sábado, 31 de outubro de 2009

Dia mundial da poupança

De pequenino se torce o pepino


Não sei se fica bem dizer que este é um ditado gasto, antiquado, desadequado, etc., etc., etc..
Isto a propósito do Dia da Poupança, que hoje se comemora porque, como é costume, criam-se estes e outros dias para neles se poder falar, mas só nesse dia. Nos outros, a mensagem que este e outros pretendem transmitir, esvaziam-se e esquecem-se com uma facilidade doentia.
É, como costumo dizer para brincar, em qualquer mês ou semana do ano, desejo «boas festas e feliz ano novo». As pessoas admiram-se. Porque só se lembram destes desejos naquela altura do ano? Comecem por desejá-las mesmo antes, durante todo o ano, todos os dias da vida e não só porque naquele dia ou época se comemora esta ou aquela efeméride.
É como a poupança! É comemorada e é mais falada no dia 31 de Outubro de todos os anos! Como (agora se diz) está institucionalmente estabelecido.
E nos outros dias? Não são dias de poupança? Então como vivem milhares e milhares de portugueses se não a tentar fazer esticar o impossível para poder sobreviver, ou seja poupar diariamente, fazendo do pouco que têm uma pastilha elástica? Ou outros milagres!
Como as recentes notícias que nos colocam no primeiro lugar (ou pouco menos) de mais uma pouca vergonha. Isto porque não há fumo sem fogo...
Desviei-me.
A propósito da poupança. É de pequenino que se começa a demonstrar o quanto útil se torna perceber o que é e para que serve a poupança. Não só de dinheiro, mas de tudo!
Mas quando se fala de poupança, o que vem à mente de cada um, em primeiro lugar, é a poupança monetária.
Então é assim:
O meu neto, já com mais de dois aninhos, recebeu dos pais esta orientação educacional. Primeiro, saber que uma moeda tem valor. Que esse valor (grande ou pequeno) é para resguardar (guardar) e não desbaratar.
Arranjou-se um mealheiro. O mealheiro tem uma ranhura. Por essa ranhura tentam entrar as moedas que vão ficar guardadas, como é óbvio.
Mostra-se-lhe uma moeda (grande ou pequena, repito, aquela que estiver no bolso) ao pequenino rebento. Ele conhece e sabe o que é. Entrega-se-lhe. De imediato, com a moeda metida entre dois pequeninos dedos da mão, vai à procura do mealheiro. A gente ajuda-o, se ele tem dificuldades em encontrá-lo. Encontra-o, procura a ranhura, mete lá a moeda, fica todo contente por ter feito aquele gesto de ter mais uma moeda (ou por tê-la metido na ranhura?) e, no fim desta operação, bate palmas! É o modo de transmitir a sua satisfação pelo gesto realizado.
Sei que esta história seria mais interessante terminar aqui. Porque sei que, antecipadamente, pouca gente acha graça a este tipo de histórias ou não tira delas as devidas ilacções.
Mais uma linha para dizer que, felizmente, há por aí muita criança a ser despertada para estes gestos. Mas deixem-me lamentar que também sabemos todos que outras há como que «a mandar nos pais», porque estes deixam-nas «ultrapassar» pelo bom senso nas suas exigências e fazem-lhes as vontades todas...
Desculpem qualquer coisinha...

Coisas da Guiné - 12


Fogo com tornado em chuvas

No fundo escuro da morança circular, entorpecida pelo reumatismo, que lhe roía as juntas, gemia a "mulher grande" do chefe da tabanca.
Àquela hora estavam os homens a juntar forças ao terçado para varrer mato, sulcar a terra, enterrar o fruto, para que a mancarra despontasse.
O chefe com os seus vizinhos de morança repetiam e juntavam os esforços, destilavam suor sobre calor abafado, para o trabalho do talhão deste ou daquele; onde cresceriam as suas esperanças em nova campanha de venda.

Esta é uma digitalização ao que foi baptizado de «Jornal da Caserna» por mim elaborado na Guiné, no que respeita à composição feita à mão em papel stencil (é assim que se escreve?). Foram elaborados 15 números. O último em Outubro de 1964, quando se lembraram de nos «despachar» para outra zona operacional. A ideia, que partiu de mim, teve a colaboração de mais militares, nomeadamente na ilustração que era feita à mão, em desenho livre e não havia fotocópias (o que era isto em 1964? Ninguém sabia...)
Ora, o velho e resoluto Samba, fula genuíno, era um dos mortais em que a tropa do destacamento perto depositava confiança. Assim era na verdade e nas horas de trabalho ou de calcar mato de lés a lés, espiolhava com os seus homens todos os movimentos suspeitos do pessoal bandido no mato cerrado.
A mulher do fiel Samba lá estava estendida na esteira, suportando a ferrugem dos anos. Era a única alma viva, além de um outro garoto que brincava ou dormia a sesta em sorna doentia à sombra do mangueiro acolhedor.
De repente, em surpresa assassina, os bandidos fizeram uma sortida e deitam fogo que se ateia furioso à palha seca dos moranças. Corre apressado o Samba, que ao ver fumo e gritos ao longe – pensa em mau agoiro. Quando corre ofegante passa pelos dedos o chifre e mèzinhos que trás ao pescoço. Aperta-os com força e com raiva.
Com espírito de jambacosse em mau agoiro – pensa no pior. Cansado, fura em corrida a entrada do quartel e conta ao Comandante o acontecido. Este põe o seu dispositivo de guerra em marcha, não atendendo ao tornado envolto em chuvas, que estala à mistura com o ribombar do trovão.
Os elementos facilitam a progressão. Estala um tiroteio de pôr os ouvidos a zunir e abatem-se alguns dos assaltantes em fuga precipitada. Algumas crianças fugiam espavoridas ao fogo crepitante em palha nas coberturas, sem o inevitável de algumas perecerem às chamas que as lambiam em círculo. Mulher grande – morre frente ao ódio excitado e assassino.
E só por o velho Samba ser fiel… não aderir à catequização que se promovia. Samba com a lágrima no olho, cheio de dor – olha a sua casa em chamas.
Nada mais há a fazer…
- Enfim, foram mais umas vítimas inocentes desta guerra… - comentou mais alguém para o comandante da tropa, que conformava o velho Fula.
(Do nosso correspondente em Teixeira Pinto – ÓKEY)
*****
Esclarecimento: - Chamávamos ao «Jornal da Caserna» o nosso periódico. Como Jornal tinha colaboradores e, mais que isso, "correspondentes" destacados em outras localidades. Vejam que aquilo que hoje se apregoa, alto e constante, de Comunicação Social, termo que não era muito utilizado e badalado em 1964, tinha já resquícios de estruturas daquilo que hoje é perfeitamente banal, natural e até ultrapassado. Ou seja, até tínhamos um correspondente em Teixeira Pinto, que nos enviava, por avioneta, estas histórias que depois eu transcrevia.
Agora o pseudónimo. ÓKEY. Era o Alf Mil Médico Ramiro Fernandes Figueiredo. Não me lembro mas penso que era do Porto. Embora da minha companhia foi destacado (ou «emprestado») de Ingoré à unidade de Teixeira Pinto. O mais «destravado» e bem-disposto militar que conheci. Penso que era ou ia ser psiquiatra. O que ele gostava era jogar futebol misturado com toda a rapaziada… como se na Guiné, naquele clima e naquele ambiente existissem ou fossem necessárias muitas ou acentuadas separações…

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Gente destas terras - XV

Rui Bento Cadório Gomes Coelho
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Não se estranhará (ou há motivos para pensar o contrário?) que, de vez em quando, se evoquem, como já se evocaram outras pessoas, outra gente destas Terras, cujo perfil de vida justifica plenamente a sua recordação.
Ainda desfolhava o «Valongo do Vouga», jornal paroquial, fundado pelo Padre António Ferreira Tavares, de 1989, quando recordei e aqui quero reproduzir o que escreveu o Sr. Carlos Pinho, no falecimento, por acidente de viação, do Dr. Rui Bento Cadório Gomes Coelho, aproveitando esta fase de entusiasmo na pesquisa (fácil).
Recordo que o Rui era filho de Fernando Gomes Coelho, de Arrancada, e de Maria de Deus Cadório da Silva. Era casado com Deolinda Marques Fernandes Ribeiro e pai de Vânia Silva. O acidente que vitimou o Rui ocorreu em 2 de Outubro de 1989, já lá vão vinte anos! É a pensar nesta data, que, com o devido respeito, respigo estas palavras do Sr. Carlos Pinho, naquele Jornal de Novembro de 1989.

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Eras um petiz quando te conheci!
Cresceste junto de mim.
Criámos uma AMIZADE PURA, que ambos proclamámos durante anos até que... deixaste escapar a vida num brutal acidente de viação!
Porém, aquela outra VIDA continuará; firmaste num sentido exacto uma Instituição na pessoa da tua mulher, da tua filha e...
Como profissional, deste-nos a garantia da tua confiança como médico.
No Desporto, alcançaste o teu desideratum com pertinácia e convicção; deste-lhe a tua presença e a dos teus amigos, como contributo aliciante.
Demo-nos o prazer de belos e bons passeios em bicicleta; na caça, de que eras igualmente um apaniguado, proporcionei-te momentos de uma verdadeira euforia...
No campo cultural, ocupaste assazmente bem o teu tempo, iluistrando, assim, o teu curriculum pessoal.
Com o rude golpe que sofremos (o João Pinto, o Fernando, o Carlos, a Maria Alice, a Maria, o António, o Manuel José Gonçalves - estes os mais próximos de ti! - constituiste um verdadeiro clã de uma GRANDE FAMÍLIA, e tantos outros também) ficámos desatinados com a consequência da grande viagem que empreendeste e... de que jamais regressarás!
Crê-nos, porém, evocando a tua alma jovem, ungida da nossa saudade e recordando-te, continuarás sempre VIVO no coração dos Teus Amigos que choraram amargamente a tua morte!»

Outubro/89
Carlos Pinho

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No seguimento das primeiras linhas deste post, creio ser de memorizar, ainda que desta forma simples e modesta, a efeméride que ocorreu à dias. Mas gostaria, como dizia o Sr. Carlos Pinho, no seu estilo próprio de escrita, neste caso bem ajustada, que fossem bem analizadas e interpretadas as suas palavras. São palavras claras, honestas, transparentes e a denunciar aquilo que sentia. Era assim o Sr. Carlos Pinho. Não vou evidenciar tais passagens, por desnecessário e porque respeitei, palavra por palavra, até mesmo na apresentação gráfica tal qual elas foram salientadas no Jornal. Nas mesmas há sempre qualquer coisa de profundo e a querer dizer que, além desta vida, existe «aquela outra vida» da «grande viagem que empreendeste e... de que jamais regressarás.»
Nesta altura em que nos lembramos do Rui, simplesmente, um até sempre!
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Já depois deste post encerrado, encontrei mais uma data fatídica, que vitimou a pessoas com quem tínhamos um bom e amigo relacionamento. Chamava-se António Gomes dos Santos, o «Cartuchinho», que faleceu em 5 de Novembro de 1989, com apenas 42 anos. Também já lá vão 20 anos. E o fatídico acontecimento teve lugar cerca de um mês depois do Rui Cadório.
Para os mais distraídos ou para aqueles que não viveram de perto estes acontecimentos, eles aqui ficam, com as nossas recordações.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Gente destas terras - XIV

O prof. Vidal e a D. Ana

Continuava a desfolhar as já amarelecidas páginas do jornal paroquial «Valongo do Vouga», quando deparo numa profusa e exaustiva reportagem, no número de Janeiro de 1989, de uma homenagem feita em 4 de Dezembro de 1988 (já lá vãos mais de 20 anos!) a três ilustres Valonguenses, entre eles o prof. Vidal, além do médico Dr. Eduardo Bastos e, naturalmente, a Joaquim Soares de Sousa Baptista, que teve lugar na Casa do Povo de Valongo do Vouga.
Com a vénia devida, dizia no seu discurso daquele dia, o então presidente da Junta de Freguesia, Joaquim de Almeida Marques, cujas passagens estão inseridas naquele periódico.
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«O professor João Fernandes Vidal, oriundo das abas serranas da freguesia - A-do-Fernando hoje desaparecido - cedo se radicou em Arrancada. Aqui desenvolveu toda a sua acção. Sempre trabalhou desinteressadamente na defesa da gente simples e humilde, como era afinal a população rural, que predominava na freguesia.
Ao longo da sua vida, foi várias vezes presidente da Junta; outras seu Secretário e por vezes seu escrivão [...]. Refira-se que teve o privilégio de ser o primeiro Presidente da Junta, após a implantação da República em 1910.
Mas onde o professor Vidal mais se evidenciou foi na grande e nobre missão de ensinar. Ele e a esposa, D. Ana, não se acomodaram ao ensino das letras, em casas sem qualquer requisito recomendável a esse fim nas quais o vinham fazendo; não descansaram enquanto não viram concluídas as salas de aula apropriadas em Arrancada, em condições que consideramos avançadas para a época.
Grande foi pedagogo foi ele!... Pelas suas mãos passaram várias gerações a quem ministrou, com mestria que só ele sabia, o domínio das ciências e das letras a quem, paralelamente, ensinava os deveres cívicos e da moral.
...Só homens com a envergadura de um professor Vidal é que podem receber, passados tantos anos, por um grupo dos seus alunos já em idade bastante adulta, a homenagem póstuma que espontâneamente lhe tributaram há bem pouco tempo, como agradecimento ao Mestre, cuja acção pedagógica reconheceram de decisiva influência na trajectória das suas vidas!»

(In Jornal «Valongo do Vouga, nº 172, de Janeiro de 1989, bem como a foto digitalizada)

Só mais um pormenor de índole pessoal. O prof. Vidal foi meu padrinho de baptismo que se realizou em Maio de 1943. Nasceu no referido lugar de A-do-Fernando em 28 de Março de 1877 e faleceu em 3 de Abril de 1972.

Coisas da Guiné - 11


Um livro: - Guiné Sol e Sangue
«Isto» é uma habitação. Façam o favor de entrar. A localidade chama-se Có. Foto de Abril de 1965
Do livro «Guiné, Sol e Sangue», de Armor Pires Mota, ex-combatente na Guiné, 1963-1965, CCav 488, BCav 490, respigamos, com a devida vénia ao autor e amigo, da página 62 daquele seu livro, Editora Pax, 1968, esta passagem, que admiro:

«Guiné, misteriosa com rondas de feitiços e magias, terra de cruz, sonho e glória, céu liso e tardes de sol em brasa calcinando o chão, as almas. Terra de irãs e vertigens, hoje sou um pouco de ti e da tua gente: tenho no sangue as tuas veias, porque amoldei tanta vez o meu corpo, a tremer, à poeira dos caminhos avermelhados ou às algas dos pântanos doentios. Tenho no sangue o sangue da tua gente: carreguei com um negro ferido, dei pão ao garotio, admirei o ébano das raparigas, tenho, para recordação, uma tábua de marabú, um terço de mandinga e uma ligeira cicatriz.
Porque será que, embora, sofrendo, hoje te adoro, terra de sol e azul em fogo?»

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Imagens da nossa terra - VII


Há já uns tempos que não trago aqui um slide de imagens nossas conhecidas. Tive oportunidade de o fazer agora só com imagens de Aguieira, não por motivos positivos. Penso que, às vezes, também temos de apresentar o lado negativo das coisas, como neste caso do largo da Agueira, a sala de visitas do lugar e até da freguesia, porque é dela parte integrante, principalmente o caso da ribeira de Aguieira e da confluência da ribeira do Covão e de Viade.

Aqueles locais estão a carecer que seja mudada a sua aparência. As silvas, o entulho que provocam são já, na nossa opinião, em demasia. Bolas, é o centro do lugar e as entidades, principalmente hidraulicas, creio eu, deviam ser mais assíduas e mais asseadas. Ou só os gabinetes destas entidades, ou outras, é que merecem o bem-bom?

Vamos lá meus senhores, a sair dos gabinetes e mandar limpar esta coisa que parece mal...

Valongo – Raízes do futebol - VI


O pinhal com nome de "campo da bola"

No Jornal Paroquial «Valongo do Vouga», de Julho de 1989, o Sr. Carlos Jorge dos Santos Pinho, do lugar de Aguieira e que foi residente em Albergaria-a-Velha durante muitos anos, acrescentava à história descrita por João Lopes Martins, a que nos temos referido sobre este assunto, o seguinte:

«Conforme "note bem" – N.B. – no final do artigo epigrafado da autoria de João Lopes, amigo de infância e colega de Escola Primária, vou dizer-lhe o seguinte: Em Aguieira, além dos já referidos campos, houve, muito anteriormente a estes, outro denominado «campo da bola», ao lado da «PAVIVOUGA», em Aguieira, propriedade de meu primo João Augusto Pires Santos, que lhe coube em partilha pelo ramo materno.
Foi utilizada uma parte do terreno a mato que foi roçado, e preparado por desportistas amadores, que almejaram dar uns pontapés na bola, na altura, uns jovens promissores e pioneiros do desporto da nossa terra.
Era conhecido pelo pinhal do «campo de futebol», durante anos e anos sucessivos.
Dessa juventude que realizou aquele estádio, lembro alguns deles: Manuel Rachinhas, Joaquim Celina, Augusto Tatu, António Lourenço, Raul da Aida, Manuel Pinto, Joaquim da Conceição; e outros mais «velhos» e evoluídos no desporto, não só naquele: Augusto Santos, Manuel Joaquim Fernandes Oliveira, Fernando Oliveira, Mário Pinho, António Paula e Augusto Henriques (Arrancada).
Jogou-se ali a bola durante anos que não sei quantos, onde havia disputa de prémios. Foi também utilizado para tiro aos pratos.
Lembro que o filho do proprietário do GRANDE HOTEL da CURIA, o sr. Afonso Costa (entre nós, familiarmente, era conhecido pelo «Afonsito», embora fosse um latagão), deu, naquele mesmo terreno, a comparticipação como futebolista, mas, sobretudo, era uma revelação como um bom atirador; vinha munido de uma máquina manual de lançar pratos, assente no chão, de boas espingardas e de bom cartuchame.
Ao tempo, recordo ainda ligado a este desporto, o estabelecimento do sr. Manuel Fernandes de Oliveira, vulgo, Manuel do Adjuto, onde havia, além do mais, uma secção famosa e sempre bem sortida de artigos de caça. Os caçadores das redondezas e até de Águeda, vinham ali efectuar os seus fornecimentos e colher conselhos e indicações valiosas dos mais experientes.
Recordando… na frente dos meus olhos vejo a imagem do alvo de papel pardo de embrulho, pregado na porta da casa existente na «terra dos moinhos», ao lado da estrada, que abria para aquele imóvel, sendo as espingardas disparadas pelos proprietários junto do muro que havia à margem do rio de Aguieira.

Como o artigo publicado no jornal «Valongo do Vouga» foi da autoria do sr. Carlos Pinho e como cita e descreve imagens do seu quintal e da sua casa com alguns episódios rocambulescos da época, principalmente com o tiro ao alvo, nada melhor que ilustrar este post com duas imagens, esta da nogueira, que talvez já não exista e a de cima com as traseiras da sua residência e de seu pai Dr. Mário Pinho. Estas fotos foram obtidas a partir do caminho que vai para a Boiça, ali mesmo junto da capela de S. Miguel. A parte frontal da sua casa, à beira da estrada principal, já aqui foi apresentada em slide.

Ao fundo do meu quintal, ao lado de uma nogueira frondosa, havia uma porta de madeira na qual eram também fixados aqueles alvos, que abria para o caminho de pé que conduz à frente da Boiça, sobre a final eram igualmente alvejados as espingardas. Como precaução, uma sentinela de atalaia, estava colocada no posto respectivo, enquanto os tiros eram disparados.
A porta referida tinha e mantinha um «valor» extraordinário: embora de madeira, pesara bastante dada a circunstância dos inúmeros bagos de chumbo, de todos os tamanhos, estarem introduzidos na madeira por milhares de tiros suportados.
Para aqueles AMIGOS que citei e os que da minha geração (poucos já somos!) deles, de certo, se recordam ainda, dou-lhes em amor, a minha vivência de uma lembrança imorredoura!
Ao João Lopes Martins dei esta achega como complemento de uma memória… periclitante já!»
Junho/89
Carlos Pinho

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E do que conseguimos, até agora, obter sobre as Raízes do Futebol nos vários lugares e, particularmente, na freguesia de Valongo do Vouga, aqui o deixamos para história e memória futuras, embora espalhada por vários capítulos, mas não dando por encerrada a pesquisa. E se houver por aí alguém que saiba alguma coisa, faça favor de apitar...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Segredos insondáveis de Deus

Só Deus leva um homem de sucesso ao sacerdócio


Eles tinham tudo. Carreiras de sucesso, um futuro promissor. Um dia, quiseram mudar. A culpa não foi de nenhum desgosto de amor nem do desejo de conseguir um emprego para a vida. Garantem que foi, unicamente, "a vontade de Deus". Um professor de Físico-Química e um economista deixaram tudo e fizeram-se padres. Uma experiência religiosa - num mosteiro na Galiza e numa caminhada a Santiago de Compostela - mudou-lhes a vida.

Esta notícia inédita conta-a o jornal i - aqui...

Vídeo: A essência do tuga

"Vai-se andando" é uma comédia de José Pedro Gomes com encenação de António Feio. A dupla de "Conversa da Treta" volta a colaborar nesta peça que estreia, hoje às 22h, no Casino Lisboa.


Vídeo e notícia do Expresso, que pode ver aqui

Valongo - Raízes do futebol - V

A evolução - De GDA para A.D. Valonguense

Penso que será o fim do depoimento histórico de João Lopes Martins, inserido no Jornal Paroquial «Valongo do Vouga» de Maio de 1989. Eis como termina:



Cabeço Gordo - baliza do lado poente referida no texto. O material aplicado era a madeira serrada em longitude e com quatro faces. Se não estou em erro, o guarda-redes, em plena defesa de estilo, é o Zé Carlos Rachinhas. No poste contrário, a apreciar, está o António Marques da Silva. A ideia era essa: tirar a foto ao guarda-redes em plena acção.
Nasce o GDA e a sede improvisada
Após o campo pronto, colocaram-se as balizas com o auxílio braçal do Orlando Pata, António Lima, Abílio H. Silva e com a dádiva da madeira feita pelo grande amigo José do Carmo. De seguida, reuniu-se a rapaziada, os que jogavam e não só, na loja do Adjuto Matos, e ali foi deliberado os jogos que se iam efectuar. O grupo ficaria a chamar-se «Grupo Desportivo da Arrancada-GDA».

As primeiras camisolas e calções
As camisolas de cor amarela foram adquiridas em Coimbra a 10$00 cada uma, os calções, cada jogador comprou o pano e elástico e o Avelino Verdelha é que os fazia (de borla), os quais eram de cor azul.

Aguieira faz o segundo campo
Tendo mudado de proprietário o terreno da Cumeada onde tinham o seu 1º campo, um grupo de rapazes, desta vez encabeçados pelo José Matos (Hermosa), consegue convencer o António Salgueiro a fazer do seu quintal um campo de futebol. Ali se fizeram muitos e bons desafios; estava-se no ano de 1948.

O lugar de Brunhido esboça também o seu grupo de futebol
O Armando Correia Simões, desportista que era, comprou uma bola (em 2ª mão). O grupo, porque os pais dos rapazes daquele lugar não lhes davam tempos livres, a pouco e pouco foi desaparecendo, agravado ainda com a emigração do Armando Simões, que foi um belíssimo ponta direita do Recreio de Águeda.

O GDA arranja novo campo de futebol
Decorria o ano de 1956, e face ao mau piso do Campo do Cabeço Gordo, os acessos eram difíceis, resolveu a Direcção, nesta altura entrar em negociações com o sr. Urias Carretas, para lhe arrendar uma área de terreno no Rodelo para fazer novo campo. Vencidas as dificuldades e ali construído o parque de jogos, que embora não fosse famoso nas suas dimensões, remediava porque era do melhor piso e mais central.

O GDA muda de nome
Com a iniciativa do José Falcão, elaboraram-se os estatutos a fim de se poder inscrever na Associação de F. de Aveiro. Quando da apreciação e discussão dos mesmos, foi levantada a ideia de passar a denominar-se A. D. Valonguense, para que englobasse toda a freguesia. Essa ideia foi aceite e aprovada em 1959.

Os estatutos são aprovados superiormente pelas autoridades
Depois de aprovados os Estatutos, em 1960, fez-se a sua inscrição na A.F. Aveiro em 1961.

Os primeiros jogos oficiais da A.D. Valonguense
Foram feitos a partir da época de 1962/63, no Campeonato de Promoção.

Novo campo da A.D. Valonguense
Devido às dimensões do rectângulo de Jogo que eram as mínimas no campo do Rodelo, e novamente com a colaboração do sr. Urias Carretas, é feito novo campo no Vale de Silvares, em 1968, sendo ainda o actual, que julgo ir perdurar por algumas gerações.

Cabanões, Abril de 1989.
João Lopes
N.B. – Se alguém quiser acrescentar mais alguns dados a esta crónica, o «Valongo do Vouga» aceita essa colaboração.

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Nota: - Mas não termina aqui esta história das raízes do futebol na freguesia. Para uma próxima oportunidade teremos ainda aqui um testemunho, publicado também no já citado Jornal Paroquial, que refuto de bastante interesse, da autoria de Carlos Pinho.
É natural que esta história não esteja completa. Pode carecer de algumas correcções. Pode conter até imprecisões. Mas creio que o autor deu uma preciosíssima ajuda na história desportiva local. Fica a quem interessar intervir…

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Valongo - Raízes do futebol-IV

Cabeço Gordo

A história do futebol na freguesia de Valongo do Vouga, segundo um escrito de João Lopes Martins, publicado em Maio de 1989 no Jornal Paroquial «Valongo do Vouga», continua, pela mão do autor, a constituir um espólio histórico de bastante interesse, que está mesmo a pedir que seja, naturalmente, melhorado.

Primeiro campo definitivo em Arrancada do Vouga – Cabeço Gordo
(Imagem do Cabeço Gordo, em actividade com atletas de palmo e meio - fins anos 50, séc. XX)
Decorria o ano de 1945, e, como de costume, o Grupo de Arrancada treinava na junção dos dois caminhos no Cabeço Gordo (o da Veiga com o do Cabeço Gordo) e no final de um dos treinos, a malta veio a corta-mato, direitos à Nova, a fim de matar a sede numa nascente ali existente, deparou com um terreno à beira do caminho que dava seguimento para a fonte da Deveza, onde estava azevém a secar em cima dumas rameiras ali existentes e pedras, e era uma área razoável para se jogar à bola; de imediato se mediu a passos, e logo se resolveu fazer dali um campo, mas não sabíamos quem era o proprietário do mesmo, mas eis que surgiu uma voz de um miúdo da Veiga que diz: «O mato é da Junta de Freguesia e a erva é do sr. André.» Ficámos radiantes e nesse mesmo dia se foi falar com o Secretário da Junta, que era na altura o sr. Prof. Abílio Quaresma. Este consultando diversos livros, confirmou que na realidade os terrenos eram da Junta. Pedimos-lhe para que não fosse vendido, pois íamos ali fazer um campo e colocaram-se as balizas no sentido Norte-Sul, a partir do caminho que dava para as Devezas. Era o sonho da malta ter um campo, mas tinha um defeito, era muito pequeno para as nossas ambições, só ficaria bom se fossem colocadas as balizas no sentido Nascente - Poente, mas o pior era a terraplanagem, pois era uma pedreira no centro do terreno e não havia dinheiro para tal empreendimento; mas, não se desanimou, e um punhado de rapazes resolve, a um domingo, fazer um peditório de porta em porta com início no cruzeiro. Abriu essa lista o sr. Alberto Henriques secundado pelo sr. Herculano Bastos, e, quando chegamos ao Stº António, já tínhamos 27.0000$00 (uma fortuna naquele tempo pois um litro de vinho custava 1$00).
Assim deu-se início às obras, tendo como tesoureiro e fiel depositário, secretário (do DEVE-HAVER) o António Coutinho Vasconcelos. Mas a pedreira era de tão grandes dimensões, que, apesar do dinamite ali empregue, não se conseguiu o fim em vista com o primeiro peditório e voltamos a bater à porta dos habitantes, agora a nível da freguesia. Receberam-se mais uns contos de reis e muitas ofertas de dias de trabalho braçal e com juntas de bois e vacas, sendo a maior oferta a do benemérito Sousa Baptista, que logo nos colocou à vontade: SE NÃO ACABÁSSEMOS O CAMPO, ele mandaria o seu pessoal privativo fazê-lo, findas as vindimas; o que veio a acontecer, ficando o terreno terraplanado no ano de 1946.

A seguir: Nasce o GDA e a sede improvisada e outras novidades… admito eu...

Gosto muito do riso

VACINAS...

Enveredando por interpretações ligeiras e brincalhonas, quando li esta notícia, no modo como se encontra redigida, logo nas primeiras linhas, deu-me uma grande vontade de rir. Penso que não era para menos, se atendermos aos motivos apresentados pelo protagonista, que, seja justo dizê-lo, me merece o maior respeito. Agora justificar e justificar-se que gosta de cumprir, é aqui que parti a moca... claro, que a seguir vêm outras justificações.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, adiantou hoje que vai tomar a vacina contra o vírus H1N1, referindo que "acompanha sempre as decisões, orientações e conselhos dos serviços públicos de saúde".


Veja a notícia completa no jornal i aqui...

domingo, 25 de outubro de 2009

Valongo - Raízes do futebol-III

As raízes do futebol em Arrancada do Vouga
No seguimento do post anterior sobre a história do futebol na freguesia de Valongo do Vouga, continuamos a transcrever do Jornal paroquial «Valongo do Vouga», de Maio de 1989, o que nos contava João Lopes Martins.

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Vista parcial do Cabeço Gordo (actualmente)

Privados daquele campo, pela sua vedação, este grupo improvisava os mais disparatados locais para os seus treinos, ora no Largo da Póvoa do Espírito Santo, ora na estrada junto às Escolas Primárias de Arrancada e, às vezes, dentro do recreio desta e no encontro dos caminhos Veiga - Cabeço Gordo e que davam para Pé da Salgueira.
Os encontros com grupos de fora eram feitos no largo da feira, do lugar do Beco, ou então em casa do adversário como na Giesteira, Travassô e Macinhata.


O lugar de Aguieira forma o seu grupo de futebol – Ano de 1931
Foram seus fundadores e jogadores, entre outros, o António Lourenço, Augusto Tatu, Joaquim Celina, José da Conceição.


O primeiro campo de Aguieira (improvisado)
Com consentimento do Exmo. Sr. Conde de Águeda, improvisaram o seu primeiro campo no areeiro da Cumeada.


O segundo grupo de futebol em Arrancada
Em 1932 forma-se outro grupo de futebol em Arrancada, que era constituído praticamente por estudantes àquela data, do qual faziam parte entre outros, os senhores Augusto Alberto Henriques e seu irmão Amílcar, António Bastos Xavier, Flávio Martins (todos de Arrancada) Luís Costa e Augusto Correia Bastos (de Brunhido) os irmãos Sereno (de Lanheses) e Álvaro Corga (de Macinhata).
Desconheço quantos desafios fez este grupo, somente me recordo um, em Mourisca do Vouga, que foi interrompido por invasão do campo, quando Arrancada estava a ganhar.


A primeira bola de futebol em Arrancada
Foi no ano de 1929, que chegou a primeira bola de futebol a Arrancada, para a prática daquele desporto, oferta feita pelo então estudante de Lisboa, Augusto Alberto Henriques. A partir desta data nunca mais se parou de «Jogar à Bola».

O primeiro campo (improvisado) em Arrancada
O primeiro campo foi no areeiro das Picadas, onde havia uma exploração de areia para o fabrico de adobos, os quais mais tarde foram aplicados na vedação da Quinta das Picadas e Rio de Baixo, propriedade do sr. Alberto Henriques.

O primeiro grupo de futebol em Arrancada – 1930
Os jogadores de então e fundadores do grupo eram, entre outros, o José Barbeiro, António da Isaura, Alberto Bôla, Joaquim Manco, Joaquim Pistarrilha, Ramiro (da Veiga), Augusto Tatu (Aguieira).

Valongo - Raízes do futebol-II

Campeões de Águeda




Foi nesta secção internauta da «Soberania» chamada "Campeões de Águeda" que encontrei esta imagem. Por baixo, apesar dos semblantes de alguma satisfação pela vitória, a notícia triste que a seguir se reproduz. Esta intromissão não impede a continuação da história de João Lopes Martins, sobre as raízes do futebol na freguesia de Valongo do Vouga.
.........
O VALONGUENSE venceu a Taça do Distrito da época de 1999/2000, ao derrrotar o Canedo na final, na marcação de grandes penalidades (4-3), depois do 1-1 no tempo regulamentar.O jogo foi a 6 de Maio, em Avanca, e tragicamente assinalado pela morte, ao intervalo, devido a uma síncope cardíaca, de um dos grandes símbolos do clube - Carlos Coelho (Carlinhos), que foi fundador, atleta e dirigente.
A taça (foto) foi entregue por Elísio Amorim (ao tempo vice-presidente da AFA) e recebida pelo capitão Nazaré.
(Publicada por Soberania do Povo)

sábado, 24 de outubro de 2009

Valongo - Raízes do futebol I

Alguma história do futebol na freguesia

A propósito do futebol que, como se sabe, foi "importado" de Inglaterra, depressa este fenómeno se espalhou por outras terras e continentes.
No que à freguesia diz respeito, admitimos a hipótese de que pouco ou nada existe escrito sobre este assunto. A não ser a memória de alguns que ajudem a reconstituir a evolução local neste desporto de massas, como é dito.
Por isso, estava a pesquisar elementos a que podemos já chamar antigos, quando me ressaltou, numa das páginas do Jornal Paroquial «Valongo do Vouga», do mês de Maio de 1989, já lá vão, portanto, 20 anos, na página 6, uma história sobre a evolução do futebol em Valongo do Vouga, que tem como autor João Lopes.
Se não me engano, este senhor era residente na altura em Cabanões, mas oriundo de Arrancada do Vouga, e cujo nome completo João Lopes Martins, escrevia, naquele tempo, o seguinte:



«AS RAÍZES DO FUTEBOL EM ARRANCADA DO VOUGA»

Intróito

Pessoas minhas amigas e desportistas do meu tempo de jovem, insistiram comigo por diversas vezes para que eu escrevesse algo sobre o nascimento do Futebol na Freguesia e em especial no lugar de Arrancada do Vouga, pois, segundo eles, eu era a pessoa indicada, o que me lisonjeia, mas reconheço e sei que existem pessoas na nossa freguesia com mais gabarito literário do que eu para o efeito.
Embora fosse adiando tal pedido daqueles meus amigos, o mesmo não foi esquecido e como se aproxima uma data em que aqueles desejam assinalar com uma homenagem a um vulto que deu o seu melhor pelo Grupo Desportivo de Arrancada, mas conhecido pelo GDA, não desejo de forma alguma privá-los daquilo que tanto desejam saber, mas, antes de o fazer quero deixar dois pedidos, quer aos leitores do «Valongo do Vouga», quer às pessoas que irei citar: o primeiro é apresentar as minhas desculpas por qualquer lapso que possa existir nas datas, e o segundo as minhas desculpas às pessoas que foram jogadores, pois irei tratá-las pelo seu nome e alcunha que então tinham, pois assim será mais fácil identificá-las.
Deverei acrescentar a tudo isto, que irei escrever uma síntese, pois doutra forma era necessário um livro, e com muitas páginas para narrar factos, acontecimentos inéditos, nomes de muitos e muitos jogadores que fizeram o GDA.

*****

Este escrito de João Lopes Martins é ainda um pouco longo. Para não maçar e deixar a curiosidade e a leitura a meio, vamos fazer esta história, seguindo fielmente as ideias, as datas, os nomes das pessoas e outros pormenores tal como foram escritos. Doutro modo, não tinha graça alguma. E, tanto mais assim é, que, nesse escrito, é citado o nome de meu pai, com o nome próprio e a alcunha por que era conhecido. Assim como outros. Mas o que importa é a história…

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O aniversário da ACRAR

ACRAR - Redonda

12º aniversário
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Sede da Acrar-Redonda
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Desafiou a população da Redonda que durante estes 2 anos não apareceu, que mostrassem alternativa, considerando que “as direcções passam e a ACRAR fica”.Carlos Alberto presidente da Junta e da Assembleia Geral disse que o presidente da direcção na sua intervenção se tinha esquecido do presidente da junta e que a junta muito tinha contribuído para esta Associação, que esta Associação não era só o orgulho deste lugar, mas de toda a freguesia elogiou o trabalho desenvolvido pela pessoa que está à frente do bar e prometeu que a Associação iria ter um posto de Internet.

Este um naco da notícia sobre o aniversário da ACRAR-Associação Cultural e Recreativa dos Amigos da Redonda, que pode ver no blogue Valongo do Vouga, aqui

A Bíblia

Sempre actual

O biblista português Joaquim Carreira das Neves considera que ninguém melhor do “que os artistas, pintores, poetas e escultores poderia apresentar o transcendente no imanente”.
“Se a Bíblia continua a ser o grande códice e o maior best-seller da humanidade, as artes têm de participar nesta literatura do Livro dos Livros”, defendeu.
Intervindo no colóquio "As Artes da Bíblia", que decorreu esta semana na Universidade Católica, em Lisboa, o exegeta franciscano afirmou que a Bíblia “começou por ser uma revolução na geografia das ideias religiosas de então”, apresentando a ideia do “monoteísmo”, que surge “necessariamente misturada com imagens de religiões do passado".

Notícia completa aqui.

Região do Vouga

As mulheres do Vouga

As mulheres desta região também usavam, ainda no século passado [século XIX] indumentária diferente da actual.
Nos dias festivos calçavam chinelinhas pretas lustrosas e meias brancas, mas as chinelas mais curtas que os pés deixavam os calcanhares de fora, e era elegante caminhar aos passinhos miúdos e aligeirados dando com as chinelas estalinhos nas plantas dos pés.
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blogue: trajesdeportugal.blogspot.com - Esta imagem é do Grupo Folclórico da Região do Vouga-Mourisca (trajes de romaria)

As saias, de farta roda, com rendadas saias brancas por baixo, desciam até às chinelas, e no tronco uma blusa clara muito justa, que encolarinhava parte do pescoço e desenhava nitidamente os contornos dos seios.
Na cabeça da moçoila morena, de cabelo farto, lustroso e bem penteado, um lenço claro de ramagens. E a cair-lhe dos ombros, a envolvê-la à guisa de capa, o xaile de merino franjado, o melhor, dos dias de festa, que ela guardava religiosamente embrulhado na gaveta da velha cómoda, entre raminhos de murta e alecrim, pro-môr-da traça.
A completar esta indumentária dos grandes dias, o bom e grosso cordão de ouro (que era das mães e já fora das avós), com o qual era costume darem duas ou três voltas ao pescoço, caindo o restante em dois fios, até à cintura, sobre a blusa clara e muito justa aos seios.
Este cordão, o xaile de merino e aquelas chinelinhas eram toda a maluqueira (faceirice) das moças casadouras.
Mas certas cachopas, mais da vida da lavoura, não usavam chinelas e nem meias; andavam descalças, sobretudo em dias de romaria. E as saias, compridas e de farta roda, cintavam-nas com cinta preta ou de cor, aparecendo, assim, com as saias subidas, palmo e meio das pernas roliças. E na cabeça, sobre o lenço desatado, e de ramagens berrantes, a cair pelos ombros, um chapeuzinho preto e redondo (como alguns que ainda se vêem por esta região) enfeitado, ao lado, com penas coloridas compradas nas romarias. Estas penas ofereciam-nas aos conversados ou os admiradores às cachopas que traziam debaixo d´ôlho. Já pouco também se vê esta interessante indumentária das cachopas nos dias que correm.
E havia também antigamente uma capinha (não era a capucha serrana) que dos ombros descia até quase aos joelhos e era usada por algumas pessoas do sexo feminino, de mais categoria, quando iam à missa. Ainda há quem tenha guardadas por velhas gavetas, como reminiscência, essas românticas e elegantes capinhas que marcaram uma época.

*****

Nas romarias, sempre muita gente. Tocavam violas e harmónicas. Havia homens com «borrachas» e com grandes chifres, cheios de vinho, ao tiracolo. Havia descantes e desafios, versejados, entre homem e mulher.
As cachopas bailaricavam, meneando muito os quadris, a esturlicar (estralicar) os dedos no ar ou agarradas aos conversados, as saias cintadas com cintas pretas e de cores…
Andavam suarentas, faces coradas, os cabelos negros em desalinho sensual, os olhos em volúpia… E daí a pouco (ai meninos!) havia marmeleiros no ar e cabeças rachadas, que o amor é belo e o vinho é bom, graças a Baco e Cupido, dois velhos deuses amigos.

(Laudelino de Miranda Melo, in Arquivo do Distrito de Aveiro)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

As nossas terras e as nossas gentes

É com aquelas palavras que existe um título numa revista da Rota da Luz - Costa de Prata - Portugal, como está na capa, que estava a desfolhar quando vi, numa das páginas, qualquer coisa que me pareceu muito próximo: a ponte de Pessegueiro, as casas com telhado de xisto, entre outras imagens.
Logo a seguir aparece uma outra de rostos conhecidos e cuja apresentação, não só pela postura como pelo trajar, se adivinha com facilidade que se tratam de pessoas que são ou já terão sido integrantes do Grupo Típico "O Cancioneiro". Pelo menos uma conheço bem!
Como disse, estas fotos estão incluídas numa revista da Rota da Luz, que não tem número, identificação, data, ou qualquer outra coisa do género, salvo numa página final está uma inserção em roda pé: «Região de Turismo da Rota da Luz - Praça da República 3800 Aveiro - Portugal» e, do lado direito desta, «Litoanadia, 12-88».
É elementar que se trata de uma publicidade turística da região, na qual estão, como parece ser evidente, bastantes imagens e pouca conversa. E foi editada em finais de 1988.
Dessas imagens, e bastantes da região, quer da serra, quer da beira mar e das suas típicas actividades, digitalizei apenas estas:

Para divertir

Carta da mãe... ao filho militar...

Imagem: http://fotologando.blogspot.com/.../humor-militar.html

Querido filho:

Pego na caneta para te escrever com o lápis, por causa do gato que entornou o tinteiro.
Por fortuna, ele não tinha tinta. Há um pedaço que estás na tropa; enquanto cá estavas não dávamos pela tua ausência, mas agora que partiste bem vemos que cá não estás.
No domingo, o senhor regedor organizou uma corrida de burros. Foi pena que não estivesses. Ganharias de certeza o primeiro prémio.
Aqui estivemos todos doentes, desde que nos curámos. Mando-te camisas novas que eu fiz com as velhas do teu pai. Quando tu as tiveres rompido, manda-mas, outra vez, para eu fazer outras novas para a tua irmã.
No domingo foi a festa da terra. Pensámos muito em ti por causa da feira dos porcos.
Digo-te que o teu irmão vai casar com uma moça e tu já a conheces; era aquela que nos fez rir a todos no dia do enterro do teu avô. O teu cão ficou sem rabo por uma camioneta lho cortar; por isso, olha bem, tem cautela antes de atravessar a estrada.
Nós aqui estamos todos bem, mesmo o teu tio Júlio que morreu.
Espero que esta te encontre de igual modo.

Tua Mãe
(Este texto consta numas folhas, que por cá guardei há muitos anos, mas que não tem origem identificativa)

ADV - Aniversário

Histórias de 50 anos do Valonguense
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Capa dos Estatutos aprovados em Set/1960 e imprimidos em 1972
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Além de uma história bastante interessante, tenho também em meu poder os Estatutos da Asspociação Desportiva Valonguense, aprovados por despacho do Ministro da Educação Nacional de 26 de Setembro de 1960.
Oficial e legalmente será a partir desta data que existe o Valonguense.

Mas os Estatutos, imprimidos em 1972 e que, julgo, a partir desta data, não houve mais exemplares imprimidos, diz logo no seu artigo 1º que «A Associação Desportiva Valonguense, Agremiação Desportiva, fundada no lugar de Arrancada do Vouga, da Freguesia de Valongo do Vouga, em 1 de Janeiro de 1960, passará a reger-se pelos presentes Estatutos.»

Apesar de imprimidos em 1972, sabemos que tais Estatutos não se encontram actualizados, uma vez que, em algumas Assembleias-Gerais houve matéria que foi objecto de alteração. Não sei qual nem sei quando. Mas o que ali consta é que o clube já era considerado fundado em 1 de Janeiro de 1960.

É ainda curioso transcrever o seu artigo 3º que diz: - «O Clube tem a sua Sede Social na Rua Conselheiro Rodrigues Bastos, em Arrancada do Vouga e o campo de jogos no local denominado "Cabeço Gordo", limite da Veiga, da mesma Freguesia de Valongo do Vouga.»

Está confirmado que os primeiros jogos e respectivos treinos, eram feitos no Cabeço Gordo. Como, aliás, todos sabem ainda.

Na última página do livrinho onde estão redigidas as normas de legalização e funcionamento do clube, está o seguinte:

NOTA:

Posteriormente à homologação dos presentes Estatutos, foi adquirido pelo CLUBE, novo campo de jogos denominado "Campo de Jogos Bastos Xavier" em homenagem à Família Bastos Xavier, pela sua dedicação e contributo valioso que tem dado à Associação Desportiva Valonguense.

Esta nota deixa antever que o campo passou do Cabeço Gordo, para o actual, o que não é verdade, como sabemos. Ficaria melhor esclarecido se fosse descrito que antes da actual localização passou pelo local denominado "Rodelo", propriedade do Sr. Urias Carretas, de Arrancada.

Com algumas deficiências ou imprecisões, trarei aqui uma história contada por um dos intervenientes nos primórdios do futebol na freguesia de Valongo do Vouga. E, apesar disso, é bastante interessante e curiosa, porque ali consta a gênese do futebol na freguesia, talvez mesmo antes do GDA-Grupo Desportivo Arrancandense. São, pelo menos, pormenores muito curiosos, que dão uma ideia como era a vida daquele tempo (início do século XX) e como chegou, como a muitos lados, o bichinho do futebol. Que atingiu também os jovens dos anos vinte, das nossas terras.

Para a comemoração dos 50 anos, deixo, por agora, estas linhas...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Região do Vouga

Indumentária, Marmeleiros e Romarias

Antigamente, os homens das localidades desta região de Vouga, aos domingos, dias santificados, ou à noite quando saíam à rua, usavam gabão, castanho ou preto.
O gabão, com capuz, cabeção e mangas largas, de grande roda a cair às pregas, envolvia todo o corpo e descia até aos pés, calçados em tamancos com uma chapinha de metal amarelo na biqueira. Era um grande agasalho para o inverno, o tal gabão…
Na cabeça, os mais humildes enfiavam um barrete preto (carapuço), em forma cónica, com borla na ponta. Os mais categorizados, em vez de barrete usavam chapéu preto, em geral de abas largas, e nos pés, em vez de tamancos, calçavam botas (com elástico dos lados) ou chancas (calçado de solado de madeira) e quase sempre se faziam acompanhar de um pau de marmeleiro da altura do indivíduo. Este pau, cheio de nós, e aquele gabão com o capuz que o homem enfiava na cabeça, eram as suas armas de ataque e defesa.
Gabão de Ovar

Nas feiras rurais e nas romarias populares, via de regra, depois de o vinho fazer o seu efeito, ou fosse por negócios pouco lisos ou fosse por ciúmes de mulherio, os marmeleiros dançavam no ar, ouviam-se gritos em goelas femininas, e, a seguir, apareciam cabeças “valientes” a esguichar sangue. E nem a feira teria sido grande feira e nem a romaria teria sido famosa sem aquele quadro pitoresco dos gritos femininos do aqui-del-rei-quem acode e das cabeças rachadas. E até as lojas da boa pinga, com ramo verde loureiro à porta, ficariam desacreditadas por muito tempo.
Ou então em noite escura como breu, gabão vestido e capuz enfiado na cabeça, bom marmeleiro no pulso firme, o engaboado, se era namorado traído ou irmão insultado, procurava o rival ou o roubador da honra da irmã em sítio ermo por onde fosse costume ele passar e, no dia seguinte, havia na aldeia uma vida a menos ou um ferido a mais. Quem teria sido?! Ninguém tinha visto e o gabão, capuz enfiado na cabeça, era irreconhecível. Só perdurava o mistério e a desconfiança…
Também alguns lavradores destas localidades, quando antigamente andavam a lavrar as suas terras ou quando iam à apanha do mato, usavam umas polainas cor de castanha, de burel, a cair sobre os tamancos, e que lhes subiam quase até aos joelhos, evitando assim sujarem as calças ou picarem as pernas.
Ainda há cinquenta anos atrás se usava o gabão, marmeleiros e polainas, embora já rareando. Hoje em dia isso pouco se vê nas localidades desta região, mas o marmeleiro ainda é, em noitadas e romarias populares, usado por alguns, mais para não levar as mãos a abanar do que como arma.
E o gabão foi substituído pelo sobretudo e pela gabardine, agasalhos deste nosso tempo, porque muitos rapazes destas terras, embora modestos, se as economias ajudam, vestem-se actualmente, em dias de folgança, como os rapazes da cidade. As estradas e os fáceis meios de transporte, que não havia outrora, a ligar as cidades às aldeias, operaram, em meio século, esta mudança.

(Laudelino de Miranda Melo, in Arquivo do Distrito de Aveiro, páginas 280, 281)
A seguir do mesmo autor: As mulheres da região.
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Em Portugal, o gabão comprido, munido de mangas, romeira e capuz, usou-se em quase toda a faixa altlântica até depois da Grande Guerra de 1914-1918. Nas comunidades piscatórias da Póvoa de Varzim, Aveiro, Ílhavo e Nazaré, apresentava pequenas variantes, sendo habitualmente confeccionado com panos de lã castanha. Versões mais ricas, em lã preta, com pespontos e alamares, ocorriam na Murtosa, Aveiro, Coimbra e Lisboa.
Nos inícios do século XX, os "gabões de Aveiro" eram confeccionados em série pela Casa das Tesouras, localizada nos números 51 a 55 da Rua da Escola Politécnica em Lisboa, conforme anunciava um bilhete postal ilustrado da época (Cf. "A publicidade em Portugal através do bilhete postal ilustrado", Ecosoluções, 1998, p. 56). Foi com um gabão ou varino típico da Beira Litoral, veste apenas acessível a pessoas de posses, que um dos regicidas investiu sobre a família real em Fevereiro de 1908.
Fragmento extraído do blogue «Virtual Memories»

Foto do Gabão oriundo de Ovar, conforme blogue que pode ver aqui

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A nossa história

Igreja de S. Pedro de Valongo do Vouga

Continuando a narrativa histórica deste monumento da freguesia de Valongo do Vouga, há que salientar alguns pormenores do seu interior, onde se reúnem os elementos que mais se destacam e assinalam certos pormenores da sua longa existência.
Na sua grande reforma entre os séculos XVII e XVIII, a igreja ficou com corpo e capela, dois arcos nos flancos, quase juntos ao arco cruzeiro, destinados, como ainda se pode constatar, a altares, uma porta principal e, conforme já referimos, duas portas laterais e frestas altas e rectangulares, conforme explica o Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Aveiro – Zona Sul – Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa 1959.
De salientar que o arco da direita foi construído na segunda metade do século XVIII, formando capela. O outro arco do lado contrário, só o foi após aquela data, mais recentemente. O tecto da referida capela, da direita, que terá sido construída na segunda metade do século XVIII carece de restauro urgente, sob pena de se perderem e destruírem as pinturas originais, feitas em quartelas, decorados de rótulos policromos e dourados, em estilo concheado, que encerram motivos da Paixão, à excepção de um em que se vê um cálice, anjos adoradores e letreiro eucarístico.
Entre os anos de 1930 – 1935, teve esta igreja uma grande reforma, toda ela subvencionada pela família Sousa Baptista.
Há várias esculturas, a que os especialistas não dão grande relevo, quer artístico, quer histórico, sendo algumas do século XVII, “de pequeno interesse” (sic). De salientar, entre estas, os dois anjos ceroferários independentes, setecentistas, graciosos, mas correntes. O púlpito tem uma singela bacia de pedra e guardas de madeira, em forma de balaústres espiralados. De salientar, o que não consta nos alfarrábios, seria o órgão de tubos, que acabou por desaparecer, desmontado em peças e em bocados. Do mesmo consta o local, com varandim em forma de púlpito e uma placa gravada na parede, assinalando a sua existência ali.
Também no arco cruzeiro, os dois anjos estão em atitude de fazer qualquer coisa dada a posição dos braços. Lembramo-nos que os mesmos tinham longas trombetas nas mãos, as quais também acabaram por desaparecer. E este facto também não aparece citado naquele ou em outro “Inventário” conhecido.

Pia Baptismal-século XVI

Transcrevendo daquela obra acima citada, diremos: «De categoria é a pia baptismal. Trabalho feito em calcário, do princípio do século XVI, época manuelina; posto que não venha das principais oficinas mas da simples artificiania, é obra pouco comum. Dotada de pé curto e secção quadrada, segue traçado octogonal, produzindo um corpo de rectângulos e um de trapézios em ligação com o pé; quatro desses rectângulos são decorados de um busto de criança desnudada, cercada de haste vegetal, os dois restantes só de folhagens; os trapézios do segundo sector são cheios de temas florais diversamente compostos; em cada ângulo do pé há um rosto humano e nas faces folhagens cruzadas.»
E mais abaixo, diz-se: «A custódia de prata dourada é espécie de certa categoria. Pertence ao século XVII e ao tipo de templete. Este é formado de um par de colunas jónicas, postas a cada lado, suportando o cupulim, que Cristo ressuscitado remata; em lugar de pináculos há quatro anjinhos com os símbolos da Paixão; o receptáculo não tem radiação solar mas ornatos curvilíneos; a sub-copa, o pé e a base seguem os tipos correntes, havendo tintinábulos quadrados.»
De referir, por ser ainda de recordação visivelmente recente, que no adro foi o cemitério, sendo retiradas, ainda não há muito, algumas cercas férreas que limitavam a existência de sepulturas. Algumas delas em pedra, tendo sido recuperadas, em obras recentes, algumas delas, que lá estão dispostas em local apropriado para não serem danificadas.
Termina aquele Inventário Artístico referindo que havia uma via-sacra, dos princípios do século XVIII, partia da igreja e ia terminar num cabeço. Este Inventário Artístico dizia, em 1959, que esta via-sacra tinha sido restaurada em parte. E conserva-se uma das cruzes (já restaurada, como outras), ao lado da porta axial da igreja. Havia uma cruz alta, igualmente de grandes braços, junto da zona terminal, que seria no local hoje conhecido por Calvário, além das intermédias, em cada estação da via-sacra.
Este templo sofreu profundas obras de manutenção e conservação, que se prolongaram por cinco anos, sendo responsável o pároco de então, Rev. Padre António Ferreira Tavares. Estas obras foram iniciadas com os trabalhos de cantaria em granito, por pedreiros especializados, em finais de Janeiro de 1984.
Foram substituídos diversos elementos por se encontrarem muito danificados, desde o telhado, até ao douramento da talha dos altares e colunas interiores, feito por pessoal especializado neste tipo de trabalho, em que o sopro era fundamental.
A sagração do novo altar, todo numa peça de granito, foi realizada pelo então bispo titular da diocese, D. António Baltazar Marcelino, numa Eucaristia que teve lugar no dia 12 de Fevereiro de 1989, celebração esta que culminava com a visita pastoral que nessa semana tinha feito à freguesia.
Entre outros elementos, era de destacar os bancos novos com condições adequadas a que as pessoas se sentissem comodamente instaladas. Os anteriores, já muito velhos, destoavam bastante e foi motivo de reparo, pelo menos uma vez, por parte de D. António Marcelino. A propósito, lembro-me perfeitamente de, naquele dia, no fim da celebração, o Bispo de Aveiro, dirigindo-se a todos os Valonguenses presentes, ter dito, mais ou menos, isto: “Agora, sim, graças ao trabalho de todos, tendes aqui uma belíssima igreja”, referindo-se até ao caso dos bancos.
Pode não estar correcto este pormenor, mas, para o caso, pouco importa. O que importa é o facto em si, com mais ou menos uma ou outra palavra.

Opiniões de José Saramago

No melhor Nobel cai a nódoa

Um Valonguense, radicado em Lisboa, conhecido abreviadamente por António Marujo, é um conceituado jornalista do PÚBLICO. É de sua responsabilidade também o blogue riligionline, que abaixo indicamos como link, e no qual encontrei esta prosa:
......
José Saramago não sabe ler a Bíblia - e isso é uma péssima notícia, quando falamos de um prémio Nobel, que é suposto ser culto.
José Saramago tem boa memória - porque se lembra sempre da Inquisição e das Cruzadas, que todos sabemos que foram crimes.
José Saramago tem algumas falhas de memória - porque não se lembra das centenas de milhar de pessoas mortas por Estaline no gulag soviético.
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Veja o comentário completo por aqui
Veja ainda o link que António Marujo nos dá para ir ver outra opinião de Saramago.

domingo, 18 de outubro de 2009

ADV - Aniversário

49º aniversário do Valonguense

Com a dignidade merecida e possível, face a circunstâncias especiais que se vivem, lá se juntaram ontem os carolas mais novos e mais velhos, para celebrar 49 anos de "circulação" interrupta da formação desportiva, com bola, do clube que dá pelo nome de Associação Desportiva Valonguense.
Como já tinha dito, "outros valores se alevantaram" e não me "deixaram" estar lá.
Mas sei que foi uma festa-confraternização simpática. bem disposta, com boa e saliente camaradagem entre sócios, simpatizantes e Comissão Adminsitrativa, atletas, etc.
Não vale a pena dizer que houve discursos. Não vale a pena dizer que as Entidades comptentes marcaram presença. É costume que, nestas coisas, por muito modesta que seja a colectividade, não falham.
E houve bolos, como as fotos demonstram e que me foram facultadas pelo Filipe Vidal, que está sempre em cima do acontecimento.
A todos desejo as maiores felicidades e que, se um dia morrer o Valonguense (vade rectro), que aconteça quando todos os actuais Valonguenses já cá não estiverem. Macabro presságio? Não! É que os Valonguenses vão "partindo" aos poucos, um de cada vez, pelo que não vai deixar de existir Valonguenses que lhe dêm continuidade, com maior ou menor dificuldade. E deixo a todos esta certeza absoluta.
As pessoas têm uma visão, às vezes limitada, do que são, representam e valem todas as Instituições de um território, neste caso, do território da freguesia de Valongo do Vouga. E são já tantas... que mais parece quase um pequeno país...
Ah! Quase que ia esquecendo um facto importante na história desportiva da freguesia. «Descobri», se é que é o termo adequado, porque não descobri nada, está lá tudo escrito, alguns dados históricos sobre o início do futebol na freguesia. São lembranças (recordações) bastante interessantes e que vêm quase do início do século XX. Há que tratar da sua legalização......
Nota: - Como será visível e detectável, estes escritos são feitos directamente na página do blogue. Às vezes algumas gralhas estragam o panorama e a apresentação. Se isto acontecer, fica a explicação, com pedido de desculpas. Obrigado, porque sei que compreendem!..

Brincar com as fotos:

José Corga (presidente) e José Lopes Falcão (um dos sócios mais antigos da fundação)
O Corga, com faca na mão, em vez de cortar o bolo parece que quer cortar a barriga do José Falcão!
Passe a brincadeira...

O bolo do aniversário em destaque

A imprensa na freguesia

O Jornal «Valongo do Vouga»



Parece-me que para recordar as coisas positivas, mesmo mais recentes, pode marcar de forma preponderante a existência, durante cerca de 26 anos (de Janeiro de 1974 a Outubro de 2000), a existência de um jornal paroquial, que todos conheceram com o nome de «Valongo do Vouga». Lembrei-me que, com a devida vénia que merece, poderíamos aqui passar em revista alguns aspectos, já considerados históricos, e cujo conteúdo até foi aproveitado para transcrições de outras obras literárias locais.
Penso que não haverá qualquer problema de ordem jurídica ou outra, que, por este meio, se divulgue e se dê a conhecer tão importante como significativa e única história de imprensa que existiu na freguesia.
Estava legalizado através da Paróquia e era responsável e dava o nome e a cara, como Director, também como é sobejamente conhecido, o Padre António Ferreira Tavares, pároco da freguesia. A inclusão do seu nome, não só nos aspectos legais, como na ética, é, no mínimo, de respeitar. Há coisas que os mais novos não conhecem, pois desde 1974, já lá vão 35 anos. Os jovens de agora com esta idade, ou até menos, certamente que sabem alguma coisa sobre a história do jornal. Mas o quê?, pergunto. Muita coisa? Pouca coisa? Assim, assim... ou.... nada!!!
Deixamos, por agora este lamiré e, concerteza, que tudo aquilo a que nos referiremos, será a história e até algumas ideias escritas por mim próprio, que agora, ao revisitá-las, até as acho interessantes.
Fica aqui lançada a ideia, a ver se cria alguns apetites...

Ah! Esquecia-me de dizer que um dos últimos post's já teve origem não só nas minhas memórias, como até no que o periódico local publicava.
O seu nascimento, a sua evolução, a sua transformação, são já motivos curiosos que vão aguçar apetites. Depois contamos, sem copiar exactamente o que lá está, mas apenas por aquilo que retemos na memória, pelo que sabemos e pelo que vivemos por dentro o que é fazer um jornal, mesmo desta dimensão.
Para começar, fica aqui um dos últimos cabeçalhos do Jornal. Recordam-se, os mais velhos, desta apresentação? Creio que sim.

Até breve!

sábado, 17 de outubro de 2009

ADV - Aniversário

Valonguense
Jantar de aniversário

Hoje, na Veiga, no restaurante Videira, o Valonguense vai reunir a sua massa associativa e outros amigos, bem como responsáveis do futebol distrital, para comemorar o 49º aniversário da sua fundação.
No próximo ano serão comemoradas as bodas de ouro, com os seus cinquenta anos de vida ininterrupta ao serviço da formação desportiva e nas competições oficiais.
É que o Valonguense já existia antes.
Era conhecido, nos jogos populares (e particulares), que se disputavam no Cabeço Gordo, com o nome de Associação Desportiva Arrancadense (GDA). Tenho bem presente alguns desse jogos, com o Fermentelos, também ainda não filiado, com o Alba, do saudoso Martins Pereira, grande entusiasta e impulsionador deste clube que chegou a marcar posição cimeira no futebol nacional.
Os jogos com outras localidades, cujos jovens daquele tempo se reuniam sem qualquer outro interesse, que não fosse a prática desportiva.
E, nestes jogos, havia uma figura principal e central. O ÁRBITRO. Desempenhava estas funções, sempre a redundar em acaloradas discussões, o sr. José da Silva, (o ti Zé Barbeiro, como era conhecido) que nos seus familiares actuais destaco como figura ímpar que o foi nestas tertúlias e que evoco com as minhas homenagens. Era preciso ter muita coragem para se «imiscuir» nestas andanças futebolísticas dos anos cinquenta. Inadmissível, senão mesmo impossível.
Registo com agrado esta data e que ela seja motivo de revigoramento e rejuvenescimento de uma Instituição que já tem uma longa história como tal no desporto regional.

Em missão

Valonguense na República Centro Africana

Confesso a minha surpresa e o meu desconhecimento. Mas a vida prega-nos certas surpresas e até exemplos, que mais faz acentuar a palavra evangélica "que os segredos de Deus são insondáveis". Ou então, lá está, esta também; Deus escreve direito por linhas tortas. Isto quer dizer, para os crentes, que Deus está sempre presente nas pequenas e grandes coisas, nas situações boas ou más, alegres ou tristes e até na mansidão ou no sofrimento.
A Márcia Denisa Fonseca Costa, é uma jovem que recebeu livremente o sacramento da confirmação em 5 de Julho de 1998, com imposição dos óleos santos e das mãos, como se sabe, de António Marcelino, agora Bispo Emérito de Aveiro. Fazia parte do grupo de que eu era responsável na preparação de jovens que pretendiam receber este sacramento da confirmação do seu baptismo.
Completou 27 anos em Julho findo. Está há cerca de um ano em Coimbra e no dia 25 de Outubro, será celebrada uma Eucaristia, em Valongo do Vouga, pelas dez horas, à qual estará presente. Será, em certa medida, o seu envio...
Nos primeiros dias de Novembro partirá para França, onde vai permanecer durante cerca de dois meses, após os quais será, finalmente, a sua inserção no trabalho de missionar naquele país africano.
A Márcia é filha do nosso amigo António Correia da Costa e da Srª D. Maria Armanda da Fonseca Corga, residentes na Aldeia.
Não há necessidade de alongar esta notícia local e, de certo modo, inesperada, mas esperamos que vá questionar outras consciências sobre o significado transcendente da vida de cada um neste mundo.
À Márcia esperamos e desejamos as maiores felicidades e que o seu trabalho frutifique e renda a cem por um. Vamos ficar a pedir com as orações de cada um e de todos os que pretenderem ter presente a Márcia nas suas intenções. E das notícias que lhe possamos dar por esta via internauta que, já sabemos, vai seguir de perto e sempre que possa.

Nota: - Agradeço ao Filipe Vidal a colaboração pela cedência da fotografia da Márcia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Morto há dois anos!

Corpo de emigrante é agora trasladado

Provávelmente ninguém gostaria de acreditar que estas notícias ainda fossem possíveis e acontecessem.
Mas na realidade elas aí estão com toda crueldade desta vida, violência psicológica e macabras, além de frias, como sempre.
Começa assim:
"O corpo do emigrante português encontrado morto em sua casa, na periferia de Paris, será trasladado para Vila Verde, Braga, afirmou fonte oficial consular."

Mas para compreender, veja toda a notícia clicando aqui.
Depois faça as suas conjecturas ou perguntas quase naturais... a que ninguém vai responder.

Para começar o dia

A liberdade é isto?



Carlos, um rapaz das Honduras, é uma dos cerca de quarenta milhões de crianças que, por não terem lar, vivem abandonadas à sua sorte nas ruas das cidades latino-americanas. Muitas delas ainda têm pais, mas estes são tão pobres que não podem tomar conta dos filhos. Há cinco anos que Carlos ganha o sustento como engraxador de sapatos. Não é nada fácil sobreviver.

O meu maior problema é dormir. Não é nada fácil encontrar um lugar seguro onde não seja incomodado. Eu não quero juntar-me a nenhum bando e começar a roubar. Isso não é futuro. Mas como não estou em nenhum bando, também não tenho ninguém que me proteja. Às vezes é horrível não ter ninguém no mundo que goste de mim. É preciso ser-se muito forte para aguentar.

Há dias em que tenho a impressão de que toda a gente me detesta. Olham-me, furiosas, quando pergunto: “Quer engraxar os sapatos?” Outras insultam-me porque estou sujo. Mas já me habituei a ser insultado só por ser pobre.

A vida na rua é difícil. Quando comecei a trabalhar, havia rapazes mais velhos e mais fortes que me tiravam o dinheiro todo e até me batiam. Os polícias também me bateram várias vezes. Uma vez, meteram-me num lar, mas era como estar numa prisão. Ao fim de algumas semanas, fugi.

A maioria das pessoas não fala comigo quando me manda engraxar os sapatos. Lê o jornal ou olha em frente. Mas também há quem me diga: “Dá-te por feliz por poderes viver em liberdade, por ninguém te dar ordens”, ou coisas parecidas. Isto põe-me furioso.

É liberdade ter fome? É liberdade não poder ir à escola por ter de trabalhar? É liberdade não poder aprender uma profissão e ser talvez condenado a passar a minha vida inteira na rua?

Hannelore Bürstmayr
Grün wie die Regenzeit
Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986
(tradução e adaptação)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Prof Agostinho da Silva

No Liceu de Aveiro

Prof. Agostinho da Silva

Desde que se tornou mediaticamente conhecido, simpatizava, como outros e muitos portugueses, com este eminente doutorado e professor de filologia e filosofia, que falava 15 línguas e 2 dialectos africanos. Até Direito chegou a ensinar. Ouvia-o com agrado (se é que estou a criar surpresas em alguém por esta "confissão" pública) e segui com regularidade os seus programas no canal 1 da RTP, «Conversas Vadias».

Encontrei um dia destes, conforme uns post's antes deste, uma gravação em DVD de uma dessas entrevistas. Hoje, andava por aqui a vasculhar, como é meu hábito e encontrei isto:

«Agostinho torna-se efectivo do liceu José Estêvão em Aveiro, em 1933. Entusiasta, empenha-se muito para além das funções que lhe eram exigidas. «Tinha criado, por exemplo, uma caixa de apoio aos estudantes» mais pobres e outras acções «incómodas» aos olhos do Estado Novo, explica Helena Briosa e Mota, que está a concluir uma tese de doutoramento sobre Agostinho da Silva e o processo PIDE.»

E o que eu não conhecia, fiquei agora a saber. O professor Agostinho da Silva foi docente no então Liceu de Aveiro, que, penso, era naquela avenida que ia da rotunda de Santa Joana até ao viaduto, hoje conhecida pela Av. 25 de Abril, onde funciona actualmente a secundária.

História mais completa aqui...

Autárquicas 2009


A secção zero


Volto a este tema por «culpa» do Filipe Vidal, que no seu blogue valongodovouga.blogs.sapo.pt diz “que o passado serve sempre de leitura do presente!...”
Esta frase e a postura do Filipe, que tem sido inexcedível de sugestões, de apoio e de entusiasmo quanto ao «Terras do Marnel», com a sua fidelidade e companheirismo, de visitas e de alertas (nós não somos e não conheço ninguém infalível) para coisas menos correctas, em diversos aspectos, principalmente na grafia, coisa que também já tenho feito, quando necessário, para ele.
O Filipe achou graça, e não o fez por menos, toca de alertar, no seu blogue, que «A SECÇÃO ZERO» das eleições de antigamente era mesmo assim. E sugeria a visita a estas Terras...
A modéstia que, como aqui já disse uma vez, é a minha bandeira e principalmente agora que nenhuma vantagem me dá, mas que também nenhum prejuízo me traz, permitem-me alguma satisfação quando vejo os mais jovens a encontrar nas minhas “estórias” algo de positivo e que ajuda, de certo modo, a endireitar aquilo que pensamos estar torto e, muitas vezes, apenas na nossa imaginação ou naquilo que nos impingem olhos dentro através destes meios modernos de comunicação.
Se esta observação do Filipe me sugere esta reacção (positiva), também estou à espera de outras que me façam reagir neste ou noutro sentido. Mas sempre positivamente, mesmo que outro intuito tragam essas mensagens ou reacções. Nunca deixei de publicar qualquer comentário… nem respondo na mesma moeda, antes pelo contrário… tudo isto está aberto a quem pretender, seriamente, aqui colaborar...

Informem-me, que darei as permissões e as chaves para entrar nesta vossa casa dos «senhores do Marnel». Não é minha... é das nossas Terras!!!
Caros bloguistas e visitadores… até sempre!

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