sábado, 3 de julho de 2010

As Meninas Mascarenhas

 O liro XXIV


Mercado Ferreira Borges, segundo o blogue actividadeslectivas.blogspot.com
Por aqui andou o Dr. Silva Pinho por causa das Meninas Mascarenhas

E lá saíram do governo civil. No dia seguinte os jornais do Porto e até nas paredes e esquinas dos edificíos fora colocado um anúncio que estava redigido do seguinte modo. Tenho de o transcrever, senão não tinha piada alguma. Dizia assim.

«Quem descobrir o sítio onde estão escondidas as Meninas Mascarenhas, há poucos dias raptadas do convento de Sá de Aveiro, receberá a gratificação de duzentas moedas.»

O Dr. Silva Pinho tinha uns amigos, sendo um deles jornalista, que fazia parte do «Eco Popular». Quando se encontraram passaram uma hora deliciosa rindo e comentando o anúncio tão profusamente espalhado pela cidade. Este jornalista chamava-se Dinis Duarte Sousa, e o seu irmão Dr. Alberto Alexandre Duarte de Sousa, advogado.
Dada a impetuosidade daquele, lembrou-se de fazer um contra-anúncio que imediatamente redigiu e que na manhã imediata apareceu naquele periódico. Dizia assim:

«Um sujeito, que sabe onde estão as Meninas Mascarenhas, e se presta a fazer a denúncia, quer saber se as duzentas moedas oferecidas são de dez ou vinte reis cada uma.»

A intenção era ridicularizar o primeiro anúncio. Os agentes dos Bandeiras morderam a isca. No dia seguinte os periódicos inseriram em letras garrafais a seguinte declaração:

«As duzentas moedas, oferecidas a quem descobrir as Meninas Mascarenhas, são de quatro mil e oitocentos reis cada uma.»

Voltando ao escritório daqueles amigos, passaram algum tempo a celebrar o sucesso que o gracejo obteve com o contra-anúncio e riram-se a bandeiras despregadas. Mas esse contentamento ia-se convertendo, pouco depois, em desespero.
Seriam quatro horas da tarde quando um amigo do Dr. Silva Pinho o informou que a zona onde morava Pedro Ransan estava cercada. Este era um cidadão francês, cuja história pitoresca lá havemos de chegar, pois era na sua casa que estavam escondidas as Meninas. O amigo do Dr. Silva Pinho, Francisco Veloso da Cruz, informou-o que a area da casa do Ransan além de cercada, como se disse, era objecto de rondas constantes.O Veloso foi à estalagem da Mariana e lá lhe deu esta aterradora notícia. De imediato vieram os dois de Gaia para o Porto, mas cada um por seu caminho, ficando em encontrar-se às oito horas da noite na Rua Ferreira Borges, mas o Veloso nunca mais aparecia. Não o encontrando e nem conhecendo por ali pessoas a quem se pudesse dirigir, julgou estar tudo perdido.
Mas por acaso lobrigou, à luz de um candeeiro, o ansiado Francisco Veloso da Cruz que caminhava apressadamente para o largo de S. Domingos.
O Dr. Silva Pinho deu uma corrida e apanhou o amigo que não o tinha notado. Chegando a seu lado e ele apenas teve tempo de dizer a meia voz.
«O cerco continua. As Meninas estão salvas. Joaquim Álvaro é que é, necessariamente, preso.» Este encontro e estas notícias deixaram o Dr. Silva Pinho parcialmente satisfeito.
Vamos ver a sua continuação.

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