quarta-feira, 30 de junho de 2010

Coisas da Guiné - 30

Sátira com as fotos da Guiné...
...À minha maneira


Em 25 deste mês de Junho, tinha dito que gostava de apresentar algumas fotografias que ainda guardo e obtidas na Guiné, colocando em cada uma delas alguma história satírica.
Essa história, pode não ter graça nenhuma, mas é pelo menos aquela que cada uma das fotos me sugere, inclusivé com o local, as pessoas, os actos que as mesmas representam, etc.
Algumas já estão por aqui.
Para não tornar demasiadamente longa a exposição dessas fotos, ficam aqui algumas delas. Outro trabalho idêntico ainda se poderá fazer com o uso de muitas outras. Eis as primeiras:
Porque há mais!
Como se montava um bom par de cornos. Não era para todos. 

A melhor equipa de basquete em Chaves .

Aqui só há uma hipótese: dois macacos!
(esta raça, e mais algumas, de macacos, gostava muito de «limpar» os pelos)

Utilizando linguagem local: Manga de patacão (muito dinheiro) espalhado pelo corpo
(Foto um dia destes aqui colocada a propósito de uma história de dinheiro que transportava)

É dali que eles vêm... tudo a postos...
(Foto tirada do telhado do aquartelamento de Ingoré. A direcção que aponto - norte - era para o Senegal, ali perto)

Um turista na Avenida de Bissau que ia do palácio do governador, na Praça do Império, até ao cais.
(Há quem saiba. Pode ser que daqui a pouco me lembre. Mas já não sei como se chamava)

Isto é que era um salão de beleza. Equipamento, material, mobiliário. Uma maravilha!

Que guerra... até dava para ir à praia de Varela, próximo do Senegal

Qual é o problema? A malta era limpa e asseada!
(Foto que também já aqui passou a propósito de uma história)

É assim... eu estava aflito com o peso. Agora admito o quanto deve pesar algures
(Foto que já passou por aqui a propósito de uma história)
Não ameaces, se não levas um murro...
(No quartel-general, em Bissau, com o meu amigo Fernando Gomes de Oliveira, que ali era radiomontador)

Isto era um tipo (?) em cima de um monte de sucata, em alto mar, a caminho da Guiné
(Em direcção à Guiné, como todo o ar de maçarico, no navio Sofala)

Um pequeno «burguês militar» de férias, junto de num morro de baga-baga, frente ao Hospital Militar

Estes tipos são do concelho de Águeda, nas traseiras do Hospital Militar.
(O da esquerda e do meio são da freguesia de Valongo. O da direita da freguesia de Espinhel e ainda hoje é músico. Lá era o ajudante da sala de operações.)

Quantos são?... quantos são?... que venham todos
(Já não sei onde isto aconteceu, mas o da esquerda no para brisas, parece que sou eu)

Este tipo não sou eu, porque era muito elegante, junto da bolanha de Ingoré

Um Opel Record e nele um pseudo condutor do governador
(Já não sei de quem era o automóvel, com matrícula do Exército - MG-01-31 - mas este estava no Hospital Militar)


Se à frente desta casa está um tipo, este só pode ser o seu habitante
(Era o palácio do governador da Guiné, Praça do Império)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

As marcas da minha geração

El Condor Pasa

Este tema musical peruano, que ficará (já está) imortalizado no panorama musical. Belíssima melodia típica e popular daquela região sul-americana. Que nos delicia ouvi-la. Admito que existam versões diferentes e a gosto de cada um. Veja nos outros vídeos que aparecem no final deste. O verdadeiro espírito Andino.






domingo, 27 de junho de 2010

Coisas da Guiné - 29

A minha mascote

No passado dia 25 deste mês, publiquei por aqui um post que fazia recordar um primata que tive durante algum tempo da minha estadia na Guiné.
Agora que remexo em tudo, porque sabia que tinha umas fotos da saudosa macaquinha, não pude resistir em trazê-las até aqui.
E é isso que faço, deixando duas fotos digitalizadas numa só. Era esta a «Maria Albertina».
O nome de "batismo" terá sido a influência, mas não tenho a certeza, sugerida pelo nome de um grupo de música popular muito conhecido naqueles anos, ali dos lados do norte.
Isto penso eu...
A propósito: lembrei-me de satirizar situações e/ou factos através das fotos que tenho da Guiné. Demora, até digitalizar as que mais se prestem para isso, mas hei-de fazer um post dessas coisas...
Essa satirização é pessoal... nada de terceiros, em princípio.

sábado, 26 de junho de 2010

Coisas da Guiné - 28

Dinheiro por todos os lados!


Em plena rua, com dinheiro à vista, numa guerra (?!)

A fotografia é uma grande preservação da memória. Isto para dizer que, em certo dia, numa localidade importante na Guiné, conhecida por Bula, havia serviços administrativos que tinham de funcionar.
Além de outros, um deles consistia na elaboração da folha de vencimentos de todos os efectivos da Unidade, neste caso a Companhia (CCaç. 462). Desde que ficámos sem primeiro-sargento, que foi evacuado para Portugal ferido em acidente de viação, quando se deslocava com o comandante de companhia e este conduzia um jeep.
Foi-lhe diagnosticada uma doença pulmonar através das radiografias torácicas a que foi submetido no hospital, por ter fracturado um braço. Pela ausência forçada do 1º sargento foi-me solicitado pelo comandante de companhia que eu desse uma ajuda na área administrativa. E dei.
De tal forma, que passei a colaborarador no comando de Batalhão, sendo uma espécie de braço direito do alferes responsável por todo o trabalho  administrativo-financeiro das várias unidades.
Mas era necessário, em cada mês, pagar ao pessoal da já citada companhia. E, como disse, estando já em Bula, vindo de Ingoré, o comando de Batalhão, através do referido alferes, ia buscar o dinheiro a Bissau. E, no que nos dizia respeito, distribuía o dinheiro por todas as companhias que administrativamente dependiam da respectiva CCS.
O Batalhão de Caçadores 507 regressou e este oficial teve de ficar até fechar as contas da Unidade. E mesmo nesta situação, continuei a ajudá-lo, até eu ter embarcado no Niassa para o meu ansiado regresso em Agosto de 1965.
Folha pronta, lá ia buscar o dinheiro e à entrada da nossa secretaria que ficava do lado exterior do aquartelamento de Bula, numa habitação arrendada a algum civil, que agora não recordo, já com o 1º sargento que substiuiu o anterior, este faz uns cliques para a história.
E como se pode vislumbrar, tinha notas nas mãos, nos braços, entaladas nas ombreiras da camisa. Isto em plena rua!!! E foi assim que esta fotografia nasceu.
Palavra de honra, que me custa a acreditar, hoje, que fazíamos isto em plena guerra e em plena rua!

O gato informático...

...que gostava de impressoras!


E é verdade. Conto a história em breves linhas aproveitando para variar a intervenção bloguista que até ao momento tem sido seguida.
.....
Cá em casa há gatos. Outros, atendendo à lei da vida (mesmo animal irracional) já morreram. O que está na imagem foi um deles. Era um castiço, como todos os gatos, que têm todos a sua particularidade.
Este gostava imenso de estar junto do equipamento informático, principalmente da impressora. E quando era necessário que esta funcionasse, imprimindo, como é lógico, este felino ficava de atalaia e delirava com o andamento da saída das folhas.
Este foi um desses momentos que ficou registado na película. Ficava de tal modo hipnotizado pelas folhas, que se mexiam, evidentemente e, talvez por este movimento, a expressão da sua perplexidade e curiosidade que demonstrava.
E assim mostrava os seus instintos...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Coisas da Guiné - 27

Guiné-Bula em 1964, com um macaco cão

Ao desfolhar umas fotografias, que ainda não se desfizeram e que têm também um mínimo de condições de visualização, escolhi esta para dizer algumas coisas sobre o tempo passado na Guiné.
É evidente que quem, como nós, lá chegava, sofria um forte choque provocado por várias circunstâncias. O povo, o seu modo de vida, a variedade de etnias que, algumas delas, ainda conviviam entre si, mas pouco, o ambiente geográfico completamente estranho e novo, o clima, senhores, aquele clima, que pouco a pouco nos danificava os corpos, e fundamentalmente toda a flora ali existente, nela vivendo toda a casta de animais.
Costumava dizer-se por lá, que entramos a conhecer, por exemplo, aves que nunca tínhamos visto, e que saíamos sem saber se as tínhamos visto todas. Porque todos os dias víamos uma ave nova. E depois, nesta vasta variedade admirável, principalmente animal, os alegres macacos. estes mamíferos da ordem dos primatas (com excepção do homem, diga-se) eram e foram sempre os atractivos principais de todos os que, desta terra à beira mar plantado, aportavam a terras de sangue, suor e lágrimas, como dizia o eminente escritor Armor Pires Mota.
Também cheguei a ter um primata, feminino, que veio comigo até Lisboa. Ainda antes do desembarque e vendo que me seria difícil fazê-la acompanhar-me, acabei por oferecê-la a um camarada de armas. Era a "Maria Albertina", que ainda hoje lembro.
Cheguei à conclusão que talvez tenha sido esta a melhor solução e destino a dar ao animal, porque, vivinha da costa, lá foi com o meu companheiro de viagem. Qual não teria sido a minha situação, no que se refere à afeição que lhe dedicávamos, se ela viesse depois, um dia, tal como qualquer ser vivo, a morrer?
Não sei. Só sei, hoje, que foi melhor assim...
O da foto, era um macho conhecido, vulgarmente e popularmente entre os militares, por «macaco cão». Mas pertencia a um colega meu de Bula, para onde fomos destacados em 1964.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

As Meninas Mascarenhas

O livro - XXIII


Edificio da antiga Casa Pia, no Porto. Imagem obtida do site wikimedia.org /wikipedia/commons/, com a devida vénia. Para quem conhece o Porto, este edificio está próximo da Praça da Batalha, na Rua Augusto Rosa e era, pelo menos até há pouco tempo, as instalações da PSP. Era até aqui que se deslocava o Dr. Silva Pinho e o seu amigo Dr. José Maria Soares de Albergaria, administrador de Gaia. Este foi o edificício do governo civil do Porto, a que o Dr. Silva Pinho se refere variadas vezes na sua narrativa.

A última postagem sobre esta série histórica, ficou na intimação feita ao administrador do concelho de Gaia e ao Dr. Silva Pinho, para se apresentarem de imediato na Casa Pia (era assim denominada a sede do governo civil do Porto). Também já foi dito que isto era o prenúncio de que este tinha mudado de ideias e de propósitos, face às influências que se teciam por todo o lado e por muitas pessoas.
Lá chegaram ambos. Foram recebidos com alguma indiferença e sobranceria, dizia o Dr. Silva Pinho que o governador estava mais irado do que facundo, conhecendo-se pelo seu aspecto que já não tinha o mesmo sentimento de imparcialidade e de justiça demonstrado na véspera. E disparou de imediato:
- Sr. administrador, ou V. Sª apresenta imediatamente as Meninas Mascarenhas, ou é suspenso por mim e demitido pelo governo. Escolha, sr. administrador.
O administrador hesitou, dizendo a defender-se tíbia e timidamente:
- V. Exª, sr. governador civil, dispõe como entender do meu lugar. V. Exª conhece já a história da chegada a Vila Nova das duas órfãs. Procurei justificar-me e creio que o consegui.
Mas o Dr. Silva Pinho não estava pelos ajustes e pediu licença para dar uma explicação ao Visconde de Valongo, governador civil do Porto. E este respondeu-lhe de imediato:
- Não dou, não senhor. Um cúmplie é um réu e os réus só falam diante dos juízes quando são interrogados. O sr. bacharel e o tutor armaram toda esta embrulhada, por interesse próprio, bem sabe, e agora quer fazer um discurso! Pois não faz nenhum discurso, creia!...
Estas palavras do governador civil do Porto, percebia-se bem, faziam indirectamente alusão a um boato que corria, de que se tinha associado ao tutor para casarem ele com a menina mais velha e o Dr. Silva Pinho com a mais nova. Não era um boato, era um calúnia, dizia este advogado, e os seus amigos, que o conheciam, podiam desmentir esta atoarda. O tempo que decorreu e os factos entretanto verificados, justificaram a sua sinceridade no processo.
Esta alusão do governador fez-lhe subir a indignação que já sentia e não se contendo, mesmo perante a proibição, reagiu e protestou nestes termos:
- Sr. Visconde de Valongo, governador civil do distrito do Porto - falou alto e com voz indignada - a sua alusão não é própria da sua pessoa, como magistrado, e desmerece no seu carácter, como cavalheiro...
O Dr. Silva Pinho estava irado e não sabe se o Visconde percebeu ou não. Só sabe que, nesta altura, este apontando para a porta do seu gabinete, disse timidamente:
- Está finda a audiência. Podem sair.
E saíram...

*****

Duas linhas mais. Por esta redacção, nota-se em que grau de elevada importância se encontrava uma autoridade, como era a de governador civil, naquele tempo. Os modos de diálogo, de trato, outras circunstâncias que os textos deixam perceber, na realidade era quase inacessível um homem que desempenhava a figura de governador civil.
Comparado com as funções e aproximação que hoje se verifica entre esta função e as pessoas e instituições, é mesmo querer comparar o Rossio com a Betesga...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nacos de história - Serém

A vila de Serém

Portão da entrada principal da cerca do Convento de Serém

No livro que abaixo identifico, encontrei uma redacção histórica bastante interessante sobre Serém. Aquele livro já aqui foi referenciado várias vezes. Procurei, com as ferramentas que conheço (poucas) da informática e fazer o «copy-paste» do texto tal como está no referido livro, cuja data mal legível, me parece ter sido editado em 1808 ou 1868, mas cuja finalização da sua escrita terá ocorrido em finais de 1706 ou princípio de 1707. Há ainda outras datas de 1708.
Aqui deixamos, com as ressalvas provenientes de erros informáticos inevitáveis no tratamento do texto tal como o encontramos.
Salientamos aqui a existência de um nome muito conhecido dos antigos alunos da 4ª classe da escola primária. Aquele que a "doutrina" histórica nos apresenta como o traidor Miguel de Vasconcelos que, como já disse de uma outra vez, estará sepultado no convento de Serém. Porém, surge uma dúvida. Penso que este Miguel de Vasconcelos a que me refiro, não será o mesmo chamado de «traidor». Porque este era conhecido apenas por Miguel de Vasconcelos e o outro com interesses em Serém é Miguel Soares de Vasconcelos. Um e outro serão a mesma pessoa ou duas pessoas distintas? Por outro lado, o primeiro foi morto a tiro em 1 de Dezembro de 1640 e o mosteiro terá sido fundado em 1635, havendo apenas entre este e aquele ano uma diferença de apenas de um lustre.
O texto encontrado:

*****

D'uas legoas & meya da Villa de Aveyro para o Nascente, no Bispado de Cqimbra, & Provedoria de Esgueyra, na ladeyra de hum monte está fundada a vila de de Serem, defronte da qual faz sua corrente o rio Vouga, que nas suas inundaçoens lhe visita as ultimas casas, sem lhe entrar dentro; até duas legoas & meya se navega o dito rio em barcos que levaõ sal, marisco, peyxe, & outras cousas de Aveyro para a serra; & trazem madeyras, lenha, frutas, & muita castanha para a dita Villa de Aveyro; com que fica sendo este rio de grande conveniencia para estas terras. Assistem ao seu governo civil dous Juizes ordinarios, Vereadores, hum procurador do Concelho, Escrivao da Camera. hum Juiz dos Orfãos com seu Escrivaõ, outro do Judicial, & Notas, & hum Aleayde. Recolhe algum vinho, milho, & centeyo, & tem boas aguas para curar meadas, & teas. Tem a Villa seis visinhos, & ò Termo setenta, tudo gente pobre, os quaes saõ Freguezes de Saõ Christovaõ de Macinhata do Vouga, que he Priorado rendoso, o apresenta o Marquez de Arronches. Tem esta Villa hum Convento de Frades Capuchos da Provincia de Santo Antonio,'a que no anno de 1635. em 16. de Abril se lançou a primeyra pedra, sendo seu fundador Diogo Soares, do Conselho de Felippe Quarto, & seu Secretario de Estado na Corte de Madrid ; & depois das pazes, estando os bens do fundador na represalia, tirou por sentença o senhorio desta Villa, seu Termo, & da do Prestimo, & o Padroado do Convento seu filho Miguel Soares de Vasconcellos, cuja viuva foy casada com Paulo Carneyro, do Conselho da Fazenda, & Chanceller mor da Corte, & à filha da dita viuva mais velha pertence o senhorio desta Villa & o Padroado do Convento. O seu Termo consta de tres lugares pequenos, & huma povoa |na estrada, que vem de Coimbra para o Porto. Foy esta Villa cabeça de Condado, cujo titulo deu ElRey Dom Joaõ o Quarto a Dom Fernando Mascarenhas, filho de Dom Jorge Mascarenhas, Marquez de Montalvaõ.

Corografia
PORTUGUEZA, E DESCRIPÇAM TOPOGRAFICA
do famoso Reyno de PORTUGAL,

COM AS NOTICIAS DAS FUNDAÇOENS DAS CIDADES, VILLAS, & LUGARES,
que contém ; Varoens illustres, Genealogias das Familias nobres, fundaçoens
de Conventos, Catalogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza,
edificios, & outras curiosas observaçoens.

TOMO SEGUNDO

OFFERECIDO
AO SEREN1SSIMO REY
DOM JOAM V.
NOSSO SENHOR.

AUTHOR
O P. ANTÓNIO CARVALHO DA COSTA,
Clerigo do habito de S, Pedro, Mathematico, natural de Lisboa.
SEGUNDA EDIÇÃO.
Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea
Rua Nova n.° 45.
BRAGA

A Junta de Freguesia na história - 48

As malas do correio

Esta ocorrência descrita numa acta da sessão da Junta de Freguesia realizada em 11 de Maio de 1913, é o atestado concreto em que se pode aquilatar da diferença evolutiva na vida, nas coisas e nas organizações, se comparadas entre a actualidade e aquele ano do início do século XX.
É claro que o que a seguir se relata e se faz história, não é nada de anormal, nem é um facto demasiadamente estranho ou sequer a necessitar de ser evidenciado. Ou seja, todos nós sabemos da evolução que existiu e das diferenças dela resultantes.
Então o que consta é, de uma forma simplista, apenas isto:

«...foi deliberado oficiar ao excelentíssimo Administrador do concelho para que interceda junto de quem competir, para que seja restabelecido o antigo horário de malas do correio para esta estação postal de Arrancada, a fim de poderem os distribuidores rurais regressar do seu giro antes da partida da mala para Águeda, pois que, com o actual horário, fica a correspondência aqui retardada um dia, o que não pode continuar a admitir-se pelos altos prejuízos que acarreta ao público.»

Por um lado, falar-se numa estação postal em Arrancada, é a primeira vez que encontramos referências nas actas da Junta. Isto significa que em 1913 (há quase cem anos!), já havia uma estação postal em Arrancada. Depois, verificar como se tratava o correio, que ainda há poucos anos era assim; o correio vinha para Arrancada por uma mala, que, durante muito tempo, era transportada por uma pessoa que ia e vinha a pé de Águeda. Só mais tarde (mas não sei quando) é que se começaram a utilizar viaturas e, salvo erro, as carreiras da empresa OLIVEIRAS de Águeda. O mesmo acontecia com uma mala do correio que ia para o Salgueiro, a fim de servir as populações da Redonda, Moutedo, Cadaveira, Valcovo, além daquele já citado.
E isto para repeitir que como  tudo isto evoluiu a ponto de se colocarem e entregarem encomendas, em vinte e quatro horas, nem que seja na China...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nacos de história - O cemitério no adro

Quando, a propósito da capela de Brunhido, que está postada antes, pesquisava o livro nele apontado, dei com uma descrição um tanto curiosa àcerca da igreja paroquial de Valongo e que, na sua parte final, refere esta passagem:
...



«Em volta da igreja, na relva do adro, conservam-se ainda algumas campas sepulcrais com letreiros, pertencendo ao século XIX, de tempo anterior à construção do actual cemitério; dão, todavia, a sugestão de que seriam os campos cemiteriais antigos, a rodearem os templos.»

De referir que conforme se encontra gravado no portão de entrada do cemitério, a data que lá se encontra menciona o ano de 1871. Portanto o cemitério terá tido o seu início de utilização neste ano.

Sobre este assunto, lembro-me ainda de ter verificado o que aqui se descreve editado em 1959. Vi algumas campas, indiciando as mesmas que no adro teria existido o cemitério. E penso que isso além de uma verdade há muito conhecida, foi confirmada aquando das primeiras obras realizadas no Lameirão (actual praça de S. Pedro), no mandato do nosso conterrâneo António Estima, as quais incluiram o escoamento de águas pluviais e, nessas obras, foi necessário fazer o alinhamento, cortando um pouco da área do adro, junto ao portão de ferro à sua entrada.
Essas obras colocaram a descoberto algumas ossadas humanas, que chegaram a constituir e a justificar alguns protestos de algumas pessoas, quando, ao domingo, ali se apresentavam para entrar, tendo deparado com o aparato da visão, para alguns repugnante e de falta de respeito (dizia-se) por tais ossadas. Lembro-me ainda de ver uma pessoa, já falecida, que protestava perante tal facto. Sendo como se diz, confirma-se que o adro foi cemitério e nele estão, cobertas, muitas ossadas humanas.
Mais abaixo, aquele livro faz ainda esta referência:
«Uma antiga via-sacra, dos princípios do século XVIII, partia da igreja e ia terminar num cabeço. Retauraram-na em parte. Conserva-se a cruz ao lado da porta axial da igreja e uma alta, igualmente de grandes braços, junto da zona terminal, além de certas bases.»
Esta descrição refere-se, como se diz, à via-sacra que ia da Igreja até àquele monte que conhecemos com a denominação de Calvário. Porém, as cruzes que ficam descritas, já não existem. Uma delas, junto da porta da igreja acima citada apareceu um dia danificada e foi, era então pároco o Pe. António Ferreira Tavares, reparada. Isto há cerca de 25 anos....

Nacos de história - Brunhido

O exterior da capela de Stº Estêvão, após a colocação de granito no pavimento e resguardos

Há já bastante tempo que tive conhecimento dos restauros realizados na capela de Brunhido. Nunca tinha ido ver o que foi feito. Fui lá hoje. Acho que houve um certo cuidado em manter as linhas arquitetónicas condizentes com a época da capela, sob o nosso ponto de vista que de técnico nada tem.
Por isso, socorrendo-me do Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul, editado em 1959 pela Academia Nacional de Belas Artes, ali encontramos algumas notas históricas desta capela, que, segundo o mesmo, a sua construção remonta, com muitas probabilidades, a fins do século XVII, tendo sofrido várias reformas ao longo dos tempos.
É titular desta capela Santo Estêvão. Para além da uma rosácea que está colocada na frontaria, sendo um exemplar único na região, «numa das paredes da sacristia, a dar luz à mesma cravaram o preenchimento dum óculo dos séculos XIII-XIV.». E termina assim uma parte desta citação daquela obra: «A seguir à nossa visita, ficando-se ali a conhecer o que ela representava, nas obras de reparação a que procederam, colocaram-na acertadamente no óculo da frontaria, com o que se valorizou.» Ou seja, a rosácea teria sido colocada inicialmente na sacristia, pelo que antes se descreve.Resta confirmar que tal rosácea virá de uma época dos séculos XIII-XIV que antes se referiu.
E a ilustrar este apontamento, a foto correspondente da capela após as últimas obras de manutenção e restauro, no que ao exterior diz respeito.

sábado, 19 de junho de 2010

A Junta de Freguesia na história - 47

O início da compra dos baldios

Um aspecto parcial da freguesia, onde, ao fundo, se pode imaginar a área de baldios

Não é hábito neste capítulo da Junta de Freguesia na história passar dois apontamentos seguidos. Mas o que antecede este, menciona, na mesma acta, um apontamento pequeno, que refuto bastante importante.
Como se pode ver pela sua redacção, penso que é aqui que começa a história já contada no Código de Posturas, sobre a resolução legal e definitiva do caso dos terrenos baldios.
Num tempo muito recente, foi colocada a questão legal de que tais terrenos da Junta de Freguesia não seriam foros, como popularmente foram designados. Mas terrenos com um proprietário, que os comprou: a Junta de Freguesia. Vamos lá ver a redacção da mesma acta postada anteriormente, de 23 de Março de 1913, que diz o seguinte:

«Foi também deliberado, depois de largamente apreciado o assunto, entrar em um acordo de transacção com a Câmara Municipal de Águeda, sobre a compra ou aforamento dos baldios desta freguesia, não devendo no entanto aceitar-se qualquer transacção que resulte desvantajosa para esta Junta.»

Vamos ver o que encontramos a seguir sobre este assunto.

A Junta de Freguesia na história - 46

Obras públicas: actualmente como antigamente

É isto mesmo o que se pretende dizer neste capítulo, ou seja, que antigamente as obras públicas, como actualmente, nada modificaram na sua substância de geração de hábitos, apesar de terem passado gerações, sobre gerações de homens que superintendem nos governos e nos modos de dar à população na justa medida do que esta contribui.

Esta foi a primeira escola primária em Valongo do Vouga

Vem isto a propósito do que encontramos numa acta de 1913, em que o Estado faz uma escola, mas só com metade do valor estimado para a sua construção. Depois, a outra parte será suportada desde que «qualquer corporação administrativa ou outra entidade idónea se comprometa a satisfazer metade das despesas, em numerário ou trabalho».
Por outro lado, também se pode aquilatar o contrário do antes referido. É um apelo à população para colaborar naquilo que lhe diz directamente respeito. E será isso o que se vê actualmente? Deixando as considerações, é mais fácil e compreensível transcrever esta acta no que ao assunto diz respeito. Assim;

«E aberta a sessão pelo referido presidente, cidadão João Batista Fernandes Vidal, depois de lida, aprovada e assinada a acta da sessão anterior, foi lido ne mesa o expediente, que constava de uma circular dos Execelentíssimos Ministros do Interior e do Fomento, determinando que a verba de duzentos mil escudos votados pelo parlamento para construção de edifícios escolares, será empregada em construções escolares das localidades onde qualquer corporação administrativa ou outra entidade idónea se comprometa a satisfazer metade das despesas, em numerário ou trabalho, das mesmas construções.
Atendendo à grande falta que nesta freguesia se faz sentir de edifícios escolares apropriados para a educação das crianças, conforme o exige a moderna pedagogia, deliberou esta Junta de Paróquia pedir a construção dum edifício escolar nesta freguesia, que comporte os dois sexos, em salões separados, segundo o modelo oficial.»

Existe aqui uma redacção que pode conduzir a outras interpretações. Se a circular dos Ministros do Interior e do Fomento diz que a verba de duzentos mil escudos votada pelo parlamento para a construção de edifícios escolares, dá a entender que a verba, no total, se destina a todo o país e deixa antever que aqueles que podem utilizar, daquela verba, o dinheiro para a construção, só o pode fazer desde que garantam que qualquer entidade suporte metade das despesas em dinheiro ou em trabalho. Não se pode admitir que o seria só para Valongo. É que, naquele tempo, 200 mil escudos dava para as escolas e para muitas mais coisas dentro da freguesia. E fazia da freguesia de Valongo a mais rica do concelho (até) e do país.
Quer dizer: há 200 contos para o país, mas quem se candidatar sabe que vai suportar metade do custo. É só para evidenciar o valor astronómico que constituía a verba de 200.000$00 em 1913. Parece que não há dúvida alguma. E até em tempos muito mais recentes!!!

O apeadeiro de Aguieira

Como tinha referido antes, é altura de conhecer alguns factos relacionados com o apeadeiro de Aguieira. A linha do caminho de ferro passa a poente deste lugar, mesmo nos limites da Quinta da Aguieira. Na estrada Aguieira-Mourisca a linha atravessa-a nos citados limites da Quinta da Aguieira.

A passagem-de-nível, na estrada que liga à Mourisca, local ode existiu o primeiro apeadeiro da Aguieira, no qual houve vários e graves acidentes, nomeadamente a morte do Dr. Abel Lacerda e outras pessoas, uma delas colhida mortalmente por um comboio a que minutos antes dera sinal de passagem na Alagoa. A parte alcatroada não existia., assim como a estrada que se vê ao longo da linha, que vai ligar àquela que vemos no apeadeiro, na foto abaixo.
A primeira foto que apresentamos é apenas para poder dar uma ideia de que nada do que se vê existia há uns bons anos atrás. A linha, desde a Carvalhosa, sobe substancialmente até ao actual apeadeiro de que já vamos falar.
Foi próximo do local que a fotografia mostra, que existiu o primeiro apeadeiro e, salvo erro, do lado de Águeda, o lado mais próximo da fotografia. Ao que parece pelas cinrcunstâncias antes referidas, o apeadeiro tecnicamente não servia para que o comboio, no sentido de Sernada-Aveiro, se deslocasse com normalidade.
Assim, como ficava frequentemente ali retido, foi necessário mudar o local do apeadeiro. Implantaram-no então onde se encontra actualmente e, pasme-se, a uma pouca distância da estação de Mourisca e, na altura, muito pouco utilizado, porque ficava longe dos locais de concentração da população. Ou seja, o apeadeiro passou a ser oficial, mesmo nos limites da freguesia e à entrada da Mourisca. Com algumas razões, mas completamente inadequadas face a uma gestão e aproximação junto das populações. Felizmente que hoje aquela zona da Mourisca, Aguieira, com o Vale das Figueiras ao lado, parece que responde às necessidades que o tempo se encarregou de modificar.

Este á o apeadeiro da Aguieira, quase junto da Mourisca, ao lado do Vale das Figueiras. Também não era este o lugar primitivo, que ficava um pouco antes, nas costas da fotografia. Sofreu obras de ampliação e adaptação e a oferecer outras condições aos eventuais passageiros. É visível na foto a placa que identifica o início do lugar. Logo, o apeadeiro tinha ficar depois da placa, senão não, não era da Aguieira. Isto digo eu... O caminho alcatroado do lado direito, não existia e é o mesmo que ao longo da via vai ligar ao que se vê, também do lado direito, na foto da pssagem-de-nível.

Quando utilizava este meio de transporte para trabalhar, muitas vezes, a uma curta distância da passagem-de-nível, principalmente no inverno, o comboio parava, porque não podia rebocar tudo o que o compunha. Era necessário levar metade à Mourisca, depois a locomotiva regressava ao local e levava a outra metade, até àquela estação, que ficava perto. Resta ainda historiar, o que já em tempos fizémos, que foi nesta passagem-de-nível que num acidente com uma automora, faleceu o Dr. Abel de Lacerda, pessoa sobejamente conhecida, principalmente no Caramulo, no dia 7-7-1957, além de outros acidentes graves, nomeadmaente com pessoas do lugar e da freguesia, como fizemos constar aqui. Na altura a passagem-de-nível não tinha guarda.
Hoje tive oportunidade de obter uns cliques fotográficos dos dois locais, Eles aqui ficam, não só para recordação bem como para avivar a memória dos mais novos para pequenos factos que, certamente, lhes eram desconhecidos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

As marcas da minha geração



Para recordar e saborear, enquanto vamos vivendo....


Quando Ratzinger escrevia sobre futebol


O futebol interessa e fascina milhões de pessoas em todo o mundo, tocando algo de radicalmente humano, escrevia em 1985 o então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, num texto incluído no livro Suchen was droben ist (Procurar o que está no alto).
Por ocasião do Mundial de Futebol, a “Humanitas”, revista de antropologia e cultura cristã da Pontifícia Universidade do Chile repropõe o texto no seu site.
De acordo com Ratzinger, não há quase nenhum outro evento no planeta que alcance uma repercussão de semelhante amplitude, pelo que cabe perguntar onde se encontra o fundamento do poder do futebol.


Pode ler mais aqui....

Fonte: SNPCultura

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O apeadeiro de Carvalhal da Portela


O apeadeiro primitivo ficava além do viaduto visível do lado direito da foto

Os apeadeiros de Carvalhal e Aguieira, ficam na freguesia de Valongo do Vouga. Ontem evidenciamos o apeadeiro de Valongo e algumas notas da sua história.
De facto, lembramo-nos também que, dentro dos seus limites, havia ainda aqueles dois. No que a eles diz respeito sabemos pouco, salvo alguns factos que temos memorizado. Não sabemos quando começaram a ser utilizados, nem sabemos quem teve a iniciativa da sua criação, mas sabemos outros pormenores que talvez a maioria das pessoas não tenham conhecimento ou, com o tempo, se esqueceram.
O de Carvalhal da Portela teve o seu local primitivo e, portanto, oficial, num local que ficava antes da actual ponte rodoviária que passa por cima do caminho de ferro, do lado de Macinhata. E aqui se manteve durante longos anos. Até que, a certa altura, e já há poucos anos, dadas as dificuldades de acesso, o mudaram para o lado sul da passagem de nível que agora está encerrada, dividindo o lugar em dois.
Até que, quando foi feita uma viagem comemorativa num comobio, de Sernada para Aveiro, com uma das velhinhas locomotivas a vapor e como havia (e há ainda) alguns ferroviários e porque era, na altura, o único meio de transporte das redondezas, no apeadeiro junto à referida passagem de nível havia muita gente e muita festa. O comboio parou e a festa foi completada com bolos, bebidas e outras ofertas.
Este comboio transportava ilustres personalidades da região, políticos, da área do turismo, etc. e lembro-me de notar que as pessoas, dado tempo decorrido sem refeição, davam mostras de estarem a passar por um momento de grande vontade de comer. Isto notei eu, quando sou abordado da parte de dentro do comobio por pessoa conhecida que me pede um bocado de bolo e um uma bebida (neste caso espumante).
Nesse mesmo comboio também ia pessoal superior da CP. E parece que alguém com essas funções, perante o manifesto entusiasmo da população, ao ver o estado que tinha o apeadeiro, terá afirmado, mesmo ali, que aquele apeadeiro deveria sofrer alterações e possuir outras condições.
E assim aconteceu. Passados uns meses é dado início às obras de construção de um apeadeiro com o mínimo de condições, nomeadamente abrigo, luz eléctrica, bancos e até horários que o tempo desactualizou ou que destruíram. E é esse apeadeiro que agora mostramos na foto que ilustra este post.
A seguir vamos referenciar alguma coisa sobre o de Aguieira.

A libertação sexual não foi tomada a sério pela Igreja



O celibato deve ser discutido, a Igreja não levou a sério a revolução sexual dos anos 60 e nas questões da homossexualidade "há vivências dramáticas" e "discriminações" às quais a Igreja deve atender. Opiniões de Antonio Autiero, referência da teologia moral católica, que diz ser legítimo que, no caso dos abusos sexuais, se exija mais da Igreja.


Por António Marujo.


Nota: - Esta entrevista foi conduzida por António Marujo, natural da nossa freguesia e residente em Lisboa. Seus pais residem actualmente em Aveiro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O apeadeiro de Valongo

Ontem, dia 15 de Junho, passei casualmente no apeadeiro de Valongo. Fez-me parar uns minutos, para rever o local que já não é o mesmo de há umas dezenas de anos, onde havia até duas linhas, servindo uma delas de desvio de composições, qual estacionamento adequado a não prejudicar o trânsito.
Tirei umas fotos, de que deixo aqui uma delas. Esta apresentação, mesmo assim, é muito diferente das primitivas instalações, que só há poucos anos é que tiveram direito a abrigo e a resguardos, porque nada disto existia.  Fez-me lembrar, também, o trabalho e preocupações da Junta de Freguesia de antes da 1ª guerra mundial, que muito justamente queria ali um local para que os comboios pudessem parar, levar ou largar passageiros e mercadorias.
Faz-nos avivar memórias da tacanhez de visão dos problemas das populações por parte dos responsáveis de então. Era mesmo de se confirmar que uma freguesia da dimensão desta de Valongo do Vouga, com o número de habitantes que já possuía, com o comércio e indústria que começava a florescer, com a possibilidade de carregamentos de minério das Talhadas, com o transporte de madeiras proveniente dos extensos pinheirais já existentes, teimavam tais responsáveis em responder negativamente às pretensões da Junta de Freguesia, não lhe dando o apeadeiro desejado.
Está aqui um resquício do Portugal do princípio do século XX, que sempre "agarrado" a princípios de poucos e parcos horizontes, não sabendo aproveitar o que de bom se lhe oferecia já naquele tempo. Mais tarde, fomos nós que viemos a sofrer as consequências do marasmo que nos obrigaram a cumprir.
E precisamente em virtude desse marasmo, estão agora as linhas fechadas, outras quase a fechar, pois tal qual estavam há cerca de 100 anos, assim se vão mantendo, encerrando-se definitivamente a evolução a que tiveram direito e cuja evolução foi paralisada no tempo...
Desabafei...

A história local

Mais uma vez aqui fica a imagem da Quinta da Aguieira. Esta foto foi obtida hoje

As Meninas Mascarenhas
O livro - XXII

Avancemos um pouco mais nos resumidos episódios desta longa e apaixonante história.
Após a sua retirada do gabinete do Governador Civil, voltaram a Vila Nova mais confiantes. O administrador, José Maria, mostrava-se menos preocupado e oprimido, mas sempre com a esperança de poder resistir ao temporal em que se tinha envolvido.
A campanha montada pelos Bandeira continuava. A imprensa publicava artigos violentos, que excitavam o espírito do público e a opinião generalizava-se contra o tutor e contra o administrador de Vila Nova. Nesses artigos eram denunciados alegados actos de corrupção, muito ouro espalhado, pelo tutor Joaquim Álvaro, muitos boatos, nos quais se acreditava com facilidade. Foi o caso da semana na cidade do Porto.
Os espiões eram numerosos e cada um procurava meticulosamente o sítio onde Joaquim Álvaro teria escondido as Meninas, a polícia não parava e o Dr. Silva Pinho dizia: «Eu estava sossegadíssimo», porque tinha a certeza que as Meninas não podiam ser encontradas.
Os seus amigos, Velosos da Cruz, em Vila Nova, também andavam descontraídos, nada incomodados com com as investigações policiais e com o trabalho dos espiões. O depositário das Meninas era uma pessoa incorruptível e nada o fazia dobrar na sua integridade e na sua fidelidade. O que lhe dava mais cuidado, era o administrador, que o Dr. Silva Pinho não pretendia que fosse sacrificado à «sanha perseguidora dos fidalgos de Torredeita».
Mas esperava-se, de instante a instante, um incidente novo, qualquer coisa que teria, forçosamente, de perturbar o plano de Joaquim Álvaro. E não demorou muito que surgisse. Novamente o beleguim do governo civil chega apressadamente à hospedaria da Mariana, eram nove horas da manhã,. intimando-os a irem novamente à Casa Pia, como se denominava a casa do governador civil naquele tempo, pormenor que já foi explicado.
Parecia ser evidente que o governador civil mudara de ideias, numa clara cedência à pressão exercida pelos Bandeiras e seus protectores, aqueles tios das Meninas.
A seguir conta-se o que se passou na dita Casa Pia.

terça-feira, 15 de junho de 2010

24 horas de Le Mans com 24 horas de oração


Prefiro ilustrar com a Catedral de Le Mans, do que com a pista de automóveis. É um grande monumento!

À margem da mais famosa corrida automóvel de resistência – as 24 horas de Le Mans, que decorreram este fim-de-semana – a diocese local animou pela primeira vez as “24 horas de oração”.
Sós ou em família, os fiéis rezaram diante do Santíssimo Sacramento, exposto na igreja de Notre-Dame du Pré, no centro da cidade francesa de Mans.
A “partida” realizou-se na tarde de Sexta-feira, 11 de Junho, festa do Sagrado Coração de Jesus, através da catequese sobre a oração de adoração, proferida pelo bispo diocesano, Yves Le Saux.
O prelado presidiu à missa de encerramento da iniciativa, no Sábado, e ontem, Domingo, dirigiu-se ao circuito automóvel para celebrar nova eucaristia, perto da pista, nas últimas horas da corrida.
A ideia germinou há um mês na cabeça de três jovens profissionais e rapidamente recebeu o sinal verde do bispo.
“As reacções foram muito positivas logo à primeira”, refere D. Le Saux, um pouco surpreendido com a adesão.
“A adoração – prosseguiu – responde a uma necessidade crescente de silêncio e interioridade, sobretudo nos jovens mergulhados num mundo de ruído e que vivem a 100 à hora. Mesmo para aqueles que estão mais distantes da Igreja, é o sinal que há um espaço para a gratuidade.”
Um dos mentores da iniciativa, Éric Foucher, engenheiro de 29 anos, confirma: “À primeira vista, a adoração pode parecer de difícil acesso, mas eu descobri que, ao contrário, ela é muito concreta, permitindo fixar a atenção e colocar-se diante de Deus para arrumar as coisas no seu lugar”.
A iniciativa insere-se no quadro de uma presença de longa data da Igreja nas 24 horas de Le Mans.
“É uma tradição que remonta a um grave acidente ocorrido no circuito em 1955”, explica o bispo. “Os primeiros a socorrer os feridos foram os escuteiros de França. A partir dessa altura eles estão presentes todos os anos, em uniforme, e o bispo é convidado para a partida”.

In: - SNPCultura, que pode ver aqui

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Junta de Freguesia na história - 45


Código de Posturas - V

Vamos novamente, e talvez uma derradeira vez, dar uma vista de olhos pelo Código de Posturas da Junta de Freguesia, que se manteve em vigor desde 1947, que, recordamos, foi aprovado definitivamente em 12 de Abril, há 63 anos.
O que nos criou alguma curiosidade, foi o Suplemento destas Posturas, capítulo XI, principalmente os artigos 51º e seguintes. Aliás, o título do capítulo XI é apresentado a tratar da «Associação de Defesa Rural Mútua».
É bastante curiosa, a criação, natureza e funcionamento desta Associação, cuja primeira responsável seria a Junta de Freguesia. E era constituída pelos produtores agrícolas que a ela pretendessem aderir, de reconhecida honestidade e de todos os lugares da freguesia.
A missão da Associação tinha por finalidade tentar minimizar e pôr cobro aos desenfreados assaltos que se verificavam, no tempo, às propriedades aqui existentes. Estes assaltos, cuja génese estaria, na sua maior parte, e segundo a nossa opinião, a satisfazer necessidades primárias da população, como seria, por exemplo, obter produtos agrícolas alimentares que mitigassem a fome.
Uma outra curiosidade era o capítulo XII, que no título do seu artigo 60º, «Protecção aos animais e às plantas», referencia uma série de normas de protecção aos animais domésticos, assim como às plantas, considerando-os como «os melhores auxiliares do homem na constante labuta da vida. Sem esse valioso auxílio, a vida, tal como ela é, ser-lhe-ia impossível. Reciprocamente, o homem contrai com aqueles seres vivos obrigações a que não pode eximir-se.»
A brincar, poder-se-á afirmar que está aqui o embrião de uma Sociedade Protectora dos Animais. Enumera seguidamente uma série de factos e actos que não deviam ser praticados, sob pena de multas nas mesmas Posturas devidamente explícitas. São muito interessantes as medidas apontadas, que não se deviam praticar e que hoje podem constituir autênticas quimeras dos meados do século XX.

Revoltado - O meu direito à indignação!


Ando há tempos a matutar nesta coisa de SCUT's. Penso que só há pouco é que consegui memorizar o significado da sigla. Isto agora é tudo por siglas, sobre as quais os jovens levam sempre a melhor. Mas voltemos às SCUT's.
Anda por aí uma confusão dos diabos. Por isso tenho o legítimo direito de manifestar a minha indignação. E penso que é a Constituição que me dá esse direito. Mas pouco mais me dá que me beneficie e alivie destas torturas de dinheiros públicos, destinos desses dinheiros, de impostos, mais uns tantos por cento que já está em vigor, e mais aquilo que, por efeito da minha situação, talvez não venha a suportar, mas suportam outros.
Quanto às SCUT's, repito, a confusão é geral, como em outras coisas. Vem uma notícia e diz que vai existir portagens nas ditas. Os aparelhos já estão na estrada há meses!!! A única coisa que faltava era a lei. Era o regulamento. Era uma mixórdia de frases a imporem ao cidadão comum mais uma taxa, mais um pagamento, mais uma mão a entrar no bolso.
Depois vem outra notícia que diz que os aparelhos a distribuir pelos automobilistas serão gratuitos. Isto é para adocicar, comparando com a empresa que dá uma esferográfica ao cliente. E a notícia diz ainda que os aparelhos serão distribuídos aqui, ali, acolá e nos CTT!
Há aqui várias coisas que não consigo engolir.
1-Os «fiscalizadores» estão há meses nos sítios nevrálgicos. O que quer dizer que esta coisa estava na gaveta do Ministério há meses (anos?). Os esclarecimentos vêm às pinguinhas, e nunca esclarecem nada.
2-A duas semanas da sua aplicabilidade, não há aparelhos (hoje fui procurá-los). A lei tem ainda de passar pela Assembleia da República, e a sua entrada em vigor é no dia 1 de Julho, dizem as notícias!
3-Já não sei onde estou, não consigo saber onde moro, em que país vivemos com estas confusões.
4-Gastam muito dinheiro. É sabido. Porque é que não pegam num mailing e colocavam nas caixas de correio das pessoas a esclarecer isto?
5-E para cúmulo das confusões, aquilo dos aparelhos do controle dos carros, entrando em vigor em 1 de Julho, vai estar a funcionar gratuitamente durante seis meses! Então porquê tanta pressa? Então porquê tanta confusão e arrelias? E os que têm de ir trabalhar... e outras coisas desta malfadada vida?! Têm direito a um bónus de seis meses...
Nunca este blogue se meteu em políticas. Mas isto não é política, e alguns perguntarão: o que é que ganhas no fim disto tudo? O meu direito à indignação...
Só... e mais nada...
Ah! Mas eu vingo-me! Vou passar a andar pelas ruas estreitas, cheias de curvas, demorando o dobro do que demoro actualmente para chegar aos meus destinos... e fica-me muito mais caro... que se lixe... manda quem pode, obedece quem quer...
Mas vão ver daqui a uns tempos o trânsito pelas aldeias e outros lugarejos já esquecidos...
Estas são as alternativas que nos oferecem...

sábado, 12 de junho de 2010

A Junta de Freguesia na história - 44

Um facto histórico sobre baldios 

Panorâmica no Vouga entre a planície e a serra

Na última acta que aqui transcrevemos, fazia-se menção às necessidades da freguesia e que a Junta só tinha possibilidades de as realizar com a união e o esforço de todo o povo de Valongo. Por isso ficou deliberado que se faria uma sessão extraordinária. Essa sessão realizou-se no dia 16 de Fevereiro de 1913 e a ela assistiu um grande número de pessoas. É disso prova a transcrição que a seguir se faz. E em que deu essa reunião? A resposta está na redacção da acta.

«....os quais se constituíram em sessão extraordinária, conforme a convocação feita na última sessão, para tratar dos baldios.
E aberta esta sessão pelo referido presidente, depois de lida, aprovada e assinada a acta da sessão anterior, foi de novo exposto ao numeroso auditório ali presente, o motivo da reunião ali efectuada extraordinariamente neste dia, ficando resolvido, por proposta do referido presidente João Baptista Fernandes Vidal, elaborando-se uma representação com um abaixo assinado por todos os cidadãos que o quizessem fazer, sendo da freguesia ou tendo nela interesses a defender, a fim de pedir que a administração dos baldios da freguesia fosse entregue à respectiva Junta de Paróquia, - proposta esta que foi muito aplaudida e unanimemente aprovada por todo o povo presente. Em seguida e ainda por proposta do mesmo presidente, foi nomeada uma grande comissão para cuidar do assunto e que foi agregada à Junta de Paróquia, composta dos cidadãos: - José Correa de Bastos, Artur Martins Pereira, Álvaro de Oliveira Bastos, Fernando dos Santos Ferreira Estimado, João dos Santos Ferreira Paula,, Abílio Augusto dos Santos, Adjuto Fernandes d'Oliveira, Joaqui Luis Ferreira de Castro, Joaquim de Arêde, João da Fonseca Morais, Joaquim Morais, Augusto Marques Nogueira, José Martins Saraiva, Pedro Fernandes Vidal, Manuel Casimiro de Bastos, Joaquim d'Oliveira, José Gomes da Fonseca, Ernesto Gomes da Silva, José Ferreira Paula, Agostinho Gomes, Pedro Luis Fernandes da Silva, António da Fonseca Vidal e Júlio Francisco Corga.
Por fim foi deliberado que as sessões ordinárias continuassem a efectuar-se na casa da Escola para o sexo masculino d'Arrancada, como até aqui.
Ficou também assente que a Junta de Paróquia e a Comissão acima mencionada poderão agregar a si todos os indivíduos que acham conveniente, para tratar do assunto versado nesta reunião.»

*****

E assim termina esta sessão, cujo propósito principal era congregar vontades para que os baldios fossem entregues à administração da Junta. A este caso se refere, em 1947, o prof. João Baptista Fernandes Vidal, numa nota histórica sobre os baldios (mais tarde conhecidos por foros), quando foi aprovado o primeiro Código de Posturas da Junta de Freguesia, que aqui já referimos. Por isso é que ele refere que abaixo-assinados, representações e outros actos esbarravam sempre com aguma dificuldade de ordem legal, que terminou com uma ideia brilhante e muito simples; a compra pela Junta, à Câmara, dos baldios.
Hoje, a essa imensidão de hectares de terrenos e árvores não teve a interferência e apropriação, como aconteceu noutras freguesias, dos Serviços Florestais do Estado, que muito recentemente muita tinta fez correr, nomeadamente nos meios de comunicação social. De uma equipa de reportagem da Soberania do Povo, tivemos o previlégio de fazer parte, mesmo antes de Abril de 1974, quando calcorreávamos os trilhos e caminhos das serras da freguesia do Préstimo. O «chefe» dessa equipa foi Armor Pires Mota, que deu origem a um seu livro, que recebeu o título, como as reportagens feitas semanalmente, de «O Préstimo a caminho de Lisboa».

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Gravar a história

A história das placas


Há umas semanas atrás, fiz aqui um apontamento sobre as placas e a história que as mesmas podem conter e transmitir. Uma dessas placas foi a de Joaquim Soares de Sousa Baptista, que em 1935 foi colocada numa das capelas laterais da Igreja Paroquial. Como diz a placa, ali ficou gravado que a referida capela foi construída a expensas suas.
Dizia também, que para além da lápide sobre o órgão de SMI o Duque de Bragança, há uma outra, muito mais recente que está num local discreto e "meio escondido" logo no lado direito da entrada principal da igreja. Essa placa, que agora fotografamos e aqui trazemos diz o que a mesma transmite e que se pode ler com muita facilidade e clareza.
A mesma marca uma outra data na vida deste templo paroquial e que diz assim:

RESTAURAÇÃO
FEITA COM A AJUDA DE DEUS
COM A COLABORAÇÃO DO POVO
E DOS AMIGOS
1984 - 1989


Esta placa pretende assinalar as obras de conservação e restauro a que o templo da igreja paroquial foi sujeito durante este período de tempo. Era pároco o Pe. António Ferreira Tavares e é dele a autoria da redacção daquelas palavras. Por sinal enquadradas perfeitamente no espírito do que foi realizado. Não vale a pena dizer as coisas de outro modo. Foi assim, e pronto.
Essas obras, resuma-se, tiveram incidência na cobertura, que já permitia a invasão de humidades e água, do restauro dos principais altares, do tecto, da capela-mor, do pavimento e dos bancos, isto para resumir.
Porém, hoje, ao visitá-la, faço a comparação de que as obras de restauro da família Sousa Baptista, em 1935, tiveram uma vida de cerca de 50 anos, após os quais se realizaram estas em 1984. Mas passados cerca de 25 anos, já são visíveis deteriorações graves, ao nível das madeiras e dos dourados que, nalguns locais, se estão a transformar, por efeitos estranhos, ficando, nalgumas zonas, em vez de dourado, estãos os mesmos a adquirir uma acentuada e, para mim, estranha cor preta.
Não somos especialistas, nem estamos aqui para apontar ou resolver coisas de que não percebemos, tanto mais que certamente os actuais responsáveis conhecem. Por isso, não existe intenção, com tais observações molestar as boas acções e boas intenções das pessoas. Nem tão pouco chamar a atenção. As obras de conservação e restauro, no tempo que medeia desde as últimas, é relativamente curto. Porque necessita, a breve trecho, de uma atenção minuciosa para que não se deteriore ainda mais.
Repito: que não sejam levantadas erradas interpretações sobre o que acabo de expôr. Apenas se reproduz o que vimos.

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