posso dizê-lo em público.
Começou a sua actividade em Macinhata do Vouga e actualmente está na Borralha, após o trespasse do estabelecimento que tinha na primeira.
Como sempre, destaca-se a figura do Afonso daquilo que era em Fevereiro de 1982. Não sei é se a foto que acompanha aquele apontamento no referido periódico seria actualizada ou não. De qualquer forma, dá uma ideia como era e como está o Afonso Henriques, fundador, não de um país, mas de duas farmácias.
Convém ainda alertar os visitadores e leitores para o facto de esta série ficar melhor enquadrada com o título de «Valores da Freguesia». Porque são realmente valores que surgiram, fruto de trabalho e formação superior.
Aqui fica o registo do Afonso. Não sei é se me falha algum...
É preciso notar que o que está na digitalização, sobre Vida Paroquial e Bodas Matrimoniais, nada têm a ver com o registo do que respeita ao Afonso. Como não sabemos excluir informáticamente aquelas duas pequenas coisas da digitalização, que sei ser possível, ali ficaram...

sábado, 28 de agosto de 2010

Escolas de Arrancada

Um dos antigos edifícios das escolas de Arrancada antes da demolição
É ainda visível a legenda que ali foi escrita no ano de 1982

No post anterior fazia referência ao conteúdo das actas da Junta de Freguesia, situando-me, por ordem cronológica de datas, em 1914, no mês de Abril e numa delas está a descrição da situação das escolas.
Os edifícios antigos, que frequentei ainda, foram demolidos e, como se tem dito, substituídos pelas actuais instalações, que já foram objecto de obras de remodelação e manutenção há uns anos atrás.
Como já tenho denunciado, ando a desfolhar, por ordem mensal, o jornal paroquial «Valongo do Vouga». E nele encontrei, no número de Dezembro de 1982, na última página, um artigo interessante e, mais interessante, a fotografia que o ilustrava.
Como se diz ali, o edifício que vemos era o que estava do lado norte, e era precisamente igual ao do lado poente, ficando cada um à beira da estrada após a curva que ali ainda se situa, na estrada de Arrancada - Aguieira.
Nesse artigo é feita referência aos factos que aludimos antes, e no número do mês de Março de 1983, o sr. Carlos Pinho, já falecido, natural de Aguieira e residente em Albergaria-a-Velha, ali pronuncia um interessante depoimento sobre essas escolas e sobre os seus professores de então, evidenciando o prof. Vidal e sua esposa, D. Ana.
Saudável a nota que faz sobre o despique que ambos travavam, para ver quem, no fim do ano lectivo e na 4ª classe, apresentava mais alunos que fossem aprovados com distinção. Lembro-me ainda que nesses meus velhos tempos de escola, fui aluno, como já disse aqui, da D. Alcina Tavares, de Mourisca, ainda a viver naquele lugar, da 1ª à 3ª classe. Na 4ª classe fui aluno da D. Beatriz e com ela me desloquei a Águeda, à escola do adro, para me submeter ao exame respectivo, talvez no recuado ano lectivo de 1952/1953! E, nessa altura, foi o último ano em que se classificavam os alunos «aprovados com distinção». E isso também aconteceu na escola de Arrancada, naquele ano lectivo, tendo sido três os contemplados: o Arménio António Gomes dos Santos, filho do inspector Gomes dos Santos (que era mesmo um barra), o João Vidal Xavier, filho do sr. Engº Bastos Xavier (também um fora-de-série, já falecido) e eu. A D. Beatriz, creio, que ficou um tanto ou quanto babada. E a D. Alcina também...
A fotografia desses edifícios das escolas, cuja história ando a pesquisar nas actas da Junta, e que já tinha sido abordado por causa das novas instalações, entretanto demolidos, fica aqui digitalizada daquele jornal, com a devida vénia, que se regista.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 58

O terreno para as escolas

Pelo que nos tem sido dado verificar, anteriormente a 1914, as escolas da freguesia de Valongo teriam funcionado nalgumas casas para o efeito adaptadas. É que foi adquirido um terreno que, pelas suas confrontações, não era o local primitivo. Passou a sê-lo, desde aquele ano até aos dias de hoje.
Como andei nas escolas então existentes naquele local, nada condizentes com os actuais edifícios, e dos quais andam por aí fotografias, mas que não tenho, pelas confrontações de 1914, desde este ano que o local se mantem. Os edifícios antigos foram demolidos e deram origem aos actuais.
A acta da sessão da Junta de Freguesia de 24 de Maio de 1914, a ele faz referência do seguinte modo:

Vista parcial das actuais instalações da EB1 de Arrancada no terreno que o texto identifica

«Tendo sido escolhido para a construção das casas de escola de Arrancada um terreno pertencente ao cidadão José da Costa Tavares da Silva, de Aguieira, no sítio do Rocio de Arrancada, a partir pelo norte e poente com a estrada de Arrancada a Aguieira, pelo sul com o caminho largo e nascente com Joaquim Simões da Silva, deste lugar de Arrancada, com uma área de cerca de cinco mil mteros quadrados, e tendo-se já combinado previamente a sua compra pela quantia de quatrocentos escudos, foi delberado aprovar a escolha e compra do mesmo terreno, devendo convocar-se os eleitores desta freguesia para o próximo dia sete de Junho a fim de submeter ao referendum a deliberação desta compra, nos termos ao artigo cento e quarenta e sete da lei número oitenta e oito, de sete de Agosto de mil novecentos e treze.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Gente destas Terras - 30

Histórias da minha vida
A Beatriz da minha infância – IV

Engº Bastos Xavier
......
Isto foi na minha meninice. Depois deixei de a ver. Lancei-me no mundo e cedo as pretensões da minha razão varreram a minha crença para a substituírem por afirmações feitas por entre sorrisos de orgulho que no fundo eram tão falsas como as dela.

As suas histórias, que não passam de lendas a correr de boca em boca…
Vim mais tarde a reconhecê-lo. Se eram ditas com fingida convicção, nem por isso deixavam de ser falsas.
Então eu passei sempre a sair ao anoitecer, quando as trevas desciam e as oliveiras tomavam um ar concentrado e triste, antes de se apagarem, desoladas na sombra da noite.
Às vezes a lua, branca e risonha subia redonda e fria por trás das montanhas, olhando a terra rumorosa e quente.
E quando não havia lua, os pirilampos cortavam as trevas com a luz fosforescente e luziam palpitantes e pressurosos à minha volta.
Aquele mergulhar nos sonhos, aquele mundo de mistérios atormenta a minha alma.
Aquele cosmos, naquela hora, afligia a minha sensibilidade, que adivinhava a sensação trágica da vida.
Enquanto para os outros eu era um ser estranho, certo era conhecer bem o amargo significado da vida, como a minha mãe tão fundamente adivinhava. Ela conhecia o meu segredo e por isso me dizia com infinita dor: Filho, antes eu te levasse comigo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gente destas Terras - 29

Nostalgia! Como era e como está!
Paulo de Melo Marques


Sei que isto pode ser considerado por muito boa gente como uma coisa despropositada. Mas já houve alguém que, a propósito de situação idêntica, classificou isto como «uma delícia». Por outro lado, ao desfolhar o jornal «Valongo do Vouga», nº 92, do mês de Setembro de 1981, nada mais faço que repetir aquilo que já foi público. Por isso, em vez de colocar no título «Como era e como está» (isto sim, é que me parece despropositado) optei por aquele que lá está em cima.
Assim, começando com a palavra «nostalgia», estamos a demonstrar que ao rever e recordar estas situações, não temos a menor dúvida que se cria nostalgia em muito boas pessoas (e más, também, se tiverem tempo para serem nostálgicas!).
Hoje, dedico um pouco de tempo e de montagem digitalizada da notícia da Licenciatura em Medicina do Dr. Paulo de Melo Marques. Os mais novos, estou certo, que já nem se lembram dele. Reside em Aveiro. Fui convidado por seu pai, e no dia 8 de Setembro de 1981, da parte da tarde, lá estive em casa, na Arrancada, a partilhar da festa (e do lanche que seu pai, Joaquim de Almeida Marques e a mãe, tia Rosa de Almeida Melo ofereceram!).
Quis o destino (se não foi o destino foi outra coisa qualquer) que nos encontrássemos muitos anos mais tarde por motivos profissionais. Então, sim, posso afirmar que de todas as vezes que por aquele motivo nos juntávamos, era desfolhar, sem fim, um rosário de lembranças e histórias.
E como está a chegar a comemoração daquela data, nada melhor que reproduzir a digitalização daquilo que, em 1981, era publicado naquele periódico.

Gente destas Terras - 28

 Histórias da minha vida
A Beatriz da minha infância - III

Engº Bastos Xavier

- E do lobisomem, tens ouvido falar, Beatriz?
- Tenho, meu menino, tenho...
- Já o vistes?
- Não, mas a sua tia Leopoldina já. Por altas horas não há na rua viv'alma. O céu está cravadinho de estrelas e então, no sossego da noite, ouve-se um cavalo a galopar a toda a brida, que o lobisomem tem que dar a volta a sete freguesias numa noite.

Nesta casa, na Rua Prof. João Batista Fernandes Vidal, (à Ponte Nova) morou o Engº Bastos Xavier

Para o retirarem daquele fadário, é necessário esperá-lo detrás duma porta e picarem-no com um aguilhão duma vara de bois, benzido por um padre; mas não lhe há-de tocar nem uma pinguinha de sangue, senão o infeliz passará a sina para o da vara.
É um fadário triste! Dizem que o Carlos de Santo António tinha essa sorte. Falta de palavras no baptismo.
- Tu falaste na minha tia Leopoldina, onde é que ela morava?
- Na sala das Rolas, que ficava pegadinha ao Celeiro do Capitão-Mor e onde ela vivia no meio de galinhas chocas que cacarejavm no ninho.

domingo, 22 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 57

Casos em 26 de Abril de 1914


Como tenho mostrado, os casos mencionados na acta da Junta de Freguesia de 26 de Abril de 1914 foram vários. E cada um, na nossa perspectiva, com o seu interesse histórico local. Pensei em fazer o seguinte: acabar por reproduzir todos os restantes casos, num único post, distinguindo-os por títulos e fazendo um possível resumo. Comecemos, pois:

Casa da Escola: - Sendo urgente tratar da escolha do terreno para construção das casas da escola, foi deliberado que esta Junta com outros cidadãos que se lhe quizessem juntar, cuidassem imediatamente deste assunto a fim de não demorar o início dos trabalhos para a referida construção.

Como este post evidencia a construção de escolas, nada melhor para o ilustrar que os actuais edificíos
Mas em 1914, seria aqui que foram construídas as primeiras salas da escola primária de Arrancada

Isto quer dizer que não havia salas para dar aulas. Foi escolhido o local. Por acaso o terreno é aquele onde ainda hoje estão as escolas. Mas havemos de ver, como foram as coisas tratadas, pois em 1914, naquele local do Rossio de Arrancada, ainda não haviam edifícios para as escolas. Mas o terreno estava lá e foi preciso comprá-lo. Depois contamos.

*****

Baldios: - Mas para fazer as escolas, além de ser necessário comprar o terreno, o Estado só dava 1.000$00 (mil escudos) do seu orçamento para fazer as obras. Então dizia a Junta de 26 de Abril de 1914:
«Tornando-se indispensável a valorização dos baldios, por meio da venda ou aforamento, a fim de fazer face às despesas com a construção das referidas casas de escola, e não sendo essas transacções permitidas com as garantias que o caso requere, foi deliberado representar ao Parlamento para que vote uma lei autorizando a Junta a fazer a venda ou aforamento dos terrenos que não são indispensáveis ao logradouro comum dos povos, isentando-a de seguir para isso os processos de dezamortização.»

*****

Sobreiro: - Também era um lugar da freguesia, chegando a ser bastante «esquecido», quanto mais naquele tempo, lá encostado em cima quase na serra, com maus acessos e mal servido de outras comunicações. Uma amostra de 26 de Abril de 1914:
«Satisfazendo uma velha aspiração dos habitantes do lugar do Sobreiro, deliberou a Junta representar superiormente para que naquele lugar seja criada uma caixa de correio.»
Enfim... tempos que não voltam, seguramente.

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sábado, 21 de agosto de 2010

Coisas e Loisas - 23

Uma visita Pastoral
Um casamento celebrado


Largo de S. Miguel-Aguieira. Vista do lado da capela para a estrada.
Ao fundo, à beira da estrada, na direcção do carro estacionado, a casa onde vivia a Maria

Desfolho, de vez em quando, o jornal paroquial «Valongo do Vouga», a que tenho feito referência em post's anteriores. Desta vez olhava para uma minuciosa descrição da visita Pastoral feita de 16 a 26 de Dezembro de 1979, era bispo titular da Diocese de Aveiro o saudoso D. Manuel de Almeida Trindade.
Sobre este Homem e Bispo, muito havia a dizer. Mas quedemo-nos aqui apenas para recordar um episódio.
No dia 19 de Dezembro, D. Manuel foi fazer uma visita a uma unidade fabril, já extinta, na qual fui «encarregado» de servir de guia. De seguida foi visitar doentes na Aguieira e, entre eles, como menciona o número do jornal de Janeiro de 1980, está o nome de Maria Matilde Vidal Marques.
A «Maria» como era conhecida, cedo ficou bastante doente. Mas vivia em união de facto com Manuel Marques Branco, uma pessoa que nos habituamos a respeitar, por variadas razões que só a nós diz respeito.
D. Manuel Trindade foi visitar a Maria. Foi uma visita, ao que se constou na altura, muito divertida e alegre, como era a Maria que, mesmo doente e sem se poder deslocar, fazia e espalhava em cada dia e com quem convivia, uma alegria esfusiante e atractiva.
Pelo desenrolar da conversa, terá sido abordado, com naturalidade, a situação em que ambos viviam. D. Manuel, não descurando a sua posição e postura de pastor e evangelizador, terá sido surpreendido pela proposta de que o Manuel e a Maria receberiam com agrado o Sacramento do Matrimónio se fosse o Sr. Bispo a presidir.
Feita proposta, de pronto D. Manuel aceitou.
Foi apenas necessário cumprir as formalidades habituais, arranjar agenda nos compromissos do então Bispo de Aveiro para que a cerimónia do seu casamento religioso fosse cumprido, conforme aquela proposta.
A Maria, em 17 de Novembro de 2000 deixou de fazer parte do número dos vivos.
Este o facto que gostaria de partilhar, como resultado da visita Pastoral do então Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, feita à freguesia em Dezembro de 1979. Este ilustre e bondoso Bispo de Aveiro faleceu em 5 de Agosto de 2008 e as suas exéquias celebradas na Sé de Aveiro no dia 7 deste mês, nas quais participei integrado num grupo de animação litúrgica.


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Coisas e Loisas - 22

O Solar de Vilar de Besteiros

Ao pesquisar qualquer coisa sobre as «Meninas Mascarenhas», encontramos um interessante blogue da EB1 de Vilar de Besteiros que no post anterior identificamos e aqui repetimos: http://www.eb1-vilar-besteiros-tondela.rcts.pt/index.htm

Solar de Besteiros em obras de restauro

Neste blogue dos pequeninos daquela escola, está uma pequena história que se relaciona com os factos da Quinta da Aguieira e com as Meninas Mascarenhas.
Trata-se do solar. Este edifício, já bastante degradado, terá sido alienado para recuperação. E parece que é isso que aconteceu, pois na foto acima, vemos o edifício com os respectivos andaimes próprios de quem anda em trabalhos de construção civil.
Mas não é só isto. Dizem ali que o solar foi construído em 1785.
Melhor que umas resumidas palavraas, é dizer o que ali escreveram na escola:
......

As Meninas Mascarenhas

O Livro - XXIX

No episódio anterior ficámos com o Dr. Resende bastante amesquinhado e magoado diante do cidadão francês, a quem aquele vasculhou toda a sua casa à procura das Meninas Mascarenhas e do seu tutor. O Dr. Resende funcionava muito por interesses materiais, mas agora era o seu orgulho colocado no mais ridículo das situações equívocas e diante daquele cidadão francês deu ares de distraído e resignado, mas fervia dentro de si o despeito.

Solar de Vilar de Besteiros, conforme blogue da Eb1 de Vilar de Besteiros
http://www.eb1-vilar-besteiros-tondela.rcts.pt/anossa.htm

Disse a meia voz que este não é o último capítulo do livro. O entrecho continuará, devendo ser interessante o seu epílogo. Saiu cortejando o dono da casa, que não o olhava de frente e nem correspondeu à cortesia, porque o Dr. Resende para se associar a uma perseguição odiosa e receber, em troca, alguma vantagem material. Era uma mercancia e um aviltamento, acrescenta o Dr. José Joaquim da Silva Pinho.
O Dr. Resende foi da Rua de Belomonte, onde morava o Pedro Ransam, à Rua do Bonjardim, à Estalagem Real, onde o Pedro Bandeira da Gama, um dos mais impetuosos e audaz cavalheiro de Torredeita o esperava. Transcrevemos este diálogo, logo que o Dr. Resende entrou no quarto do Bandeira da Gama:

.......

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Valores destas Terras

Como era e como está...
António Manuel da Silva Bastos

Há dias fiz um pequeno apontamento relacionado com o fim de curso, nos anos idos de 1976, de António Manuel Portela dos Santos e esposa, factos que se recordam com a ajuda do jornal «Valongo do Vouga» a que tenho feito referência.
Desta feita, encontrei ali mais um factor para recordar. Melhor que as palavras, que agora não interessam e que até se podem considerar suspeitas, por razões conhecidas, não vou deixar, mesmo assim, tendo em conta até a proximidade da data, em registar este facto.
Na realidade, o mês de Julho de 1978, mais concretamente no dia 29, o Dr. António Manuel da Silva Bastos regressava a casa depois de uns anos passados em Coimbra, na Faculdade de Medicina. Passados, vividos e aproveitados...
Porém faz-nos regressar à realidade e dizer que o tempo acaba por passar mais depressa que o que julgamos, pois se a esta distância recordamos o rejubilar de um jovem com o seu fim de curso, hoje damo-nos conta de uma realidade inexorável. Os anos passam, afinal, muito rápido e hoje já comentamos e defrontamo-nos com o facto de já ter passado à aposentação. É a realidade que coexiste com a vida...
Para recordar aqui deixamos a digitalização do referido jornal de Agosto de 1978...
Pela amostra, é caso para dizer: como era e como está...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 56

A génese do Código de Posturas


Ainda estamos na acta de 26 de Abril de 1914. E esta acta tem mais factos históricos do que se imaginava. Vamos ver este facto interessante, que marca, creio, a origem da existência do Código de Posturas da Junta de Freguesia . Há só uma coisa que espero poder vir a esclarecer. Se é em 1914 que o Código de Posturas tem a sua origem, como é que ele é apenas aprovado em 1947? Certamente que à medida que iremos avançando, talvez encontremos a resposta. Naquela acta, está escrito o seguinte:

«Atendendo a que é indispensável a organização de um Código de Posturas gerais para regular o modo de fruição e valorização dos baldios, nos termos dos números catorze, quinze e dezasseis do artigo cento e quarenta e seis da Lei número oitenta e oito, de sete de Agosto de mil novecentos e treze, e ainda para o bom desempenho de outras atribuições da Junta, foi nomeada uma Comissão composta dos cidadãos António Gomes de Oliveira, vice-presidente da Junta, Casimiro de Oliveira Bastos, António Pereira Vidal e eu João Baptista Fernandes Vidal, secretário interino desta Junta para elaborar o projecto das referidas posturas, que deverá ser presente à aprovação da Junta com a possível brevidade.»

Posta a dúvida antes citada, em estar a ser preparado em 1914 o Código de Posturas, quando o que conhecemos tem a data do ano de 1947, que espreamos poder vir a esclarecer, há uma nota mais. Trata-se de constatar que a Comissão que iria redigir a proposta do Código de Posturas era constituída por pessoas de algum prestígio e cultura na época em que este assunto é tratado.
Parece que o interesse principal do Código de Posturas seria o de regulamentar o modo de fruição e valorização dos baldios, aquele Código de 1947, no seu artigo segundo, trata efectivamente de referenciar o Património Paroquial, de que «todos os terrenos ditos baldios e de logradouro comum existentes nesta freguesia são bens próprios da Junta - porque os comprou - e constituem Património Paroquial». Seguem-se ainda alguns capítulos sobre esta matéria.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eu estou lixado com isto...

E concordo totalmente...
Mas que hei-de fazer?


Há um blogue de uma pessoa que reside ali para os lados de Aveiro (Esgueira) e tem muito jeito para a escrita, jocosa, muitas vezes, que nos põe bem dispostos.
Este blogue até faz parte da lista dos «Meus Companheiros de Jornada» que, dito de outra forma, é um dos que eu sigo com alguma regularidade.

O Sr. José Lopes emite uma opinião sobre uma moda, que anda pululante por aí e usada por alguma gente, que é de partir o coco...

Faça uma coisa simples. Clique aqui... e leia, por favor, que, creio, também vai achar piada... se calhar...
Se não for o caso, desculpe...

A Junta de Freguesia na história - 55

O trabalho braçal 
Os limites da freguesia


Como temos dito nos textos postados anteriormente, vamos apresentar mais dois casos que constam na acta de 26 de Abril de 1914, da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga. Um, apenas pela curiosidade e o outro pelas características que encerra, pois havia necessidade de cada um saber até onde ia o seu teritório. As delimitações das freguesias, qual terreno de propriedade particular. Reconhecemos que ainda hoje essa necessidade se faz sentir, por questões de competências e de aplicação da respectiva legislação em áreas muito diversas. Então tem mais isto aquela acta:


a) - «Outro ofício da mesma Câmara [Municipal de Águeda] pedindo para que a Junta organize o rol da contribuição do trabalho desta freguesia, devendo enviar-lhe um duplicado. Atendido, logo que se organize tal serviço.»

Estou convencido que este pedido de organização da Câmara à Junta se relacione com o que foi conhecido por todo o país pelo «dia braçal». Foi uma contribuição suportada pelo povo, em benefício de causas públicas (dizia-se...). Então, neste caso, a Junta devia elaborar uma relação das contribuições do trabalho da freguesia. Adiante... vamos ao que se segue na acta...

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 54

Os terrenos baldios


Já aqui foi contada a história dos baldios da freguesia de Valongo do Vouga. Como anteriormente dissemos que colocávamos o conteúdo dos assuntos tratados na acta da sessão de 26 de Abril de 1914 todos seguidos, aqui se transcreve o segundo caso daquela sessão, que seria o indício de se andar a mexer no assunto dos baldios.
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Panorâmica do campo do Ouvedo. Ao fundo os montes fronteiriços com Sever do Vouga, Talhadas, etc.

Para esse efeito a Câmara comunica, por escrito, à Junta de Freguesia, o que a seguir se transcreve:

«Um ofício da Câmara Municipal de Águeda, acompanhado da cópia da parte da acta da mesma Câmara, da deliberação tomada sobre os baldios de Valongo e Macinhata em sessão de dezassete de Dezembro de mil oitocentos e oitenta e três, e em cuja deliberação foram os baldios desta freguesia e da de Macinhata considerados paroquiais, para todos os efeitos legais. A Junta ficou ciente.»

A propósito e como já contámos, o prof. João Baptista Fernandes Vidal, menciona em roda-pé no Código de Posturas da Junta, aprovado em 1947, esta nota interessante, que recordamos: "A questão da posse dos baldios já vinha de longe e já no tempo da Monarquia, em 1883, uma Câmara houve que deliberou considerar paroquiais os baldios de Macinhata e Valongo. Mas outra Câmara veio (1) que anulou aquela deliberação, por inconsistente, e os baldios continuaram na posse do Município."

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sábado, 14 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 53

Leandro Augusto Martins
Benemérito

A acta da Junta de Freguesia da sessão de 26 de Abril de 1914 está recheada de assuntos, cada qual a tratar uma matéria específica. Assim, de uma forma contínua, vamos apresentar estes assuntos contidos naquela acta, separadamente, melhor dizendo, um em cada post. O primeiro é o relato do donativo de Leandro Augusto Martins, que a seguir se reproduz:

Vista lateral (da estrada) das actuais instalações da escola 1º ciclo do Ensino Básico em Arrancada. Seria por aqui que a construção referida no texto teria acontecido.

«E aberta esta sesão pelo cidadão Joaquim Gomes dos Santos, presidente, depois de lida, aprovada e assinada a acta da sessão anterior, foi lido na mesa o expediente que constava do seguinte:
- Um ofício do cidadão Leandro Augusto Martins, em resposta a uma circular desta Junta pedindo uma subscrição para a escola, em que diz estar disposto a fazer em Aldeia uma casa de escola para o sexo feminino, ou, se a Junta tiver muita urgência em começar essas obras, pôr desde já à sua disposição a quantia de mil escudos (um conto de reis). A Junta, ponderando diversos motivos e considerando que a construção dos edifícios deve ser junta, atendendo à previsão de futuras reformas de instrução, deliberou aceitar os mil escudos. Por este acto de tamanha generosidade e verdadeiro cavalheirismo do senhor Leandro Martins e sua Esposa, que muito concorreu para tão nobre resolução, foi pelo presidente da Junta proposto que na acta se lançasse um voto de congratulação e louvor tanto a um como a outra, devendo disso ser-lhe dado conhecimento oficial, o que tudo foi aprovado por aclamação.»
 
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Coisas e Loisas - 21

O TELEGRAMA
O endereço telegráfico

Quando passamos os olhos pelos papeis antigos - como foi o caso que inspirou este apontamento -, encontramos agora palavras que, comparadas com os tempos actuais da informática e internet, embora façam entre elas algumas ligações, as primeiras estão completamente desfasadas e, até, moribundas.
Era bom que não morressem de todo e alguma coisa fique para a posteridade e, como agora se diz, para memória futura.
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Há por aí muitos exemplares, inclusivé o telegrama dirigido a Aristides de Sousa Mendes, pelo qual o ministro proibia que passasse mais vistos de entrada em Portugal aos Judeus. Mas pretendi este por ser menos decifrável, e que tem a data de 5 de Outubro de 1910.

Uma das coisas que se via muito nos papeis das empresas, por exemplo, em contraste com as modernas indicações de comunicação (e-mail, endereço electrónico, site, blogue e coisas do género), havia uma indicação para essas comunicações chamada «telegrama», simplesmente «teleg.» ou «endereço telegráfico». Neste caso, tal como agora, criava-se um nome, que, naturalmente, tinha de ser completamente diferente de outros já existentes. Esta situação, também como agora, tinha a intenção de tornar a comunicação rápida e pessoal. Compare com os endereços electrónicos, ou de e-mail, onde as semelhanças são evidentes.
Por outro lado, os telegramas pagavam uma taxa consoante o número de palavras a transmitir. Aqui a diferença é abismal. Praticamente qualquer texto, grande ou pequeno, por e-mail, é rapidinho que nem a própria luz, como o Lucky Luke.
Esses nomes das empresas, que deviam ter registado o seu endereço telegráfico, pelo qual apenas recebiam telegramas, era constituído, normalmente, por um nome que mais não fosse um certo «diminuitivo» da marca ou da empresa.
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Coisas e Loisas - 20

A freguesia e a evolução
Serviços Postais - Telefones

Era mais ou menos isto, talvez um bocadinho maior (mais capacidade) que se usava na estação telégrafo-postal de Arrancada. Isto seria uma central telefónica. Mais abaixo, fomos buscar um telefone da mesma geração, exposto no Museu Ferroviário de Macinhata

Sabemos que Sousa Baptista se interessou muito pelo progresso da freguesia, de que podíamos usufruir em tempos recuados. Este tinha regressado do Brasil em 1927. E com o seu interesse e empenho, como a seguir se descreve, em 1929 já tínhamos na freguesia uma estação telégrafo-postal.
 Era interessante, chegar àquela casa onde está um estabelecimento comercial, que foi posteriormente o estabelecimento comercial propriedade do Sr. Horácio de Almeida (mercearia), no cruzamento da estrada principal com a rua que dá para o Carreiro e ali funcionava a estação dos correios onde era visto como se faziam as chamadas telefónicas, por exemplo.
Um caixote enorme, tinha várias aberturas circulares e quando um telefone ligava, descia uma espécie de pestana (era assim como que uma central telefónica) a funcionária metia uma cavilha e ficava na conversa com a pessoa que estava do outro lado da linha.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Gente destas Terras - 27

Histórias da minha vida
A Beatriz da minha infância - II

Engº Bastos Xavier

- Olhe - continuava a Beatriz - na viela do Rego, à meia-noite, aparecem porcas com pitos e nunca ouviu falar ao que aconteceu ao Zaías?
- Não.
- Pois o Zaías tinha a avó doente no Sobreiro. Um domingo foi lá vê-la e levava ao ombro um bolo. Vai, ao chegar ao Pinheiro Manso, viu no caminho uma galinha negra. Apanhou-a e meteu-a no saco e pôs o bolo no bolso, e lá foi. Quando chegou disse à avó: «trago aqui um presente, minha avó!»
Abriu o saco e viu que ele não tinha nada dentro! Nem a galinha! Nem o bolo no bolso! Há coisas, meu menino!
Então eu disse com a face no seu regaço: «Eu tenho medo, Beatriz!»
- Olha agora, medo! O padre que o baptizou disse-lhe todas as palavras do baptismo; não deixou nenhuma atrás. Eu estava a tomar conta. Por isso quita de ter medo.
Eu era muito lá da Igreja, desde o tempo do prior Calado.(1) Quando seu avô morreu teve ofícios. Quem trouxe o jantar para os padres, num açafate coberto com uma toalha de renda, fui eu. Pus a mesa. Tudo de bom e do melhor. Depois de estarem lá que tempos à volta da essa: réu! réu! quem morrer vai p'ró céu, os padres subiram a escada e foram comer. Já desabotoavam a batina, já a cara lhes ardia numa fogueira e lá iam sem paga - que havia padres na família!
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coisas e Loisas - 19

O Relógio de Sol

Já explico porque é que me deu em falar de relógios de sol.
Mas antes de falar neste instrumento que mede o nosso tempo, as nossas vidas, fui bisbilhotar (não há nada de mal em dizer, porque quem não sabe, estuda, consulta, pesquisa, investiga, para ficar a saber).
O melhor sítio, sem sair de casa, para pesquisar isto é, como todos sabem, a Wikipédia. E lá encontrei qualquer coisa que vou tentar resumir:
Igreja de Valongo. Uma foto reduzida que está a seguir, veja na faixa de granito do lado direito desta torre, um pouco acima das flores de cor lilaz. Lá está o relógio de sol

Se é um relógio, é porque serve para medir o tempo. Ficou assim convencionado há muitos séculos, talvez. Se tem a palavra sol, é porque o sol influencia, por um determinado processo a contagem desse tempo que vai passando. E isto é determinado em função da posição do sol.
Há vários relógios de sol. Os mais conhecidos designam-se por «relógios de sol de jardim». Eu sei que há outros. Os relógios de sol, têm uma superfície plana que é o «mostrador», como ainda se designa, onde estão marcadas umas linhas em determinadas posições. No meio tem um pino ou outro instrumento parecido com um pequenino (ou maior) poste, de forma a que este, exposto ao sol e preso na base, projecte uma sombra.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

As Meninas Mascarenhas

O Livro - XXVIII


Ficámo-nos, no post anterior, pela regresso ao governo civil de um mandantário dos Bandeira da Gama, o Dr. Resende, após o encontro deste com o cônsul francês.
Logo que chegou, juntou-se ao Pedro Bandeira no governo civil onde aguardava pelas suas sobrinhas. Ambos dirigiram-se ao Visconde de Valongo, o então Governador Civil, que de imediato os recebeu e a quem foi exposta a situação.

Porque aquilo que se passava era uma representação perfeita,
nada melhor a ilustrar que esta foto do blogue
http://portografia.blogspot.com/2007_03_01_archive.html

Foi-lhe solicitada a sua intervenção, escudando-se na teoria de que a recusa de Ransam significava que na sua casa estavam escondidas as sobrinhas e o seu tutor. O Governador Civil bem coçava na cabeça pobre de cabelos e de miolos - dizia o Dr. José Joaquim da Silva Pinho - demorando a dar uma resposta e, de repente, fingindo que lhe tinha ocorrido uma providencial ideia, disse:
- O Sr. Dr. Resende fala bem, mas eu digo que as coisas mudaram bastante. Até aqui tínhamos a entender-nos só com gente portuguesa, mas agora trata-se de uma requisição feita a um diplomata estrangeiro, e há uma diferença nas relações dos funcionários com os nossos administrados das relações que precisamos ter com o corpo consular estrangeiro. Não sei, não sei como isso há-de ser.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Junta de Freguesia na história - 52

Os prejuízos do camião

Desperta alguma curiosidade o conteúdo da acta da Junta de Freguesia de 25 de Janeiro de 1914. Atentemos apenas no trânsito então existente. E atentemos também no que eram as estradas para, apenas um camião, provocar tanta preocupação. Ou seja, temos aqui um pouco da vida de então e as condições existentes. E como as comunicações já eram consideradas de muita importância. Quanto a estas, penso que no caso do nosso país, todos acordaram muito tarde. Mas melhor que as considerações que agora se possam apresentar, vamos apreciar a redacção deste caso relacionado com os prejuízos do camião das minas do Vale do Vouga. Diz assim a acta referida:

«Atendendo aos prejuízos causados pelo actual camion (1) das Minas do Vale do Vouga, não só tornando intransitáveis as estradas por onde passa, mas também danificando as construções e possivelmente as adegas situadas à beira das mesmas ruas, resolveu esta Junta representar superiormente para que lhe seja vedadoo trânsito.»

Antiga Lavaria das Minas das Talhadas
In blogue EDM-Empresa de Desenvolvimento Mineiro

Como já foi referido, era apenas um camião. Se fossem vários, então os prejuízos nas estradas seriam enormes. Note-se ainda um facto, para o tempo, talvez inédito. Referir-se aos hipotéticos prejuízos que causavam nas adegas situadas à beira das ruas por onde passava este camião.
O problema é colocado com alguma reserva, mas actualmente os enólogos sabem que os vinhos necessitam de ambientes sem trepidações e outras vibrações para um perfeito e bom estágio nas  vasilhas e não só. Quer isto dizer que as trepidações do tal dito camião era considerado relativamente violento e abanava as vasilhas e o vinho nelas contido, quando o mesmo passava pelas ruas.
Poderá causar alguma dúvida a identificação das minas. Onde se situavam as Minas do Vale do Vouga? Será que as Minas das Talhadas eram assim conhecidas? 
Era efectivamente assim, e cito esta situação porque talvez exista muito boa gente que conhece aquelas minas apenas como Minas das Talhadas. Até encontrei aqui estudos recentes que as minas já proporcionam apesar de terem sido fundadas nos finais do século  XIX. E citam a questão da agricultura em Águeda, que as minas prejudicavam acentuadamente. E foram motivo de revolta popular...
Será bom recordar estas coisas... Veja este site...


(1) - Tratava-se de um «grande carro que causou a admiração de todos quantos o viram, por se parecer com as máquinas dos comboios do Vale do Vouga» (Soberania do Povo, 17/2/1912).
Ver o site antes citado, pág. 287.

domingo, 8 de agosto de 2010

Gente destas Terras - 26

Histórias da minha vida
A Beatriz da minha infância-I


Engº Bastos Xavier
Preâmbulo:
Dizia no post anterior de «Gente destas Terras», que ainda havia de trazer aqui alguns escritos da autoria do Engº Bastos Xavier, que ele publicava no Jornal Paroquial «Valongo do Vouga» e que com a vénia devida aqui procuro recordar, entre eles uns contos a que dava o título de «A Beatriz da minha infância».
Não vale a pena explicar os significados e os conteúdos dessas histórias, que mais não são que algumas crendices populares, que eram lendas tratadas numa pureza de linguagem que nos faziam acreditar que tudo aquilo era uma verdade indesmentível de uma vida vivida tal qual as palavras procuravam transmitir. A  primeira era assim:

*****

Foi a Beatriz quem, com outras já mortas, me revelou o mundo em que vivemos. Viu-me no berço, vai ver-me no caixão.
Com beijos saudou a minha entrada na vida, com lágrimas se despedirá de mim na sepultura.
Guiou-me os primeiros passos no mundo, agora só lhe resta ungir-me para o túmulo, finalizando assim uma vida cheia de preocupações, como é a da maioria.
Aqui está ela na minha infância, esclarecendo-me a minha história, contando-me «casos».
- Pois quando V. era menino era muito debilzinho de cor. Não tinha uma pintazinha de sangue na carinha. Um dia disse à sua mãe: «O menino é muito esmaleitado, deixe-me ir com ele à passagem de um enterro.» Ela consentiu, eu levei-o à Ferradeira, pus-me por trás de um cômoro e, quando ia a passar o caixão, disse: «Leva o ar deste menino e deixa-lhe o teu». E assim foi. Ficou còradinho que era um regalo! Era a admiração de toda a gente. Rico menino, quem lhe deu esta cor de saúde?
Tinha sido eu... Esperei pela Feira do Beco, comprei-lhe uma figa de azeviche encastoada em ouro, porque é preciso muito cuidado com as bruxas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Usos e Costumes

Romeiros de Ílhavo no Sobreiro
(Nª Sª das Necessidades)

No seguimento do mencionado no anterior post, continuamos esta «visita intrometida» ao Boletim Paroquial «Valongo do Vouga», para dele respigar o que já terá constituído uma das maiores manifestações de religiosidade e de fé que, creio, nestas redondezas só terá sido suplantada pelas visitas, em dias anualmente determinados, das populações de Aguada de Baixo e de Mogofores à Nª Sª da Paz, do vizinho lugar do Beco. E da Senhora do Socorro, no Bico do Monte, em Albergaria-a-Velha, aqui a dois passos.
Como se dizia naquele periódico, perde-se nos tempos, talvez de séculos, que dos lados de Ílhavo, grandes e numerosos grupos de romeiros vinham ao Sobreiro, à Nª Sª das Necessidades, em cumprimento de devoções e promessas. Como quase tudo na vida, as tradições e manifestações populares vão-se perdendo e vão sendo substituídas por outras actividades, discutíveis, claro, como é apanágio em tudo o que aparece de novo. O antigo tem o seu valor insubstituível, porque, na maioria dos casos, não se repete.

Aspecto da capela de Nª Sª das Necessidades no Sobreiro

«Todos os anos no dia 8 de Setembro, um grupo, mais ou menos numeroso, vem marcar a sua presença junto da velha imagem de «Nossa Senhora» no Sobreiro. Este ano [em 1976], nesse referido dia, três autocarros com mais de cem devotos, aqui vieram.»
Segue-se uma lista extensa, mas talvez incompleta, dos nomes de alguns desses devotos que em 1976 ainda cá vieram, que não vamos transcrever por variadíssimas razões, entre elas, as que tocam o aspecto restrito e pessoal. E termina assim este apontamento:
«Alguns dos romeiros já vêm ao Sobreiro desde crianças, altura em que acompanhavam os seus avós e eles também agora já se encontram nesse mesmo escalão etário e familiar.
Por estes cálculos, já alguns visitam a «Senhora das Necessidades» há mais de cinquenta anos e desejam fazê-lo enquanto tiverem forças para isso. Abençoado sentimento de fé que vai mantendo tais tradições.
Todos estes romeiros asistiram à Santa Missa, onde muitos comungaram e cumpriram as suas promessas.
Após o cumprimento desta devoção secular, seguiram em viagem para a praia de S. Paio da Torreira. Que voltem todos e muitos anos são os votos que aqui expressamos.»

Gente destas terras - 25

Como eram e como estão!
António Manuel Portela dos Santos
Maria Odete Vidal dos Santos

Desde Abril de 2010 que aqui não foco alguém que tenha cabimento no título que arranjei para destrinçar esta rubrica; «Gente destas Terras».
Estava a desfolhar o que então ainda se chamava Boletim Paroquial de Valongo do Vouga, cujo responsável legal, como director, era o Rev. Padre António Ferreira Tavares, quando na página 4, do número de Outubro de 1976, deparei com estas duas figuras, que, a esta distância, já provocam alguma saudade. Aquele periódico já fez e vai fazendo história.
O Portela, chegou a «perder» (ganhar) alguma coisa lá pela casa do meu sogro, creio eu. Mas o que quero evidenciar neste casal, foi o seu percurso modesto, mas de algum trabalho (como estudantes, claro, e, se não me engano, até já depois do curso do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), tendo em conta, até, a sua carreira de docentes que ambos abraçaram.
A figura (foto) da Odete, está como ainda está hoje... não tem nada que agradecer!!!
Mas aquela postura do Portela, em pleno 1976, até parecia outra coisa.
Mas casaram em 25 de Setembro de 1976!
Por isso, o sub-título que encima este post, que não quero que seja interpretado com qualquer sentido pejorativo, antes pelo contrário. É só para acentuar a diferença dos usos e costumes que a juventude então vivia e tinha por factor preponderante aquilo que gostava de ser e parecer. Mas uma juventude irreverente que marcou uma época e os tempos... e influenciou mentalidades!
Não me parece que estas frases jocosas e divertidas (penso eu) tenham necessidade de serem modificadas para acentuar outros aspectos da carreira e da vida de ambos.
Há muita gente que gostará de ler e recordar isto. Mas outros talvez não, mas...
... ladram e a caravana passa.

Nota: - Quando iniciei este apontamento não me tinha passado pela cabeça outra intenção ou objectivo. Mas isto é como as cerejas.Como estamos a menos de um mês de distância, fica este registo daquele momento inesquecível (felizmente), de 25/9/76, como prenda para dois prendados aniversariantes (passe o pleonasmo). E já lá vão 34 anos!!! Grandes Heróis... com dois descendentes a este mesmo título...

Clique na imagem e leia melhor o que lá está escrito.
A seguir: - "Gente destas Terras" voltará a recordar os escritos do Engº Bastos Xavier.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As Meninas Mascarenhas

O Livro - XXVII

Já vimos como as Meninas sairam de casa do cidadão francês, Pedro Ransam e a artimanha que ludibriou tudo e todos, sem que ninguém tivesse notado nas trouxas da corpulenta criada do Dr. Lima. Aquele cidadão admitiu a hipótese que a sua habitação viesse a ser invadida, pelo que mandou fechar as portas pondo-lhes trancas de ferro.
Os Bandeiras, pessoas de prestígio e bastante influência, montaram no Porto uma teia de muitos agentes, espiões, mais ou menos espertos e activos. E um deles chamava-se Francisco António de Resende, médico, dedicado à política, pessoa de recursos e alguns expedientes, natural de Aveiro, cujo círculo representou algumas vezes no parlamento.
O cidadão francês, Pedro Ransam, estava em casa quando os soldados e a polícia invadiram a rua de Belomonte.
Perante a quase certeza que tinha de que iria ser «visitado», como antes se diz, aparecia a polícia que bateu fortemente à porta e após Ransam ter perguntado quem era, uma voz do exterior ordenava que abrisse em nome da lei, proclamado pelo chefe da diligência. E Pedro Ransam respondeu da forma que vamos transcrever, por se entender delicioso, com alguma malícia e cinismo, o que proclamou deste modo:
- respondeu Ransam acentuando a linguagem no seu sotaque estrangeirado.

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