segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Solidariedade

Lema: Dê o melhor de si ao banco alimentar:
a sua solidariedade

Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram no passado fim-de-semana um total de 2.498 toneladas de géneros alimentares na campanha realizada em 1323 superfícies comerciais das zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora e Beja, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Viana do Castelo e Viseu.
A quantidade agora recolhida compara com 1.908 toneladas recolhidas em Novembro de 2008, ou seja, um acréscimo de 30,9%.
A campanha, cujo lema foi "Dê a melhor parte de si ao Banco Alimentar: a sua solidariedade" suscitou uma enorme adesão do público e dos voluntários que quiseram colaborar. As campanhas são extraordinárias cadeias de solidariedade onde cada elo - pessoas que colocam os seus donativos nos sacos do Banco Alimentar, voluntários que dão o seu tempo e trabalho e empresas que garantem seguros, transportes, refeições, segurança, limpeza - é indispensável e igualmente importante.

Leia tudo sobre esta causa aqui

Nota: Em Aveiro e por contacto com pessoas amigas, integradas em equipas de voluntariado deste fim-de-semana, previam para uma quantidade superior à da última campanha. Não temos notícias se de facto o objectivo terá sido alcançado.

Coisas da Guiné - 17

111 – O «TÊMPERA DE AÇO»
...



Capa (1ª página) do «Jornal da Caserna» da última série

A coluna auto seguia pelo caminho previsto pelo oficial de operações. Eram oito viaturas.
Precisamente antes do pontão como marco acutilante nas recordações de hoje, o 111 sente-se impulsionado pelos ares por abalo seguido de um estampido infernal. Neste salto de acrobacia imprevisto não tem tempo para pensar ou vislumbrar o que se passara. Sente-se aparado pela terra amolecida e lamacenta da bolanha ao lado. Olhando a custo, um tanto contundido e abalado, tem um movimento instintivo de apalpar os ossos das pernas e braços e passar as mãos borradas de lama pela cara. À massa plúmbea daquela argamassa mole e pegajosa não adere sangue. Não está ferido, pode mesmo movimentar os membros a custo. Procura pôr-se de pé, mas não consegue. Vê somente no caminho uma nuvem poeirenta e gritos de desespero, de lamentações e palavras raivosas do comandante que impávido e não muito sereno, ditava ordens. Sente-se sem forças e desanimar. Mas não podia ser; o 111 é de fibra de aço e tem sete fôlegos. Cerra os dentes e põe-se com dificuldade a rastejar em direcção ao mato limítrofe da bolanha.
Contra capa (última página) do «Jornal da Caserna»
A arma desaparecera-lhe das mãos no meio da confusão e explosão que estalara, mas coladas ao seu peito estão duas granadas de mão e no cinto a sua faca de mato para o que desse e viesse. Respira fundo, arranja novas forças, finca os cotovelos na lama e vai-se arrastando. A sua atenção é sacudida pela troca inesperada de tiroteio que se travava entre os colegas das viaturas e o inimigo emboscado na berma do mato – e soberbamente instalado. Sentia o metralhar de uma arma que pelo som não era dos seus camaradas. Espevita o ouvido e vê que é do monte de baga-baga a uns cinquenta metros. Apalpa as granadas e contorcendo-se em dores, com as bátegas de suor a pingarem-lhe da cara, arrasta-se penosamente naquela direcção. Pára um instante – é impossível continuar… - mas a metralhadora inimiga flagela impiedosamente os seus camaradas. Sente as balas que choviam das viaturas sibilarem-lhe sobre a cabeça empada em lama. Quase que não podia abrir os olhos – a lama começava a secar.
Arrasta-se mais, as lágrimas correm-lhe pela cara, talvez de dor e de emoção… nunca se sabe. Está a vinte metros do inimigo e distingue quatro vultos atrás da baga-baga. São negros e rebeldes. Cerra os dentes e com os mesmos arranca a cavilha de segurança duma granada. Aperta a paleta, mas sente que não tem forças para a lançar a vinte metros. Rasteja… e está a 10 metros. Ninguém no meio da barafunda mortífera o notara. Abriga-se atrás de uma árvore, arranja novas forças e aí vai a granada pelo ar. Cai a uns cinco metros do objectivo e a arma cala-se. Na fuga, dois do grupo dos quatro emboscados vêm o nosso camarada e dirigem-se para ele, mas antes que o atinja com a pistola que lhe vai ser apontada já a segunda granada voara pelo ar. O 111 nada mais sentiu a não ser a explosão, cuja onda de sopro o envolvera. Desfalecera…
A seguir o comandante ordenou o envolvimento e vão encontrar o 111. O seu coração batia ainda, o sangue gotejava-lhe dos ouvidos e uns leves estilhaços estavam cravados na lama do rosto. A arma da baga-baga lá estava meia desmantelada. Junto dela dois corpos dos rebeldes. Perto do 111, a uns cinco metros, se tanto, o corpo dum terceiro rebelde mutilado pela segunda explosão.
Ao visitar o 111 há dias no hospital, vi-o satisfeito e já refeito dos ferimentos. Estava radiante, feliz e nos seus lábios dançava um sorriso maroto de superioridade. Ao entregar-lhe uma pequena lembrança qualquer e já quando me retirava fiquei emocionado, surpreendido e quedei-me uns instantes a meditar nas palavras dele que se repercutiam em mim: «O maior heroísmo ou coisa que o valha, não são as medalhas ou citações, mas o sentido de amizade e o espírito de corpo para com os nossos camaradas, e acredita meu amigo, quando os vi, não tive medo, só pensei nos nossos».Senti-me emocionado e a custo retorqui:
«Sem dúvida, 111, a nossa Companhia é uma verdadeira família. Sentimos a morte de um camarada como a de um irmão».
“ÓKEY”
(pseudónimo de Ramiro Fernandes Figueiredo, ex-Alf.Mil.Médico)
In «Jornal da Caserna», CCaç. 462, Guiné 1963/1965
Guiné - Ingoré, 29 de Fevereiro de 1964.

Como já foi referido por várias vezes, o «Jornal da Caserna» foi um periódico que ajudei a fazer «a brincar» durante a minha permanência na Guiné. Já aqui transcrevi algumas histórias que nele publiquei e agora mostro mais uma da autoria de um camarada de armas, médico da Companhia, bem como a capa e contra-capa do referido periódico nascido em África e que veio comigo e ainda mora cá.

domingo, 29 de novembro de 2009

Valongo do Vouga

As Tradições e a Cultura

No seguimento do post anterior, apresento de seguida o que escrevi há mais de vinte anos e que guardava por cá, como expliquei. Esta é a parte II, que está exactamente com aquele título e com o seguinte conteúdo:
......

II - CASA DO POVO: A VISIBILIDADE CULTURAL
Não será, concerteza, neste quadro sombrio que se vai justificar o absentismo de muita coisa na Freguesia, nomeadamente, agora, no aspecto cultural. Não nos parece que é esta a bandeira, desfraldada com a face negra da situação. Não se vão inventar mais adjectivos para qualificar que, apesar de tudo, ainda houve alguma gente (pouca) que sempre remou contra esta maré.A esses poucos é de enaltecer a vontade de fazer acordar mentes adormecidas para uma actividade demasiadamente comprovada da importância que possue na vida de um povo.

Entre estes existiu um grande vulto que elevou bem alto a actividade social e cultural da Freguesia: SOUSA BAPTISTA.É que cultura não é como ilha ou barco isolados no oceano. Tínhamos quem os governasse. Grande Timoneiro que via o horizonte para onde devia ir o Povo e o guiava por mar seguro, visando o futuro. Poucos se aventuraram a tomar o seu lugar.Será justo verificar hoje que foi através do Fundador da Casa do Povo que existia a intenção de preservar os usos e costumes da região. Os sinais e intenções visíveis que atestam tais fins, ainda estão expostos em quantidade suficiente que entusiasmam o mais adormecido, para a sua conservação através da criação de um museu etnográfico local.

Para além da distribuição gratuita de livros escolares, do forno que cozia o pão de cada dia e da sopa que mitigava fomes de crianças e adultos, será de enaltecer a fomentação da leitura, que se concretizou na criação de uma biblioteca que, devidamente organizada, ali permanece anónima e despercebida. [no tempo em que isto foi escrito]. Não é pretensiosismo, mas justiça, referir ainda, na componente cultural, a criação da banda de música, cujos instrumentos, talvez desactualizados, ali enfermam, mas atestando ainda a existência de que outrora as iniciativas constituíam os "atrevimentos" de se procurar dar a cultura a quem dela muito necessitava.

E vai surgindo a preseverança de algo mudar e continuar. E neste metamorfismo empolgado pelo modernismo, pela astronáutica e pela velocidade, é de louvar que, apesar das vicissitudes, vai ocupando o espaço próprio do vazio existente o teatro que confirma a fama tradicional que a freguesia sempre possuiu na arte de Talma. Com a «Revista Valongo à Vista» à cabeça e a fazer a sua história.

E os amorosos pequerruchos do Grupo Folclórico Infantil, que têm muita necessidade do incentivo e exemplo dos mais velhos, que está a ter a sua continuidade nos mais crescidos (que ontem foram já os seus infantis) a constituir o Grupo Juvenil. É bom ir buscar, neste fim de século o que na linguagem retractiva se diz que já está ultrapassado, não se usa ou não pertence a este tempo. Valongo do Vouga que, por direito próprio, publicitámos num tempo não muito longínquo como a maior freguesia do concelho em área geográfica e a maior freguesia não urbana em população é, naturalmente, um grande barco que carece de um bom comandante para a melhor navegação do tema que aqui e agora nos ocupamos.

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Pelo conteúdo da redacção, uma vez que o rascunho não tem data, verifica-se que quando isto foi feito já havia o Folclore e existia também em actividade o teatro. A Biblioteca foi remodelada, reorganizada e enriquecida com muitos mais exemplares. Logo, como foi apontado no post anterior, terá sido, certamente, redigido nos anos 80.

sábado, 28 de novembro de 2009

Valongo do Vouga

As tradições e a cultura


Encontrei duas fotocópias de páginas dactilografadas, que não têm data, mas pelo conteúdo e pela história, devem remontar a finais dos anos 80, séc. XX (!). Também não sei, agora, se isto foi publicado em algum lado. Penso que não.
O tema que ali se retrata (ou procura retratar) está dividido em duas partes. Vamos transcrever daquelas páginas o que escrevi, provávelmente, há mais de vinte e cinco anos. Está assim:

I - A HISTÓRIA
Para ser feita, embora desajeitada e aligeirada análise sobre a faceta cultural da freguesia de Valongo do Vouga, podemos ter necessidade de descer às raízes que marcam a vida de um povo, local ou região.
Admitimos, neste caso, alguma relação com a existência de costumes, de tradições e até certos hábitos que lhe dêem ou podem dar identidade própria. E com essa identidade faz-se a história, geram-se tradições que ficam a perdurar pelos tempos.
Se integrarmos a freguesia neste contexto, parece-nos que existe uma certa ausência desta identidade. Com a modéstia dos conhecimentos que possuímos e das pesquisas a que o tema necessariamente nos exige e que não efectuamos, podemos, em nosso entender, vincar alguns aspectos justificativos.
O factor geográfico em que a freguesia se situa, pois se a Via Romana lhe passou ao lado, bordejando o rio Marnel, as vias posteriores ficaram a "esconder" o seu território das curiosidades alheias.
No entanto, não deixou de constituir encruzilhada nas confluências de povos de regiões distintas e bastante diferenciadas entre si. Por aqui tinham ponto obrigatório de passagem os almocreves que, descendo da serra, dos lados de Viseu e outras regiões da Beira Alta (e talvez não só), se deslocavam até ao litoral. Estes, muito provavelmente, não se demoravam para continuar de seguida a sua jornada.
Também até cá chegavam os homens e mulheres da beira-mar, por estrada e rio Vouga arriba. Traziam peixe e sal, regressando pouco depois, após as respectivas transacções, levando lenha, carqueja e outros produtos agrícolas.
Parece-nos curial admitir que se tratavam de contactos com pouco tempo de permanência nas terras do Marnel e fácil será concluir que o povo sedentário da freguesia de Valongo do Vouga terá sofrido, ao longo dos tempos, a influência de uns e outros.
Sendo assim, os factos que pudessem constituir a génese da sua influência na vida tradicional ou de costumes terão sido tão depressa adoptados pela novidade de que se revestiam, como de repente se tornavam esquecidos e se esfumavam através de outros que cá chegavam, substituindo os primeiros.
Parece-nos que com dificuldade se terão criado algumas raízes que se transformassem em polo de atracção, gerando hábitos, costumes ou tradições.
O povo deste «Ualle Longum» sempre teve por amante a terra, não constituindo novidade que tão espontâneamente acudia a uma desgraça do vizinho, demonstrando talvez uma "inconsciente" solidariedade, como brincava ao entrudo, jogando à panela e gargalhando das enfarruscadelas, como ao outro dia se agarrava às suas courelas, ao amanho das terras ou à monda do pinhal, esquecendo por completo a folia, tornando-se sisudo e monótono.
Esta observação já era confirmada e sentida pelo ilustre pensador e nosso conterrâneo, Engº Bastos Xavier, quando escrevia que "na sua maioria, a nossa gente, por temperamento ou miséria, é habitualmente concentrada e triste..."
E acrescentava ainda: "A riqueza artística do seu temperamento era de pouco vulto, se a compararmos com a de outros povos. O seu trágico sentimento de viver expandia-se apenas nos entremezes das festas. Aí vinham-lhe aos olhos lágrimas de sentimento, como se ria alvarmente com a comédia do Barrozão do Cortiço, que comentava em voz alta, pategamente."
E finalizava, desta forma, procurando justificar a ausência de características que envolvessem a componente cultural do povo de Valongo: "Não é da minha lembrança que tivesse mais que uma tuna, como não sei de ranchos que avivassem com os seus cantares e as suas danças, a monotonia do nosso viver e dilatarem pelo concelho a fama artística da nossa Terra."

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O conteúdo do que foi escrito talvez há cerca de vinte e cinco anos (nem sei se mais) apenas confirma aquilo que se sentia fazer falta, ou que não existia, pois relativamente às actividades culturais de hoje não pode haver comparação possível. Quer aquilo que o nosso pensamento traduziu em palavras, quer o que foi escrito pelo Engº Bastos Xavier que, embora não sendo de todo contestatário (ao tempo), pode vir a sê-lo com aquilo que hoje se vive e passa.
A seguir a parte II.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mundo do Trabalho



O vídeo trata de casos sérios que abundam por aí. Com ironia, e também por isso mesmo com alguma graça, é demonstrativo que situações deste género são incomportáveis e, pelos interessados, insuportáveis.

E quanto a este? Assusta, não assusta?

Em Democracia

Acabou-se a liberdade


«Já ninguém se entende no país dos brandos costumes e agora pegou a moda de todos acusarem todos. O país está a brincar com o fogo: não tarda nada esquece a importância do significado da palavra liberdade. E aí...

Já aqui se escreveu o óbvio: não é possível que todas estas acusações terminem sem consequências. E a razão não se prende apenas com essa, bem simples, de apanhar os culpados. O mais grave é que este clima de suspeita que se instalou em Portugal, somada à crise financeira e às discussões sobre a bancarrota do país, pode estar a condenar o significado de uma das palavras mais importantes nas democracias modernas - a liberdade. Radical? Repare-se. »


Editorial de Martim Avilez de Figueiredo

No jornal i

Pode ler tudo aqui

Coisas e Loisas - 9

Ainda o Amigo José Correia da Silva

Na «notícia» brincalhona com este amigo e grande companheiro de trabalho, que apresentamos no post anterior, havia ainda na montagem informática, que foi da autoria de João Azevedo (seja justo referi-lo, por não ter sido feito antes) uma adenda à notícia que tinha o seguinte início:


CASA INGLESA
Métodos revolucionários
Inglês Gestual
Prof. José Correia

«A Casa Inglesa tem-se pautado sempre, por ser vanguardista, nos métodos pedagógicos que utiliza.
Aproveitando a disponibilidade manifestada pelo Prof. José Correia em comprovar, no terreno, o seu método revolucionário de comunicação "O Inglês Gestual", está em condições de informar que o mesmo ultrapassa todas as expectativas.
O Prof. José Correia, que domina perfeitamente o inglês falado e escrito (lembramos que o compêndio do 12º ano de praia é da sua cu-autoria) conseguiu juntamente com um grupo de jovens, destacado pela escola para a orientarem, fazer uma vida perfeitamente normal, durante uma semana em Londres, utilizando apenas um vocabulário de 25 palavras (please, thank you, manager, drink, hot, comet top, micro computer, yes, olá, DÃO, muito, mais, abort, yellow, etc...) e, fundamentalmente, o Inglês Gestual, com o qual vai revolucionar o entendimento entre os povos.
O pequeno incidente com um polícia de Londres, que não conseguiu entendê-lo e foi pondo várias hipóteses (interná-lo em algum manicómio "mad house"? Levá-lo para o Palácio Real? Devolvê-lo com encomenda postal à origem?) acabou na esquadra, com um espectáculo "Mad Correia" memorável, graças às "anedotas gestuais" com as quais conquistou a assistência.
Agora as hipóteses de um novo esperanto com a adição desta nova linguagem, são aguardadas com interesse, pela comunidade científica mundial.
As bolsas de câmbio (com os japoneses à cabeça), mostram já o seu interesse nesta nova linguagem.»

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É caso p'ra continuar a dizer; como este não vai existir tempo igual... (onde é que já ouvi isto?)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coisas e Loisas - 8

Ao Amigo José Correia da Silva
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A digitalização da montagem feita sobre o andebol do José Correia em Inglaterra

O José Correia da Silva, que foi um colega de «carteira profissional», que é também um Amigo e reside em Recardães, foi e é uma pessoa ligada às actividades locais e algumas da sede de concelho, fez/faz parte de algumas Instituições, e, principalmente, esteve ligado à actividade desportiva do GICA, na área do andebol. Um dia, mais concretamente em 1994 - recordou-me ele - foi a Inglaterra com um dos seus filhos.
Nós, com o espírito de camaradagem e brincadeira existente, actualmente um pouco menos vulgar que há uns tantos anos atrás, quando ele estava ausente em Londres, pegamos numa página da Soberania do Povo e informáticamente foi feita uma montagem inserindo o que seria um artigo sobre o José Correia da Silva, a sua viagem a Londres e a sua actividade de técnico de andebol e mais umas 'coisitas'. Passados mais de 15 anos, é uma delícia ler a prosa que alguém com espírito e jeito para estas coisas nos deixou. Dizia assim o que está digitalizado, que se transcreve na íntegra.

DESPORTISTA AGUEDENSE NA ALTA RODA DO ANDEBOLO Prof. José Correia representou condignamente o andebol português, na orientação da equipa inglesa, que vai estar presente no Campeonato Europeu da modalidade e recebeu novo convite

O aforismo popular «Santos da casa não fazem milagres», aplica-se mais uma vez, com toda a propriedade, ao prestigiado Prof. José Correia, técnico de andebol, que correspondeu totalmente às expectativas criadas pelo convite que a Federação Inglesa da modalidade lhe dirigiu, para orientar a preparação da sua equipa de honra, durante o estágio que decorreu no período de 4 a 8 de Abril [de 1994].
Efectivamente não constituiu surpresa, a não ser para os mais distraídos, o convite que a Federação Inglesa de Andebol, dirigiu ao Prof. José Correia, um dos mais prestigiados técnicos da modalidade.
Sabedores das muitas solicitações a que não tem podido corresponder, congratulamo-nos por ver uma das mais importantes Federações Mundiais, solicitar a colaboração deste nosso conterrâneo que, à educação física em geral, tem dedicado a sua carreira universitária.
O Prof. José Correia desenvolveu um trabalho de muito mérito, tendo recebido os maiores elogios dos jogadores, técnicos e críticos que se movimentam nesta modalidade de características tão específicas.
A Federação Inglesa, face ao interesse demonstrado pelo seu departamento técnico, solicitou ao Prof. José Correia que orientasse um curso de reciclagem aos treinadores ingleses, convite que o nosso conterrâneo não pode aceitar de imediato, sem estabelecer os contactos que considera indispensáveis, para conseguir os resultados pedagógicos a que já nos habituou.
A propósito transcrevemos uma passagem da entrevista que concedeu ao jornalista John Alvarázio da BBC.
- Pode rvelar-nos as reservas que o levaram a não confirmar o convite que a Federação Inglesa lhe fez?
- Como compreende, a minha esposa é liberal, mas tenho que ter a certeza que não contraria esta minha ausência por mais 15 dias, que é o período mínimo para que possa desenvolver um trabalho válido. Eu é que sei o fado que tive de cantar, para conseguir esta escapadela...
Por outro lado, tenho que reunir uma equipa técnica que me acompanhe e esteja habituada à minha linguagem e aos meus métodos. Considero que só a colaboração do Prof. José da Costa, na ginástica aplicada, do Dr. Jaime Domingues na didáctica do treino e do Dr. Júlio Pinto, na motricidade humana aplicada ao andebol, poderei corresponder ao convite que muito me honra.
O nosso amigo José Correia, por afazeres profissionais tem desenvolvido a sua actividade no Instituto Politécnico de Águeda, vai agora defrontar-se com um novo desafio: a marcação cerrada que os principais clubes nacionais lhe vão mover, no sentido de conseguirem a sua colaboração para a próxima época.
Contactada a sua esposa, D. Celeste Correia, confidenciou-nos aguardar ansiosamente o regresso de seu marido, não só para «matar saudades» ginasticais, mas ainda para confirmar a veracidade da notícia que dava o Recreio de Águeda, como interessado na colaboração deste nosso amigo, na secção de massagens da sua nóvel equipa feminina de xadrez.
Entretanto, estamos em condições de desmentir, que no baile que se seguiu à homenagem que lhe foi prestada, o Prof. José Correia tenha bebido uns copos de "Silgueiros" (todos sabem que o nosso amigo é abstémio), e muito menos que a garota (por sinal bem medida), que não o deixou "assentar" durante toda a noite, fosse o "travesti" mais bem "apetrechado" da capital londrina.
Em todo o caso, um dos jornalistas presentes que por sinal abriu o baile com aquela "moça" acabou a dança em dificuldades (vermelho e algo embaraçado), tendo mudado de par sem que tenha feito quaisquer comentários mas passando a escolher os seus novos pares com um cuidado acrescido e algo desconfiado.
*****
Relembro que se trata de uma notícia inventada e a brincar com o José Correia da Silva, que em Abril de 1994 acompanhou o seu filho mais velho numa viagem a Londres organizada pela Escola Secundária onde este estudava. E a viagem resultou nesta brincadeira. Belos tempos...

A história local


Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina


Da ancestralidade da ocupação humana - II
Continuando o que se vinha descrevendo do guia da estação e do visitante, recomeçamos a recolha das páginas 10 e 11 da brochura editada pela Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, com texto e imagem de Fernando Pereira da Silva, design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, Janeiro de 2008, o seguinte:
«Tais massas de terra e pedras constituem as primeiras arquitecturas monumentais das comunidades humanas de há cerca de 5.000 anos.
Associado a estas populações de camponeses, conhece-se um instrumental quotidicano, em pedra e barro, de grande mestria técnica como: os artefactos polidos -machados, enxós, goivas; peças talhadas como os projécteis - pontas de seta, lâminas e lamelas.
É contudo o vasilhame cerâmico - olaria de uso comum, essencialmente de cozinha e moldada à mão, formato esférico e sem decoração nas superfícies externas - que constituem o ítem ergológico mas significativo.
No Cabeço do Vouga, sítio da Mina, nos níveis mais antigos da Idade do Bronze, encontram-se cerâmicas com características idênticas. Os finais do III milénio a.C. marcam, de forma indelével, todo o quadro sócio-comunitário, mas também os ecossistemas em que o mesmo se insere.
Assiste-se agora a uma maior sedentarização dos habitats que, em alguns casos, se dotam de fossos e paliçadas, talvez nem tanto enquanto medidas defensivas, mas mais indiciadoras de estatutos de prestígio, chefatura a chefatura; o crescimento demográfico é já notório; as metalurgias do cobre, bronze e, de certo modo, do ouro - embora este batido a partir de pepitas - constituem indicadores ergológicos significativos.
A uma olaria de cozinha, de fabrico manual, na sequência das tradições anteriores, embora de formas diferenciadas, em que predominam vasilhas de fundos plano-convexos, junta-se agora uma olaria de mesa, de fabrico cuidado, superfícies brunidas e perfil carenado, ostentando no fundo o característico omphalos, comum às cerâmicas de cronologias idênticas, que se encontram em outras regiões e em povoados congéneres.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

David - Parte II

Porquê David?

Num post quase antes deste, foi feita alusão ao Rei David, que a Bíblia menciona, mas também, como se percebeu, para dizer que o meu neto se chama David. Já fizeram um comentário, chamando-me avô (porque o sou), acrescentado um adjectivo qualificativo: «babado». Está bem, no que de bom e amigo se pretende transmitir.
Mas hoje venho com o tema dos Salmos, por causa do profeta David, em parte II, para cumprir o que lá ficou prometido.
Falar dos Salmos (da Bíblia, como é lógico) e para dizer, como ficou expresso, porque é que a numeração dos Salmos estão feitos, a partir do salmo 10, em duas numerações aparecendo uma normal e outra entre parêntesis. Exemplo, salmo 104 (103).
Como se disse o livro dos Salmos, terá tido vários autores e encontra-se directamente ligado à mais antiga designação utilizada para esta colecção de poemas ou cânticos religiosos. O nome para português deriva da palavra grega «Psalmoi» que é a que foi utilizada na antiga tradução grega, conhecida pelos Setenta, e que quer traduzir o termo hebraico "mizmorôt" (cânticos). Admite-se que este é o termo hebraico mais antigo.
A organização do livro dos Salmos, na Bíblia Hebraica actual, é constituída por 150 salmos, dos quais os salmos 1 e 2 são a abertura o salmo 150 representa o encerramento. Já disse que há, nos salmos, muitas referências e factos que constituem, de facto, passagens dos tempos de David e, na maior parte, se admite que este profeta é um dos seus autores. Mas existem factos, relativamente denunciadores do pós exílio, como outros pós-David, quase a roçar o início do Novo Testamento.
Voltemos à organização.
Na história antiga do texto bíblico, as numerações dos salmos variaram bastante, mas o conteúdo literário manteve-se. Como a divisão do texto era feito de maneiras diferentes, que resultava um número umas vezes inferior e outras superior a 150. Este era o número canónico no texto hebraico, conforme o encontraram os tradutores dos Setenta.
Assim, um resto desta situação dos Setenta na variedade da numeração dos Salmos é aquela que ficou e que transitou para as traduções latinas dela dependentes. Nestas, os salmos que se encontram entre o 9 e o 147, têm um número a menos, é adoptada pelas edições litúrgicas e no texto surge entre parêntesis.
Seria interessante podermos apresentar um mapa com as numerações conhecidas e usadas pelas duas Bíblias. Não me parece possível. Dizemos assim, por não sabermos como se faz em texto de blogue. Experimentamos, mas não deu.

É evidente que esta apresentação fica muito àquem daquilo que são e representam o Livro dos Salmos. Não se esgotaria só nesta explicação do porquê da ordenação numérica, como, por exemplo, os temas da interpretação, composição e datas, uso e lugar na Bíblia, classificação e, até, a teologia dos mesmos, nomeadamente, nesta matéria, sistematizar o pensamento que nos é oferecido.

Curiosidades

A couve de 3,40 m de altura e o proprietário do quintal
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Os fenómenos da natureza
Nas Cavadas de Baixo – Valongo do Vouga

Naturalmente que todos já ouvimos falar e até vimos coisas consideradas autênticos fenómenos em que a natureza sempre nos surpreende. E, neste caso, foi o que aconteceu no quintal da residência do sr. Manuel Silva Fonseca, do lugar de Cavadas de Baixo, da freguesia de Valongo do Vouga.
O Manuel Silva Fonseca, que reside naquele lugar, tem um pequeno quintal, o qual vai ocupando e «tratando» com aquilo que, certamente, como a todos nós, vai fazendo falta. Couves, hortaliças, tubérculos e os mais variados vegetais que toda a gente recomenda que se consumam por serem mais úteis e mais saudáveis.
Depois de ter calcorreado durante umas dezenas de anos as Franças, o sr. Manuel Silva Fonseca lá vai ocupando o tempo e plantando aquele género de plantas de subsistência para si e para os seus.
E não descansou enquanto não viu no que ia dar uma couve, que começou a ser de tamanho descomunal, até que nos convida para visitar o quintal e tirar uma fotografia que aqui ilustra o post, pois, para confirmar o que nos dizia, tivemos de pegar numa fita métrica e verificar que a couve cresceu de tal maneira até atingir os 3 metros e 40 centímetros. E aquele conterrâneo, quando lá chegámos, dizia que a couve media 3,07 metros, mais ou menos. Acabamos por confirmar que, afinal, a altura era superior àquela que ele supunha ser a correcta.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Utopias

O concelho de Valongo do Vouga



Esclarecimento: - Esta ideia (de palavras) foi, em Abril de 1998, publicada no jornal paroquial «Valongo do Vouga». Era (e agora não sei se ainda é) uma brincadeira, uma utopia. Mas não tão longe quanto possa parecer ou que alguns também já tenham cogitado. O que escrevi, naquela altura, estava assim:


"Há já muito tempo que tínhamos magicado uma mentira para o dia 1 de Abril. Foi dada a conhecer a pessoas ligadas às actividades da Comunicação Social. Acharam-na com muita piada e redobrado entusiasmo. Porém, nunca passou mesmo das ideias.
Como este periódico não sai no dia 1 de Abril, e porque o desmentido que era necessário só saía passado um mês, ficaram mesmo por aqui as intenções de brincar um pouco com coisas sérias.
Pelo que por aí se passa e tem passado [isto em 1998], embora com alguma naco de curioso e brincalhão, nalguns onde parece existir razão e noutros casos onde os factos sucedem quase por arrastamento; quando pequenas localidades passam de aldeia a vila e simpáticas vilas passam a cidades; quando se fazem incursões e excursões para obter para a sua dama o protagonismo num país já de si pequeno na área; quando, por tudo e por nada, se pretende, com os títulos, parecer o que talvez até nem é, estão criadas as condições para também, a sério, se brincar com tudo aquilo que na mediatização própria que estas coisas têm sofrido, levar a crer que na realidade com qualquer argumento se pode transformar um pequeno território.
Vem aí a regionalização [era o prato forte em 1998], que talvez seja motor de transformação ou de descoberta de ideias do género. O plano da mentira era assim;
1.-Seria criado o concelho de Valongo do Vouga, com a inclusão das freguesias de Macieira de Alcoba, Préstimo, Macinhata e Lamas do Vouga:
2.-Por causa da regionalização (na altura da ideia ainda não se falava em nada disto), as freguesias de Macinhata e Lamas, deveriam ser reorganizadas, na sua geografia territorial, ficando Sernada (do lao de lá do rio Vouga) a pertencer a Albergaria e Carvoeiro a Valmaior, e do lado de Lamas (como é pequenina, mas simpática e histórica freguesia) ficaria aumentada com os lugares de Serém e da Mesa. A Cavada Nova podia ficar em Albergaria, sem grande trabalho, pois até já lá está paredes meias...
3.-A freguesia de Valongo, grande no seu território e lugares, seria dividida em duas; uma, ficaria sediada na Veiga, que está lá em cima no parapeito, como mãe extremosa em permanente sentinela velando pelos seus filhos e a outra freguesia seria a de Brunhido, que até já foi concelho. Estas ficariam divididas pelo rio Marnel. Que faria a fronteira...
Valongo seria a sede do novo concelho, que até nem precisava de ser sede freguesia...
EM CONCLUSÃO: - Teríamos aqui um forte concelho de seis freguesias. Que diriam os outros? Pouco importa para o caso, pois o que interesa é que se peguem nas coisas pequenas fazendo-as muito grandes...
Malucos? Ainda não... Com tudo o que por aí vai, basta a imaginação e pô-la a funcionar...
E é coisa do outro mundo? Já vimos piores.... [e há concelhos mais minúsculos]

Nota: - Esta brincadeira nada tem de menosprezo com os movimentos de emancipação de muitas localidades, por esse país fora..." (fim de citação).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

David

Porquê David?

A actividade bloguista é mesmo assim. Serve, para além da temática a que se dedica, poder expor, livremente, ideias, expressões, interpretações e outras conjecturas que a cada momento afloram na mente semântica.
Então, habituados que estão os meus visitadores a determinada linguagem, afloramento de temas, histórias, factos, etc., dão, de repente, sem mais, com a palavra David! Porquê?
Vamos ver.
David: nome próprio de pessoa.
Na história sagrada: David foi profeta entre 1042-972 a.C., um inteligente homem do seu tempo, e, conforme consta na Bíblia, segundo rei de Israel. Antes fora rei Saul, a quem fora retirado o ceptro. Este, entretanto, morreu.
E David foi ungido rei, nas condições conhecidas, por aqueles que conhecem (passe o pleonasmo).
Onde nos apoiamos, a Bíblia, – Difusora Bíblica, 5ª edição, Março de 2006 – nos primeiro e segundo livros de Samuel, do Antigo Testamento, são de dedicação quase exclusiva, a duas grandes figuras do AT – Saul e David.
David, favorito de Saul, casou com uma das suas filhas, Mical. Após a morte do sogro, fez-se proclamar rei dos judeus em Hebron. Vencido Golias, derrotou os Filisteus, conquistou Jerusalém e edificou nela a capital do reino. Reorganizou a vida civil e religiosa do povo hebreu e ampliou os limites do reino até Damasco e ao mar Vermelho. Os últimos anos da sua vida foram marcados por acontecimentos amargos, como a rebelião e a morte de seu filho Absalão, o seu adultério com Betsabé, e as disputas pela sucessão, que veio a recair em Salomão, um dos profetas do AT. Foi ainda músico e poeta, segundo a tradição, a ele se ficando a dever, em grande parte, o Livro dos Salmos.
O profeta Samuel foi o grande intermediário sagrado entre Saul e David. E este tudo fez para que o povo não ficasse desorganizado e desorientado. Israel conheceu, na época de David, grande prosperidade e paz.
A David está, na crença e em algumas passagens, ligado o Livro dos Salmos, mas, para falar disso não são suficientes duas linhas. Mas muitas folhas. As tradições hebraicas e cristãs sempre atribuíram uma grande importância a David, como sendo o autor dos Salmos. Isto apenas coloca em evidência o ascendente que este rei teve na criação das instituições de Israel. É ao culto, a que está ligado, a composição da maior parte dos SALMOS. Mas estes poemas foram compostos e conhecidos ao longo de alguns séculos e alguns deles poderão ter sido mesmo escritos não muito tempo antes do Novo Testamento. E nada impede admitir que alguns sejam mesmo muito anteriores ao Exílio. E cada salmo apresenta-se com duas numerações, cuja explicação fica para uma próxima oportunidade.
E, finalmente, p'ró que te deu! Porquê David? Por tudo o que fica dito. E PORQUE É O NOME DO MEU NETO…

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina



Da ancestralidade da ocupação romana - I

A existência de abundantes recursos naturais em toda a região do Vouga/Marnel favoreceu a ocupação humana desde épocas recuadas, tornando o Cabeço do Vouga e respectivos terraços fluviais, na cabeça do povoamento neste trecho do Baixo Vouga.
Encontram-se assim, nas margens do rio Vouga, provas irrefutáveis da grande antiguidade, para a região, da fixação humana, mesmo que ainda de carácter precário e sazonal.
Remontam pois ao Paleolítico Superior, há cerca de 40.000 anos, os primeiros vestígios credíveis de que grupos humanos, de economias incipientes, com base na caça, na pesca e na recolecção, aqui se "fixaram".
Tais testemunhos têm apenas um carácter artefactual, ou seja, estes grupos deixaram-nos marcas da sua passagem, nos objectos que, de uso quotidiano, nos legaram, tais como seixos talhados, lascas retocadas, lâminas, lamelas, alguns exemplos de vasta panóplia da cultura material destes caçadores, pescadores, recolectores.
Com o advento do optimum climático e a melhoria das condições atmosféricas que, a partir do V milénio, se começam a fazer sentir, com alterações não só ao nível da subida da temperatura média mas também, e daí decorrente, da modificação dos níveis aquosos, do coberto vegetal e das espécies animais, a densidade populacional acentua-se e, como consequência, os vestígios ocupacionais tornam-se mais visíveis.
A sedentarização começa a afirmar-se: as actividades do pastoreio e da agricultura passam adquirir um estatuto mais marcante, modelando também elas a paisagem envolvente.
Estas transformações, que ocorrem entre o Neolítico e o Calcolítico repercutem-se, como não poderia deixar de ser de outra forma, no tecido mágico-religioso destas comunidades.
Daí as grandes manifestações de carácter funerário, bem documentadas pelas sepulturas colectivas - mamoas ou tumuli - identificadas na região; elegia final, dos vivos para os mortos da comunidade, os pais ancestrais, fundadores da mesma.

(Continua)

(Extraído do Guia da estação e do visitante, da Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - Sítio da Mina, Edição da Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, Texto e imagem de Fernando Pereira da Silva, Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento, Janeiro de 2008).

Vende-se


Castelo de Milfontes está à venda

O Forte de São Clemente, mais conhecido como Castelo de Milfontes, no concelho de Odemira, um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, que 'protege' há mais de 400 anos a foz do Rio Mira, está à venda.


Ver notícia no SOL aqui.

domingo, 22 de novembro de 2009

Justificação

As minhas desculpas

Peço desculpa por hoje não ter aparecido.
Mas é isso mesmo. Estive ausente até agora.
Volto a partir de amanhã.

sábado, 21 de novembro de 2009

Aveiro - Com polos opostos

Aveiro é o centro da pedagogia social

Quando a cidade de Aveiro está no centro das atenções devido ao processo «Face Oculta», o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social realça que “há um sistema de corrupção que percorre todo o país”. E acentua: “Concentrarmo-nos na construção do Bem Comum será uma forma de optarmos pela transparência, honestidade, pela responsabilidade de todos e não pelos jogos de bastidores, escondidos, por negócios ocultos que são sempre prejudiciais para as populações e para o Bem Comum”.
O medo e a crise “não podem cercear rasgos de ousadia da caridade e horizontes de esperança para a humanidade” – frisou o Bispo de Aveiro. O Bem Comum não se pode “hipotecar a interesses transitórios de grupos ou a hábeis oportunismos de privilegiados” – acrescenta o prelado.


In Agência Ecclesia, ler notícia completa clique aqui

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Natal?!

Pai Natal vai desaparecer!

Com culpas quase exclusivas, outrora, pela usurpação das festas natalícias, o Pai Natal pode mesmo ter os dias contados. São hoje novas as personagens que se lançam à conquista das emoções que a quadra gera. Não para fazer esquecer – como se fosse possível - o acontecimento central do Natal, o nascimento de Jesus Cristo. Antes com a ousadia, atrevimento mesmo, de “competir” com o Pai Natal, qual “genérico” desta época do ano.
Os dias que correm não colocam só em tensão a maior valorização do Presépio ou da árvore de Natal, do Menino Jesus ou do Pai Natal. Ganham relevância pública outras personagens, imaginadas, criadas e propostas apenas com o objectivo de induzir a comprar. E com a agressividade suficiente para atingir o imaginário de adolescentes e jovens, moldar comportamentos e criar novas necessidades.


Veja o comentário completo aqui

A história local

Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina

Justificações
Após a edição de duas publicações editadas sobre a Estação arqueológica do Cabeço do Vouga, sítio da Mina, de que a última data de 2002 e tendo presente que esta conheceu duas reposições, sem quaisquer alterações, tornava-se imperativo, face aos desenvolvimentos ulteriores verificados e aos conhecimentos adquiridos, dotar este Imóvel de Interesse Público de uma nova publicação que, em dia, informasse todos os potenciais visitantes e/ou interessados no património da sua terra, do ponto e do conhecimento em que se encontra a investigação sobre este admirável, quanto único, sítio arqueológico.
Assim nasceu esta publicação, que não se assume apenas com um mero roteiro das ruínas arqueológicas, mas também como um repositório de informação actualizada sobre o sítio em causa.
Para tal, aquilo que eventualmente se tenha perdido em texto, se comparado com as publicações anteriores, ganhou de sobremaneira na iconografia com que se pretendeu documentar todas as etapas vivenciais na ocupação deste espaço de micro geografia particular, no Baixo Vouga.
Espera-se que esta nova publicação atinja os objectivos com que naasceu: informar com actualidade o processo diacrónico de humanização de um espaço geográfico do Baixo Vouga, mas também o de acicatar o estímulo pelo conhecimento, o respeito e a admiração por um património que a todos pertence, que diz particular respeito às gentes do concelho de Águeda mas, mais sentidamente ainda, porque sempre presente, à população da medieva villa de Lamas do Vouga, hoje freguesia do mesmo nome.

Uma micro geografia peculiar
Relevo de média altitude, no quadro das montanhas ocidentais, o Cabeço do Vouga destaca-se sobranceiro a um meandro do Rio Vouga, na sua marqgem esquerda e ao rio Marnel que lhe corre sensivelmente a sul, constituindo uma expressão do modelado característico da fachada litoral.
De altimetria suave, cujo cume não atinge os 90 metros de altitude, apresenta-se organizado orograficamente em duas bancadas altiplanálticas - terraços - em arenito do Triásico, com altitudes diferenciadas, respectivamente o Monte Marnel e o Monte Redondo, os quais se ligam mesialmente por um "istmo" onde, no séc. XVI, foi erguida a capela em honra do Divino Espírito Santo, também conhecida como da Vitória.
Dada a posição geográfica peculiar, de sopés banhados pelos rios Vouga, a norte e o rio Marnel, a sul, favorecendo a existência de zonas de recursos significativos, ao longo do tempo foi palco de vivências multisseculares que deixariam abundantes vestígios.
Tais vestígios atravessariam o tempo, tendo os registos cartulários conservado a sua existência, particularmente no "mons marnelae": ruínas, muralhas, eventualmente uma fortaleza ou "castellum", dada a existência de muros com envergadura assinalável.
A par de tais ruínas, as actividades agrícolas trariam à luz do dia exemplares vários da cultura material das diferentes populações que no local e seu aro, se estabeleceram.
Com o tempo, mitos e lendas foram-se apropriando daquele espaço e suas ruínas, alimentando o imaginário popular mas, também, sem disso se darem conta, abrindo a porta a futuras investigações que esclarecessem a natureza das mesmas.

(Texto retirado da brochura "Guia da estação e do visitante", Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga - sítio da Mina, Edição da Câmara Municipal de Águeda/Gabinete de História e Arqueologia, Janeiro de 2008, com texto e legendagem de Fernando Pereira da Silva, Design de Pedro Alves/Divisão de Estratégia e Planeamento.)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Coisas e Loisas - 7

A propósito de equipa de trabalho
...
Não resisto, face ao conteúdo do post anterior e com a devida vénia aos autores e que o caso merece, em deixar esta gravura, que só a criatividade brincalhona de brasileiros consegue satirizar à sua maneira. Cada um que veja como entender...
....
Imagem original: www.jornaldosamigos.com.br

Coisas e Loisas - 6

Nos meus arquivos, vou encontrando alguns documentos, como este que em 7 de Dezembro de 2000 a Internet nos permitia obter. Em vez de adaptar o seu conteúdo à actualidade (embora ainda não tenha decorrido assim tanto tempo), pensei em transcrevê-lo exactamente como foi obtido do site do "PúblicOnline" daquela data. O seu conteúdo é o seguinte, com este título:
......

Por Que Agridem os Chefes?
Gravura colhida no blog administracaointerativa.blogspot.com
«O objectivo pode nem sempre ser tão explícito como forçar a pessoa a sair da empresa. O apetite pela máxima produtividade é, regra geral, a causa maior. As exigências começam na administração, passam pelas chefias intermédias, descem às inferiores e estas, por sua vez, exigem aos funcionários o cumprimento de objectivos em prol do capital.
E são precisamente os chefes em contacto com os funcionários os que, no entender do sociólogo Elísio Estanque, são os principais agressores. "Controlam pequenos grupos e criam nestes núcleos microfascismos, que provocam um enorme desgaste nas pessoas."
O primeiro sintoma é a exigência de uma "dedicação militante ao trabalho", descreve o especialista. "E, quando as pessoas começam a invocar direitos ou instâncias, o chefe de um modo geral não aceita e começa a desencadear uma série de pequeninas vinganças." Nestes pequenos núcleos, onde o lado informal das relações é mais visível, tornam-se mais confusos os direitos e as posições das pessoas.
Por outro lado, as novas tendências na sociedade, sobretudo um maior individualismo, propiciam este tipo de agressões. "As pessoas recorrem mais a determinados subterfúgios, usam máscaras, são menos directas, porque as condições de competitividade para a conquista do posto acima, do reconhecimento, assim obrigam."

R.B.»

Recordando

O comboio descarrilou
........
Estava de volta de algumas fotografias e encontrei a que a seguir apresento. Nesta fotografia, como facilmente se percebe, mostra uma barreira que desabou em consequência de um temporal há já alguns anos, no início de 2001, junto da linha férrea do Vale do Vouga.

O que sucedeu depois deste desabamento é também para recordar. Para isso, socorri-me da notícia que entretanto redigi e foi publicada no semanário local «Região de Águeda», de 16 de Fevereiro de 2001. Ao reler tal notícia achei interessante aqui deixar este escrito bloguista.
Resumindo, no espaço de 48 horas, duas composições ferroviárias descarrilam na linha do Vouga, a poucas dezenas de metros do apeadeiro de Carvalhal da Portela. E dizia assim na notícia:

«Após a notícia sobre o desabamento de uma barreira de terra, junto ao apeadeiro de Carvalhal da Portela, que colocou em perigo a normal circulação de comboios, podemos anunciar que as composições voltaram a circular entre Sernada e Aveiro (e vice-versa). Porém, no passado sábado, dia 10 do corrente [Fevereiro de 2001], cerca das 14 horas, precisamente no local onde se encontra diminuida a faixa de terreno entre a linha férrea e a barreira que ruiu com o temporal, uma composição que circulava no sentido Sernada-Aveiro, próximo daquele apeadeiro, descarrilou.»
E mais abaixo:
«Na última segunda-feira, dia 12 [de Fevereiro de 2001] a automotora que fazia o mesmo percurso e à mesma hora, voltou a descarrilar, exactamente no mesmo local do incidente anterior, ou seja, junto da barreira desabada.» Mas as obras de reparação, como se nota, já tinham começado.
Seguem-se mais umas explicações mas o que interessa é a foto da barreira que desabou no local indicado e a digitalização da notícia publicada por aquele periódico, para recordar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O pé no chão e o coração na vida

Vida melhor numa sociedade minada?



É verdade que a sociedade está minada pela mentira, a corrupção, as riquezas dúbias, as infidelidades de toda a ordem, o menosprezo lamentável por valores fundamentais, como a vida e a família. É verdade que, na grande política, o bem comum foi abafado pelos interesses individuais e de grupos. É verdade que existe uma crise de modelos e de referências morais e muita gente parece ter perdido o norte e o sentido da vida. É verdade que valores sociais, assim ditos, se traduzem, hoje, por coisas que nada valem ou são veneno corrosivo. É verdade que não faltam meios públicos para suportar campanhas destrutivas e suspeitas, mas são cada vez mais escassos os meios necessários para investir em favor dos que mais precisam e apoiar causas que promovem o bem e a verdade.


António Marcelino
Bispo Emérito de Aveiro
Ver artigo completo na secção Opinião aqui

A história local

Estação arqueológica do Cabeço do Vouga
Sítio da Mina
......
Havia já algum tempo que não visitava este local da arqueologia do Cabeço do Vouga, no sítio da Mina. Fica do lado direito da estrada que vem do rio Vouga, pela ponte antiga. Os trabalhos arqueológicos estão suspensos, pelo que vi. E já o estavam desde a última vez, salvo erro ainda este ano ou finais do anterior. Não importa para o caso.
A Câmara Municipal continua a ter pessoal que ali vai preservando e realizando manutenção. De notar que, no aspecto técnico, mantém uma pessoa especializada. Por sinal, agora, uma jovem técnica de arqueologia, mais concretamente virada para a área da pré-história, creio.
Para não estender em demasia este post, informa-se que a visita pode ser guiada e, ao fim-de-semana, por marcação em grupos, sendo no final entregue a qualquer visitante umas brochuras explicativas e com informações úteis sobre a Estação Arqueológica do Vouga (sítio da Mina) e até postais ilustrados do local, de algum material ali encontrado e que está devidamente identificado e catalogado, editados pela Câmara Municipal de Águeda.
Abreviando, são esses postais ilustrados que, digitalizados, aqui deixamos para os curiosos e estudiosos destas coisas. Sobre este assunto por cá voltaremos.
......

A recordar

Valongo, nosso torrão
.....

Pela nossa freguesia,
De beleza sem igual,
Anda com muita alegria
O seu «Grupo Coral».

A saudar toda a gente,
Nesta quadra festiva,
A pedir o seu presente
Para que o «Grupo» viva.

Valongo, nosso Torrão
Nele o Marnel a passar,
Levando em turbilhão
As águas da serra ao mar.

Com votos de bom Natal
E também dos Santos Reis
Presente o «Grupo Coral»
P'ra que dele vos lembreis.

P'ró ano se Deus quiser
Cá estaremos de novo
Neste salutar mister
De saudar o «Povo».

Nota: - Esta letra é da autoria de um grande amigo, Nelson Morais Rachinhas, falecido em 11 de Novembro de 1987, de Carvalhal da Portela, marido da D. Helena Botelho Leitão Rachinhas, professora jubilada, mas, como se deixa perceber, havia uma parte musicada, da autoria de Manuel da Fonseca Morais, de Arrancada e também já falecido.
Estes versos cantados serviram para uma actividade de angariação de fundos para o Grupo Coral da Igreja e a ele faz referência o Jornal paroquial «Valongo do Vouga», no número de Janeiro de 1976.
Porque já lá vão 33 anos, quase 34, fica para recordar...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Em Aveiro - Semana Social


Subordinada ao tema A construção do bem comum: responsabilidade da Pessoa, da Igreja e do Estado, é uma organização da Comissão Episcopal da Pastoral Social.
A Semana Social 2009 conta com o apoio de um Secretariado sediado na Cáritas Diocesana de Aveiro, que assegurará entre outras funções, o esclarecimento de dúvidas e a recepção de inscrições.

Parece que vão estar presentes pessoas de Valongo que se dedicam a esta actividade sócio-caritativa.

Para saber mais clique aqui


Tempo dos Tempos

Danificam o clima!

Gravura do blogue santa-nostalgia.blogspot.com

Cheguei a dar comigo e com a minha cara-metade a fazer comparações com o tempo climatérico que vivíamos no tempo de escola e aquele que agora nos martela. Chegamos à conclusão que na realidade não seria necessário fazer este exercício mental para concluir o que era e é óbvio. O que é certo é que nas conversas caseiras, dividimos e recordamos o tempo na sua essência. A primavera distinguia-se: era mesmo Primavera.

O verão era mesmo o verão típico de calor dentro de uma época. No outono, era o cair da folha e outras coisas. No inverno, em Outubro, princípio de Novembro, já havia geada a rodos. E chuva, muita chuva. Recordamos a primavera com o nascimento das viçosas plantas, verdinhas, flores e ervas que germinavam, os carvalhos e outras árvores com as suas novas folhas. Os primeiros passarinhos, as muitas andorinhas (onde é que elas andam agora?).

No verão, aquele calor próprio, mais seco que agora, mas violento e vinha sempre nos meses próprios. Pouco chovia nesta época. De seguida o Outuno, a maior parte do tempo com rajadas fortes de vento leste a sacudir violentamente os carvalhos do Dr. Augusto Santos, em Aguieira, onde nós, crianças, passávamos algum tempo a juntar as folhas e a fazer grandes resguardos, paredes de montes de folhas, mais parecidas com ninhos um pouco agigantados.

Depois o inverno. Íamos, a maioria, descalços para a escola ou com calçado rudimentar e de fraca qualidade. Como as estradas não eram alcatroadas, fartávamo-nos de partir a «vidraça» de gelo que existia nas poças e nelas se encontravam, até chegar à escola. Eu penso que estou a delirar com estas histórias, porque todos sabem que isto era assim e agora não anda bem. Mas faz-se pouco, ou quase nada, pela mudança das coisas. Vejam as notícias que chegam dos responsáveis que andam a estragar tudo isto, nomeadamente os maiores países do mundo. O homem vai ser o assassino do próprio homem, com mais anos ou menos anos percorridos... e nisto parece que estamos todos de acordo. Até quando, também não sei...

Gente destas terras - 18

A Mónica Silva, ainda pequenina, creio que com o seu 1º troféu na Casa do Povo
..........
Mónica Silva

Quando há dias aqui escrevi sobre o atletismo que passou a existir na freguesia, através da Casa do Povo de Valongo do Vouga, escrevi de forma resumida e o mais sintético possível.
A Mónica neste desporto começou a desabrochar bastante cedo as suas qualidades e propensões para a modalidade. Nas provas em que participasse, obtinha, quase sempre os primeiros lugares. Evoluiu, saiu da Casa do Povo e foi até à ADERCUS. Daqui foi não sei para onde. Mas creio que foi integrar a equipa de atletismo do Futebol Clube do Porto. Destacou-se na modalidade.
Participou nos jogos da Lusofonia (creio que é assim que se chamam), chegando a ir até Macau. Ali, com as mais destacadas figuras do atletismo nacional, ganhou uma das provas principais, à frente de consagradas, nomeadamente de Fernanda Ribeiro, que pelo que nos foi dito, foi mesmo a Fernanda Ribeiro, que corria ao lado da Mónica, a qual não estava, talvez, nos seus dias. E vai daí, vira-se para a Mónica e diz; «Mónica não posso, vai tu sózinha». E a Mónica avançou e ganhou.
A Mónica além de disicplinada, que aprendeu a ser, não gostava muito, no início, do atletismo. Dizia que tinha de se levantar muito cedo. Mas um dia, com a teimosia da irmã e do pai, foram até à Mourisca, onde havia daquelas provas de brincadeira ou parecidas. E quando lá chegou, insistiu com o pai que não queria participar, alegando que eram crianças mais pequenas do que ela, pelo que, se participasse, iria certamente ganhar. Mais tarde foi isso que aconteceu.
E, na Casa do Povo, parece que tiveram de lhe dar uma medalha antecipadamente para ela participar. E foi aqui que ganhou o primeiro troféu. Creio que é aquele que está na fotografia acima.
Hoje a Mónica está integrada, o que ainda não é do domínio público, num grande clube de atletismo: O Maratona Club de Portugal, do Porto. Não fora um acidente de viação e já a Mónica teria participado, creio que pela primeira vez, numa prova de maratona.
Por último, dizer que o dia 25 de Novembro é um dia especial para a Mónica. E espero que seja um dia feliz, porque é o dia do seu aniversário.
Aqui deixo estas memórias de uma pessoa de Valongo que vai brilhar, estou certo, naquilo que gosta de fazer. Mas que se queixe da disciplina e da organização... porque sem isso nada se faz, nada se consegue.
Cheguei a obter fotografias, nas primeiras provas da Casa do Povo, como das mais pequeninas atletas da nossa Terra. Ao lado o Ti Chico, um atleta que, creio, sendo já septagenário, ainda participava nestas provas. Achei interessante aquilo que escrevi no jornal «Valongo do Vouga» da época, colocando a fotografia lado a lado, como a mais jovem e o mais idoso.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Gente destas terras - 17

Manuel Marques Soares (gravura digitalizada do jornal «Valongo do Vouga»)
«Chama-se Manuel Marques Soares. É casado e criou um pequeno rancho de filhos. Tem já alguns netos. É sapateiro, foi operário fabril. É um bom chefe de família.
E neste modesto e pequeno curriculum falta-lhe um factor demasiadamente importante para alguns, senão mesmo para muitos Paroquianos de Valongo do Vouga: É sacristão da nossa igreja Paroquial desde o último domingo de Maio de 1951, por sinal, lembra-se ainda, era o dia 31. Foi-lhe feito o convite pelo então Pároco da Freguesia, já falecido, Padre Manuel Vieira de Oliveira. Substituiu (se assim se pode chamar) Cândido da Paz Corga e Porfírio Tavares da Silva que tinham organizado entre si o serviço que o sr. Manuel passou a desempenhar.
É assim, de forma simples, como o é o sr. Manuel, que se pretende assinalar uma efeméride de 40 anos de serviço em favor dos cristãos de Valongo do Vouga.»
Seguem-se outras considerações enaltecendo o exemplo e a dedicação, terminando o texto que escrevi naquela altura do seguinte modo:
«No passado dia 23 de Junho [de 1991], dia em que, por conveniência paroquial, se festejou o Padroeiro S. Pedro e se fez o «encerramento do ano de catequese», no final da Missa das 11 horas, foi entregue ao Sr. Manuel Marques Soares por um membro do Conselho Paroquial uma salva de prata a recordar os quarenta anos de dedicação à Paróquia.»
Tenho por aí algures recortes de uma reportagem a assinalar os 50 anos de sacristão que, entretanto, redigi e publicada no jornal local «Região de Águeda». Já depois disso, foi feita uma pública homenagem ao «Manuel Sacristão» no restaurante «O Canto», sendo já Pároco da Freguesia o Padre João Paulo Sarabando Marques.
Há pouco tempo foi vítima de doença cardíaca e encontra-se na sua residência, tendo evoluído favoravelmente o estado físico e de saúde. Porém, já não com a mesma facilidade e agilidade de antigamente, ainda se desloca até à igreja e quando necessário pega no comando e faz funcionar o sino. Aos domingos, às dez horas, não se «esquece» de ocupar um qualquer lugar e participa assiduamente na Liturgia.

Um exemplo de serviço

"Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos" (Mc 9,3)

No jornal «Valongo do Vouga», que continuamos a respigar e a revisitar, do mês de Julho-Agosto de 1991, escrevi sobre o sacristão da igreja de Valongo, Manuel Marques Soares, apenas o que se transcreve a seguir:

domingo, 15 de novembro de 2009

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 10

Assistência que aguarda atletas na meta (digitalização
 de gravura do «Valongo do Vouga»)
 
Atletismo
....
Com Carlos Lopes

Este atleta, por todos conhecido e admirado, esteve já em Valongo do Vouga. E precisamente para «apadrinhar» a primeira prova oficial de atletismo na freguesia. Sabe quando isso aconteceu? E se sabe, lembra-se?
É evidente que ajudo através dos meus arquivos (modestos) e do jornal paroquial «Valongo do Vouga». Foi em 7 de Abril de 1991. Não foi há muito tempo, mas, apenas, há 18 anos!
Neste jornal, escrevia o seguinte, no número de Abril de 1991. «Abrimos as informações noticiosas sobre desporto, neste número de Abril, com um facto inédito na freguesia. No dia em que este número chegar a casa dos seus leitores já se terá realizado um prova de atletismo, em vários escalões, que tem o patrocínio da Casa do Povo de Valongo do Vouga» E mais abaixo, acrescentava: «A este facto, que acontece pela primeira vez na freguesia de Valongo do Vouga, nos referiremos em pormenor no próximo número...» E a seguir: «A prova conta ainda com a presença do campeão Carlos Lopes e da sua equipa, pelo que tudo promete que seja um êxito.» E foi...
Não vamos transcrever tudo, mas deixamos estas notas daquele jornal do mês de Maio, em que escrevi:
«E a freguesia saiu um pouco da letargia em que se tem encontrado, porque após ter sonhado, saiu realidade o dia 7 de Abril findo, passando a ter aquilo que poderá ser um marco importante no desporto local, além de futebol...»
«O tempo ajudou a festa daquele domingo, com a presença do campeão Carlos Lopes que com a sua equipa (Belenenses) marcou presença condigna e foi até esta equipa que individual e colectivamente venceu a prova rainha.»
Seguem-se outras considerações, tendo sido destacados os jovens atletas Liliana Margarita, Mónica Raquel e, em equipas, vencendo em minis (800 metros).
E, sem grande risco, é de afirmar que já há 18 anos consecutivos que temos atletismo de nível na freguesia e a ele ligados factores históricos nacionais e internacionais que mereciam outros destaques neste naco de prosa histórico-desportivo da freguesia e da Casa do Povo de Valongo do Vouga, com os feitos dos seus atletas, pelo país e pelo mundo, desde o Oriente ao Ocidente, passando pela Europa.

sábado, 14 de novembro de 2009

O nosso blogue


Reorganizar (renovar)

As ideias surgem sempre, em catadupas, que raramente conduzem de forma correcta a concretizar aquilo que julgamos ser útil. No caminho mudamos de opinião e outras ideias surgem.
Uma das coisas que aqui já está mal, embora propositadamente colocado, é aquele título «O nosso blogue». O blogue foi aqui colocado, organizado, baptizado, foi escrito... mas a partir de certo momento, entrando na auto-estrada cibernauta, ele deixa de ser meu ou nosso, no sentido restrito, embora legalmente seja eu o responsável. Entrando no espaço cibernauta, o blogue já não é nosso, é de todos. Mas quando se se encontra qualquer coisa que não obedece às regras ou pise os riscos de alguma legalidade, para uns tantos e que para nós seja desconhecida, aí vêm um ror de entidades e gentes a actuar sempre pronta e eficientemente (e zelosamente), como já sabemos.
Pensar, pensamos. Agir, queremos agir, mas afinal aquilo que na nossa situação quereríamos fazer (porque agora queremos fazer tudo), concluímos também que, afinal, o tempo que julgávamos poder dispôr a partir de agora seria suficiente para tudo isso, mas escasseia a olhos vistos. Tenho a sensação que o tempo está a correr muito depressa.
Mas o projecto que tenho em mente na reformulação deste blogue é tentar introduzir-lhe mais imagens desta terra, sendo necessário tempo e material para concretizar esta ideia.
Temos intenção de criar rubricas próprias, tipo etiquetas para os temas, surgindo-nos, para já, algumas facetas relacionadas com, por exemplo, uma rubrica chamada «RECORDAR» «OS NOSSOS CANTINHOS» que tem algum relacionamento com as referidas imagens e ainda algo mais sobre «INSTITUIÇÕES».
Estas ideias, além de outras que, certamente, irão surgir, terão em vista poder levar uma mensagem de saudade a todos os nossos conterrâneos da diáspora (ausentes de cá, até noutros países), para que lhes possamos recordar, se for o caso, algumas facetas, locais e outras curiosidades.
Vamos lá a ver se consigo o tal engenho, arte, tempo, disponibilidade e meios.
Apenas para «mostrar» um pouco dessa intenção, deixo aqui uma amostra com algumas fotos de uma igreja muito conhecida, que tem algumas peças e recantos já classificados de monumento nacional. Isto também para ilustrar este texto e a pública intenção. O local, não necessita de ajuda para se identificar. É a igreja de Nª Sª da Glória (Sé de Aveiro). Não foi nem é por nada de especial, apenas porque escolhi fazer fotos nocturnas, para experiência (e para aprender alguma coisa), neste local.

Fado de Coimbra

Já cá faltava um, há muito!

Os espirros!

Adolescente americana em espirros

Este caso já passou em tudo quanto era sítio...
Só faltava passar aqui... pois claro! E é natural que ainda vá causar surpresas a muita gente. Uma miúda que não pára de espirrar, também não podem existir «santinhos» que lhe valham. Mas nenhum de nós gostaria de viver esta situação assim. Pois não?!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Coisas da Guiné - 16

(Imagem de tornado obtida no Google em antenaparanoica.blogger.com.br)

O tornado
A noite fora de cavalo-de-inferno à desfilada e rasgara-se em dilúvios de entontecer. Eu dormia numa tenda erguida atrás da escola. E com os meus três companheiros tive de retesar os braços e ferrar os dentes raivosamente na lona para a tenda não subir no redemoinho.
Um violento tornado. Ao meio da tarde, o vento rodou para oeste em rajadas fortes. O tornado veio e veio como sempre. Vento e chuva. Nuvens de chumbo escondendo o sol violento, disparado sobre as tabancas, como asas de jagudis, enormes, sinistras. O vento começa de arremeter aos repelões, como touro furioso: escarva, muge, tropeça, arranca. Derruba cerce um tronco seco, arranca um bissilão pujante, leva no assalto a cangra duma palhota, prende-se ao chão num redemoinho de poeira e medos, varre o azul para semear nuvens, tempestades. E as nuvens atropelam-se, alastram-se como um borrão de dilúvio e acabam por estoirar em violências de fogo que se pega à selva, que fende e incendeia o ar morno e cinzento. Então, o vento mais forte, sacode as crinas. O céu estremece e as nuvens desmancham-se em cordas de água que enchem caminhos, bolanhas, tudo. A selva ganha fúrias e as árvores exibem, desgrenhadas, a sua cabeleira verde, sempre verde e gestos alienados. O calor sufoca, mas, quando vem a calma, derrama-se uma frescura muito doce sobre as coisas e as bajudas e o garotio saem para o terreiro a lavar os corpos numa algazarra de quase festa.

(Armor Pires Mota, no seu livro «Guiné, Sol e Sangue», editora Pax, 1968, página 27)
(Esta é uma descrição apropriada e completamente fidedigna do que é um tornado. Mas também deve ser dito que ler é uma coisa e viver a situação debaixo de um tornado é completamente diferente).

O Natal! Já? Todos os dias…

Admite-se uma explicação prévia. Começar a falar-se do Natal com uma antecedência acentuada, mais já parece os hábitos comerciais que as organizações de consumo utilizam para começar a aquecer os apetites dos consumidores.

É que para terminar (por agora) esta revisita ao jornal «Valongo do Vouga», fui rebuscar um comentário de minha autoria, do número de Dezembro de 1996, com este título. Esta transcrição, apenas serve para antecipar aquilo que no Natal não se devia fazer, ou melhor, que se devia fazer no que concerne à sua essência. Vamos lá a ver o que eu dizia em Dezembro de 1996.

O Natal não é Natal!

Estamos no Natal. Era natural que aqui, nesta apequena coluna, sujeita a um pequeno espaço, tal qual aquele que Maria e José tiveram como resguardo numa noite, quando se deslocavam para Belém, para cumprir um dever, dimanado de um decreto do imperador romano César Augusto: o seu recenseamento.
Na realidade aquele quadro pobre, sem condições, onde o calor era apenas o provocado pela aglomeração dos animais ali guardados, devia fazer parar, para pensar, qualquer mortal que, nesta altura, passa a vida num corre-corre atrás de gastos, muitas vezes supérfluos, atrás de luzinhas e outras miragens, atrás de guloseimas e outras coisas de consumo que a vida moderna nos oferece sem medida.
No meio desta desenfreada e competitiva correria, muita gente «esquece-se» que o verdadeiro Natal, tal como o lemos na Bíblia ou noutro livro, mesmo histórico, não nos parece que a sua mensagem fosse esta e para ser assim vivida.
Se o Natal tem o conteúdo e o significado que é o de comemorar o nascimento de Cristo (para os cristãos), também pretende lembrar e comemorar a verdadeira família, em harmonia, na modéstia e não a «banhar-se» em enormes gastos, em muitas prendas, em «muito amor» que apenas se vive nesta época.
Nos restantes dias do ano, ninguém mais se lembra de aproximação uns dos outros, a família dispersa-se e esquecem-se um pouco os pobres e desprotegidos. Aqui cabia um outro tipo de palavras a demonstrar um antagonismo perverso.
Ninguém se lembra mais dos desprotegidos, dos doentes, do seropositivos, das lutas tribais a assassinar milhões de pessoas, como recentemente no Zaire e noutros locais do mundo [isto no ambiente e acontecimentos de 1996!].
Se as atitudes vividas entre uns e outros no Natal fossem contínuas e diariamente aplicadas nos restantes dias do ano, temos a certeza que o mundo teria mais paz, o ódio e as guerras seriam eliminados do planeta, o egoísmo seria apenas uma palavra esquecida no meio de um dicionário. Mas quando o Natal termina, volta tudo à estaca zero; reacendem-se lutas pessoais, os egoísmos ressuscitam bem como outros defeitos humanos do género, que apenas dividem e não congregam, as guerras retomam-se com mais ferocidade e não se olham a meios para atingir fins, muitas vezes inconfessáveis… pois caso contrário…
…O NATAL SERIA NATAL!

J. M. Ferreira

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