sábado, 10 de julho de 2010

As Meninas Mascarenhas

O livro - XXV


Um aspecto da Rua de Belomonte, no Porto, segundo o blogue 'Obradouro.blogspot.com'

Avancemos um pouco mais na narrativa do livro de As Meninas Mascarenhas. Andava o Dr. Silva Pinho perto do Mercado Ferreira Borges, e ali perto ficou a saber que as meninas estavam protegidas e escondidas. Ficou preocupado pelo facto de se admitir a hipótese de Joaquim Álvaro ser preso. Se, por um lado, ficou relativamente tranquilo, por outro, a questão da prisão do amigo não o deixava tranquilo. E foi neste estado de espírito que regressou a Gaia, à estalagem da Mariana.
Havia muita gente, bastante movimento e alvoroço. Recolheu cedo, mas não conseguia dormir. Ao outro dia, levantou-se cedo e andou pela margem do rio, para saber notícias. Nada ouviu de interessante.
Era relativamente cedo para ir às Palhacinhas, onde moravam os seus amigos Veloso. Mas foi e encontrou o Francisco Veloso já a pé.
A informação que obteve foi extraordinária, dramática e comovente, buscando as suas próprias palavras. As Meninas e o tutor estavam em casa de Pedro Ransam, de nacionalidade francesa e morador na rua de Belomonte, desde a madrugada em que chegaram ao Porto, Douro abaixo, como já foi referido. Este local era seguro e a polícia dificilmente daria com o esconderijo.
O estado de sítio que se verificava dava a entender que a polícia desconfiava do local. Na véspera, quando o Veloso foi, pelo Codeçal, procurar um amigo, não o encontrou em casa. Na rua dirigiu-se à Batalha. E aí estava o tal amigo raro. António da Silva Santos, alto, magro e esperto, solicitador de causas que o Dr. Silva Pinho ficou a conhecer e de quem se tornou muito amigo.
Este solicitador, através dos Velosos, de quem era um íntegro amigo, até pela política que então se vivia, foi contactado pelo Francisco Veloso que o pôs ao corrente da situação, nada tendo ocultado, pedindo o seu auxílio e que lhe ofereceu um conto de reis, se salvasse as meninas Mascarenhas.
O solicitador tinha na rua de Belomonte um amigo muito íntimo, cuja casa frequentava. Tratava-se do cirurgião Lima, um homem de prestígio e de conselho, que procurou imediatamente formar um plano para tirar as órfãs da casa de Ransam. O cirurgião encontrou de imediato solução para este sério e intrincado caso.
Brevemente vamos ver como...
Não se imagina como foi possível passar uma barreira de polícia com duas meninas (uma de cada vez), sem ninguém ter desconfiado de nada.

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