sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Solidariedade - Madeira

Em louvor do Funchal



Ainda não tinha referido nada sobre a Madeira e, particularmente, do Funchal, além de outras localidades da ilha. Faço-o agora, impressionado pelo contraste existente entre o que era e o que agora vemos. Em baixo cito a fonte do texto e fotos.

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Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz.
As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia.

Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.



Encravado na forma de uma concha há cinco séculos, burgo marítimo de referência, com construção fantasiosa, o Funchal foi a primeira cidade europeia nascida fora da Europa. O resultado é um património humano e urbanístico únicos. Evoca, é claro, o modelo de algumas cidades continentais, mas já é outra coisa, como acontece aos territórios de fronteira. É uma cidade reservada e extravagante, cosmopolita e primitiva, enérgica e indolente. Tanto como outras, mas diferente, de uma maneira que é só sua. Por exemplo, em certas horas vazias, as inúmeras varandas terrestres espalhadas pelas encostas parecem colocadas num imenso navio como os que muitas vezes ali aportam, e sente-se (isto é real) que toda a cidade flutua.

O Funchal é, ainda que isso seja escassamente recordado, uma cidade literária, como Trieste ou Marraqueche: ali não apenas nasceram Edmundo Bettencourt, Cabral do Nascimento, Herberto Helder ou Ana Teresa Pereira, nasceram os seus universos.

Conta-se que o poeta António Nobre gravou a canivete numa árvore do Funchal: “sede de luz como que de relâmpagos”. Um dia, que esperamos não muito distante, chegará a luz.
Fonte:
José Tolentino Mendonça - Texto
© SNPC 25.02.10
SNPCultura - fotos

A Junta de Freguesia na história - 17

A Junta na implantação da República




Como já disse, há dois livros de actas que, em certa medida, se sobrepõem, criando alguma confusão, também porque não conhecemos mais para poder explicar melhor o que se terá passado.
A nossa curiosidade vai, no entanto, em procurar saber alguma coisa do que se terá passado em 1910, quando o regime Monárquico é substituído pelo regime Republicano. Prova da sobreposição dos livros de actas é esta que agora transcrevemos, de 16 de Outubro de 1910, e uma outra que é datada de 20 de Outubro de 1910 e, esta sim, faz referência à transição. Mas vamos deixar esta para posterior oportunidade, seguindo ordenadamente as respectivas datas. Assim, a primeira, de 16 de Outubro de 1910, parece que passa ao lado da existência de um novo regime político, embora saliente o ano «primeiro da Republica Portugueza» e diz o seguinte:

«Acta da sessão de 16 de Outubro de 1910»
«Aos dezasseis dias do mês de Outubro de mil novecentos e dez - primeiro da Republica Portugueza, pelas nove horas da manhã, nesta casa de despacho da Confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de Valongo do Vouga, se reuniram o juiz e vogaes da meza da mesma confraria, Albano Ferreira da Costa, António Simões Corredoura, José Simões Tavares, António Duarte Martins, Joaquim Luis Fernandes, os quaes se constituiram em sessão. E aberta esta pelo juiz, presidente, Albano Ferreira da Costa, ponderou este à junta, digo, à meza que, sendo já muito resumido o numero de confrades - numero que não excede a quinze - e não havendo quem assuma a gerencia dos negocios da confraria, a que todos se recusam, propunha que se requeresse a dissolução desta confraria e que à Junta de Parochia fossem averbados as respectivas inscripções, visto que a mesma junta não tem quasi rendimento algum para ocorrer às necessidades da Parochia. E a meza, tomando em consideração a proposta do sr. presidente, que é a expressão da verdade, deliberou immediatamente se remetesse copia desta acta a Administração do concelho para ter o devido destino, esperando que a auctoridade competente tomará na devida consideração o que fica dito. De tudo, para constar se lavrou esta acta, que vae ser devidamente assignada e que eu, João Baptista Fernandes de Souza, secretario, fiz escrever e subscrevo.»

(Seguem-se as assinaturas das pessoas antes mencionadas).

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Denunciamos, antes de mais, alguma ignorância para poder dar uma explicação sobre o que antes já suspeitava e que agora se confirma.
A Confraria do Santíssimo Sacramento não me parece que tivesse substituído a Junta de Parochia. Baseamo-nos no fica descrito acima, que era o facto da Confraria não poder subsistir, por ter menos de quinze confrades inscritos. Já li numa acta posterior, que aqui irei deixar ficar, respeitando as respectivas datas, que a certa altura havia apenas oito.
E a acta, perante esta realidade, diz «que se requeresse a dissolução desta confraria e que à Junta de Parochia fossem averbadas as respectivas inscrições.»
Mas aparece, quanto a nós, outra confusão, porque diz a acta, «visto que a mesma Junta não tem quasi rendimento algum para ocorrer às necessidades da Parochia.» Afinal onde estava a Junta: na Confraria ou na Junta de Parochia? E onde andarão as outras actas?
Desculpem a ignorância, mas não sabemos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Tempo das horas

Horas sagradas e o ritmo de trabalho


Antes das torres das igrejas serem decoradas com relógios, o que só se generalizou pelo século XV, o tempo era marcado pelo som das horas canónicas, tangidas pelo clérigo no sino, horas essas que o cristianismo recuperou da prática judaica de recitar orações a horas fixas do dia. Numa cadência de três horas, os sinos tocavam e anunciavam o momento de rezar, marcando assim o tempo religioso e o ritmo do trabalho.
Inicialmente destinava-se a servir de guia aos religiosos e monges de cada comunidade, assim como a todos os ordenados, dado que estes tinham de realizar, de forma ininterrupta, a oração da Igreja (louvar a Deus e pedir a salvação da humanidade). A vida consagrada, organizada com o monaquismo, tinha como objectivo máximo essa oração regular que assim se desenvolveu e aumentou, pois a ela eram dedicadas várias horas do seu labor. Seguiam para esse efeito o Breviário, livro que, de uma forma breve e prática, condensava todos os textos necessários para esses ofícios divinos.
Essas horas, distribuídas na sua forma inicial por oito tempos, tinham os seguintes nomes: matinas (meia-noite); laudes (três da manhã); prima (seis horas); terça (nove horas); sexta (meio-dia); noa (três da tarde); vésperas (seis da tarde); completas (nove da noite/depois do pôr-do-sol). A cada uma destas horas correspondia um conjunto de orações.


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Para além do exposto, vai encontrar um interessante artigo, com origem no SNPCultura, aqui...
Porque saber não ocupa lugar...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pequenas Mensagens-Grandes Lições

Dailai Lama - Uma lição de vida




Respondeu assim à pergunta: «O que mais o surpreende na Humanidade?»


«O que mais me surpreende são as pessoas, porque perdem a saúde para juntar dinheiro e, depois, perdem o dinheiro para recuperar a saúde....

Porque pensam ansiosamente no futuro e esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver nem o presente, nem o futuro...

Porque vivem como se não tivessem de morrer e morrem como se nunca tivessem vivido»

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Já tinha lido algures (não me perguntem onde, mas sei que, talvez, por aqui nas leituras internautas tenha visto) esta frase do líder espiritual do Tibete, impedido pelos Chineses, de exercer o seu múnus.
Estas palavras reli-as e pode vê-las num artigo de opinião de D. António Marcelino (Bispo Emérito de Aveiro) no Correio do Vouga, na secção opinião, com o título «Pensamentos que pode ajudar os distraídos» clicando aqui...

As nossas coisas

Grupo Típico "O Cancioneiro de Águeda"


Além de Associação, é uma grande Instituição. Como outras que cá temos! Uma Instituição que marcou e marca o tempo de preservação de costumes e tradições e cantigas do povo. Felizmente que o concelho está bem recheado delas, das quais ninguém se esquece, mas enaltece.
Andei por aqui a mexer e dou com um livro que, pelo seu conteúdo, serviu de patamar para uma deslocação aos Estados Unidos da América, mais concretamente à cidade de Newark, nos dias 6, 7 e 8 de Junho de 2003. Esta deslocação inseriu-se nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
É pena que este livro não tenha indicações concretas desta iniciativa em datas e em títulos, para melhor identificar e colocar na história. Porém, ao lê-lo, na página sete temos um testemunho do nosso conterrâneo Jorge Fernandes, além de outros testemunhos interessantes, cuja página aqui deixamos digitalizada e que diz o seguinte:
....
«A cultura de Águeda, representada pela música, as danças e os cantares das suas gentes, são para nós motivo de orgulho. Quando estamos longe, a saudade é grande e, se alguém nos recorda as imagens da nossa Terra, esse orgulho ainda é maior e faz-nos vaidosos de pertencermos à cidade que o poeta chamou de "ÁGUEDA-A-LINDA".
A notícia que o vosso grupo gostava de vir aos Estados Unidos deixou-nos, desde a primeira hora, muito sensibilizados a pensar no que poderíamos fazer para que o nosso sonho se tornasse realidade.
O dia chegou e é com muita honra que convidamos o "CANCIONEIRO DE ÁGUEDA" a estar presente nas maiores comemorações do DIA DE PORTUGAL que se realizam na cidade de Newark, nos dias 6, 7 e 8 de Junho próximo.
A estadia será em casa de famílias aguedenses que vos irão receber com muito carinho.
A vossa participação nas referidas comemorações começa com um Festival de Folclore no Sábado dia 7 de Junho, onde irão actuar Grupos de Portugal e outros da Comunidade Portuguesa aqui radicados.
Com votos das maiores felicidades para todos que, com dedicação, fazem parte de "O CANCIONEIRO DE ÁGUEDA".

O Presidente da Direcção de
Núcleo Humanitário de Águeda
a) - Jorge Fernandes»

Nota: - Esta nota concerteza que apenas servirá de recordação de uma data e uma iniciativa do Núcleo Humanitário de Águeda em Newark, de cujos Órgãos Sociais o Jorge Fernandes fez parte em vários cargos.

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Este livro tem no alto de todas as suas páginas esta citação: «Se houvesse de fazer-se algum dia a caricatura de Águeda, bastaria figurá-la assim: Uma nota de música com foguetes na cauda». (Do livro "Águeda" de Adolfo Portela).

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -

Como antes disse, acabamos de transcrever os dados sobre o trabalho de escavações realizadas neste local do concelho de Águeda, freguesia de Lamas do Vouga. Penso que nada melhor do que realizar um encerramento com as digitalizações possíveis e que não se tornem fastidiosas, face à sua quantidade. Deste modo, e mesmo existindo edição de duas publicações sobre a Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, de que a última data de 2002 - como se refere na justificação inserida na página 5, e acrescenta-se: «e tendo presente que esta conheceu duas reposições, sem quaisquer alterações, tornava-se imperativo, face aos desenvolvimentos ulteriores verificados e aos conhecimentos adquiridos, dotar este Imóvel de Interesse Público, de uma nova publicação que, em dia, informasse todos os potenciais visitantes e/ou interessados no património da sua terra, do ponto e do conhecimento em que se encontra a investigação sobre este admirável, quanto único, sítio arqueológico.»
Assim, para o encerramento digno do que aqui registamos, deixamos uma digitalização da capa e contra-capa do «Guia da Estação e do Visitante», bem como quatro postais com elementos arqueológicos ali encontrados, editados, tanto aquele, como estes, pela Câmara Municipal de Águeda.





terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Händel

Hallelujah
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Se não tivesse reparado nalguns colegas bloguistas, mais atentos que eu, não sabia que hoje, dia 23 de Fevereiro, é uma data histórica que assinala o nascimento do grande músico Handel.
Apenas para registar este facto, aqui se deixa uma amostra de uma obra prima musical de sua autoria, muito conhecida e admirada pela sua beleza.

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -

Uma economia e uma sociedade à escala do Império


Guia da estação e do visitante
No capítulo anterior, sobre economia do local do Cabeço do Vouga, terminamos em algumas explicações que definiam os aspectos da vida económica, dizendo que «um outro indicador bem significativo da sociedade e da economia romana, que acompanha de perto a romanização dos povos pré-romanos: a moeda». Vamos continuar a transcrever este guia do visitante, a partir da página 51, que refere:

«Embora não desconhecida anteriormente, já que os gregos também a utilizaram, é porém com os Romanos que se assiste à sua maior difusão, podendo-se mesmo afirmar que a sociedade romana é uma sociedade monetarista, na medida em que a moeda, para além da sua função de prestígio, era também um símbolo de poderio económico. As próprias transformações que a moeda sofre, ao longo do tempo, assim como a abundância e/ou a escassez da mesma, são sintomáticas do desenvolvimento ou do estrangulamento da economia romana à escala do Império.
No sítio arqueológico da Mina, está também documentada a existência de espécimes numismáticos, tanto em bronze, como em prata. Identificados até à data, existem apenas numismas tardios, dos séculos III e IV, do mesmo modo que apenas se conhece um pequeno tesouro de moedas de prata, constituído por quatro moedas.


Para além destes itens que nos revelam o quanto a comunidade pré-romana do Cabeço do Vouga se vai integrando cada vez mais no mundo romano, encontram-se também as expressões dos aspectos simbólicos e religiosos comuns à sociedade romana.

Fragmentos de estatuária em mármore - uma perna e um pé - assim como vasilhame de libações e dedicados às Musas (Museae) revelam-nos alguns dos aspectos da religiosidade das populações que aqui viviam, por alturas do séc. III/IV, tendo erguido mesmo um templo, como o documenta a estatuária monumental, em mármore e os grandes silhares talhados, em arenito.
Pese todo o desenvolvimento alcançado, este mundo acabará por entrar em colapso, à semelhança do que se passou em outras áreas do Império, também ele em decadência.»

E termina assim este guia, descrevendo o seguinte na página 54:
«Por alturas do séc. VI/VII, a população que aqui existia vai-se mudando para sectores da paisagem com melhores condições de sobrevivência, dado o estrangulamento económico que agora se começa a viver, à falta das anteriores redes comerciais, devido à instabilidade instalada, o que conduz à ruralização da economia.
Estas economias de exclusiva base agrícola e/ou agrícola e pastoril, estarão na origem dos pequenos aglomerados populacionais que se vão formando em redor de igrejas e/ou mosteiros nascentes, ou ainda em torno dos poderosos terra tenentes militares, como forma de salvar a sua vida, constantemente ameaçada pela fome e pelas razias militares.
Serão estes pequenos aglomerados populacionais que darão corpo a muitas das villas medievais, percursoras de algumas das nossas actuais freguesias, dado que outras se extinguirão com o tempo.
Pelo seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»


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Como acima se refere, termina assim o «guia da estação e do visitante» da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, que ao longo de alguns post's aqui fomos transcrevendo.

De todo este conteúdo, nada temos a comentar, por, como se compreende, não termos a preparação e conhecimentos que esta situação sugere e impõe. Mas seja-nos permitido um pequeno reparo; não consigo perceber (e agora o seu autor não é vivo para nos explicar) o sentido da frase final quando se refere à extinção, com o tempo, de uma grande parte das coisas e das pessoas, e, «por seu lado, o Cabeço do Vouga entrará no esquecimento!»

O nosso propósito bloguista é o de «contar e mostrar o que existe em redor». A intenção foi e é divulgar todo um acervo de factos e de história, dos quais não se sabia, creio, o suficiente e que em certos aspectos foram recriados, descobertos e historiados com os trabalhos arqueológicos que ali foram desenvolvidos.
Os trabalhos da especialidade foram dirigidos pelo Engº Fernando Augusto Pereira da Silva, que residiu aqui ao nosso lado, tendo falecido inesperadamente na noite de 22 para 23 de Janeiro findo, como aqui focámos na devida altura e a quem se fica a dever a existência deste guia, com o patrocínio e o investimento da Câmara Municipal de Águeda, durante o mandato do Dr. Gil Nadais.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Junta de Freguesia na história - 16

O Termo de Encerramento do livro de actas da Confraria do Santíssimo Sacramento da freguezia de Vallongo

Mesmo antes de finalizar a série sobre a «Junta de Freguesia na história» cumprindo-se ainda a ortografia que na época se utilizava, não resistimos em dar a conhecer a digitalização do termo do encerramento do livro "destinado para as actas e deliberações da confraria do S.S. Sacramento da freguezia de Vallongo", pelo qual foi paga a quantia de 40.600 reis, em 17 de Julho de 1907, com ainda três selos, como se pode ver, de 20 reis cada um. Aqui fica o documento para os curiosos destas coisas.
Já temos em nosso poder algumas indicações das actas aquando da implantação da República, que as apresentaremos seguindo uma ordem cronológica da sua consulta e das datas dos acontecimentos.





A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sitio da Mina -

Uma economia e uma sociedade à escala do Império


Guia da estação e do visitante
Retomamos a transcrição do guia da estação e do visitante, editado pela Câmara Municipal de Águeda, como resultado final dos trabalhos de escavações levados a efeito desde há pouco tempo naquele local. A partir da página 48, retomamos estas descrições de factos.
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«A distinção de uma olaria de cozinha - fogo - e uma olaria de mesa começa a instilar-se e a fazer todo o sentido, sinal de que a sociedade estava a adaptar-se aos novos hábitos e costumes.
A par desta olaria local e/ou regional, assiste-se à introdução via importação, de uma baixela de luxo, de fabrico a molde, com pastas e surperfícies de qualidade nunca vista, decorada ou não mas em que a marca da oficina/proveniência constituía um verdadeiro cartão de identidade - a Terra sigillata, como é conhecida esta produção cerâmica de luxo, é uma das marcas significativas da romanização dos povos pré-românicos.
Mas a olaria não se resume a esta baixela de mesae/ou de cozinha. Um outro vasilhame, este de transporte a longas distâncias - ânforas - está excepcionalmente documentado no sítio da Mina, provando, se dúvidas houvesse, que o comércio de mercadorias a longa distância, teve aqui "clientes" asuficientes para justificar a importação do vasilhame e respectiva mercadoria: vcinho, azeite, garum.
A sociedade do Cabeço da Mina, nesta época, não difererira muito, por certo, das outras comunidades em que a influência romana se fazia igualmente sentir e, por tal razão, também os seus hábitos, fossem eles alimentares ou mesmo estéticos, se foram alterando com o tempo - questões de enquadramento num mesmo mundo, o sentido de pertença a algo ou ainda o sentido da oportunidade e/ou da "modernidade".
O vidro é também uma matéria-prima de uso quotidiano e que aqui se encontra, se bem que em estado muito fragmentado, dada a fragilidade inerente do material.
É sobretudo ao nível do adorno que o vidro tem uma expressão mais significativa: contas perfuradas de tonalidades - predomina a cor azul - e formas variadas constituem, até à exaustão, um dos intens ergológicos mais significativos em pasta vítrea.
Mas os acessórios de adorno conhecem ainda outras expressões como as aplicações em metal, bronze e ferro - fíbulas e fivelas - a par de alfinetes de cabelo, assim como anéis, em bronze e ouro, com incrustações de pedras semipreciosas.
Paralelamente a todoas estas expressões da cultura romana bem identificadas no sítio da Mina, existe um outro indicador bem significativo da sociedade e da economia romana, que acompanha de perto a romanização dos povos pré-romanos: a moeda.»
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Terminamos este capítulo com a moeda, tema que será abordado em próximo capítulo. Com todas estas publicações que apenas teve por objectivo contribuir também para sua divulgação, estamos quase a acabar este documento que muito ajuda a perceber as escavações e a história da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - Sítio da Mina - que entretanto foi descoberto e divulgado a ponto de receber, aos fins-de-semana, bastantes visitas, em autocarro.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Junta de Freguesia na história - 15

A Confraria do Santíssimo Sacramento

Vista parcial da Igreja Paroquial, onde, nos seus anexos, funcionou a Junta de Freguesia

Há já uns tempos que não nos dedicamos a publicar as coisas que se passavam na Junta de Freguesia, Junta de Parochia (como se designava desde o finais do século XIX), pois também não nos tem sido possível vasculhar as actas antigas (porque mais antigas que desde os fins do século XIX também não as encontramos na Junta, porquanto estamos em crer que elas deviam existir) e trazer aqui alguns factos que, pelo menos, se nos apresentam pitorescos ou com alguma curiosidade relativamente aos acontecimentos que estas actas narram. E por elas tentar descortinar alguns factos da vivência das pessoas e dos problemas existentes.
Vamos continuar a desvendar alguns desses acontecimentos e reiniciamos esclarecendo que na Junta houve o cuidado de numerar os livros consoante a ordem das respectivas datas e anos.O livro a que nos temos referido, possui uma etiqueta com o nº 1. Logicamente, vamos à procura do livro nº 2. Ao conteúdo do primeiro já nos referimos nas coisas essenciais e mais marcantes que nele encontramos. Agora estamos no livro nº 2.

Na capa, este livro apresenta-se com um rótulo antigo do qual se transcreve o seguinte:

«Livro das actas e deliberações da Confraria do Santíssimo Sacramento da freguezia de Vallongo d'este concelho d'Agueda.»

No interior surge o que a seguir transcrevemos:

-- TERMO DE ABERTURA --
Há-de servir este livro para n'elle se lavrarem as actas das deliberações da Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguezia de Vallongo, d'este concelho, e leva no fim o seu encerramento. ---------------------------------------

Administração do concelho d'Agueda, 14 de Julho de 1907
O Admninistrador do concelho,
Mateus Pereira Pinto

Agora temos a Junta ligada à Irmandade do Santíssimo Sacramento. E penso que isto era assim ao tempo, uma vez que as «Juntas de Parochia» eram presididas pelo Pároco que estivesse ao serviço da mesma. Mas sendo a designação esta que se apresenta, o termo de abertura é do Administrador do Concelho, factor não encontrado nas actas anteriores. Por isso a Junta, embora com a designação do Santíssimo Sacramento, continuava a ter as suas funções definidas, no que a sua junção à Igreja dizia respeito, pela lei vigente. Vamos ver, mais tarde, o que se passou com a implantação da República.
Mas nota-se existir um pequeno problema desfazado no tempo. Como acima se diz, o termo de abertura do livro indicado como sendo o nº 2, data de 14 de Julho de 1907 e a primeira acta deste livro é de 18 de Julho de 1907. Nada a estranhar ou em desalinho. Mas a última acta do livro nº 1 tem a data de 15 de Dezembro de 1907, o que, em paralelo com as datas do livro nº 2 de 14/7 e 18/7/1907, faz-se notar um desfazamento. Ou então umas e outras actas, nos respectivos livros nada têm a ver entre si, num contexto de raciocínio lógico. E é curiosa esta redacção, com que se inicia a acta do livro nº 2:

«...nesta casa de despacho da Confraria do Santíssimo Sacramento da freguezia de Vallongo, estando nesta reunidos o juiz Antonio Rodrigues de Mello Rocha e os vogaes da meza José Simões Tavares, Joaquim Gomes dos Santos, constituiram-se em sessão sob a presidência do primeiro.»

E esta acta menciona não o presidente como sendo o pároco, que entretanto foi substituído pelo padre Celestino de Almeida Branco, cremos que por motivos de doença, mas o Juiz da Irmandade, Antonio Rodrigues de Mello Rocha, continuando como secretário João Baptista Fernandes de Sousa, que já o era nas actas do livro nº 1, ou seja na Junta de Parochia, presidida pelo pároco Rev. padre João António Nunes Callado.
Vamos continuar a tentar trazer a descoberto algumas facetas históricas do início do século XX.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ódio gera ódio

Gestos que traduzem vida e fazem a história



No meio da mediocridade e da luta acirrada pelo seu prestígio, surgem pessoas, humildes e discretas, grandes de seu tamanho interior, com gestos lindos que são sinal de uma vida e de um humanismo que redime misérias. A história não grava todos os nomes, muitos heróis anónimos, mas constrói-se com o contributo de todos eles.
Nelson Mandela foi, durante anos, cidadão de segunda no seu país. A mais não lhe permitia a cor da pele. Empenhou-se numa luta difícil e perigosa contra a discriminação racial, que era a lei anti-humana da sua terra. Foi preso. Esteve vinte e sete anos numa prisão, onde ele e os seus companheiros eram, diariamente, humilhados e maltratados.


Artigo de D. António Marcelino
Pode ver no «Correio do Vouga», secção Opinião, por aqui
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Nota: - Já há dias no «Trangalhadanças» fiz uma referência noticiosa a Nelson Mandela, na altura da comemoração do aniversário da sua libertação e de ter convidado o carcereiro que foi durante o seu cativeiro. Nem de propósito esta opinião expressa por D. António Marcelino àcerca deste facto. Quanto a esta transcrição espero bem que D. António Marcelino me releve este abuso de também ser arauto das suas próprias palavras e pensamentos.

Eclesialmente

Passo a rezar: Que este Deus que é próximo se faça realmente próximo



“Que este Deus que é próximo se faça realmente próximo”: este o principal objectivo do site http://www.passo-a-rezar.net/, que foi apresentado esta 4.ª feira em conferência de imprensa, em Lisboa.
“Os números são absolutamente impressionantes: entre ontem à noite e hoje de manhã tivemos cerca de 30 mil páginas vistas”, referiu o jesuíta Francisco Martins ao pronunciar-se sobre o número de acessos nas primeiras doze horas.
O impacto do projecto, comprovado por notícias em diversos meios de comunicação social e pela presença, durante o encontro, de duas estações de televisão nacionais, superou as expectativas.
Esta “potencialidade mediática” é explicada pelo aparecimento de uma “forma nova” de rezar. “A ideia – explicou o religioso – tenta conciliar a oração pessoal com as novas tecnologias”, respondendo a uma “vida urbana contemporânea” marcada pela “mobilidade”. “Deus não está só nas igrejas”, assinalou Francisco Martins. “O lugar sagrado é o espaço que habitamos”.





In SNPCultura que está aqui

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- sítio da Mina -


Guia da estação e do Visitante

Em resultado da edição deste guia, pela Câmara Municipal de Águeda, continuamos a transcrever o que diz respeito a este capítulo que foi titulado de:

Uma economia e uma sociedade à escala do Império
«No Cabeço da Mina, as expressões da romanização não se reduzem à monumentabilidade das suas arquitecturas, mas também aos fragmentos de itens arqueológicos que, desde longa data, chamaram a curiosidade de quantos por ali passaram e que, de certo modo, estiveram na origem dos trabalhos pioneiros de 1941.
O mundo romano é, efectivamente, notório nos seus vestígios, dado que normalmente as suas diversificadas expressões assomam à superfície, por contraste directo com as culturas anteriores.
Daí que não se conheça sítio e/ou local romanizado em que vestígios arqueológicos, tais como tegulae e imbrices, entre outros elementos da cultura romana, não dominem os espaços "abertos".
Tais itens são, porém, apenas uma pequena parcela, que não a mais significativa da economia e da sociedade romana, dado que todo um conjunto de itens ergológicos de finalidades diversas são característicos de uma sociedade tão complexa como a romana, com a sua rede de relações a longa distância.
No Cabeço do Vouga, sítio da Mina, toda a parafernália de objectos de uso doméstico e/ou quotidiano, de fabrico local e/ou regional e de importação estão exaustivamente documentados.
Começando pelos edifícios, assiste-se à aplicação paulatina de telha de barro - tegulae e imbrices - nas coberturas, substituindo a tradicional cobertura de ramagens e/ou colmo, mais susceptíveis de fogos e incêndios; nos pavimentos começa a generalizar-se o uso do ladrilho de barro ou later, substituindo o chão de terra batida ou pisoada.
A olaria de uso doméstico é não só enriquecida com todo um conjunto de novas formas e concomitantes funções, além de que o torno do oleiro passa a ser introduzido, pelo menos na sua versão não lenta, o que permite uma maior rapidez de fabrico de vasilhame cerâmico mas, também, uma qualidade mais acentuada das peças.»

(Continua)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Os nossos cantinhos

Casas antigas - Aguieira

Aspecto geral da Quinta da Aguieira

Mantendo-nos fieis ao lema de «Contar e mostrar o que existe em redor», hoje, com a ajuda do "Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro - Zona Sul - Academia Nacional de Belas Artes - Lisboa, 1959", referimos que esta obra histórica e no que à freguesia diz respeito, indica ali a definição de umas casas antigas, casas essas seiscentistas. Penso que já não existem tal como a obra histórica as define, salvo, talvez, uma que fica do lado esquerdo antes de chegar à casa que antecede o Café S. Miguel, que seria a chamada casa do Dr. David, que lá residiu e cujos descendentes penso que vivem no Porto. São meras suposições que agora ao correr do teclado nos vem à memória extensa de coisas que se vão esfumando. Porque não cuidei de pesquisar convenientemente.

Detemo-nos um pouco sobre a história da casa da Quinta da Aguieira e da sua capela, cuja obra citada diz o seguinte no que concerne a esta propriedade:

«A casa dos viscondes de Aguieira (título criado em 1872), vasta e com capela, é de tipo corrente no século XIX.
A capela, posto que a frontaria seja moderna, conserva o interior antigo. O milésimo de 1735 na porta da sacristia deve ser o da sua data média. Dessa primeira metade do século XVIII é o tecto e a pintura; dividido em nove caixotões e estes ocupados com cenas da Paixão, de tipo corrente. O sub-coro tem pinturas de rótulos encerrando emblemas igualmente da Paixão.
O retábulo, ainda da primeira metade setecentista, fase D. João 5º final, de madeira entalhada, é de certa categoria e conserva a douradura em bom estado. Formam-no dois pares de colunas salomónicas com grinaldas no cavado e sem divisão de terços, enquadrando composição de altas aletas, que abriga pequena escultura da titular, Nossa Senhora do Bom Despacho (Virgem e o Menino), do mesmo tempo. Duas outras esculturas datam do mesmo século, S. João Baptista e Stº António, que tem saca de esmolas.
Crava-se no chão a campa de D. Maria Eufrásia Pacheco Teles (1690-1758), mandada renovar pelo bisneto, o primeiro visconde; foi esta senhora a instituidora da capela.
O brasão da mesma capela é do século passado [XIX, na linha da data da obra que acima citamos]; esquartelado de Figueiredos, Pachecos, Teles e Morais.»

Dada a primazia que colocamos neste blogue, em «contar e mostrar o que existe em redor», como acima se refere, creio ser de primordial importância a citação deste naco de história no conteúdo deste blogue, o que, creio, todos estaremos em concordância.

Nota: - Ainda de evidenciar que esta Quinta da Aguieira tem dois brazões. O que antes se descreve, que está encimado na frontaria desta capela, bem como um outro, cuja fotografia aqui deixamos, que se encontra cravado na parece do lado sul, na entrada do portão que dá para o jardim principal. Não encontramos e também não pesquisamos a sua origem e significado. Talvez numa altura oportuna o façamos...

De notar ainda que a titular da capela - Nossa Senhora do Bom Despacho - está citada (como não podia deixar de ser - no livro de «O Culto a Maria na Diocese de Aveiro» da autoria do Pe. Domingos Rebelo, com edição do Movimento dos Cruzados de Fátima-Secretariado Diocesano de Aveiro, Dezembro de 1989, pág. 42, que diz assim:

«...os teus filhos hão-de nascer entre dores. (Gén. 3,16).»
«Confiando no poder intercessor de Maria, as mães, na hora de dar à luz, recorrem à nova Eva.»
«É padroeira da capela de Aguieira (Valongo do Vouga)».

Neste caso, o Pe. Domingos Rebelo ao mencionar a capela de Aguieira pode induzir que seria a capela de S. Miguel. Ficaria ali melhor que é «titular da capela da Quinta da Aguieira», uma vez que, assim, o lugar tem duas capelas, uma delas particular.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Coisas da Guiné - 24

Vídeo de Aniversário do blogue Camaradas da Guiné


Este vídeo, de acordo com o título que lhe deram, foi montado por camaradas que estiveram na Guiné, como eu. Ele faz parte do blogue hhtp://blogueforanadaevaotres.blospot.com, do qual faço parte como tertuliano (termo muito usado entre nós) e como colaborador. Além de membro da tabanca (Tabanca é a palavra indígena que significa aldeamento, agrupamento de moradias, na nossa linguagem, uma espécie de aldeia). Todos os que fazem parte dele, obedecendo a regras simples de ética, no qual todos, como ex-militares, se tratam por camaradas e por tu. Não há, agora, hierarquias militares, postos militares, e coisas do género. Pertence ao passado. São necessárias duas fotos, uma como militar e outra actual, a unidade militar, os locais da Guiné por onde passou e algumas histórias, de preferência ilustradas com fotografias é o ideal. Por lá estão já algumas dezenas das minhas «estórias» e de outros camaradas que comigo colaboravam. Neste vídeo também lá estou, quase a meio do vídeo, um tipo em cima de um morro de baga-baga alto e que mal se reconhece, por isso mesmo. Chegado a esse local onde estou, basta clicar no vídeo para parar. Deixo esta relíquia para quem tenha vontade de ver. A montagem é excelente e não podia ser mais lento porque os envolvidos também são muitos.

Valongo do Vouga

O que somos. Como somos


Estava a tentar "arrumar" um conjunto de apontamentos que tenho sempre por aqui, a verificar a sua utilidade, a rasgar e deitar para o lixo aqueles que já não me interessavam, quando passo os olhos sobre um conjunto de números que achei curiosos e que pretendo partilhar com os nossos bloguistas e visitantes.
Não é nada de novo que as pessoas não conheçam ou não saibam na generalidade. Mas de uma forma específica, pormenorizada, penso que não haverá alguém que se dê à pachorra de discorrer e encontrar o que quero apresentar-vos àcerca da freguesia. Então vamos lá a ver.
.....
A freguesia de Valongo do Vouga, como dizia já há muito tempo - anos 70-80, na Soberania do Povo - e como também disse aqui, é a maior freguesia do concelho em área. Eis as áreas por ordem decrescente:
- Valongo do Vouga, 43,7 Km2
- Águeda, 41,6 Km2
- Agadão, 40,8 Km2
- Macinhata, 40 Km2
- Préstimo 36,4 Km2
- Castanheira, 31 Km2
- Aguada de Cima, 30 Km2

Estas áreas territoriais são as mais destacadas. As freguesias de menor área, em ordem crescente, são as seguintes: Ois da Ribeira (3,8Km2), Lamas (4,6Km2), Aguada de Baixo (4,7Km2), Segadães (5,4Km2), Trofa (6,2 Km2), Barrô e Macieira de Alcoba (7 Km2), Recardães (7,9 Km2), Travassô (8 Km2) Borralha (8,6 Km2), Fermentelos (9 Km2), Espinhel (11,4 Km2) e Belazaima do Chão (19,8 Km2).

Quanto à densidade populacional, segundo os Censos de 2001, a freguesia de Valongo do Vouga, entre as chamadas freguesias rurais, também dizia, como acima refiro, é a de maior número de habitantes, estando assim ordenadas:
- Águeda, 11.335 habitantes
- Valongo do Vouga, 5.002
- Aguada de Cima, 3.955
- Macinhata, 3.581
- Recardães, 3.312
- Fermentelos, 3.147
- Espinhel, 2.798
- Trofa, 2.678
- Borralha, 2.223
- Barrô, 2.046

A a seguir a estas e com menor densidade populacional, estão as seguintes freguesias do concelho, também pela mesma ordem:
- Travassô (1.729), Aguada de Baixo (1.701), Segadães (1.204), Préstimo (922), Lamas do Vouga (762), Óis da Ribeira (721), Castanheira (706), Belazaima do Chão (588), Agadão (496) e Macieira de Alcoba (110).

Claro que com estes números várias conclusões e considerações se poderiam realizar. Deixamos isso para os especialistas. Quanto a nós é apenas uma curiosidade informativa da região que deixamos registada.

Fonte: Alguns sites e Câmara Municipal de Águeda

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -


Da "conquista" ao domínio romano



Guia da estação e do visitante
Continuamos, como sabe, a respigar do Guia da estação e do visitante, as publicações sobre as construções do que resta da estação arqueológica do Cabeço do Vouga - sítio da Mina - em Lamas do Vouga, cujos trabalhos arqueológicos realizados resultaram nesta publicação. Diz assim, a partir da págína 43:

«A "fragilidade" desta obra, pese a boa intenção construtiva, constata-se mesmo ao nível das pilastras internas as quais assentam, também elas, no afloramento de arenito mas, em alguns pontos de contacto com o muro, estão completamente desligadas, sem travamento algum, para já não se falar que os seus "alicerces" são, no mínimo risíveis - grosseiros e desconexos, assentes sobre o afloramento arenítico de base, sem argamassas visíveis ou, quando observáveis, de má qualidade e em que os blocos grosseiramente aparelhados, não aparentam deter uma ideia construtiva consentânea com a "responsabilidade" que um projecto arquitectónico deste tipo exigiria.
Com as abóbadas de eixo vertical, este muro duplamente pilastrado teve uma função de contraforte, reforçando a plataforma original; contudo, criou um espaço intermédio, diga-se de circulação, eventualmente destinado a funções práticas, mas que se desconhece exactamente a sua utilidade - refira-se que é um espaço deambulatório que ainda não houve oportunidade de estudar em pormenor, e daí que a sua função se continue a manter desconhecida - nas escavações antigas, anos 40, este espaço serviu de depósito ao material construtivo romano: tigulae e lateres, fragmentados constituem um verdadeiro aterro de difícil análise arqueológica!
A título de informação prévia, diga-se que se trata de um espaço sobre o qual se mantém interrogação, obviamente, mas para o qual, sem estudo específico, se propõe até estudo, uma utilidade funcional - loggia? - (espaço comercial/de armazenamento de vitualhas?), é apenas uma hipótese de trabalho, até posterior confirmação.
Deste conjunto arquitectónico, o que ressalta é a sua imponência com objectivos específicos: reforçar a plataforma augustal que deveria estar em colapso, devido à pressão dos volumes arquitectónicos existentes e a que se quereria adicionar novas volumetrias, donde a necessidade de a reforçar, como medida de segurança.»


A seguir: - Uma economia e uma sociedade à escala do Império

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante
Continuamos a focar aspectos da construção da estação arqueológica do Cabeço do Vouga, cujos pormenores estão descritos no «guia da estação e do visitante» editado pela Câmara Municipal de Águeda. Avançamos um pouco mais e pela sua curiosidade iremos abordar esta descrição até ao fim. De outro modo, ficaria este trabalho incompleto e sem ligação. A partir da página 41, diz-se:

«Também na aplicação das argamassas - à base de cal e areia (o grão de areia utilizada é de fino a médio, predominando este último, o que demonstra a utilização de um aglutinante de sofrível qualidade) - se revela um trabalho muito pouco cuidado, sem preocupações de qualidade, o que de certo modo é sintomático da pouca exigência na execução da obra de arte mas, também sugere que estas abóbadas de eixo vertical não foram construídas com a finalidade de serem visíveis do exterior mas sim a de ficarem "soterradas", a coberto da plataforma e respectiva massa do aterro, distantes portanto da vista do comum das gentes.

Estas construções têm indubitavelmente uma função técnica, a de reforçar a plataforma no ponto em que era exercida uma maior pressão pelo aterro e respectivas construções, dado mo desnível acentuado do terreno, de cerca de 5 metros.
A construção destas quatro abóbadas - cinco, hipotéticas, não é risível dada a elevação orográfica - de eixo vertical, não foi contudo julgada suficiente visto que um outro reforço ou contraforte foi edificado.
A uma distância de pouco mais de 4 metros, para o interior da plataforma, os mestres pedreiros levantaram um paramento rectilíneo, paralelo ao muro ocidental daquela, duplamente reforçado por oito pilastras em posições equidistantes.
Trata-se também de uma construção em aparelho de opus incertum, mas mais cuidado - na superfície voltada ao corredor agora criado - que aquele que se encontra nas abóbadas de eixo vertical, se bem que a face interna, onde encostavam as terras do aterro da plataforma, apresente também um certo desleixo construtivo.
Esta pouca exigência ao nível da construção deste contraforte, de modo idêntico ao que encontramos nas abóbadas de eixo vertical, refecte-se na ausência de quaisquer alicerces e na sua ligação ao paramento norte da plataforma.
No primeiro caso, este reforço mural assenta directamente sobre o afloramento de arenito; por outro lado, a junção com o muro norte da plataforma foi feita, simplesmente, encostando-o àquele, sem qualquer ligação estrutural, nem argamassas aí foram aplicadas.»

Admitimos que no próximo capítulo se termine com a descrição das construções que as escavações e respectivos estudos revelaram.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante

A partir da página 39, deste guia, uma edição da Câmara Municipal de 2008, e como se dizia no capítulo anterior, continuamos as apreciações sobre as construções que ali existiram. Assim:

«Uma dessas soluções arquitectónicaas consistiu na construção de quatro corpos semicilíndricos que, embora com sinais evidentes de degradação, foram adossados à face interna do paramento oeste do muro da plataforma.

Várias designações lhes foram dadas ao longo do tempo: desde "bastiões", ao jeito militar, até serem considerados como alicerces de casas circulares, passando pela designação de "nichos" de estatuária ornamental, como se de uma fachada monumental se tratasse.

A designação mais feliz, até porque técnica é, sem qualquer dúvida, é a de "abóbadas de eixo vertical", o que é efectivamente a designação mais acertada para tais estruturas arquitectónicas.
Construídas em opus incertum, conheceram grande difusão a partir do séc. I - época de Augusto - contudo, aqui e a partir dos numismas em bronze, associados a tais estruturas, a sua construção é bem mais tardia, datando do séc. III d.C.
Na sua construção, os pedreiros foram pouco escrupulosos já que para o mesmo tipo construtivo não souberam aplicar as mesmas dimensões, pese por certo a existência de um mesmo "módulo" arquitetónico, previamente estabelecido, como era apanágio de engenheiros e arquitectos romanos.
Por outro lado ainda, na construção aplicaram elementos pétreos a esmo, sem qualquer tratamento das superfícies, recorrendo à reutilização de materiais de outras épocas, como fragmentos de mola manuaria e, como se não bastasse, os alicerces das abóbadas de eixo vertical assentam directamente sobre o afloramento arenítico, sem alicerce algum, tendo os pedreiros optado apenas pelo espessamento das bases, tipo rodapé alteado e encostando-as, literalmente, à face interna do muro da plataforma original - muro oeste.»

Concluimos este capítulo, com mais uma série de descrições alusivas às construções romanas existentes no sítio da Mina. Proximamente abordaremos outros aspectos no seguimento das mesmas construções.

Eclesialmente

Morreu o bom Samaritano


Foi sepultado na última Quinta-feira, 4 de Fevereiro, Elazar ben Tsedaka ben Yitzhaq, 131º sumo-sacerdote da sua comunidade desde Aarão, segundo a tradição samaritana.
Os samaritanos são descendentes da comunidade mencionada na Bíblia. Uma das referências mais importantes a este povo está presente na parábola do bom samaritano, contada por Jesus no Novo Testamento (Lucas 10, 2-37).
Partilhando a ascendência abrâamica com os judeus, separaram-se contudo por razões teológicas antes do exílio da Babilónia. Por causa da sua origem semi-pagã não eram bem vistos pelo judaísmo, que evitava contactos com eles. Na narrativa evangélica, o samaritano é valorizado no confronto com as outras duas figuras do templo de Jerusalém.
Em parte devido às rigorosas leis que proíbem o casamento misto, a comunidade actual, que continua a viver na Terra Santa, está seriamente ameaçada, sendo composta por pouco mais de 700 pessoas.



Pode continuar a ver aqui
In SNPCultura

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A história local

Lamas do Vouga


Apesar da sua pequena dimensão, Lamas do Vouga é uma das freguesias mais históricas do Distrito de Aveiro. Essa importância histórica resulta do facto de ali se cruzarem com o rio Vouga as antigas estradas que ligavam as cidades do extremo ocidente peninsular. Já por ali passava a estrada romana, fazendo a ligação de Olisipo a Bracara Augusta. Mais tarde, as estradas medievais (mourisca, coimbrã, real) viriam também a passar por ali. E ainda hoje é por ali que passa o Itinerário Complementar IC2. Uma outra estrada romana, e mais tarde medieval, passando igualmente em Lamas do Vouga, fazia a ligação de Viseu ao litoral aveirense. As pontes medievais dos rios Vouga e Marnel, ainda parcialmente existentes, continuam a testemunhar a antiga importância viária do local.
Enquanto freguesia religiosa, a história de Lamas do Vouga remonta ao mosteiro de Santa Maria de Lamas, ou mosteiro do Marnel, documentado no século X. Situava-se este mosteiro na margem sul do pequeno rio Marnel, afluente do Vouga. A igreja paroquial de Santa Maria de Lamas viria a ser consagrada no século XII, conforme lápide que ainda se conserva. Devido ao progressivo assoreamento das margens do Vouga, o local da primitiva igreja e mosteiro de Santa Maria de Lamas, onde ainda subsistem alguns vestígios, tornou-se insalubre e frequentemente alcançado pelas cheias, pelo que a igreja foi transferida para um ponto mais alto na margem norte do rio Marnel. Era priorado da apresentação dos duques de Aveiro, passando para a Coroa quando esta família se extingiu, no reinado de Dom José.
Na organização civil, a freguesia de Lamas do Vouga sucede ao antiquíssimo concelho de Vouga, extinto em 31 de Dezembro de 1853. A sua sede, conhecida como burgo de Vouga, situava-se junto à estrada real, entre as pontes do Vouga e do Marnel, em local hoje englobado na malha urbana da povoação de Lamas do Vouga. De notar que, no antigo regime, parte da povoação de Lamas do Vouga pertencia ao concelho e capitania-mor de Aveiro. Em 1689, o concelho do Vouga abrangia Arrancada, o lugar de Santo António, Vale Maior e Carvalhal da Portela, Lanheses, Mesa, Macinhata, metade da Aguieira, Veiga, Ferreiros, Soutelo, Sabugal e as Póvoas de Cadaveira, Mouta, Moutedo, Campelinho, Assores, Viade, Salgueiro, Redondo, Bico, A-do-Fernando das Cavadas, Troviscal, Toural, Lavegadas, Chouchos e Mocho.
O concelho de Vouga foi um dos inúmeros concelhos em que se dividiu a Terra de Vouga, território medieval documentado nos séculos XI a XIV, o qual correspondia grosso modo à zona sul do distrito de Aveiro, isto é, desde Albergaria-a-Velha até à Mealhada. A sede desta grande terra de Vouga era também o burgo de Vouga.
O burgo e terra de Vouga estão na continuidade da antiga cidade romana de Talabriga e seu território. Talábriga situava-se no Monte Marnel, ou Cabeço do Vouga, local de notáveis características defensivas, situado precisamente na freguesia de Lamas do Vouga. Embora ainda não seja conhecida a extensão exacta da cidade romana, os vestígios já revelados pelas escavações merecem visita.
A decadência do burgo de Vouga resulta do processo de assoreamento do delta do Vouga, que levou à formação da ria de Aveiro, afastando o mar e dificultando a navegação. À medida que o burgo de Vouga entrava em agonia, emergia no litoral a vila de Aveiro, hoje capital do distrito.
..........
(Embora tenha em meu poder elementos que bastem sobre a freguesia de Lamas, mas talvez não tantos como aqueles que certamente existem em outros locais e bibliotecas, quero aqui deixar estas notas, que foram extraídas, com a devida vénia, da pt.wikipedia.org)

Coisas e Loisas - 13

Dia de São Valentim - Padroeiro dos Namorados


A 14 de Fevereiro - que está próximo - celebra-se o Dia dos Namorados, ou Dia de São Valentim.
A tradição manda que nesse dia os namorados celebrem o seu dia. Mas poucos sabem a verdadeira história de São Valentim.


É costume e tradição que no Dia dos Namorados se ofereçam bombons, flores ou postais. É tradição que nesse dia os casais de namorados tenham um programa próprio, que pode incluir jantar à luz de velas ou saídas românticas. É tradição até que se chame mais Dia dos Namorados do que propriamente Dia de São Valentim. Inclusivé, países onde a língua inglesa predomina chegam até a confundir os conceitos, chamando "Valentine" aos próprios namorados. Por isso, é também cada vez menor o número de pessoas que conhecem a origem deste dia, a razão, de ordem religiosa, pela qual se começou a festejar o Dia dos Namorados no dia que era dedicado a São Valentim, santo da Igreja Católica, que celebra este ano 1740 anos da sua morte como mártir.
Apesar de ser um santo reconhecido pela Santa Sé, a Igreja decidiu não celebrar dias de santos cujas origens sejam pouco claras, e a partir de 1969 deixou de celebrar o dia de São Valentim.
Contam as crónicas ou lendas já que registos tão antigos podem sempre pecar por pouca precisão histórica, que era o ano 270 da nossa era e o Cristianismo não era ainda uma religião aceite pelo Império Romano. O imperador da altura, Cláudio II, tinha proibido a realização de casamentos cristãos no território do império com o argumento de que jovens solteiros e sem laços familiares dariam melhores soldados.

A contragosto, a decisão foi acatada por todos. No entanto, um sacerdote cristão (algumas fontes atribuem ao sacerdote o grau de bispo), de nome Valentim, recusou-se a acatar essa ordem e continuou a celebrar casamentos na clandestinidade. Tendo sido apanhado no acto ilegal, Valentim foi colocado na cadeia e condenado à morte. Durante o seu tempo de encarceramento, muitos foram os jovens que lhe faziam chegar flores e bilhetes, por ser ele uma figura tão dedicada à celebração do amor entre duas pessoas.

A lenda conta também que a filha do carcereiro, cega de nascença, conseguiu autorização para visitar Valentim na cadeia. Foram várias as visitas e as conversas, e Valentim sentiu pena da mulher. Começou a rezar a Deus para que a curasse e um dia deu-se o milagre. Enquanto rezava, a fiha do carcereiro recuperou a sua visão, e toda a sua família se converteu ao Cristianismo.
Sabendo disto, o imperador Cláudio II percebeu que Valentim não tinha renunciado à sua fé e mandou que o decapitassem, o que aconteceu, tornando-se assim um mártir aos olhos da Igreja e dos seus fiéis. A data da sua execução permanece também um mistério, uma vez que alguns historiadores acreditam que o 14 de Fevereiro, data em que hoje se celebra o dia do santo, foi uma data aproveitada pela Igreja Católica para cristianizar um feriado pagão, já que se celebrava nesse dia a festa da deusa Juno, deusa das mulheres e do casamento.

Juntando esta celebração ao martírio de Valentim, a Igreja Católica marcou esse dia como o dia da celebração do amor e da fé, que teve a sua maior expressão no sacrifício de Valentim, que não renunciou à realização da celebração que professa o amor entre duas pessoas, mesmo contra a ordens do imperador Romano.
São várias as formas que os países encontram para celebrar este dia. Mais oumenos apoiados n figura de São Valentim, todos procuram que ele seja um dia de celebração do amor. Nos Estados Unidos, é comum a troca de postais e a oferta de doces e flores, assim como o é no Japão, onde 20% das vendas de chocolates são efectuadas nesta data. No Reino Unido, as pessoas encontram diferentes formas de celebrar o dia, desde as crianças em Inglaterra que cantam de porta em porta vestidas de adultos até aos casais de namorados no País de Gales que trocam colheres de pau com corações gravados, chaves e fechaduras, símbolos do compromisso que assumem um com o outro.

Hoje em dia, poderão ser poucas as pessoas que reconhecem no dia de São Valentim uma matriz religiosa e que celebram o santo pelo que ele representou. No entanto, a semente deixada por São Valentim, que lutou para que o amor entre duas pessoas pudesse ser celebrado, continua a fazer eco dentro do coração de todos os namorados que utilizam este dia para expressar o seu amor e a sua dedicação à sua cara-metade. E por tudo isso, por certo, São Valentim sorrirá lá do alto, onde continua a abençoar todos os casais de namorados.

(Da revista «Família Cristã», Fevereiro de 2010, Ano LVI, página 68, com a devida vénia)

Nota: - A filha do carcereiro curada da cegueira, chamar-se-ia Júlia. Há quem admita que a morte de Valentim terá sido no ano 269 d.C. O nome do Imperador, em romano, certamente que seria Claudius II. 14 de Fevereiro era celebrado como o início da primavera.

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Da "conquista" ao domínio romano

Guia da estação e do visitante
Retomamos este guia, editado pela Camara Municipal, em Janeiro de 2008, o qual contém uma pormenorizada descrição, histórica e técnica, sobre as escavações levadas a efeito no Cabeço do Vouga, que tem incidido e vai continuar a incidir sobre as construções, as técnicas, os materiais, etc.
Assim, a partir da página 37, retoma-se o que antes ficou explanado sobre soluções construtivas, os indícios, os materiais, nomeadamente o barro, a aplicação da pedra em plataformas consideradas mais resistentes. Então temos:

«Será sobre esta plataforma que será erguido imponente edifício de planta rectangular, com um comprimento de 7,35 metros e uma largura de 4,80 metros, com muros de 0,54 metros de espessura média, com alicerce assente no afloramento da base.
Esta construção destruiu por completo uma outra, anterior, de planta circular, pré-romana, de que se detectou apenas o alicerce em arenito do afloramento.
A função deste edifício apenas se poderá vislumbrar, dada a escassez de vestígios arqueológicos aí assinalados; contudo, está-se em crer que deverá ter servido de base a um edifício de natureza político-militar, tipo castellum, dada a sua posição de destaque e uma certa robustez construtiva, se comparada com as outras construções aí existentes.
Envolvendo este edifício, outros alicerces de construções se documentam, embora este se destaque claramente.
O programa construtivo romano não se ficará porém por aqui, conhecendo novos desenvolvimentos e novaas soluções arquitectónicas nos séculos seguintes.
Entre os meados/finais do séc. III e o séc. IV d.C., serão introduzidas alterações significativas que modificarão por completo a aparência do sítio da Mina e alimentarão a mística e o imaginário das populações vindouras, até aos nossos dias - o castellum marnelis dos documentos notariais, é uma dessas expressões.
Fosse porque a pressão das construções estivesse a desiquilibrar a plataforma augustal ou porque se pretenderia acrescentar/reformular aquela com novas construções, ou ambas as necessidades - um edifício religioso, público, irá ser construído nos meados/finais do séc. III/IV d.C. - a realidade é que a engenharia civil romana introduziu novas soluções arquitectónicas que, em grande medida, chegaram aos nossos dias, apresentando ainda uma visibilidade monumental reveladora da grandiosidade da construção original.»

E chegamos assim à página 39, a qual começa por descrever uma dessas soluções arquitectónicas, as desginações que lhes foram dadas e outros aspectos relacionados com a construção. Iremos apreciar este naco de história em próximo capítulo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Coisas da Guiné - 23

- 4 de Fevereiro de 1961 -
O princípio da guerra colonial


Palácio do Governador em Bissau (Praça do Império)

Hoje, dia 4 de Fevereiro [1961], é uma data que assinala de «forma oficial» o início da guerra colonial, em Angola, em que Portugal se viu envolvido durante 13 anos. Pouco tempo depois foi a vez da Guiné e de Moçambique.
Foram anos duros, que marcou pela negativa toda uma geração de jovens, com repercussões que ainda hoje influenciam muitas vidas e saúde.
Entrei nessas fileiras, donde muitos desertaram, em Janeiro de 1963. Já expliquei isto.
O que é certo é que já em Julho de 1963 desembarcava na Guiné. E durante dois anos, não «sofrendo» muito, mais pela sorte que por muitos outros factores, de lá saí em Agosto de 1965, chegando a Lisboa em 14 daquele mês e ano, tendo o navio passado já por baixo da ponte a que haviam de chamar «Salazar» e em 1974 rebaptizada de Ponte «25 de Abril» que se mantém.
A minha unidade militar (uma companhia), 'dormiu' em Lisboa e, ao outro dia, por volta das sete da manhã, embarca de comboio em direcção a Chaves, onde tinha sido treinada e formada.
O Batalhão de Caçadores 10 (agora denominado de Regimento de Infantaria de Chaves), foi uma das unidades militares que muita gente preparou e «forneceu» para a guerra colonial.
Percebe-se, hoje, porquê, como outras Unidades Militares ainda existentes pelo país. A geografia local, o mato, os trilhos, os caminhos, tudo era propício ao treino de ambientação militar da guerra de guerrilha. Chaves, tinha tudo para a preparação dos militares nestas acções. Aliás, a guerra de guerrilha foi coisa nova que apareceu no mundo (como agora o terrorismo), logo a seguir ao términos da II Grande Guerra e cujo objectivo era a emancipação e autodeterminação dos povos (países).
Este tipo de acções, de manifesta revolta contra o dominador, quando o dominado não tinha possibilidades, recorria a esta via com o intuito de provocar o desgaste, influenciar psicologicamente e «consumir» estas energias, e as energias económicas do dominador. Porque se sabia que, mais tarde ou mais cedo, o dominador iria ceder.
Foi quase o que aconteceu, porquanto as provas e os historiadores e políticos já antes de Abril de 1974 diziam e escreviam (nalguns casos), que as coisas não poderiam durar muito mais, não fosse a sua antecipação ter surgido com a «revolução dos cravos», como ficou conhecido o 25 de Abril de 1974. Inclusivé, na Guiné, passou a ser notório que a guerra com o PAIGC estaria praticamente e irremediavelmente perdida.
Há muitos episódios que confirmam isso.

No meio de tudo isto, muita gente morreu (da nossa freguesia apenas um faleceu em Angola e, pelo que julgamos saber, de doença. Era da Aguieira.) Muita gente ficou mutilada, deficiente e com outras maleitas para a vida inteira.
Da minha companhia, entre cerca de 130 militares, apenas dois faleceram. Um, José Gonçalves Ruas, 1º cabo de minas e armadilhas, de Penude-Lamego, faleceu em 27 de Agosto de 1964, quando próximo de uma localidade junto à fronteira com o Senegal, chamada Sedengal, foi atingido pelos efeitos de uma armadilha que montava, que desarmou e o atingiu mortalmente.
Naquele dia eu não estava em Ingoré. Tinha ido ao comando de Batalhão, a Bula, e lá soube, pelos camaradas de transmissões, o que se tinha passado naquele local. Nesse mesmo dia e ao princípio da tarde, os meus camaradas da companhia, passaram em Bula a toda a velocidade em direcção a Bissau, levando o corpo do infeliz Ruas, como todos lhe chamávamos. Está sepultado ainda, segundo creio, em Bissau, na campa 1020.
O segundo falecimento foi o do 1º cabo atirador, Artur Branco Gonçalves, de Vilarelho da Raia-Chaves, no dia 13 de Outubro de 1964, no Hospital Militar 241, em Bissau, para onde fora evacuado de helicóptero, por motivo de doença. Está também sepultado em Bissau na campa 1108, admito. A doença que o vitimou, embora não tendo a certeza, terá sido uma úlcera gástrica, que, certamente, pelo seu estado, já não foi a tempo de qualquer intervenção cirúrgica.

Esta e outras efemérides, estou certo que não se apagarão, mesmo que desapareçam todos os protagonistas que nela participaram durante aqueles treze anos.
A este assunto voltarei.

Porquê isto?

O Trangalhadanças


Esta coisa, que em baixo vai ler, se fizer o favor (que também cá se gasta), foi escrita no dia 5 de Janeiro de 2010. Já foi há algum tempo. Dei-lhe o nome de baptismo de «Trangalhadanças» - sem padrinhos, (http://trangalhadancas.blogspot.com/) como está aqui, na barra lateral, devidamente identificado. A ideia disto, que passado já algum tempo, não me parece de grande piada - porque não tenho jeito para isso -. Mas cá anda, até ver...

E o que é certo, é que desde 5 de Janeiro deste ano até agora, já regista mais 500 visitas. Por isso, dá-me alento a continuar!
Há uma outra coisa que tenho de dizer. Com esta trangalhadança, estou a «esquecer» um pouco o «Terras do Marnel», ou seja, este mesmo.

E sei que sobre o mesmo há tanto que contar e que recordar. Trago este desabafo aqui, precisamente para dar esta explicação/justificação. O que está a seguir foi um «paste» do Trangalhadanças. E o texto tem de ser lido e enquadrado no espírito do título e do seu início.
Vou tentar modificar e desmultiplicar o tempo, a ver se dá para os dois...

*****

Isto o quê?
Este blogue. Eu explico e apresento.
Ao bloguismo permite-se, como toda a gente sabe, aos mais variados, insuspeitos, inusitados, imprevistos, impensáveis comentários, opiniões e outras coisas que tais. Toda a gente, no bloguismo, com jeito ou sem ele, aqui apresenta a «sua» sabedoria nas mais díspares áreas do pensamento, da técnica, da filosofia, das artes e até... do futebol, com vídeos e tudo.
Então, como tenho a cabeça entre as orelhas, cá andei a magicar durante bastante tempo.
Por que não apresentar aqui algumas passagens de notícias, factos, ocorrências que a gente vai ouvindo e lendo?
Claro que com algumas regras e comedições. A Internet é livre, mas não permite certas aventuras e até outras atitudes, por imagens ou escritas.
Por isso, porque não pegar nessas notícias, factos e acontecimentos, alguns deles até a «fugirem» do conhecimento da maioria dos mortais, e trazê-los até aqui segundo a nossa modesta óptica?
Poderia «agarrar» nessas coisas e até transformá-las em linguagem brejeira e divertida. Mas como não tenho dom para esta área, lá me contento com o que posso.
Espero que os eventuais e esperados visitadores o compreendam.
Isto é uma espécie de alguns programas de TV.
Vamos a ver no que dá...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Haiti

Porquê, meu Deus?


(…) Há quem pense saber porque é que a tragédia atingiu o Haiti. Um dos tele-evangelistas mais populares da América declarou publicamente que foi porque os haitianos ainda praticam vudu ou outras formas de religiosidade pagã. A seu ver, o terramoto é uma punição de Deus, levada a cabo contra infiéis. Presumivelmente, inclui-se neste raciocínio a fúria divina lançada contra multidões de crianças soterradas debaixo dos escombros, e um número assustador de pequenos órfãos.
Muitos haitianos chegaram à mesma conclusão. Um artigo no New York Times (14-1-2010), intitulado “Haiti’s Angry God”, cita uma mulher que diz que Deus está zangado com todos os pecadores, mas em particular com os Haitianos. Para ela o sismo é um castigo divino. Contudo, também afirmou que o evento fortaleceu a sua fé. Respostas semelhantes foram dadas por muitos que, ao longo de noites de total escuridão, com o cheiro a morte no ar, se confortaram cantando hinos de louvor a Deus.


In SNPCultura

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Junta de Freguesia na história - 14

Nova Escola Primária


Primeiro edificio da Escola de Valongo

Já foi feita uma alusão à acta da sessão de 28 de Maio de 1905. Nesta acta está uma deliberação, como já referido, na urgência de colocar em arrematação as obras a fazer nos muros do adro da igreja e o retelhamento (arranjo do telhado).

Mas nesta acta consta também um dado histórico e que denuncia, de certa forma, as necessidades que envolviam diversos sectores de actividade, neste caso o da educação. Melhor que a história contada por palavras próprias, vejamos a redacção da acta que no que ao assunto diz respeito:

«Em seguida, disse mais o mesmo presidente que o Excelentíssimo Senhor Conde d'Agueda, senhor da casa d'Aguieira, d'esta freguezia, o auctorisára a offerecer a esta Junta o terreno necessário para se construir uma casa para as escolas primárias d'um e outro sexo, n'um dos seus predios em Arrancada; e ponderou que, achando-se em pessimo estado as casas em que actualmente funcionam as duas escolas, o valioso donativo d'aquelle benemerito era um beneficio para esta freguesia, que ella jamais poderia olvidar. E a Junta, conformando-se com as considerações do seu presidente, deliberou não só lançar n'esta acta, em harmonia com toda a freguezia, digo, em harmonia com o sentir de toda a freguezia, o seu profundo reconhecimento para com aquelle illustre e benemerito titular, mas também representar (talvez se quereria dizer "apresentar") a Sua Magestade El-rei, pedindo a construcção da referida casa d'escola, para os dois sexos, e offerecendo o serviço braçal para esse fim, até á importancia de quarenta mil reis.»

Pena é que a acta não descreva qual o terreno e a sua implantação. Diz apenas que é um terreno sito em Arrancada. Não pormenoriza mais nada que possa identificar actualmente a sua localização. Mas vamos pesquisando e vendo...

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
- Sítio da Mina -

Guia da estação e do visitante

Recolhemos, deste guia, editado pela Câmara Municipal de Águeda, em Janeiro de 2008, o que temos vindo a fazer de há uns tempos a esta parte, recomeçando a obter o que se diz a partir da página 35 e seguintes.
No último post ficamos pela descrição das construções ali existentes, situadas por altura do séc. I a.C., sendo «por este tempo que se constrói a grande plataforma murada, à semelhança de um criptopórtico, embora este não seja porticado.» E continua esta descrição na página 35, a dizer o seguinte:

«A sua função destinava-se a conter um aterro, para assim poder ser suprimido o desnível do terreno, nivelando-o pela cota mais elevada, favorecendo deste modo a construção a construção de edifícios - públicos - de maior envergadura e com maior destaque na paisagem, a par de outras construções.
Contudo, anteriormente à edificação desta obra monumental, que remontará a época augustal, outras construções subjacentes, também elas de fábrica romana, aí tinham sido erguidas, como ficou documentado quando se estudou a abóbada de eixo vertical 2 (imagem ao lado).
Sobre parte do muro este-oeste desta construção de planta rectangular, orientadfa de nordeste-oeste, foi erguido o troço da amurada da plataforma, voltado a oeste, o que levou ao desmantelamento de parte do muro.
Esta obra de engenharia civil romana apresenta uma planta rectangular, conforme foi definida pelo levantamento preliminar de 1941, de Rocha Madahil e Sousa Baptista, distribuindo-se por uma área da ordem dos 1.600 metros quadrados.
Construída em pedra aparelhada, obtida no local e/ou em áreas adjacentes, o arenito revela-se uma construção de aparelho tipícamente romano, o opus vittatum, se bem que aqui os construtores tenham introduzido uma alteração significativa, ao nível da matéria-prima componente:
- o ladrilho de barro que, usualmente, marca naquele aparelho a separação entre as fiadas de pedra - regularmente cinco - aqui foi substituído por pedra, também em arenito mas, de espessura menor e colocada de dorso, de maneira a criar o mesmo efeito que os lateres, no aparelho original.
A solução encontrada não é tão "decorativa" como na versão original, mas é bem indiciadora de que os construtores não a desconheciam; talvez que a escassez de matéria-prima - o barro - tenha levado à escolha desta solução, ou mais simplesmente que, dado o desnível do terreno, a aplicação exclusiva de pedra tornasse a plataforma mais resistente, em seu entender.»


(Continua)

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