segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Usos e Costumes

O lugar da Macida - Talhadas

O lugar da Macida, mesmo ao lado da sede de freguesia, Talhadas, foi e ainda é um alfobre de tradições, usos e costumes, algumas delas talvez mais que centenárias.
Foi ali, que uma vez, recolhemos a Carvalha da Barroca, um modinha de roda, que talvez já tivesse sido recolhida mas que, para nós, era a primeira vez que dela sabíamos e ficámos a ter conhecimento da sua existência. O grupo chegou a adoptá-la.
Porque, modinhas de roda, havia muitas e, talvez vulgaríssimas, relativamente a outras "enterradas" nos baús das memórias das pessoas. Chegamos a brincar, na rua, com algumas dessas modinhas. Temos aí, pelo menos uma relíquia, obtida em tempos pelos folcloristas mais conceituados, na Veiga, que ainda iremos apresentar.
Agora, o que se pretende realçar foi a participação no III Encontro de Folclore de um grupo de pessoas do lugar da Macida, que vieram recriar uma cantiga que foi célebre e que se cantava quando as pessoas se deslocavam, a pé, a uma romaria conhecida por Senhora Santa Combinha e que era também o título da cantiga.
O cartaz que está ao cimo, diz:
- Colaboração especial
  • Grupo de pessoas do lugar da Macida - Talhadas
  • (Apresentando tradição cantada e pelos próprios vivida)
Esta recriação foi no dia 9 de Setembro de 1989.
Sei que isto não está muito bem "desenrolado" quanto à explicação da cantiga. Terá sido, talvez, o momento mais importante daquela festa de folclore. Pelo menos foi a opinião manifestada por algumas pessoas que assistiram e que eu considero autênticos e genuínos «catedráticos» nesta matéria.
O que agora se pretende registar são umas quadras alusivas ao lugar da Macida, que os apontamentos que me foram fornecidos dizem. Assim;

Viva o lugar da Macida,
Pequenino mete graça.
Tem um xafariz no meio,
Dá de beber a quem passa.

Viva o lugar da Macida,
Não é vila nem aldeia.
É um lugar pequenino,
Onde meu amor passeia.

Viva o lugar da Macida,
Viva de vela em vela.
Viva também São Simão,
Dentro da sua capela.

À entrada da Macida
Logo mesmo à entrada,
Está uma pereira nova
Que ainda não foi abanada.
Agora dou-lhe um abano,
As maduras caiem ao chão
E as verdes ficam no ramo.

A minha amora madura
Quem foi que te amadurou,
Foi o sol mais a lua
E o calor que ela apanhou.
No meio da silveirinha,
Vem tu cá, ó silva verde,
Minha amora madurinha.

Viva o lugar da Macida
O cimo, o fundo não.
O cimo tem uma rosa,
O fundo um mangericão.

(Maria Gorete)

Penso que nestes versos, simples, há uma demonstração de brio e bairrismo. Existe até uma disputa entre o cimo do lugar e o fundo do lugar. Nunca ficamos a saber porquê. Por outro lado, há, nestas quadras, uma parte que deve integrar o cancioneiro popular, como se pode ver através da cantiga da minha amora madura.
Copiamos tal como foi escrito havendo, com esferográfica preta, no fim da folha, um nome que ali deixamos também transcrito. Mas não cuidamos de saber, agora, de quem se trata. Talvez mais tarde... Mas penso que era uma jovem (em 1989, agora adulta!) que ficou incumbida de passar a escrito estes versos, a pedido das pessoas presentes na altura...

Um país sob suspeita...

...Onde vale a pena viver!

Portugal dos pequeninos (Coimbra)

Portugal atravessa um período difícil. Ninguém está a salvo da mais reles suspeita e a justiça está no centro do furacão, alimentando com gasolina este incêndio descontrolado que ora beneficia uns, ora prejudica os mesmos. Procuradores (ou seja, investigadores) e juízes sempre andaram de mão dada numa insalubre intimidade - são formados na mesma escola, o Centro de Estudos Judiciários - que afecta a credibilidade da justiça, fragilizando os arguidos e corroendo o Estado de Direito. A estes, juntam-se os jornalistas que, com o impulso justiceiro de dar notícias em primeira mão, deixam-se levar ao sabor das migalhas que recebem, sem medir os efeitos das informações parcelares que divulgam como se fossem sentenças. Confunde-se tudo, atingindo e destruindo reputações pessoais e, pelo caminho, arruinando a confiança sobre a qual repousa o futuro de um país. Sem confiança, não há, no entanto, futuro, apenas terra queimada, cinismo e descrédito.



domingo, 30 de agosto de 2009

Poemas de sempre!

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!





Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


sábado, 29 de agosto de 2009

Imagens da nossa terra

Águeda em imagens

Havíamos prometido, há umas semanas atrás, quando aqui foi colocado um slide de fotos sobre a Alta Vila, em Águeda, que tínhamos a intenção de também aqui fazer aparecer um slide todo ele dedicado a alguns locais da cidade.
É isso o que agora fazemos.
Não está bem, sabêmo-lo... E sabemos que faltam aqui outros locais bem interessantes, pitorescos e até históricos. Sabemos até que as fotos apresentadas poderiam ter sido obtidas com outros ângulos e posições. Sabemos isso tudo... depois do trabalho feito!!!
Se a disponibilidade o permitisse, teríamos aqui muitos mais locais.
Uma justificação: fez-nos sentir a importância do que agora é mórbido; A FAMEL. (Veja esta relíquia e belíssimo trabalho aqui). E como íamos de norte para sul, primeiro paramos naquele local para clicar alguns registos daquela que foi, no país, a principal empresa do género do produto que fabricava. E para que não se percam alguns elementos da história, tão curta e já tão longa, aqui ficam algumas imagens. Mais tarde, já fazia tudo, creio, dos produtos que fabricava. Não precisava dos alemães da Sachs ou da Zundapp, que também desapareceram...
Memórias que ficam... histórias que se esfumam, ou não, com os tempos.


Usos e costumes

Cantigas de antigamente


Nos meus papéis velhos, desbotados e amarelecidos, encontrei há dias, proveniente de uma recolha, da qual só tenho a letra, uma cantiga que em 9 de Abril de 1989 me foi dita (e não sei se cantada, mas penso que não) pela D. Olinda, de Carvalhal da Portela. Essa cantiga era assim:


Dizem que o trevo se atreve
A tirar a folha ao milho,
Eu sem ser trevo me atrevo
A tomar amores contigo.

Oh raparigas cantai, dançai,
Vossas cantigas voai, voai
De madrugada leva o rigor
Cantai o hino do nosso amor.

Está o céu enevoado
Está para chover e não chove
Tenho o meu amor doente, ai Jesus ó Maria,
Está para morrer e não morre.

Ó minha pombinha branca
Ó meu pombo rolador
Viva quem anda rolando
Nos braços do meu amor.

Desfolhei o malmequer
P’ra saber o teu amor
Eu te disse ó malmequer
Ó falso enganador.

Querida morena do teu lindo olhar
Foge-me a pena do teu cantar.

Parece que cada uma das quadras não “casa” bem com o conjunto. Estão desirmanadas umas das outras. Ou seja, não são oriundas do, e a tratar, o mesmo tema. São quadras soltas que terão, na minha opinião, uma origem e função brejeira, muito popular.
A D. Olinda era esposa do Sr. Joaquim Nunes da Silva, que morava numa casa que ligava o centro do lugar à passagem de nível da Boca.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Coisas de futebol

JOSÉ MOURINHO


"Todos sabemos que o "nosso" Zé Mourinho lida muito bem com a polémica, gosta de provocar e não costuma ter papas na língua."


Gosto de ver a escrita de José Lopes, meu companheiro de jornadas bloguistas, que reside ali para os lados de Esgueira, se não estou em erro. E ele começa, com a linguagem antes citada naquela frase, um pequeno, mas muito interessante post, no seu blogue. Espreite que vai também gostar da sua opinião, em A VER NAVIOS.

Usos e Costumes

Os primeiros elementos do Grupo de Folclore da Casa do Povo

Correndo o risco de falhar, de que peço desculpas antecipadas, o que é certo é que nos apontamentos que possuo, existe uma lista de nomes de adultos, crianças, jovens e adolescentes que fizeram parte do primeiro grupo de pessoas que constituíam o Grupo de Folclore Infantil (que o era na altura) da Casa do Povo de Valongo do Vouga.
Com a ressalva antes referida, apresento os seus nomes, tal como estão manuscritos nos meus apontamentos. Estão assim:


MENINAS E SENHORAS

-Paula Cristina J. Oliveira
-Lurdes Margarida Martins Lopes
-Patrícia Margarida Bastos Silva
-Otília Maria Almeida Tomás
-Cristina Maria Simões Arede
-Maria Fátima Santos Ferreira
-Susana Raquel Domingues Barrocas
-Sandra Raquel Oliv. Tavares - Carvalhosa
-Cláudia Manuela Alves de Oliveira - Ag.
-Marisa Celeste Pereira Martins Almeida
-Vanessa Alexandra Ferreira dos Santos
-Joana Patrícia Santos Ferreira


-Maria Luz Arede Cruz
-Ana Paula Simões Arede
-Maria Fátima Santos Ferreira
-Isilda Maria Duarte Pereira
-Rosinda Simões Santos Paula


-António Manuel Varela da Fonseca – Brunhido
-Paulo Sérgio Matos Liberal
-Carlos Manuel Dom. Barrocas
-Sérgio Aug. Gomes Pinheiro
-Helder Daniel Gomes Pinheiro
-Pedro Alexandre Cruz Dias
-Alexandre Miguel Bastos Silva
-Nuno André Nunes Rebelo – A-dos-Ferreiros
-Helder Jorge Almeida Tomás
-Nuno Filipe Martins Ferreira – Cabeço Gordo
-Carlos Manuel Pereira Silva


-Augusto Martins Barbosa
-Elísio Augusto Martins Ferreira
-António Manuel Santos Ferreira
-Fernando Jorge Santos Gonçalves
-Fernando José Henriques Tavares
-Manuel Tomás
-Pedro Jorge Nunes Ferreira
-José Marques Ferreira
-Guilherme Arede Francisco
-Luís Miguel Rodrigues Figueiredo

Penso que falta aqui o nome de José Rebelo Guedes, que fez parte, durante algum tempo, do grupo. Na altura em que fiz aquela lista, não sei se já tinha saído ou não. Mas está na fotografia que ilustra este apontamento. Fiz esta correcção já depois do post aqui ter sido colocado. Fica, pelo menos, o reparo.
Os espaços que coloquei e que fazem grupos de nomes, querem significar que constituíam núcleos diferentes dentro do Grupo de Folclore. Havia o grupo de dançarinos, cantadores e cantadeiras, da tocata, etc.
Também havia outras pessoas que nos acompanhavam sempre e já as considerávamos parte integrante do Grupo de Folclore, cujos nomes agora não me ocorrem.
Tenho ainda os nomes de Nuno Paulo Rodrigues Ferreira e Nuno Filipe Rodrigues Paula, mas que estão riscados. Tenho também, nas mesmas condições, o nome de uma pessoa que cedo nos deixou, Maria Fátima Fonseca Santos Maçarico.

Se alguém reparar que falhei na omissão de algum nome, façam o favor de me contactar.
Falta dizer uma coisa. Isto foi em 1989. Por isso estas crianças, jovens, adolescentes, têm todos outras posições na sua vida. Não quero distinguir ninguém, mas o que é certo que a maioria são pais, mães, outros são avós, enfim... tudo mudou...
Com a foto que aqui fica, quero recordá-los com saudade, a todos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Da vida real

Em Setembro




Já em Setembro, muitas famílias sem emprego ficarão também sem direito a subsídio e mais empresas vão fechar.
A notícia de que cerca de 80 mil crianças do Malawi – algumas com cinco anos – sofrem problemas terríveis de saúde nas plantações de tabaco – com o equivalente ao consumo de cinquenta cigarros por dia – e que trabalham cerca de 12 horas para ganhar menos de 15 cêntimos passou despercebida.


Vai a Fátima? Tenha cuidado!

Ladrões violentos com ajuda do Estado


Com este meio conhecido por «copy-paste», não se pense que estou a «encher» o blogue para não ter trabalho. Não é essa a razão.
E quem tirar conclusões deste género, está a precipitar-se, porque sabe que também somos, pelos blogues, divulgadores do que de bom e mau (péssimo) se passa e faz.
Ora leia esta notícia, de hoje, e veja se não tenho razão. Está aqui no Correio da Manhã.

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 8

A inauguração-II

Novas Instalações da Casa do Povo, utilizadas por vários serviços há pouco tempo

Dizíamos no final do post anterior que Sousa Baptista, perfilado, diante da bandeira nacional do Brasil, agradeceu profundamente emocionado à pátria brasileira o seu acolhimento e o seu sucesso. Mais ou menos assim...
 
A partir daqui, apenas podemos mencionar os discursos, que, pela retórica do que está escrito na «Soberania» enveredavam pelo mesmo tom, quase todos evidenciando estar-se a viver uma «revolução». Mas esta não tinha cravos… (passe a piada).As frases, os termos, a vivacidade, a inflamação colocada na redacção da notícia era o corolário disso mesmo. O regime que se vivia naquele tempo.
As referências ao Sub-Secretário de Estado, ao governo que ele personificava, ao Chefe da Nação e ao Presidente do Conselho, eram uma constante nos discursos.
Falou em primeiro lugar o Presidente da Câmara de Águeda, Joaquim de Melo, que terminaria assim segundo o correspondente da «Soberania»: “No final, o sr. Presidente ergueu calorosos vivas ao sr. General Carmona, Dr. Oliveira Salazar, Sub-Secretário das Corporações, Governador Civil, ao povo de Valongo do Vouga, etc., vivas que foram vibrantemente correspondidos.”
 
Esta a parte inferior da página da «Soberania» que completa a digitalização do post anterior
 
A seguir falou o sr. Conde da Borralha. «O seu patriótico discurso foi, igualmente, muito aplaudido. Tomou então a palavra o sr. Joaquim Soares de Sousa Baptista, que pronunciou um belo discurso, sendo, no final, calorosamente aplaudido.» Isto, no meu entender, é de pouca relevância naquilo que devia ser dado ao ilustre orador. Ou seja, era necessário conhecer algo mais do conteúdo do seu discurso.

Reparemos nesta particularidade da reportagem: «O sr. Sub-Secretário das Corporações fez a saudação nacionalista ao sentir-se alvo das ovações da numerosa e selecta assistência, que pejava por completo o salão. Lá fora, o público seguia, ansioso e interessado o desenrolar da sessão solene, escutando por intermédio de alto-falantes, os discursos proferidos.»
Um ilustre Valonguense, agricultor, natural de Fermentões, que muitos de nós conheceu, usou de seguida da palavra. Foi António da Silva Magalhães, que falou em nome dos pequenos agricultores.
Também não podia deixar em claro o discurso de um proeminente Valonguense, ilustre e erudito escritor, Arménio Gomes dos Santos, inspector escolar que «iniciou em seguida o seu discurso. Sóbrio, cheio de conceitos, formoso na exposição, nele foi posta em evidência a necessidade da intervenção do governo na organização económica do país. O orador referia-se ao desequilíbrio que provocaria no meio social português os lucros excessivos e miséria degradante. E a reforçar o seu conceito aponta a «balbúrdia do volfrâmio».
Não podemos deixar em branco este pormenor do Inspector Gomes dos Santos: «Cita a propósito, um caso muito edificante, ocorrido em Viana do Castelo. Um volframista adquiriu uma pena de tinta permanente por 400$00; e, quando o comerciante lhe deu os parabéns por poder adquirir objecto tão útil e de tanto valor, o homenzinho respondeu ingenuamente:
- Ah! Mas eu não sei escrever…»
E continuou o Inspector Gomes dos Santos: «O nosso povo tem andado ao acaso. Está o Governo da Nação empenhado na solução do problema. Para os meios rurais criou as Casas do Povo, que são uma das bases seguras do sistema corporativo.» Enumerou as vantagens que destas Casas advêm para os proprietários e trabalhadores. Rematou o seu discurso tecendo justíssimo elogio à obra do sr. Sousa Baptista e de sua virtuosa esposa, que tão largamente vêem praticando a Caridade, mitigando a fome de tantos lares, proporcionando trabalho a famílias inteiras, construindo escolas, igrejas, fontes, etc. - «Uma obra grandiosa e de vasto alcance social!» - exclamou, reconhecido, como filho de Valongo que é. Calorosa salva de palmas abafou as suas últimas palavras.»
A encerrar discursou, como seria de esperar, o Dr. Trigo de Negreiros, «ilustre Sub-Secretário das Corporações.» Não vamos aqui transcrever o muito que está descrito no Jornal «Soberania do Povo» de 4 de Julho de 1942, porquanto a ideia base era, naquele tempo, transmitir a doutrina do regime político então vigente. Mas terminamos com esta transcrição: «E S. Exª, voltando-se para a numerosa assistência, disse: - Habitantes de Valongo! Não percais nunca da vossa memória o nome do signatário desta doação.»
E os habitantes de Valongo não perderam mesmo a memória do nome do doador…
E mais havia a dizer. Mas por agora terminamos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Manjares na II grande guerra

Latas de conserva da Ramirez encontradas na despensa de Hitler


Durante a II grande guerra, ter latas de conserva era um manjar do acesso de privilegiados. Mas há poucos minutos o "Expresso" noticia que as conservas, portuguesas, da conhecida marca Ramirez, foram encontradas na despensa de Hitler.

Se quer saber mais pormenores, pode ver o Expresso aqui

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 7

A inauguração-I


No post anterior desta série, comentava-se que a inauguração da Casa do Povo de Valongo do Vouga, prevista para 28 de Maio de 1942 tinha sido adiada. Previa-se que seria num dos primeiros domingos de Junho daquele ano.
Mas não. A sua inauguração aconteceu no último domingo. Mais precisamente no dia 28 de Junho de 1942. Foi dia de festa rija, com grandes cortejos, esteve presente uma das bandas de música de Fermentelos, mas não se esclarece qual.
Deixamos aqui parte da digitalização da notícia anterior e deste acontecimento que, pela sua extensão, não a podemos transcrever na íntegra.
Mas o título, usando as técnicas jornalísticas daquele tempo, era de grande destaque, a três colunas da «Soberania», no formato de página muito usado naquele tempo, que era um lençol de papel e que dizia assim:

O ACTO INAUGURAL DA
CASA DO POVO DE VALONGO DO VOUGA
CONSTITUIU ACONTECIMENTO INVULGAR

(Como se pode ver pela digitalização, era mais ou menos assim a disposição do título no Jornal)

Num resumo, apenas podemos ressaltar alguns momentos do acto, começando com este apontamento inicial: «Às 5 ½ chegou ao cruzeiro de Arrancada, S. Exª o sr. Sub-Secretário do Estado das Corporações e Previdência Social, Dr. Trigo de Negreiros, acompanhado dos srs. Governador Civil de Aveiro, Delegado do I.N.T. no distrito, e de várias outras entidades oficiais. Foram aguardados pelos srs. Presidente da Câmara, Presidente da C.C. da U.N., Joaquim Soares de Sousa Baptista e pela directoria da Casa do Povo.» Seguem-se descrições várias, onde não faltou o que se refere ao estampidos de muitos foguetes, da música de Fermentelos que tocou o hino nacional, uma força do Núcleo da L.P. desta vila, que prestou a continência de honra.
Formou-se luzidio cortejo até ao edifício da Casa do Povo, com muitas crianças das escolas de Valongo, uma deputação do S.N. dos ferroviários do V.V., com estandarte, e outras individualidades de destaque da região.
A rua estava lindamente ornamentada, o povo, em massa, estacionava em redor do edifício, ouviam-se vivas, aqui e ali, espontâneos, sinceros.
O sr. Sub-Secretário subiu ao salão nobre e o rev. sr. Prior de Valongo procedeu, em seguida, à bênção do edifício, e um grupo de crianças rematou a cerimónia cantando o hino de Cristo - Rei.
A mesa, cuja presidência foi assumida pelo sr. Sub-Secretário das Corporações, foi formada por várias individualidades, com a presença de Sousa Baptista, como é óbvio. O Dr. Américo Andrade procedeu, em seguida, à leitura da escritura de doação da propriedade do edifício da Casa do Povo, expressamente mandada construir pelo sr. Sousa Baptista, tendo, no final, lido um discurso, no qual pôs em relevo o significado moral da renúncia à dita propriedade, construída para benefício do povo, e dirigido, por tal facto, os seus parabéns aos habitantes de Valongo. De seguida, Sousa Baptista assinou o termo da doação, e os assistentes coroaram o nobilitante acto com estridente salva de palmas.

O HINO BRASILEIRO
A BANDEIRA NACIONAL DO BRASIL

Queremos destacar um pormenor, que talvez seja do desconhecimento de muitos. Esta reportagem (chamemos-lhe assim) aponta ainda este facto.
«Içada a bandeira nacional, as crianças entoaram a «Portuguesa»; e o hino brasileiro, ao içar a do Brasil. Profundamente comovido, o sr. Sousa Baptista, erguido em frente da bandeira brasileira, dirige duas palavras de eterno reconhecimento à Pátria onde trabalhou durante tantos anos e Deus o bafejou, e foi com os olhos marejados de lágrimas que disse: “Símbolo da Pátria brasileira: Aceita a homenagem de um português eternamente agradecido”. A assistência aplaude, comovida.»

Nota: - Estamos a seguir esta notícia com alguma precisão nos termos utilizados, na grafia usada e nos modos e linguagem utilizados no jornal, inclusivé as maior parte das palavras tal como estão. Há muitos pormenores na notícia, que vão até à minúcia. Por isso, finalizaremos esta série para próximo post.

A recordar

We Are the World

Vinte e quatro anos passaram já sobre a data da criação de uma música que juntou alguns dos maiores cantores da actualidade, em torno de uma grande causa. O tema que pretendeu ser um grito de alerta em favor das crianças desfavorecidas de todo o mundo, em especial as de África, é verdadeiramente empolgante. Vale a pena recordar.
(Estas frases foram transcritas de algures, que agora já não me lembro. O que não posso esquecer foi a iniciativa e a finalidade que estava adjacente, bem como a música que nunca cansa ser ouvida, pela melodia e pela mensagem. E porque além de outros «monstros» da música mundial, também cá estava o rei da Pop, Michael Jackson, que tanto tem dado que falar com a sua morte).


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fotógrafo do JN atropelado

Motorista de Pinto da Costa atropela jornalista


(Foto de «jornalportuense.blogspot.com)


Hoje, dia 25 de Agosto de 2009, Pinto da Costa (o presidente mais antigo do clube com que simpatizo), e a ex-companheira, Carolina Salgado, tiveram de se encontrar... no tribunal.
À saída e quando Pinto da Costa era transportado de automóvel, o seu motorista parece que atropelou um jornalista do Jornal de Notícias.

Pode ler a notícia do Correio da Manhã, aqui e no JN aqui.


Coisas da Guiné - 9

A morte à frente dos olhos!




Piloto de helicópteros, só para a foto... andar com os pés no chão, é bem melhor!
As velhinhas e saudosas avionetas “Auster” eram uma maravilha para transportes rápidos nas guerras coloniais. A “Dornier” ainda era melhor. Com mais bojo de capacidade, mais espaço, nem que fosse sentado na base que servia de apoio entre o pavimento do aparelho (era o chão) e a altura em que sobrevoava.
Todos nós temos algumas ‘estórias’ com estes aparelhos da força aérea. Eu tive alguns e num deles parece que não chegava ao destino tal foi a reacção que o “gregório” me provocou, que mais parecia sair também o estômago…. precisamente porque o piloto passou a viagem a fazer piruetas, subindo e descendo constantemente em picanços de arrepiar. Isto de Bissau para Ingoré. E lá íamos largando o correio, através do postigo lateral, junto dos respectivos aquartelamentos, que não tinham pista para aterrar (de terra batida, é bem de ver)nomeadamente no dos meus camaradas de Sedengal.
Um dia surgiu a necessidade de ir ao quartel-general a Bissau, fazer qualquer coisa que não recordo. O que não esqueço foi o que aconteceu antes de chegar a Bissau, melhor dizendo, quase não chegava a sair de Ingoré.
Havia uma serração próximo do aquartelamento. Certo dia apareceram lá pessoas responsáveis pela empresa proprietária da serração, numa avioneta que, talvez, nem fosse uma “Auster” e que apenas tinha capacidade para três passageiros.
O comandante da companhia contactou essas pessoas no sentido de nos permitirem essa deslocação. E quem havia de ir, eu, «o administrador» da companhia. Penso que ia tratar de algum problema daquela área.
A preocupação foi saber qual o peso que eu transportava. Não podia levar armas, cartucheiras, munições, nada… apenas uma pasta, talvez com meia dúzia de documentos.
Feitas as apresentações, lá entramos na avioneta. Como certamente é desnecessário esclarecer, nada percebo de avionetas ou veículos do género. Entrei, avioneta a funcionar, fomos ao início da pista, coisa que outros pilotos com veículos idênticos não faziam, ouvi estranhamente uma aceleração muito anormal, avançamos em grande velocidade em direcção à estrada que dava de frente com a pista e, na berma do lado contrário, algumas moranças nativas.
Em Ingoré, esta pista, de terra batida, ficava junto à estrada para S. Vicente, a pouca distância daquela localidade. Continuemos…
O aparelho deslizava, mas nada de fazer esforços para levantar voo. E eu via a aproximação da berma da estrada e das referidas moranças a uma velocidade vertiginosa. E lá pensava eu que ficávamos esborrachados ali. Até que, numa espécie de golpe rápido, a avioneta levanta, faz roncar o seu motor por cima das moranças e toca de ganhar altura.
Não vos digo nada, mas foi um susto pior que alguns tiros em terra firme… quase borrei as calças ou calções…
Mas, lá em cima, já com perfeita noção que o pior tinha passado, começo a verificar que quem pilotava, ia em direcção, não de Bissau, mas um pouco a nordeste pelo que, passado pouco tempo, estaria no Senegal. Ia na direcção de Barro, um pouco “inclinado” para a fronteira, portanto lá iria entrar, mais perto ou mais longe, sem licença de quem quer que fosse.
Quando olhei a paisagem e vi as vias que eu conhecia, só me restou fazer uma coisa simples; bater no ombro de quem pilotava (eu ia no banco traseiro) e, por gestos, dizer-lhe que a direcção a tomar era a estrada que estava por debaixo e atrás de nós, melhor dizendo, na direcção do nosso lado direito. É que lá dentro fazia tamanha barulheira que não se contactava com ninguém.
O homem viu que ia mal, mudou de direcção em ângulo recto e começou a orientar-se pela estrada que ia de Ingoré-S.Vicente-Bula-Bissau.
Chegamos, finalmente e em pouco tempo, a Bissau. E só aqui é que me apercebi que aquele aparelho, excluindo, talvez, a bússola, não tinha um mapa, um rádio, nada… isto porque, para aterrar no aeroporto, deu uma volta e aguardou que da torre de controlo, através de sinalética com bandeiras, no passadiço exterior (não sei como se chamam as áreas de varandas que rodeiam estes equipamentos), lhe fosse dada autorização para aterrar.
Aos meus visitadores só posso dizer uma coisa: isto pode não ter graça nenhuma ou interesse algum, mas, a mim, foi a experiência que me provocou um cagaço tal que nem quero recordar…

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 6

A inauguração




O edifício da Casa do Povo actual
Como se referiu nos postes anteriores, a Casa do Povo estava em condições legais de poder avançar com a sua acção social em prol da população mais necessitada. Já antigamente, como hoje, faltava ainda um pormenor: A inauguração.
Vamos abordar este assunto por fases. Nesta fase iremos descobrir (se é o termo adequado) que houve alguns solavancos até que a data fosse definitivamente acertada, como iremos ver.
Por agora, vamos apenas transcrever uma notícia do Jornal «Soberania do Povo», salvo erro de 9 de Maio de 1942, que dizia assim:

«Casa do Povo de Valongo do Vouga – Possivelmente, a inauguração da Casa do Povo de Valongo do Vouga não se realiza na data indicada - 28 de Maio; espera-se, porém, que o seja em um dos primeiros domingos de Junho próximo.
O respectivo plano de realizações é vastíssimo; honra quem o elaborou e muito diz do bairrismo do povo de Valongo, porquanto ele seria inexequível se a contribuição dos futuros sócios não correspondesse à capacidade populacional.
Na devida oportunidade daremos o relevo merecido ao acontecimento; todavia, para já, divulgaremos que faz parte desse magnífico plano, a construção de um bairro de moradias para trabalhadores, e que serão entregues aos sócios, segundo sorteio a seu tempo levado a efeito; de um completo arranjo de caminhos vicinais; a extinção da mendicidade na freguesia; protecção na enfermidade ao trabalhador; a sua mulher em estado de gravidez, cuidados e assistência; à criança, carinhoso amparo, etc., etc.
A sede satisfaz em pleno, às necessidades; e muito nos apraz dizer que nela se está construindo amplo salão de espectáculo, com cómodos camarotes e duas francas escadas de acesso. Esmalta a frontaria do bom edifício um lindo painel, trabalho da Fábrica do Outeiro.
A obra do sr. J. S. de Sousa Baptista vai frutificar, porque foi edificada num ambiente de carinho. A comprová-lo está aí esse exemplo que todo o povo deu ao receber com boa vontade a ideia da contribuição pró-Casa do Povo. Não há excepções a apontar; mas, se alguma surgisse, não teria nunca companheira.
Está, portanto, de parabéns, Valongo do Vouga.»


**********


E assim termina a notícia daquele semanário. O grande acontecimento da inauguração foi vibrantemente noticiado pela «Soberania» no seu número 5199, de 4 de Julho de 1942, que a ele nos referiremos brevemente. Um dado histórico a que não deve ser alheio aliar a data da inauguração programada a uma outra célebre data: a de 28 de Maio de 1926, portanto, cerca de 16 anos depois desta. Por outro lado, a inauguração não terá sido nos primeiros domingos de Junho de 1942, mas talvez depois. Vamos investigar e esclarecer…

Belezas Locais

O Parque da Alta Vila

Houve um pequeno acidente que me obriga a repetir, mais ou menos com a mesma linguagem, o que aqui tinha. É que escrevo directamente no blogue, fiquei sem cópia e deu nisto... paciência!
Este blogue tem uma linha de edição e orientação direccionada fundamentalmente para as coisas e para os conterrâneos locais. Daí o título. Mas também tem a intenção de chegar mais longe, a todos aqueles que se encontram na diáspora. Por isso a seguir ao título, a descrição do blogue: «Contar e mostrar o que existe em redor».
É a pensar nos que estão longe, também, que de vez em quando aqui passamos locais e histórias que, certamente, irão causar ou matar saudades.
Entre esses locais, fui agora a um mais citadino, uma pérola dentro da cidade, mais concretamente o Parque da Alta Vila.
O slide que a seguir apresentamos dedica-se totalmente àquele belíssimo local. É natural que se verifiquem e notem bem alguns que são quase iguais. As fotos não possuem qualquer legenda explicativa ou identificativa. Não vale a pena. São todas do Parque da Alta Vila. A ideia foi apanhar vários ângulos de pequenos pontos do Parque, quase no mesmo sítio, como que a fazer um filme, em fotos, que não se podiam fotografar de outra forma. Mais que as palavras, as imagens.


domingo, 23 de agosto de 2009

Os Investimentos


O Engº Paulo Fernandes é natural do lugar de Aguieira, desta freguesia. A sua residência foi Cascais, mas penso que está desactualizada que, para o caso, pouco interessa. No Porto situa-se a sede da empresa de que é Presidente.

O «Jornal de Negócios», que pertence ao Grupo Cofina, é que dá a notícia. Pode ver aqui...

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 5


Os primeiros benefícios


Antes do relato desta parte da história da Casa do Povo de Valongo do Vouga, há que esclarecer que anteriormente existiu a inauguração da Instituição. Ao facto nos referiremos oportunamente.
Agora iremos apresentar as imagens possíveis digitalizadas do documento que instituía os primeiros benefícios aos sócios mais carenciados. São três folhas dactilografadas, que constituía um Regulamento, como no mesmo se diz, e que ao ser transcrito não carece de mais explicações.
Mas existe um factor curioso. Este documento constituía um requerimento que deveria ser aprovado, como foi parcialmente e abaixo disso damos nota, sendo apresentado ao Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência, entidade de quem dependiam as Casas do Povo. Por sua vez, este Instituto fazia parte da estrutura do então Ministério das Corporações e Previdência Social (hoje, Ministério da Solidariedade e Segurança Social, que também já foi conhecido por Ministério do Trabalho). Não sei se é preciso explicar, mas este Instituto era, já em 1942, o Organismo Oficial que corresponde hoje à Delegação da Inspecção do Trabalho que, mesmo assim, já se encontra bastante e profundamente remodelada.
Este Regulamento da Casa do Povo foi aprovado com uma excepção. Manuscrito, na parte superior do lado direito, diz assim:

«Aprovo, excepto quanto à parte relativa a subsídio de invalidez, cuja concessão se encontra oficialmente regulamentada.»
A reprodução do documento é a seguinte:

Casa do Povo de Valongo do Vouga


REGULAMENTO PARA A CONCESSÃO DE SUBSIDIOS DE INVALIDEZ, PARTO, LACTAÇÃO, CASAMENTO, FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS E LIVROS.
A Casa do Povo desejaria acudir a todas as necessidades dos seus associados por forma a pô-los a coberto de toda a miséria.
Não lho permitem, no entanto, os seus fracos recursos e é dentro das possibilidades destes que ela tem de exercer a sua acção de assistência, no sector referente à concessão de subsídios de invalidez, no parto, na lactação, no casamento e no fornecimento de medicamentos aos doentes e livros para a Instrução Primária.
Nestes termos, a Casa do Povo estabelece, para estas modalidades de assistência, as seguintes disposições:

I – O subsídio de invalidez será concedido - no limite das possibilidades da Casa do Povo e dentro das disposições legais – aos sócios efectivos tornados inválidos pela idade, ou por incapacidade permanente para o trabalho, reconhecida e comprovada por atestado médico, e que não disponham de quaisquer recursos nem tenham pessoas de família que possam prover ao seu sustento.
II – O subsídio no parto será concedido com carácter eventual aos sócios pobres ou indigentes, nos termos dos §§ 1º e 2º do artigo 256º do Código Administrativo em, vigor. O subsídio a conceder será o correspondente a oito dias de doença nos partos normais e quinze dias nos casos de complicação, comprovada pelo médico da Casa do Povo.
§ único. Os dias de doença por parto não serão contados para os efeitos do § 1º do artigo 59º dos Estatutos.
III – O subsídio para lactação será concedido aos filhos dos sócios que estejam ao abrigo do disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 256º do Código Administrativo, quando as mães não possam amamentar os filhos, por motivo de doença ou falta de leite. Este subsídio não será entregue aos pais, mas sim pago mediante factura, ao fornecedor do leite, cuja quantidade será estabelecida por receita do médico da Casa do Povo, depois de examinar a criança a que se destina.
IV – O subsídio no casamento só terá lugar aos casos de pobreza comprovada e quando haja prole a legitimar para a constituição legal da família. Este subsídio será de 100$00.
V – O subsídio para medicamentos será concedido aos sócios abrangidos pelo disposto nos referidos §§ 1º e 2º do artigo 256º do código administrativo e regulado, como todos os subsídios de que trata este Regulamento, por um são critério da Direcção, dentro dos recursos orçamentais, tendo sempre em consideração os casos de maior pobreza e gravidade.
VI – O fornecimento de livros aos filhos dos sócios, que frequentem a Escola Primária, fica sujeito ao critério disposto na cláusula V.
VII – Este Regulamento será modificado, quando as circunstâncias assim o aconselhem, sendo, nesse caso novamente submetido a aprovação superior.

Casa do Povo de Valongo do Vouga, 20 de Dezembro de 1942



O Presidente da Assembleia Geral
(Joaquim Soares de Sousa Baptista)

A Direcção
(João Baptista Fernandes Vidal)
(Joaquim Ferreira Rachinhas)
(Eduardo Vasconcelos Soares)



Nota: - Alguns considerandos e comentários podiam, historicamente, ser apontados. Mas parece que os mesmos são dispensáveis se se admitir as condições de vida e de meios no tempo em que isto se passou. Ou seja, não havia nada, comparando com a actualidade, pelo que o conteúdo daqueles benefícios sociais eram considerados bastante evoluídos e constituíam a primeira iniciativa naquilo que, hoje, são situações perfeitamente normais.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Saúde-Direito Universal?

As diferenças: Matar ou Morrer?

«Na altura eu própria tinha pouco mais de vinte anos e ia de um país onde não passava pela cabeça de ninguém desentubar, retirar o oxigénio, cortar o soro e os remédios a um doente a meio de um tratamento.»

Palavras de Laurinda Alves, jornalista, escritora, que pode ler aqui no Jornal I

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 4

Estatutos e primeiros titulares dos órgãos sociais
Reportamo-nos à acta do post anterior que relata os factos relacionados com a fundação da Casa do Povo de Valongo do Vouga, em termos oficiais. Mas não estava concluída a tarefa da legalização, para ser reconhecida oficialmente.
Faltavam os Estatutos e posteriormente as primeiras pessoas que deveriam integrar os seus órgãos sociais e que iriam começar a dirigir a Instituição e pô-la a funcionar, tendo em conta o espírito da sua criação e dos fins e objectivos que pretendiam ser alcançados.
Esta situação ocorreu no dia 19 de Abril de 1942, pelas 15 horas, em que se reuniram os sócios efectivos e contribuintes «interessados na execução dos trabalhos preparatórios da organização da Casa do Povo, para deliberarem o abaixo exposto», como se lê logo no início da acta, que foi assinada por todos os presentes e que terão sido convocados, como é admissível, para se pronunciarem sobre:
«Leitura dos Estatutos pelo professor João Baptista Fernandes Vidal. As pessoas presentes manifestaram a sua concordância com a redacção e pensamento do diploma orgânico da Instituição.», refere a mesma acta.
A seguir surgem as propostas para os órgãos sociais (era assim, não havia listas, as pessoas eram propostas à assembleia, como podemos confirmar mais tarde). Então a acta acrescenta: «O senhor António Marques da Silva Paula, propôs para os lugares de presidente da assembleia-geral e primeiro vogal substituto, respectivamente, os senhores Joaquim Soares de Sousa Baptista e Manuel Gomes Correia Sereno, proposta esta que mereceu entusiástica aprovação de todos os presentes, que se manifestaram com prolongada salva de palmas; em seguida o senhor António da Silva Magalhães propôs ao presidente da mesa, que por sua vez transmitiu à assembleia essa vontade, os senhores João Baptista Fernandes Vidal, para presidente da direcção, Joaquim Ferreira Rachinhas, para secretário e Eduardo Vasconcelos Soares, para tesoureiro e o senhor António Pereira Vidal para segundo vogal da assembleia-geral, proposta esta que teve, por parte dos presentes plena concordância e aceitação. Foi depois lido o projecto de orçamento para o segundo semestre do corrente ano pelo senhor João Baptista Fernandes Vidal, documento que foi aprovado pelos presentes.»

Estamos a dividir em duas partes a presente acta.
É que sobre esta justificam-se algumas considerações históricas e a primeira, que já referimos, consistia no facto de nas assembleias-gerais as pessoas para ocupar determinado cargo, eram propostas por alguém dos presentes, não se candidatavam. Era assim, porque o próprio regime político então existente a isso certamente impunha. Se existissem eleições com candidaturas próprias e votos secretos, era capaz de se considerar que havia algo subversivo.
Uma outra curiosidade consistia no facto de se proporem pessoas para presidente da assembleia-geral e para vogal substituto. Só depois é que se propunha o segundo vogal substituto deste órgão. E verificamos em actas posteriores este procedimento. Primeiro eram propostas as pessoas para a direcção e só depois era proposta uma pessoa para segundo vogal da assembleia-geral. Claro que, como se refere antes, a proposta para a mesa da assembleia-geral (duas pessoas) já tinha sido feita antes.
Curioso também, e de registar, é que não havia Conselho Fiscal.
Ficamos com esta primeira parte de um facto histórico sobre os primeiros passos da fundação da Casa do Povo de Valongo do Vouga, que o conterrâneo António Simões Estima, de outra forma, trata também, e bem, na sua monografia «De Ualle Longum a Valongo do Vouga». Não maçamos mais quem nos acompanha e brevemente voltamos com mais pormenores históricos, que na segunda parte desta assembleia também existem.
Perante os factos relatados, na Casa do Povo os primeiros titulares dos órgãos sociais, foram:
ASSEMBLEIA-GERALPresidente: - Joaquim Soares de Sousa Baptista
1º Vogal: - Manuel Gomes Correia Sereno
2º Vogal: - António Pereira Vidal
DIRECÇÃOPresidente: - João Baptista Fernandes Vidal
Secretário: - Joaquim Ferreira Rachinhas
Tesoureiro: - Eduardo Vasconcelos Soares

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

GAFANHA DA NAZARÉ-Festival do Bacalhau


Festival espera servir oito toneladas de bacalhau


(Foto 'retirada' do blogue Pela Positiva, de F. Martins-Gafanha, com a devida vénia, como se impõe)


É isto mesmo. O festival do bacalhau que está a decorrer na cidade da Gafanha da Nazaré, integrado nas festas do concelho Ilhavense, a capital portuguesa do bacalhau, como muito bem é apelidada num dos melhores blogues regionais (e nacionais) conhecido por "Pela Positiva" de Fernando Martins, deve chegar ao consumo da módica quantidade de oito toneladas do "fiel amigo" que, segundo dizem, deixou de ser amigo de todos, mas só de alguns...
Por isso, convido a que leia a notícia aqui no Diário de Aveiro.

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 3

SÓCIOS FUNDADORES: 452

Novo edifício administrativo e outros serviços da Casa do Povo

Após iniciados os trabalhos da assembleia que esteve na origem da fundação da Casa do Povo de Valongo do Vouga, como bem documenta a acta que temos vindo a analisar, continua a mesma nos seguintes termos:
«Pelo citado senhor Joaquim Soares de Sousa Baptista foi presente um inquérito por ele mandado organizar, de cujo estudo resultou a classificação de CENTO E NOVENTA SÓCIOS CONTRIBUINTES e DUZENTOS E SESSENTA E DOIS EFECTIVOS, sendo separados uns dos outros pela importância de setenta escudos da contribuição predial. As cotas foram estabelecidas como segue: - Os sócios contribuintes cuja contribuição predial seja de setenta a duzentos escudos, pagarão a cota mensal de três escudos; de duzentos e um a trezentos, a de três escudos e cinquenta centavos; de trezentos e um a quatrocentos, a de quatro escudos; de quatrocentos e um a quinhentos escudos, quatro escudos e cinquenta centavos; de quinhentos e um a setecentos escudos, a de cinco escudos; de setecentos e um a novecentos escudos, a de cinco escudos e cinquenta centavos, e os de mais de novecentos escudos de contribuição predial pagarão a cota de seis escudos.
Os sócios efectivos, cuja contribuição predial vá até vinte escudos, pagarão a cota mensal de um escudo e cinquenta centavos; de vinte e um a cinquenta escudos, a de dois escudos; de cinquenta e um a setenta escudos, a de dois escudos e cinquenta centavos. Os membros da Comissão Organizadora declararam ainda que, além das cotas que pelo estabelecido lhes venham a caber, não deixariam de auxiliar esta prestimosa Instituição na medida das suas possibilidades. Aprovado por unanimidade o que fica exposto, resolveu mais a Comissão tornar público, por meio de editais e toda a melhor divulgação, o relato das suas resoluções, durante trinta dias, para conhecimento de todos os associados inscritos, a fim de estes apresentarem as considerações que se lhes oferecerem, para serem ponderadas e resolvidas conforme o merecerem. Findo o referido prazo, o senhor presidente designará o dia para a eleição da direcção e da mesa da assembleia-geral. E, não havendo mais nada que tratar, foi encerrada a sessão, da qual, para constar. Se lavrou esta acta que vai ser assinada por todos os membros da Comissão e que eu, João Baptista Fernandes Vidal, secretário, escrevi, subscrevi e também vou assinar. »
(seguem-se as assinaturas dos presentes, sendo a última a do professor Vidal, como mandavam as regras).

*********
É interessante recordar que aqui apenas houve uma decisão colectiva sobre as cotas que cada sócio havia de pagar. Escalonaram-se através de um processo que hoje é muito badalado em termos políticos e não só: quem tinha mais, pagava mais. Por outras palavras, a contribuição predial (para quem se lembra, que era aplicada até há pouco tempo aos prédios rústicos e urbanos) se fosse mais elevada, seria porque o seu proprietário tinha mais propriedades e podia mais que aquele que apenas tinha uma tira de terreno, ou até nem tinha nada.
Só não percebo, pelo que conheço até agora, o porquê da distinção, na palavra, de sócios contribuintes e sócios efectivos. Vamos lá a ver se conseguimos mais adiante clarificar isto.
Um facto curioso; o número de sócios, naquele tempo, pela ausência do hábito de associativismo que existia, era assinalável: 452 (quatrocentos e cinquenta e dois) sócios, terão sido os fundadores da Casa do Povo de Valongo do Vouga. Merece destaque! Gostava de ter aqui uma lista identificativa. Mas não tenho...
Quanto aos hábitos de associativismo, também devo dizer que não me parece ser muito diferente dos tempos actuais. Mas o número de sócios, agora, é substancialmente superior, talvez o triplo.

Cântico Negro de José Régio - Declamado por João Villaret

Estes dois vídeos apresentam o mesmo poema, do mesmo autor, declamado por dois actores diferentes. Ficam ambos e veja de qual gosta mais. Se do actor João Villaret (este) ou do actor Marco de Almeida (o anterior). O Poema é de uma beleza e de uma mensagem ímpar, que já tive oportunidade, aqui há muitos anos, de o declamar num espectáculo organizado por trabalhadores, no Cefas em Águeda.

Cântico Negro - José Régio

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Que fiz eu para merecer isto?

A incompreensível justiça de Deus


Que fiz eu para merecer isto? Tropeçamos a cada passo da nossa vida com esta pergunta que todos e cada um normalmente faz no momento de acontecimentos inesperados e, principalmente, quando tais acontecimentos ressaltam para a via do sentimento doloroso e brutal do nosso ser. Especifico, concretamente, o caso da perda súbita de familiares e/ou até amigos intímos. Fazem-se interrogações que ninguém esclarece. Atitudes de pânico, revolta, raiva, que nada nem ninguém explica para amenizar o inexplicável. Enfim, situações que cada um de nós certamente já passou. As palavras mais populares (chamemos-lhe assim) que se ouvem são as de que Deus é injusto... ou melhor... se Deus existisse, isto não acontecia...
Vamos abreviar. Isto que abordo neste sítio, é muito complicado, dizem. Concordo. E trago à colação esta questão por causa de um livrinho que estou a ler e que tem por título exactamente o título e sub-título deste post. «Que fiz eu para merecer isto? - A incompreensível justiça de Deus», reforço. Tem 15o páginas, lê-se bem, o seu autor é Anselm Grün, edições Paulinas, Junho de 2007 (http://www.paulinas.pt/).
Não vou ocupar agora mais espaço, para não maçar, falando do autor, mas apenas transcrever meia dúzia de linhas, que acho bastante interessantes, além de outras passagens importantes por lá espelhadas. Diz assim o autor, na página 104/105:


«Por cada morte de entes queridos nasce um sentimento de culpa. Porque é que eu não lhe disse o quanto gostava dele? Porque é que falámos tão pouco sobre aquilo que é importante, aquilo que verdadeiramente nos sustenta? Porque é que eu não quis admitir que ele estava gravemente doente? Porque é que não aproveitei a hipótese de me despedir conscientemente dele?
Também aqui é importante apresentar os sentimentos de culpa a Deus e depois largá-los, enterrá-los e não estar constantemente a escavar sobre eles. Devemos agora estabelecer contacto com aquele que morreu, pedir-lhe que nos acompanhe a partir do Céu, que interceda por nós junto de Deus, para que a nossa vida tenha sucesso. E podemos perguntar-lhe: "Que queres tu de mim? Que devo eu fazer? Como devo viver?" Certamente que aquele que morreu não quer que nos dilaceremos com sentimentos de culpa. Quer que nos dediquemos à vida e que, com base na memória dele, tornemos real aquilo que está em nós. A mensagem que ele nos queria transmitir, através da sua vida e morte, pode constituir uma ajuda para isso.»

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 2

Os Cidadãos da Fundação



Voltando à “Acta das deliberações da Comissão Organizadora da Casa do Povo da freguesia de Valongo do Vouga”, datada de 15 de Fevereiro de 1942, que marcou, como no dizia em post anterior, a fundação desta Instituição, terminava na altura a transcrição desta acta com frase «se reuniram os cidadãos…» e deixava as reticências como indicador que a frase continuava.
E a sua continuação era para dizer quais eram os cidadãos presentes nesta reunião, feita por convite de Sousa Baptista, com vista à legalização da existência da Casa do Povo.
Penso ser coerente e respeitável deixar expressos os seus nomes, pois se aceitaram o convite, se estiveram presentes, se participaram nos trabalhos, o que é certo é que a Instituição também não podia “nascer” sem eles, apesar do grande obreiro ter sido Sousa Baptista, como os próprios reconhecem através do conteúdo da referida acta e que a seguir se transcreve. E os referidos nomes são os seguintes:
António Pereira Vidal, Manuel Gomes Correia Sereno, Joaquim Soares de Sousa Baptista, António Soares de Sousa Baptista, Dr. Eduardo da Silva Bastos, José Pereira Simões, Alberto António Henriques, Alberto Duarte Sucena, José Duarte Martins, Manuel Tavares Corga, Ernesto Gomes da Silva, António Marques da Silva Paula, José Correia de Bastos, Abílio Simões Gomes, José Henriques da Silva, José dos Santos Guarino, Abílio da Fonseca Morais, Artur Martins Pereira, Urbano Valente, como representante da Sociedade Agrícola de Aguieira, Álvaro de Oliveira Bastos, Joaquim Duarte, Joaquim da Silva, António Nunes de Melo e João Baptista Fernandes Vidal.Isto para concluir também que além do seu impulsionador mais preponderante, estes também foram fundadores da Casa do Povo de Valongo do Vouga.
Esta reunião tinha por objectivo «proceder à classificação dos sócios inscritos e estabelecimento das respectivas cotas. O patrono desta Casa do Povo (aqui está o reconhecimento dado, que acima me refiro) referido senhor Joaquim Soares de Sousa Baptista, depois de ter exposto os fins desta reunião e a grande vantagem das instituições das Casas do Povo, propôs para presidente desta sessão o senhor António Pereira Vidal, por ser o maior contribuinte, para vice-presidente o senhor Manuel Gomes Correia Sereno e para secretário João Baptista Fernandes Vidal, o que foi aprovado por unanimidade, tomando estes a seguir os seus lugares, sendo aberta a sessão e dando-se logo início aos trabalhos.»Esta a transcrição de uma parte da acta. De qualquer forma, ressalta de imediato que as coisas deviam funcionar como mandam as regras. Por outro lado, o modo de funcionamento e do convite feito a pessoas, à frente de uma assembleia, era sinal que ainda não haviam estatutos ou outro regulamento legal que lhe desse cobertura.
Vamos dando conta do conteúdo da acta para se poder avaliar, em pormenor, como foram as coisas da Casa do Povo, principalmente na sua fundação.
Por isso, fica para próximo capítulo mais algum conteúdo daquela acta.
Fico à sua espera para me acompanhar na memória desta história da freguesia…

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A região na visão do escitor

A PAISAGEM DO VALE DO VOUGA

Da estrada para a banda do rio assenta a vila de Lamas. Para o oriente abrange a vista as vinhas e margens do Vouga, as férteis terras de Valongo e do Brunhido, o vale onde corre o Alfusqueiro e a encosta graciosa de Macinhata, perdendo-se o rio estrangulado entre montanhas para lá de Jafafe e de Açores e rodeando o horizonte a lomba gorda do Arestal, os dentelados e agudes cumes da serra das Talhadas e os vultos grandiosos do Caramulo e do Buçaco que fecha ao sul o quadro, depois de extensos pinheirais.
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Infanções antigos de Santa Maria, soberbos e poderosos mais que todos os nobres daquelas redondezas, deviam os senhores do Marnel construir o seu ninho de Águias, no viçoso daquele cabeço, dominando os vales do Vouga e do Marnel e aquela chave da passagem de sul para o norte.
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Era admirável o panorama em torno, espraiando-se ao poente numa larga bacia cortada pelo Vouga até à confluência do Águeda e circundada por colinas verdejantes onde ressaltam os povoados, também com tradições históricas, de Alquerubim, da Trofa, de Segadães e do Amial. Ao norte domina-se a ponte na longa fita da estrada rial e a antiga vila de Vouga, banhando nas águas do rio a vetusta ascendência da romana cidade de Vacca ou Vácua, cortando o horizonte uma extensa floresta que serve de fundo à velha Albergaria de D. Tareja, estendida para lá da mata de Serém.
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Aos pés ficam-lhe como no fundo de vasto anfiteatro, a lagoa estendida até à velha ponte de arcos caracteristicamente românicos e mais ao lado até à ponte nova, os pântanos do Marnel no lodaçal esverdeado...

(Alguns excertos sobre a descrição do Vale do Vouga, talvez como ele era nos finais do século XIX ou princípios do século XX, inserido no livro «OS SENHORES DO MARNEL», de Vaz Ferreira, editado em 1925, pela Imprensa Libânio da Silva - Lisboa)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

As coisas do futebol

Artur Agostinho: De bradar aos céus!


"Felizmente não sou apenas eu a "dar na cabeça" - permitam-me a expressão - de um dos mais importantes cidadãos do mundo da bola. É desse mesmo que estou a falar. Do sr. Joseph Blatter, dono e senhor todo-poderoso do futebol do planeta Terra.

Tudo começou por força de um protesto, enviado à FIFA pelo presidente da Associação Dinamarquesa de Futebol, reclamando contra a forma como foram festejados alguns golos na final da Taça das Confederações. E não se pense que nessas celebrações houve atitudes impróprias ou gestos obscenos. Nada disso! Apenas gestos de agradecimento a Deus, por quem tem o direito de n'Ele acreditar, e que não visavam ofender fosse quem fosse."

Artur Agostinho, in Jornal Record



A Festividade de Nª Sª do Socorro

Albergaria-a-Velha: Nossa Senhora do
Socorro “chama” milhares ao Bico do Monte


É sagrado. No terceiro domingo de Agosto, a colina do Bico do Monte, em Albergaria-a-Velha, enche-se de fiéis e pagadores de promessas para prestarem homenagem a Nossa Senhora do Socorro.

Veja a notícia no Diário de Aveiro, clicando aqui

Casa do Povo de Valongo do Vouga - 1

A data oficial da fundação



Edifício primitivo da Casa do Povo (1º corpo, até à 2ª janela branca). O 2º corpo, para poente, (com escadas em declive) foi ampliado posteriormente
 
Além deste, vamos dedicar alguns post's à história da fundação da Casa do Povo de Valongo do Vouga. É dispensável repetir as repercussões que teve na vida da população da freguesia nos meados do século passado e de todo o empenho que o seu fundador dedicou a esta obra e aos seus objectivos. Já foi dito muito? Talvez... mas repetir, não será demais, pelo espírito com que Sousa Baptista olhava e sentia a vida de todos os concidadãos.
O que sei, por pesquisas efectuadas, é que há alguns nacos de história (pormenores) que talvez não sejam do conhecimento geral ou que não representem mais-valia para evidenciar os aspectos históricos mais importantes e tenham sido, com base nestes pressupostos, deixados em descanso nas prateleiras.
Porém, a este facto se refere com pormenor o nosso conterrâneo António Simões Estima, que através de várias actas dá uma completa panorâmica histórica da Casa do Povo, nomeadamente com a digitalização de todas as folhas da acta das deliberações da Comissão Organizadora e que aqui apenas deixamos, por amostra, a primeira página.
Esta tem a data de 15 de Fevereiro de 1942. Por aquilo que escreveu e transcreveu aquele conterrâneo, na sua obra «De Ualle Longum a Valongo do Vouga - subsídios monográficos», edição da Casa do Povo em 2003, páginas 223 e seguintes - ficamos com a percepção que o edifício da Casa do Povo já estava construído quando ocorre a primeira reunião da Comissão Organizadora, como refere António Estima. Logo, admitimos que a fundação oficial terá ocorrido naquela data - 15 de Fevereiro de 1942 - e esta Comissão teve a seu cargo a organização e oficialização da Instituição face ao Decreto-Lei 23.051, que regia a criação e funcionamento das Casas do Povo em todas as freguesias rurais.
Esta teoria é confirmada quando se lê na acta (que está feita avulsa, em papel de 25 linhas e só mais tarde transcrita para o livro de actas da Assembleia-Geral) que «aos quinze dias do mês de Fevereiro de mil novecentos e quarenta e dois, pelas catorze horas, na Casa do Povo desta freguesia de Valongo do Vouga, concelho de Águeda e a convite do senhor Joaquim Soares de Sousa Baptista, promotor da criação desta Casa do Povo e ofertante deste importante edifício onde ela há-de funcionar se reuniram os cidadãos...»
Ora, não oferece dúvidas que:

a) - A reunião ocorre já no edifício;
b) - A convite do Sr. Sousa Baptista;
c) - Promotor (principal) da existência, na freguesia, de uma Casa do Povo;
d) - Ofertante do importante edifício onde vai funcionar. Não iria oferecer alguma coisa que não existisse. Quando a reunião se realiza, como bem fica explícito na acta, o edifício já lá estava.
E parece também que não estamos a dizer nada de novo. Isto penso eu...
Mais pormenores daqui a algum tempo...
Até breve...

domingo, 16 de agosto de 2009

Conceitos em ent(revista)

ENTREVISTA DE MARCELO REBELO DE SOUSA



Nota prévia: - O prof. Marcelo Rebelo de Sousa não necessita de explicações em pormenor para ser apresentado. É que estava de volta dos meus links de jornais, quando noto no «Jornal i on line» uma entrevista que concedeu à conceituada jornalista Laurinda Alves. Não a conheço pessoalmente, mas também precisa pouco de apresentações. Além do conceito referido como jornalista e escritora, fez uma incursão na política para o PE, é uma pessoa que colaborou com alguns serviços da Diocese de Aveiro, nas áreas da formação e dos colóquios. Entrevistou para aquele diário o prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Creio que mais palavras são dispensáveis. Não sou, no que se pode afirmar, um grande postulante das opiniões do professor. Os comentários que estão a juzante da entrevista, são da conta de quem os faz, porque nestes dá a impressão que o fazem demonstrando grande dose de razão. Mas é caso para dizer também: «se ninguém fala de mim, é porque não tenho importância ou valia alguma». A entrevista, aconselho a sua leitura, por ser interessante. Deixo aqui este pequeno resumo: Ora clique aqui pf:

Quantos anos lhe apetecia viver mais?
Sou providencialista: aqueles que Deus quiser. Agora, sem ser providencialista, acho que estou aqui para cumprir determinadas missões no domínio do ensino, da comunicação com os outros, da pedagogia e da transmissão aos outros. O Amigo lá de cima decidirá se é daqui a dois, cinco, dez ou 15 anos. Mas eu tenho uma teoria que descobri agora: as pessoas morrem como vivem. Se vivem pachorrentamente, serenamente, morrem assim. Se vivem de forma violenta, abrupta, morrem assim. Há uma frase em latim que diz tales vita finis ita - tal vida, tal morte. O que quer dizer que já há muitos séculos se pensava isso. Eu, como tenho uma vida particularmente agitada, provavelmente vou ter uma morte agitada.

As voltas que o mundo dá...

OUVINTES DA REGIONAL DE AVEIRO FIZERAM FESTA RIJA
(OS CORSÁRIOS DE VALONGO)

( Do Diário de Aveiro, quarta-feira, 19 de Junho de 1991, com a devida vénia)



Foi simpática e foi bonita a festa de convívio que os ouvintes da Rádio Regional de Aveiro promoveram no passado domingo na Quinta do Picado. Centenas de pessoas, algumas vindas de terras distantes, acorreram à chamada da amizade e, cedo ainda, demandaram terras de Aveiro. A Quinta do Picado caprichou em receber: engalanou o tapete das ruas, enfeitou as margens das estradas e deu ar de festa grande ao pavilhão da Associação Carocho. E o despertar das gentes fez-se com a Fanfarra do Centro Paroquial de S. Bernardo e a Banda da Escola de Música da Quinta do Picado a percorrerem as principais ruas da localidade, seguindo-se uma actuação alternada em que uns e outros foram exímios.
A manhã e a tarde separou-as a missa campal. O pároco de S. Bernardo, padre Félix, rezou-a, apesar de ser frágil neste momento o seu estado de saúde. Mas ele esteve no início destas iniciativas, compreendeu-as e incentivou-as desde sempre e como poucos, pelo que a sua presença era quase que uma questão de honra, sua e da comissão organizadora. Naturalmente que as palavras por si proferidas foram de incentivo à amizade, à solidariedade e a todos os movimentos que visem o bem-estar das pessoas. Todos o escutaram. Muitos o terão ouvido.
De tarde, foi a folia. Variedades seguidas, com artistas e grupos da nossa zona. E sempre mais público a chegar, como que a não querer que o sol se pusesse naquela tarde de alegria e movimento.
Passaram pelo palco o Armando Martins, Francisco Gamelas (a merecer mais oportunidades), D. Lizete (que bela voz e que bem canta o fado!), Mário Melo e Justina Abrantes (fez enormes progressos do ano passado para cá), os «Meninos do Vouga» (atenção a este grupo: é mesmo bom), o Rancho Infantil de Alagoas Santa Joana de Aveiro, Rancho das Lavradeiras de Sarrazola e, vindos de Valongo do Vouga, a Orquestra e Coral «Os Corsários» (outra actuação de muito destaque)
Foi uma tarde cheia. Tanto, que se sentiu dificuldade em coordenar as subidas ao palco. Mas a verdade é que já a noite vinha quando se começou a arredar pé e muitos foram os que levaram o dia noite dentro e viram chegar a madrugada. Acabava assim o segundo convívio dos ouvintes da Rádio Regional (93.6 MHz) iniciativa que começa a ganhar raízes e provavelmente se repetirá pelos anos fora.

(Esta foi a reportagem do matutino acima citado, na qual participaram os Valonguenses que figuram na digitalização feita à foto que acompanhava a reportagem referida deste jornal. O destacado a negrito é da minha autoria. Esta festa teve lugar, como se diz na reportagem, no domingo dia 16 de Junho de 1991, na Quinta do Picado, Aveiro. Na foto digitalizada são visíveis pessoas conhecidas, entre elas, uma pelo menos, que todos conhecemos e que (apesar de muito jovem) já não está entre nós.)

Crime e violência!

Empresária sequestrada ficou nua e sem cabelo


Neste blogue, como já deve ter reparado, tenho na barra lateral alguns links com vários órgãos de comunicação social, pelos quais pode consultar facilmente e rapidamente as notícias sempre de última hora e de forma cómoda.
Só que está aqui uma notícia que pelo inédito que constitui e pela violência que facilmente se percebe, não deixei de a trazer mais visivel e destacadamente a este post.
Está no Jornal de Notícias. Quer ler? Clique aqui.

sábado, 15 de agosto de 2009

Coisas e Loisas - 4

A QUINTA D'AGUIEIRA E OS EFEITOS DA PUBLICIDADE


Já não sei em que Jornal, mas uma vez na revista de um deles, creio que no «Expresso», havia uma publicidade da Quinta d'Aguieira e que se referia aos seus afamados vinhos. A curiosidade não era a publicidade e as garrafas do precioso néctar. A curiosidade estava na fotografia que dava uma saliente nota à mensagem publicitária.
Fotografia essa que, como se pode ver, era a Quinta d'Aguieira num ângulo que até esta altura ninguém tinha utilizado, se não estou em erro.
Só sei que, a partir daquele momento, foi ver um manacial de fotografias alusivas em qualquer publicação, que até eu fiquei influenciado e preso por aquela imagem e, vai daí, comecei também a apresentar fotografias, por mim tiradas, nas publicações em que participava.
Mais um pormenor. Vendo bem a página da revista onde consta esta publicidade com a fotografia da Quinta d'Aguieira, não existe nome da revista, não existe data, não existe nada...
Penso até que naquela altura a Quinta ainda não era propriedade da Sociedade Agrícola da Quinta da Aveleda, SA. Na página seguinte a esta, está uma publicidade sobre a recolha de sangue, do Instituto Nacional do Sangue e penso que esta situação se reporta ao ano de 1999 ou 2000.
Fica, para já, o registo do facto e da história que conheço.

Há ainda um outro pormenor a registar. É que, quando em 1989, ou antes, procedia à recolha de elementos para o folclore, não posso deixar passar em claro os rótulos utilizados, naquela altura, pela empresa, dos quais, apenas para recordar, aqui deixo dois digitalizados e que aqui tinha guardados há vários anos. E parece que são iguais aos que se encontram nas garrafas!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As voltas que o mundo dá...

O FOLCORE DA CASA DO POVO EM FRANÇA


No «Diário de Aveiro» de 8 de Junho de 1991, cuja digitalização aqui reproduzimos, o sr. Jorge Corga foi o autor da notícia que a seguir transcrevemos na íntegra:

«O Rancho Infantil da Casa do Povo de Valongo do Vouga, está a preparar a sua digressão por terras de França, nomeadamente a Labouheyre e Bordeaux, onde se desloca de hoje até ao próximo dia 10 de Junho, a fim de ali efectuar actuações para a colónia de portugueses radicados naquela zona.
O rancho infantil vai estar hoje presente num baile a realizar na primeira localidade, no clube local dos portugueses ali radicados.
Aguardada com enorme ansiedade pelas crianças, esta viagem é sem dúvida o seu baptismo internacional, pois trata-se da sua primeira actuação fora do nosso país. Elas irão por certo caprichar para que o nome da sua terra Valongo do Vouga, dignifique o nosso concelho de Águeda e o distrito de Aveiro.
Após o seu regresso daremos mais pormenores do que foi a sua actuação por terras de França.
a) - Jorge Corga»

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